{"id":23921,"date":"2007-04-05T18:27:56","date_gmt":"2007-04-05T18:27:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/05\/eucaristia-no-centro-da-familia\/"},"modified":"2007-04-05T18:27:56","modified_gmt":"2007-04-05T18:27:56","slug":"eucaristia-no-centro-da-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/eucaristia-no-centro-da-familia\/","title":{"rendered":"Eucaristia no centro da fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de Braga na Missa da Ceia do Senhor <!--more--> Numa evoca\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o do sacerd\u00f3cio ministerial, acolhendo o mandato do amor e o dom da Eucaristia, podemos compreender a miss\u00e3o duma outra voca\u00e7\u00e3o que s\u00f3 se compreende \u00e0 luz do \u201camai-vos uns aos outros\u201d. A vida em fam\u00edlia, concretiza\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia do Sacramento do Matrim\u00f3nio, encontra na liturgia de hoje muita luz e intui\u00e7\u00e3o program\u00e1tica.  Cristo quis entregar a \u201clei\u201d da Vida Trinit\u00e1ria que sempre viveu com o Pai e com o Esp\u00edrito Santo. No Cen\u00e1culo, tratava-se de entregar o n\u00facleo central de toda a Sua mensagem. F\u00ea-lo como mandato e como experi\u00eancia vivida na Sua pessoa. Mandou amar como Deus ama e exemplificou com o gesto de lavar os p\u00e9s. A\u00ed pareceu humilhar-se num gesto impr\u00f3prio e fora do habitual e mostrou aos disc\u00edpulos, nomeadamente a Pedro, que \u00e9 preciso amar numa doa\u00e7\u00e3o total de si e ser amado na aceita\u00e7\u00e3o de tudo quanto os outros oferecem. Amar e deixar-se amar, dar e acolher, a partir daquele momento tornou-se o itiner\u00e1rio do disc\u00edpulo que serve e \u00e9 servido, aceita e d\u00e1 para uma simbiose de vidas que querem uma comunh\u00e3o id\u00eantica \u00e0 que vivenciamos na Eucaristia. Tamb\u00e9m recordamos a sua institui\u00e7\u00e3o e dever\u00edamos senti-la como o dom por excel\u00eancia que, tamb\u00e9m ela, nos leva \u00e0 entrega de n\u00f3s mesmos numa obla\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e constante. A vida \u00e9, assim, Eucaristia que se aceita e Eucaristia que se d\u00e1.  A esta luz compreenderemos o mist\u00e9rio profundo do matrim\u00f3nio ou da fam\u00edlia e reconhecemos o lugar que a Eucaristia deve ocupar na vida familiar. Se ela \u00e9 modelo e refer\u00eancia \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer o lugar que ocupa ou deve ocupar no dinamismo quotidiano da vida em fam\u00edlia.  Por este motivo as fam\u00edlias crist\u00e3s devem colocar a Eucaristia no seu centro, fazendo com que a participa\u00e7\u00e3o activa e frutuosa na eucaristia seja quest\u00e3o decisiva e essencial para a sua vida, exist\u00eancia e miss\u00e3o. A fam\u00edlia, dum modo normal, \u201cnasce\u201d na Eucaristia, a\u00ed robustece a sua fidelidade e amor, a\u00ed compreende a sua miss\u00e3o na Igreja e na sociedade. Para isso \u00e9 fundamental que se disponibilize para acolher a Palavra como programa de vida, se introduza numa atitude de ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria e se sinta interpelada para o servi\u00e7o quotidiano do amor no interior da mesma vida familiar e no mundo profissional ou no \u00e2mbito da comunidade crente.  Trata-se de abrir a fam\u00edlia \u00e0 Eucaristia como um trabalho pastoral de primordial import\u00e2ncia e evangelizar a fam\u00edlia atrav\u00e9s da eucaristia num intuito de responder \u00e0s reais necessidades da mesma. A\u00ed se d\u00e1 \u00e0 fam\u00edlia a melhor riqueza que a Igreja lhe pode proporcionar: a presen\u00e7a vivificante de Cristo que \u201cama a Igreja como Sua esposa e deu-se a si mesmo para a santificar\u201d (Ef. 5, 25-26).  Este primado a atribuir \u00e0 Eucaristia tem outras exig\u00eancias muito concretas. A sua celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma festa e conduz \u00e0 redescoberta da import\u00e2ncia do repouso em fam\u00edlia e do exerc\u00edcio da caridade no dia do Senhor. Todos os dias, no dom da vida oferecida por Deus, s\u00e3o passagens do pecado \u00e0 gra\u00e7a, da morte \u00e0 vida, do sentir-se perdido ao encontro duma p\u00e1tria. Mas, desde os prim\u00f3rdios da Igreja, como exig\u00eancia muito espont\u00e2nea e natural, foi reservado o primeiro dia da semana para a celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio pascal. O domingo \u00e9, deste modo, o dia em que o Senhor ressuscitou e aparece repetidamente aos seus disc\u00edpulos para partir o p\u00e3o eucar\u00edstico com eles. Por isso, o domingo deve ser sempre a festa por excel\u00eancia, o dia da alegria e do repouso do trabalho.  Neste contexto, a fam\u00edlia, para poder corresponder \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es e obriga\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o colocadas, tem necessidade de, como tal, nutrir-se na mesa eucar\u00edstica e a\u00ed encontrar a luz e a for\u00e7a divina para continuar o empenho duma voca\u00e7\u00e3o. Sabemos que, na actualidade, o dia do Senhor, a P\u00e1scoa semanal, tornou-se um neutro e vazio \u201cfim-de-semana\u201d onde h\u00e1 lugar planeado para tudo e a Eucaristia pode ser colocada como \u00e1pice passageiro a transtornar a tranquilidade dum repouso meramente humano. A fam\u00edlia n\u00e3o consegue encontrar-se unida nem sequer ao domingo. Os trabalhos dispersam e dificilmente se consegue congregar toda a comunidade familiar. A isto teremos de acrescentar os gostos e as vontades de cada um que solicitam e exigem ocupa\u00e7\u00f5es diferentes. Da\u00ed que, nem sempre, ela consegue harmonizar-se com as exig\u00eancias do dia do Senhor.  Tudo pode parecer raz\u00e3o e haver\u00e1 momentos em que, na verdade, assim o \u00e9. Temos, por\u00e9m, de reconhecer que a causa fundamental \u00e9 a debilidade da f\u00e9 que vai permitindo a celebra\u00e7\u00e3o do domingo de qualquer maneira ou a falta da mesma f\u00e9 que, com demasiada facilidade, faz com que os membros da fam\u00edlia se sintam dispensados. Outros valores se imp\u00f5em e a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia torna-se opcional e, noutras circunst\u00e2ncias, em hor\u00e1rios diferentes, para as diversas pessoas que comp\u00f5em a fam\u00edlia.  Para muitos ser\u00e1 utopia. Penso, por\u00e9m, que importa o exemplo de pequenos grupos e gostaria de ver multiplicadas aquelas fam\u00edlias que conseguem reservar tempo para uma prepara\u00e7\u00e3o da eucaristia, para uma participa\u00e7\u00e3o festiva e para um repouso familiar em Dia do Senhor. Muitos parecem cansados de viver em comum e querem fugir a esta alegria festiva dum dia marcado pela Eucaristia. Como seria bom que os crist\u00e3os organizassem o dia o Senhor dum modo festivo, reservando tempo para uma participa\u00e7\u00e3o no mist\u00e9rio pascal retemperando energias e conseguindo usufruir gra\u00e7as de Cristo para uma vida que, naturalmente, se confronta com muitas dificuldades.  Participar na Eucaristia e repousar como fam\u00edlia pode parecer imposs\u00edvel. Se o crist\u00e3o deve dar \u00e0 Eucaristia o centro, tamb\u00e9m ter\u00e1 de recuperar o verdadeiro sentido do domingo. N\u00e3o s\u00e3o as for\u00e7as exteriores que podem afastar-nos desta meta. Os resultados vir\u00e3o depois. O domingo n\u00e3o pode ser um dia como tantos outros. Tem um valor que coloca a fam\u00edlia na responsabilidade de examinar-se em comum, descansar serenamente e encontrar-se com o Amor de Deus que se tornar\u00e1 luz para o amor quotidiano.  Quando as fam\u00edlias compreendem a Eucaristia dominical e a querem viver em comum, descobrem o significado do domingo como espa\u00e7o para repousar na aten\u00e7\u00e3o aos outros e como mandato recebido por quem deu a vida para que d\u00e9ssemos a vida. O mundo se transformar\u00e1 e as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas ser\u00e3o diferentes, pois a fam\u00edlia vive o amor entre si e torna-o comunicativo, ou seja, servi\u00e7o \u00e0 humanidade.  Senhor Jesus, p\u00e3o do c\u00e9u oferecido em alimento, faz com que as nossas fam\u00edlias sintam fome do encontro eucar\u00edstico; permite que, em comunidade, todos sintam a solidariedade fraterna entre os presentes e os ausentes; d\u00e1-nos a experi\u00eancia duma festa geradora de encontros amigos e fraternos para que o repouso encontre formas novas de se organizar para uma alegria e paz das pessoas entre si e no contacto com a natureza.  S\u00e9 Catedral 05\/04\/2007 <i>+ Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de Braga na Missa da Ceia do Senhor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,206,246,275,314],"class_list":["post-23921","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-familia","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23921"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23921\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}