{"id":23904,"date":"2007-04-05T13:21:11","date_gmt":"2007-04-05T13:21:11","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/05\/reconciliados-e-ministros-da-reconciliacao\/"},"modified":"2007-04-05T13:21:11","modified_gmt":"2007-04-05T13:21:11","slug":"reconciliados-e-ministros-da-reconciliacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/reconciliados-e-ministros-da-reconciliacao\/","title":{"rendered":"Reconciliados e ministros da reconcilia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Santar\u00e9m na Missa Crismal <!--more--> 1.O desafio da comunh\u00e3o. A concelebra\u00e7\u00e3o da Missa Crismal pelo bispo rodeado dos seus padres diocesanos manifesta a unidade do presbit\u00e9rio e convida-nos a aprofundar a comunh\u00e3o que deve marcar o exerc\u00edcio do nosso minist\u00e9rio. Como Bispo e presb\u00edteros de uma diocese, formamos um corpo, uma fraternidade sacramental que deve exprimir-se n\u00e3o s\u00f3 na ac\u00e7\u00e3o pastoral comum, orientada pelos mesmos crit\u00e9rios, mas igualmente na dimens\u00e3o espiritual e humana, na f\u00e9 e na caridade, no di\u00e1logo e na partilha, na amizade e no apoio m\u00fatuos. A comunh\u00e3o, como lembrava o saudoso Papa Jo\u00e3o Paulo II, \u00e9 o grande desafio que nos espera no novo mil\u00e9nio, se quisermos ser fi\u00e9is ao des\u00edgnio de Deus e \u00e0s expectativas mais profundas do mundo (Cf NMI 43). Se a comunh\u00e3o \u00e9 um desafio para toda a Igreja, devemos senti-lo especialmente dirigido a n\u00f3s, a quem compete, como membros do presbit\u00e9rio, ser sinal e fermento de comunh\u00e3o na Igreja e no mundo. Crescer na comunh\u00e3o \u00e9 um apelo forte da celebra\u00e7\u00e3o da Missa Crismal. Perpetuamos o mesmo sacerd\u00f3cio de Cristo, recebemos a mesma Un\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, desempenhamos a mesma miss\u00e3o apost\u00f3lica. A comunh\u00e3o exige uma caminhada espiritual com o \u201colhar do cora\u00e7\u00e3o voltado para o mist\u00e9rio da Trindade\u201d, como recomenda Jo\u00e3o Paulo II no referido documento. A comunh\u00e3o \u00e9, portanto, um itiner\u00e1rio laborioso que nos leva a sair de n\u00f3s mesmos e a centrar a nossa aten\u00e7\u00e3o e o nosso cora\u00e7\u00e3o em Deus e no outro, visto \u00e0 luz de Deus como pr\u00f3ximo e irm\u00e3o a quem devemos amar e como dom que devemos apreciar. A comunh\u00e3o \u00e9 um ideal que jamais atingiremos na perfei\u00e7\u00e3o mas que devemos perseguir com perseveran\u00e7a.  Neste contexto, desejo saudar cordialmente todos os irm\u00e3os presb\u00edteros, colaboradores e amigos e declarar a grande alegria pela vossa presen\u00e7a. Sa\u00fado tamb\u00e9m os di\u00e1conos permanentes e suas esposas, bem como os di\u00e1conos que est\u00e3o a caminho do sacerd\u00f3cio. Igualmente os religiosos, os seminaristas, os poss\u00edveis candidatos ao semin\u00e1rio, os ac\u00f3litos, os leitores, os cantores e todos os fi\u00e9is leigos. Como membros do povo santo de Deus, todos participamos da consagra\u00e7\u00e3o do Senhor Jesus: \u201cEle revestiu do sacerd\u00f3cio real todo o Seu povo santo\u201d, como proclama o pref\u00e1cio da Missa Crismal. Nesta celebra\u00e7\u00e3o todos vivemos a voca\u00e7\u00e3o comum \u00e0 santidade que tem raiz nos sacramentos que nascem da entrega de Jesus, o Ungido do Senhor.  2. Portadores do \u00f3leo da alegria e da consola\u00e7\u00e3o. A Missa Crismal recebe este nome da consagra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo do Crisma que nesta celebra\u00e7\u00e3o ocupa um lugar de relevo. O Santo Crisma servir\u00e1 para fortalecer com o dom da gra\u00e7a divina os rec\u00e9m-baptizados, marcar com o selo do Esp\u00edrito Santo os confirmandos e para ungir os presb\u00edteros bem como as Igrejas e os altares na sua dedica\u00e7\u00e3o. Nesta Missa s\u00e3o igualmente benzidos os \u00f3leos dos enfermos e dos catec\u00famenos O \u00f3leo \u00e9 s\u00edmbolo do dom da gra\u00e7a com que somos santificados nos sacramentos da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 e da Ordem. Para n\u00f3s sacerdotes, representa igualmente a nossa miss\u00e3o sacerdotal de tornar Deus presente nos momentos solenes e nas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e dolorosas da vida humana, de consagrar ao servi\u00e7o de Deus pessoas e templos, de fortalecer os que ir\u00e3o ser baptizados, de levar o \u00f3leo da alegria e da consola\u00e7\u00e3o aos que sofrem no corpo ou na alma.  Nesta celebra\u00e7\u00e3o somos convidados a reanimar o dom que recebemos pela un\u00e7\u00e3o sacerdotal na ordena\u00e7\u00e3o e a fortalecer a nossa disponibilidade e fidelidade ao servi\u00e7o do evangelho. Uma miss\u00e3o de grande beleza e pertin\u00eancia pois d\u00e1 resposta a problemas profundos e sempre actuais da humanidade: que mais necessitam os pobres e infelizes sen\u00e3o de uma boa nova? Que mais anseiam os cegos do que a vista? Que mais procuram os cativos do que a liberdade? N\u00e3o ter\u00e3o os feridos como principal preocupa\u00e7\u00e3o a sua cura? Ora n\u00f3s, ungidos e fortalecidos com a presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo no sacramento da Ordem, chamados por isso, \u201cSacerdotes do Senhor e \u201cMinistros do nosso Deus\u201d, recebemos essa sublime miss\u00e3o: Anunciar a boa nova aos infelizes, curar os cora\u00e7\u00f5es atribulados, proclamar a reden\u00e7\u00e3o aos cativos, consolar os aflitos, \u201clevar o \u00f3leo da alegria e c\u00e2nticos de louvor\u201d a todos os que est\u00e3o abatidos, como ouvimos proclamar na primeira leitura e no evangelho. Este ano pastoral em que nos debru\u00e7amos mais atentamente sobre as feridas da humanidade e procuramos aprofundar a actualidade dos sacramentos da cura e a dimens\u00e3o curativa da f\u00e9, consideremos mais atentamente o exerc\u00edcio do nosso minist\u00e9rio de portadores da reconcilia\u00e7\u00e3o, do perd\u00e3o e da paz. Somos \u201ccuradores feridos\u201d, na conhecida express\u00e3o de Henri Nouwen, mas com um rem\u00e9dio transcendente para comunicar. Levamos um precioso tesouro em vasos de barro (2 Cor 4,7). Continuamos, na verdade, com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo a obra de salva\u00e7\u00e3o e de cura do Senhor Jesus Cristo, m\u00e9dico das nossas almas e dos nossos corpos. Mas, diferentemente Dele, o Ungido por excel\u00eancia, n\u00f3s precisamos tamb\u00e9m de pedir perd\u00e3o e de curar as nossas feridas. Diante do ideal sacerdotal e da comunh\u00e3o que deve marcar o nosso presbit\u00e9rio, descobrimos claramente as nossas falhas e impedimentos, como as desconfian\u00e7as e invejas, as incompreens\u00f5es e julgamentos f\u00e1ceis, numa palavra, tomamos consci\u00eancia da nossa fragilidade e das nossas feridas. Por isso, pedimos perd\u00e3o a Deus e uns aos outros. Assim como Deus nos perdoa e confia em n\u00f3s, somos chamados tamb\u00e9m a perdoar e a confiar uns nos outros. Acolher e conceder o perd\u00e3o \u00e9 o b\u00e1lsamo que cura as feridas e nos faz progredir na comunh\u00e3o. Reconciliados com Deus, connosco e com os outros, podemos mais eficazmente viver a comunh\u00e3o e exercer o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o.  3. Prestar aten\u00e7\u00e3o e acolher os feridos. Como sinais e continuadores do Senhor Jesus que acolhia os pecadores e se aproximava com ternura dos doentes para os curar, aprendamos a cultivar as mesmas atitudes de acolhimento, de aproxima\u00e7\u00e3o e de dedica\u00e7\u00e3o aos que sofrem no corpo ou na alma. Como o Bom Samaritano saibamos aproximar-nos dos caminhos das pessoas, mesmo quando resvalam para as bermas da estrada. Debrucemo-nos sobre os feridos da vida, prestemos-lhes aten\u00e7\u00e3o. O primeiro desafio e primeiro gesto de amor pelo qual se inicia a cura, \u00e9 prestar aten\u00e7\u00e3o aos que sofrem, frequentemente esquecidos numa cultura que vive do espect\u00e1culo. \u201c Os infelizes deste mundo n\u00e3o precisam de outra coisa sen\u00e3o de homens que lhes prestem aten\u00e7\u00e3o\u201d, escreveu Simone Weil. Demos-lhes, depois, a m\u00e3o para os levantar do ch\u00e3o onde est\u00e3o prostrados e, como o Bom Pastor, transportemo-los \u00e0s costas para os integrar no calor da fraternidade crist\u00e3.  Na escola da M\u00e3e de Miseric\u00f3rdia, representada com um vasto manto onde se acolhem todos os que procuram protec\u00e7\u00e3o, saibamos tamb\u00e9m acolher com um esp\u00edrito aberto e um cora\u00e7\u00e3o grande todos os que procuram aux\u00edlio e orientemos as nossas comunidades para que sejam lugares fraternos e acolhedores onde os aflitos encontrem consola\u00e7\u00e3o e os pecadores o perd\u00e3o e a paz. \u00c1men.  <i>Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santar\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Santar\u00e9m na Missa Crismal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[98,180,237,294],"class_list":["post-23904","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-acolitos","tag-diocese-de-santarem","tag-joao-paulo-ii","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23904"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23904\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}