{"id":23924,"date":"2007-04-06T19:05:13","date_gmt":"2007-04-06T19:05:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/06\/celebrar-adorando-adorar-celebrando\/"},"modified":"2007-04-06T19:05:13","modified_gmt":"2007-04-06T19:05:13","slug":"celebrar-adorando-adorar-celebrando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/celebrar-adorando-adorar-celebrando\/","title":{"rendered":"Celebrar adorando, adorar celebrando"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Patriarca de Lisboa na Missa da Ceia do Senhor <!--more--> \u201cCelebrar adorando, adorar celebrando\u201d  Homilia da Missa da Ceia do Senhor S\u00e9 Patriarcal, 5 de Abril de 2007   \t1. Esta celebra\u00e7\u00e3o da \u201cCeia do Senhor\u201d evoca, para n\u00f3s, uma dupla rela\u00e7\u00e3o: a da Ceia Pascal de Jesus com a Eucaristia da Igreja e desta com a voca\u00e7\u00e3o da Igreja de se identificar com Jesus Cristo, na radicalidade do seu dom, perfei\u00e7\u00e3o da caridade. \tA \u201c\u00faltima Ceia\u201d, n\u00e3o foi a celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da Eucaristia. Este \u00e9 uma realidade post-pascal, em que a Igreja perpetua a salva\u00e7\u00e3o que Cristo mereceu, para n\u00f3s, na Sua P\u00e1scoa, vivida e aplicada aos homens de cada tempo e de cada gera\u00e7\u00e3o. Mas aquela ceia pascal est\u00e1 carregada do sentido, que inspirou a viv\u00eancia do sacramento da Eucaristia desde a Igreja nascente: a significa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da refei\u00e7\u00e3o, como mem\u00f3ria e actualidade de comunh\u00e3o; a intensidade de amor de Jesus Cristo, fruto da profundidade com que Ele vive aquele momento de consuma\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o, fonte da caridade que h\u00e1-de unir a Igreja; a novidade de exprimir no p\u00e3o repartido e na ta\u00e7a partilhada, o realismo do Seu Corpo oferecido e do Seu Sangue derramado. Por tudo isso, a Eucaristia ser\u00e1 sempre celebrada como a P\u00e1scoa da Igreja, que vive do Senhor ressuscitado, ao ritmo do Esp\u00edrito. Assim a carga simb\u00f3lica e a for\u00e7a significativa da Ceia Pascal ajudar\u00e3o a Igreja, em cada tempo, a redescobrir o sentido e a centralidade da Eucaristia. \u00c9 o que pretendo fazer, hoje, convosco, nesta tarde de Quinta-Feira Santa: redescobrir o mist\u00e9rio da Eucaristia na nossa Igreja de Lisboa. Convida-nos a isso a recente Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica do Santo Padre sobre a Eucaristia \u201cSacramento da Caridade\u201d. Quero centrar-me, de modo particular, na insepar\u00e1vel unidade entre celebra\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o, para aprendermos a celebrar a Eucaristia, adorando, e a adorar Jesus Cristo na Eucaristia, celebrando este mist\u00e9rio insond\u00e1vel.  \t2. Antes de mais, devemos tomar consci\u00eancia das altera\u00e7\u00f5es verificadas, desde o Conc\u00edlio para c\u00e1, na compreens\u00e3o e na viv\u00eancia da Eucaristia. A reforma lit\u00fargica, promovida pelo Conc\u00edlio, centrou-se na valoriza\u00e7\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, principal express\u00e3o da Igreja comunh\u00e3o. Tomou-se consci\u00eancia de que a \u201cEucaristia faz a Igreja\u201d, segundo a express\u00e3o de S\u00e3o Cipriano. A Igreja afirma-se e define-se na maneira de celebrar a Eucaristia. V\u00ednhamos, \u00e9 certo, de um tempo, que muitos de n\u00f3s ainda vivemos, em que se acentuava o culto da real presen\u00e7a de Jesus Cristo na reserva eucar\u00edstica: a comunh\u00e3o frequente, mesmo fora da celebra\u00e7\u00e3o; a adora\u00e7\u00e3o, permanente ou frequente, de que os tronos barrocos das nossas Igrejas s\u00e3o um sinal; as Confrarias e Irmandades dedicadas ao culto do Sant\u00edssimo Sacramento; as prociss\u00f5es eucar\u00edsticas; o h\u00e1bito da visita pessoal a Jesus eucar\u00edstico, no sil\u00eancio das nossas Igrejas, ent\u00e3o sempre abertas. N\u00e3o era objectivo da reforma lit\u00fargica, ao valorizar a celebra\u00e7\u00e3o, relativizar ou menosprezar estas express\u00f5es do culto eucar\u00edstico. Mas isso aconteceu. O pr\u00f3prio Papa, ao apresentar-nos a s\u00edntese do S\u00ednodo sobre a Eucaristia, o reconhece, ao afirmar: \u201cquando a reforma dava os primeiros passos, aconteceu, \u00e0s vezes, n\u00e3o se perceber com suficiente clareza a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre a Santa Missa e a adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento\u201d . \tA express\u00e3o mais grave deste div\u00f3rcio encontramo-la naqueles que relativizaram a sua f\u00e9 na Presen\u00e7a real. Para esses, o p\u00e3o repartido na celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas o s\u00edmbolo de uma comunh\u00e3o situada naquele momento. Para o comer basta o desejo de comunh\u00e3o com aqueles irm\u00e3os, descurando a convers\u00e3o, a pureza do cora\u00e7\u00e3o e a plena comunh\u00e3o com a f\u00e9 da Igreja, condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, exigidas pela santidade de Deus, para acolher em n\u00f3s o pr\u00f3prio Cristo Vivo. N\u00e3o acreditar que nas esp\u00e9cies eucar\u00edsticas est\u00e1 realmente presente o Senhor, \u00e9 esvaziar a Eucaristia da sua verdade e da sua for\u00e7a. Ela deixa de ser um acontecimento inaudito de Deus, pelo poder do Esp\u00edrito, para se reduzir a uma ac\u00e7\u00e3o humana, porventura bela e carregada de emo\u00e7\u00e3o.  \t3. N\u00e3o pode haver dicotomia entre celebra\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o. Na sua verdade profunda, a pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o, sobretudo a comunh\u00e3o, \u00e9 acto de adora\u00e7\u00e3o. A Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica cita, a este respeito, uma frase de Santo Agostinho: \u201cNingu\u00e9m come esta carne, sem antes a adorar. Pecar\u00edamos se n\u00e3o a ador\u00e1ssemos\u201d . Toda a celebra\u00e7\u00e3o deve ser um acto de adora\u00e7\u00e3o. O Santo Padre acrescenta: \u201cNa Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-se connosco; a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 apenas o prolongamento vis\u00edvel da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, a qual, em si mesma, \u00e9 o maior acto de adora\u00e7\u00e3o da Igreja. Receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adora\u00e7\u00e3o d\u2019Aquele que comungamos\u201d . \tPorque \u201co acto de adora\u00e7\u00e3o fora da Santa Missa prolonga e intensifica aquilo que se faz na pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica\u201d, a adora\u00e7\u00e3o tem car\u00e1cter celebrativo, \u00e9 um acto de culto. A adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, tornada atitude habitual, conduz o crist\u00e3o a dar dimens\u00e3o celebrativa a toda a sua vida, e a descobrir o seu sentido nesta rela\u00e7\u00e3o adorante com Cristo Vivo. A Eucaristia vai-se tornando a express\u00e3o natural da nossa vida em Cristo, aut\u00eantico culto espiritual, agrad\u00e1vel a Deus, na linha do que escrevia S\u00e3o Paulo aos Romanos: \u201cPe\u00e7o-vos, irm\u00e3os, pela miseric\u00f3rdia de Deus, que ofere\u00e7ais os vossos corpos como sacrif\u00edcio vivo, santo, agrad\u00e1vel a Deus. Tal \u00e9 o culto espiritual que Lhe deveis prestar\u201d (Rom. 12,1), texto que o Santo Padre comenta assim: \u201cnesta exorta\u00e7\u00e3o aparece a imagem do novo culto como oferta total da pr\u00f3pria pessoa em comunh\u00e3o com toda a Igreja. A insist\u00eancia do Ap\u00f3stolo na oferta dos nossos corpos sublinha o realismo humano de um culto que n\u00e3o \u00e9 desencarnado\u201d. Nesta oferta de toda a nossa vida, atinge-se a dimens\u00e3o sacrificial da Eucaristia, mesmo quando a adoramos. \u201cExprime-se aqui toda a densidade existencial, implicada na transforma\u00e7\u00e3o da nossa realidade humana alcan\u00e7ada por Cristo\u201d .  \t4. Adorar o Senhor na Eucaristia pode ser experi\u00eancia decisiva na transforma\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9 e, como consequ\u00eancia, da nossa vida. Os textos sagrados e a tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja viva mostram-nos, muitas vezes, esta transforma\u00e7\u00e3o de uma f\u00e9 tradicional no Deus de nossos pais, numa f\u00e9 que brota de um encontro pessoal com o Deus Vivo. O Deus de nossos pais, o Deus de Abra\u00e3o, de Isaac e de Jacob, ou o Cristo da maior parte dos crist\u00e3os, pode ser o suficiente para fundamentar uma f\u00e9 religiosa, mas incapaz de provocar as grandes mudan\u00e7as de vida, que levam a encetar caminhos novos de ousadia e de miss\u00e3o. Foi assim com Mois\u00e9s no Sinai, com Isa\u00edas no Templo de Jerusal\u00e9m, com os Ap\u00f3stolos de Jesus, com Saulo na estrada de Damasco. Foi um encontro vivo com o Deus Vivo, que os fez encontrar com Deus como algu\u00e9m inevit\u00e1vel, com um projecto e uma proposta de amor. A resposta \u00e9 sempre a mesma: Eis-me aqui, envia-me; Senhor, que queres que eu fa\u00e7a?, e deixaram tudo e seguiram Jesus. \tEstamos habituados a considerar estes encontros marcantes com o Deus Vivo reservados a figuras extraordin\u00e1rias, a quem Deus escolheu para miss\u00f5es especiais. A surpresa da P\u00e1scoa crist\u00e3 \u00e9 que, depois do dom do Esp\u00edrito Santo, este encontro vivo com o Deus Vivo est\u00e1 ao alcance de todos e o Senhor deseja faz\u00ea-lo com cada crente. E o grande Sacramento desse encontro \u00e9 a Eucaristia, que lhe retira o aparatoso da teofania, sem o privar da intimidade exigente e transformadora. S\u00f3 o Senhor sabe quantas vidas mudaram diante da Eucaristia: a\u00ed se decidiram caminhos de entrega generosa, \u00e0 miss\u00e3o ou ao amor dos irm\u00e3os; a\u00ed se descobriu o amor com a marca do divino; a\u00ed aconteceram manifesta\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias do amor infinito de Cristo, que deseja muito ser amado; a\u00ed, no sil\u00eancio da ora\u00e7\u00e3o, se decidiram etapas positivas da humanidade. E tudo isto por uma raz\u00e3o simples de perceber: \u00e9 porque a Eucaristia \u00e9 o Sacramento do amor, a fonte da caridade.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Patriarca de Lisboa na Missa da Ceia do Senhor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[261,275],"class_list":["post-23924","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-missoes","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23924","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23924"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23924\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}