{"id":239015,"date":"2022-05-01T09:30:31","date_gmt":"2022-05-01T08:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=239015"},"modified":"2022-05-01T01:00:53","modified_gmt":"2022-05-01T00:00:53","slug":"eles-ficam-toda-a-semana-sem-a-mae-e-eu-fico-sem-os-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/eles-ficam-toda-a-semana-sem-a-mae-e-eu-fico-sem-os-filhos\/","title":{"rendered":"\u00abEles ficam toda a semana sem a m\u00e3e e eu fico sem os filhos\u00bb &#8211;  Maria das Neves"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">Dia do Trabalhador e Dia da M\u00e3e. Este ano, no 1\u00ba de Maio celebram-se n\u00e3o s\u00f3 duas importantes datas, mas duas dimens\u00f5es do ser mulher nem sempre de f\u00e1cil concilia\u00e7\u00e3o. A Hist\u00f3ria de Maria das Neves Jesus confirma-o: m\u00e3e, que est\u00e1 longe dos filhos e da fam\u00edlia ao longo da semana para ser professora.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O pre\u00e7o do trabalho para quem \u00e9 m\u00e3e, contado na primeira pessoa na entrevista Renascen\u00e7a Ecclesia, desta semana<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-das-Neves-Jesus.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-239012 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-das-Neves-Jesus.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-das-Neves-Jesus.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-das-Neves-Jesus-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-das-Neves-Jesus-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-das-Neves-Jesus-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-das-Neves-Jesus-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-das-Neves-Jesus-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-das-Neves-Jesus-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-das-Neves-Jesus-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Comecemos por conhecer melhor a hist\u00f3ria de uma m\u00e3e, professora, que est\u00e1 longe da sua fam\u00edlia para trabalhar&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sou Maria das Neves, sou de Santa Maria da Feira, tenho 43 anos e, neste momento, sou professora do Primeiro Ciclo nas Caldas da Rainha. Passo a semana toda fora da minha fam\u00edlia: ao domingo venho no comboio, \u00e0 noite, e regresso na sexta-feira, ao final da tarde.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Que desafio enfrenta para conciliar a vida familiar com a vida profissional?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 um desafio grande. No in\u00edcio foi mais dif\u00edcil!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sempre foi minha op\u00e7\u00e3o nunca estar longe dos meus filhos, dois meninos &#8211; um de 11 e outro de 6 anos \u2013 e do meu marido. Sempre optei por trabalhar perto de casa, inclusive deixei de ser professora para poder acompanh\u00e1-los e estar perto deles enquanto eram mais pequenos. O tempo foi passando e, a determinada altura, fiz a op\u00e7\u00e3o de voltar. O voltar teve esta consequ\u00eancia: deix\u00e1-los. \u00c9 um desfio grande porque eles ficam toda a semana sem a m\u00e3e e eu fico sem os filhos. Emocionalmente \u00e9 um bocadinho complicado. Claro que tenho um companheiro, um marido, que \u00e9 um excelente pai, faz o melhor que consegue e vai dando resposta da melhor forma poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E j\u00e1 retomou a vida profissional h\u00e1 muito tempo?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Este \u00e9 o segundo ano que estou colocada&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E sempre longe&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O ano passado estive na P\u00f3voa de Varzim, mais perto de casa: ia e vinha todos os dias (estava a 70 quil\u00f3metros de casa). Acabava por estar muito pouco tempo em casa, mas este ano estou mesmo ausente durante a semana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Tem a experi\u00eancia de passar grande parte do tempo longe da fam\u00edlia, longe dos filhos. O que sugeria ao Governo portugu\u00eas para se tentar a proximidade com a fam\u00edlia?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Claro que os professores s\u00e3o um realidade muito pr\u00f3pria. No passado havia algum apoio: a partir de um determinado n\u00famero de quil\u00f3metros, pod\u00edamos pedir para estar mais perto. Neste momento n\u00e3o h\u00e1 essa possibilidade, tem de ser mesmo! \u00c9 uma op\u00e7\u00e3o pessoal, para ter tempo de servi\u00e7o&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0A realidade \u00e9 que \u2013 e isto \u00e9 transversal a todos os setores \u2013 n\u00e3o h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o por saber se a trabalhadora \u00e9 m\u00e3e, se tem filhos pequenos&#8230; As condi\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho s\u00e3o estas e n\u00f3s aceitamos ou n\u00e3o! \u00c9 uma escolha pessoal. Nunca est\u00e1 em cima da mesa a concilia\u00e7\u00e3o da vida familiar com a vida profissional. Temos algumas prote\u00e7\u00f5es na maternidade, por exemplo, mas depois \u00e9 a realidade&#8230; Ou optamos por n\u00e3o ir, e ficamos com penaliza\u00e7\u00f5es em termos de carreira, de vida profissional, ou vamos e arcamos com as consequ\u00eancias. N\u00e3o temos muita escolha!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O que fazer para que haja alguma mudan\u00e7a? Um apoio salarial podia ajudar?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para mim n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de sal\u00e1rio. Se falarmos de outras situa\u00e7\u00f5es, sim, \u00e9 uma quest\u00e3o de sal\u00e1rio. Mas na quest\u00e3o da concilia\u00e7\u00e3o da vida familiar com a vida profissional n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de sal\u00e1rio. \u00c9 uma quest\u00e3o de hor\u00e1rios e de dist\u00e2ncias que temos de fazer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em Portugal, est\u00e1 na lei que n\u00f3s podemos ter uma redu\u00e7\u00e3o se tivermos filhos pequenos, mas isso praticamente n\u00e3o \u00e9 utilizado pelas trabalhadoras&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E porqu\u00ea?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Porque acabam por ser penalizadas&#8230; Efetivamente, podemos negociar com a entidade patronal mas, se o sal\u00e1rio j\u00e1 \u00e9 pequeno e vamos negociar com a entidade patronal, o sal\u00e1rio ainda fica mais pequeno.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Defenderia regras diferentes para a coloca\u00e7\u00e3o de professores, por exemplo?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, eu acho que o concurso tem de ser revisto. Neste momento \u00e9 uma grande discuss\u00e3o, porque h\u00e1 falta de professores, mas as regras do concurso t\u00eam de ser revistas: a quest\u00e3o da desloca\u00e7\u00e3o, sendo homem ou sendo mulher (estamos a falar da m\u00e3e, mas se falarmos do pai \u00e9 igual&#8230; H\u00e1 muitos professores, pais, que est\u00e3o muito distantes de casa e fazem falta aos filhos). Depois, a quest\u00e3o dos deslocados que pagam rendas, portagens, combust\u00edvel&#8230; No meu caso, por exemplo, fica metade do sal\u00e1rio numa casa (um quarto), em portagens e em combust\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Acredito que \u00e9 um problema que n\u00e3o se coloca a si, por causa da escola. Mas noutros casos de m\u00e3es trabalhadores isso acontece: ter o domingo livre como espa\u00e7o para a fam\u00edlia, descanso, lazer, culto, forma\u00e7\u00e3o. Tem conhecimentos de muitos casos em que isso acontece&#8230;?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 uma realidade! Posso relatar uma situa\u00e7\u00e3o que presenciei, nas minhas compras: duas trabalhadoras de uma grande superf\u00edcie, uma contava \u00e0 outra que tinha pedido o dia para festejar os anos do filho e n\u00e3o lhe tinha sito concedido o dia de anivers\u00e1rio do filho, como folga. O que \u00e9 que custava gerir entre as colegas para permitir \u00e0quela trabalhadora ter folga no dia de anivers\u00e1rio do filho?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00c9 uma quest\u00e3o de pura falta de sensibilidade ou necessidade de legisla\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Acho que primeiramente \u00e9 uma quest\u00e3o de sensibilidade. Isso s\u00f3 demonstra que a quest\u00e3o da fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 prioridade! N\u00e3o \u00e9 tida em conta, n\u00e3o est\u00e1 no pensamento de quem gere! Se a pessoa tivesse isso como preocupa\u00e7\u00e3o, se fosse um motivo de \u00a0reflex\u00e3o, ao fazer a gest\u00e3o de recursos humanos podia dizer \u2018esta trabalhadora tem o filho que faz anos, podemos trocar\u2019&#8230; N\u00e3o acredito que, depois de uma conversa entre as outras trabalhadoras, isso n\u00e3o fosse facilitado. Hoje sou eu, amanh\u00e3 \u00e9s tu. Claro que n\u00e3o se vai por na lei \u2018dar o dia de folga \u00e0 trabalhadora no dia de anivers\u00e1rio do filho\u2019. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. A quest\u00e3o da sensibilidade \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Enquanto dirigente da LOC, pergunto-lhe se continua a ser fundamental discutir o tema da dignidade do trabalho?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Claro que sim. Por exemplo, a quest\u00e3o do domingo livre &#8211; e nem falo da minha realidade, que \u00e9 muito pr\u00f3pria &#8211; \u00e9 muito importante. H\u00e1 muito espa\u00e7os abertos que implicam que trabalhadores e trabalhadoras estejam l\u00e1, a cumprir o seu hor\u00e1rio. \u00c9 uma quest\u00e3o de dignidade!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Neste momento, quem trabalha nas grandes superf\u00edcies corre o risco de n\u00e3o ter um dia para sair com os seus filhos para passear, para ir ao parque, fazer f\u00e9rias&#8230; Nos dias em que os filhos est\u00e3o em casa, provavelmente n\u00e3o estar\u00e3o, ou s\u00f3 de longe a longe. H\u00e1 quest\u00f5es novas que t\u00eam de ser refletidas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na LOC, est\u00e1vamos habituados ao discurso das f\u00e1bricas, da entidade patronal que explora os trabalhadores&#8230; Neste momento, na LOC temos de olhar para realidades novas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>H\u00e1 outro tipo de explora\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 outros tipo de explora\u00e7\u00e3o&#8230; Gente qualificada. A quest\u00e3o do burnout, do desgaste f\u00edsico e psicol\u00f3gico a que as pessoas est\u00e3o sujeitas, at\u00e9 pessoas com muita qualifica\u00e7\u00e3o: o cumprimento de prazos, a constante necessidade de dar resposta a alguma coisa, os telem\u00f3veis que t\u00eam de estar constantemente ligados porque este vai telefonar&#8230; H\u00e1 uma s\u00e9rie de realidades que neste momento j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o realidades da f\u00e1brica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A legisla\u00e7\u00e3o j\u00e1 prev\u00ea o direito a desligar&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu sei! Mas tenho um marido, em casa, e o telem\u00f3vel dele toca \u00e0s 11 da noite ou \u00e0 meia-noite. E n\u00e3o \u00e9 um trabalhador por conta de outrem, \u00e9 gerente de uma empresa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Isso \u00e9 consequ\u00eancia da pandemia e do teletrabalho?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o s\u00f3&#8230; A legisla\u00e7\u00e3o que veio ter essa quest\u00e3o em conta foi da pandemia. Com o teletrabalho misturaram-se muitos espa\u00e7os: o do trabalhado e da casa, que passou a ser escrit\u00f3rio, gin\u00e1sio, parque infantil&#8230; Passou a ser muita coisa. Depois, come\u00e7ou a ser dif\u00edcil fazer a separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas a quest\u00e3o do burnout e do desgaste psicol\u00f3gico j\u00e1 se falava antes da pandemia. Aumentou com a pandemia. A pandemia misturou os espa\u00e7os e fez com que as pessoas tivessem mais dificuldade em fazer essa separa\u00e7\u00e3o. Mas s\u00e3o realidades que j\u00e1 v\u00eam antes da pandemia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0E \u00e9 necess\u00e1rio alterar a legisla\u00e7\u00e3o laboral?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sei dizer se \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o. Concordo com o que voc\u00eas h\u00e1 pouco disseram: acho que muita coisa tamb\u00e9m tem a ver com a sensibilidade de quem gere as empresas. Esta quest\u00e3o da corrida, de quase olharmos o trabalhador&#8230; N\u00f3s na JOC (Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica) aqui h\u00e1 uns anos, quando eu fui dirigente da JOC, tivemos uma campanha nacional que era: \u201cTrabalhador, o boneco de produ\u00e7\u00e3o\u201d. E \u00e0s vezes n\u00f3s olhamos a pessoa e o mundo empresarial e n\u00e3o s\u00f3; o mundo do trabalho olha o trabalhador &#8211; a pessoa do trabalhador &#8211; quase como mais um fator que entra na produ\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o \u00e9 quase humano. \u00c9 mais uma coisa que entra. E n\u00e3o se tem em aten\u00e7\u00e3o que o trabalhador \u00e9 uma pessoa que tem projetos, que tem sentido de realiza\u00e7\u00e3o, que tem fam\u00edlia, que quer ser feliz. E, portanto, quase que se trata (o trabalhador) como um mero meio de chegar a uma palavra que eu n\u00e3o gosto muito: para se chegar ao lucro: E, portanto, o objetivo \u00e9 a rentabilidade, produtividade e n\u00e3o se tem em conta o trabalhador como pessoa. E as pessoas t\u00eam de dar o m\u00e1ximo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0E acredito que muito menos que tenha em conta a Fam\u00edlia?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, isso n\u00e3o \u00e9 tido em conta. E eu posso dizer, por exemplo, que conhe\u00e7o situa\u00e7\u00f5es &#8211; e eu n\u00e3o concordo com elas porque isso ent\u00e3o \u00e9 um retrocesso &#8211; em que h\u00e1 mulheres que negoceiam as licen\u00e7as de maternidade e, portanto, n\u00e3o as gozam. Ou melhor, gozam, mas depois, na pr\u00e1tica, n\u00e3o gozam porque o telem\u00f3vel continua a tocar, os e-mails continuam a tocar. Portanto, um direito que foi conquistado com muito esfor\u00e7o, neste momento j\u00e1 \u00e9 muito relativizado e isso \u00e9 uma quest\u00e3o muito importante. Porque corremos o risco&#8230; E aqui as mulheres t\u00eam um papel muito importante de nem sequer abrir essa possibilidade, porque se vamos abrir essa possibilidade, perdemos um direito fundamental que demorou muito tempo a conquistar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Esclare\u00e7a melhor essa situa\u00e7\u00e3o. Como se negoceia a licen\u00e7a de maternidade?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como \u00e9 que se negoceia? \u00c9 por exemplo, dizer que se est\u00e1 a gozar a licen\u00e7a e\u00a0 est\u00e1-se em casa efetivamente, mas o computador faz muita coisa, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E continua-se a trabalhar?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Continuamos a trabalhar. Ou seja, continua-se a trabalhar para n\u00e3o correr o risco de quando se chegar l\u00e1, quando acabar os quatro ou cinco meses, termos outra pessoa no nosso lugar. \u00c9 t\u00e3o simples quanto isso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Toda esta situa\u00e7\u00e3o foi agravada pela pandemia tamb\u00e9m por causa da guerra&#8230; Sente que h\u00e1 postos de trabalho que est\u00e3o em risco e que se pode precipitar uma nova onde de desemprego?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu n\u00e3o sei se neste momento j\u00e1 se pode dizer isso. Fala-se que venha a\u00ed uma grande crise. Fala-se que as coisas v\u00e3o ficar muito complicadas. Eu ainda tenho alguma dificuldade em dizer isso, porque neste momento o mundo muda muito rapidamente e portanto n\u00e3o sei.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sei o que \u00e9 que vai acontecer. Agora: que h\u00e1 gente entendida na \u00e1rea da economia, que diz que sim, que vem a\u00ed uma grande crise, sim.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Portugal vive um grave problema relacionado com o Inverno demogr\u00e1fico. E ainda agora, de acordo com o INE agravou-se o saldo natural da popula\u00e7\u00e3o, com mais mortes e menos nascimentos. \u00a0O Instituto Nacional de Estat\u00edstica adianta que, no ano passado, nasceram menos 4 mil e 948 crian\u00e7as do que no ano anterior. Morreram mais mil 444 pessoas.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Falta uma verdadeira pol\u00edtica de apoio \u00e0 Natalidade?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu acho que n\u00e3o h\u00e1. Eu acho que n\u00e3o h\u00e1. N\u00e3o sei se se lembra, mas aqui h\u00e1 uns tempos, algu\u00e9m perguntava assim: o que \u00e9 que \u00e9 preciso fazer para que nas\u00e7am mais crian\u00e7as em Portugal? Eu tenho dois filhos e para mim sempre foi preocupa\u00e7\u00e3o ter filhos. Sempre achei isso como importante. Agora, claro, n\u00f3s temos sal\u00e1rios muito baixos em Portugal. Eu \u00e0s vezes digo ao meu marido: eu n\u00e3o sei como \u00e9 que fam\u00edlias com dois sal\u00e1rios m\u00ednimos conseguem sustentar uma casa porque neste momento a maior parte das fam\u00edlias tem de pagar a casa, muitos deles t\u00eam de pagar carro, tem de pagar despesas com quatro pessoas, por exemplo. E, estou apenas a falar de uma fam\u00edlia de quatro pessoas, que \u00e9 como a minha.\u00a0Portanto, toda a gente tem de viver com dignidade, porque temos de ter comida na mesa, de trazer os mi\u00fados vestidos\u2026. E os mi\u00fados est\u00e3o sempre a crescer e precisam consecutivamente de roupa nova, etc.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois, neste momento, a sociedade do bem-estar, digamos assim, apresenta-nos numa sociedade modelo em que as crian\u00e7as \u00e0s vezes causam alguns transtornos. E, portanto, ter um filho impede de fazer uma s\u00e9rie de outras coisas que at\u00e9 s\u00e3o muito agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, alguns casais preferem n\u00e3o ter crian\u00e7as. Mas, eu acho que aqui os sal\u00e1rios, a quest\u00e3o dos sal\u00e1rios e da gest\u00e3o do or\u00e7amento familiar, se calhar \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o mais grave neste momento, porque as pessoas n\u00e3o conseguem dar resposta a tantas necessidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Um ponto para finalizar: um coment\u00e1rio \u00e0 mensagem da Comiss\u00e3o Episcopal Laicado e Fam\u00edlias, sobre as \u201cm\u00e3es coragem\u201d ucranianas que est\u00e3o em Portugal.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u201cEste ano, n\u00e3o podemos ficar indiferentes aos muitos relatos provocados pela guerra na Ucr\u00e2nia e feitos por tantas e tantas m\u00e3es obrigadas a op\u00e7\u00f5es dolorosas para salvarem os filhos dos perigos e porventura da morte\u201d, afirma-se na mensagem para o Dia da M\u00e3e da Comiss\u00e3o Episcopal. <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Que atitude v\u00ea na sociedade portuguesa e como olha para estas m\u00e3es que fogem da guerra? Como olha para toda esta situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o as M\u00e3es coragem, n\u00e3o \u00e9! Eu acho que h\u00e1 coisas que n\u00f3s acabamos por n\u00e3o ter muito a dizer, porque s\u00e3o realidades t\u00e3o marcantes e que n\u00f3s nunca sequer tocamos nelas.\u00a0 Nem sequer as conseguimos imaginar e eu sinto-me muito pequenina para dar uma opini\u00e3o sobre uma coisa dessas. O que eu vejo na sociedade portuguesa \u00e9 que houve pelo menos nesta primeira fase, um grande acolhimento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Neste momento, nas escolas tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o a chegar a crian\u00e7as, j\u00e1 temos crian\u00e7as ucranianas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>J\u00e1 tem crian\u00e7as na sua sala de aula?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na minha sala n\u00e3o, mas tenho na escola onde estou. E, portanto, est\u00e1-se a fazer um esfor\u00e7o tamb\u00e9m grande no sentido de acolher essas crian\u00e7as. Eu acho que a esse n\u00edvel os professores e a escola portuguesa, mais a escola p\u00fablica faz um grande esfor\u00e7o. Eu estou aqui nas Caldas da Rainha e temos muitas crian\u00e7as, mesmo n\u00e3o sendo refugiadas da guerra, mas temos muitos filhos de imigrantes e, portanto, a escola portuguesa faz um grande esfor\u00e7o para acolher bem e faz o melhor que consegue para acolher bem. Depois as crian\u00e7as que v\u00eam de fora, normalmente, s\u00e3o crian\u00e7as que aprendem bem, que v\u00eam com vontade de aprender e que n\u00e3o causam problemas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As pessoas \u00e0s vezes t\u00eam muito medo dos emigrantes. N\u00e3o. De uma forma geral, n\u00f3s n\u00e3o temos problemas com imigrantes. Podem eles ter dificuldades at\u00e9 na integra\u00e7\u00e3o, inicialmente, mas depois adaptam-se e aprendem bem porque t\u00eam muita vontade de aprender.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, eu penso que nesta primeira fase, est\u00e3o a ser bem recebidos. Est\u00e1-se a fazer o m\u00e1ximo que se consegue.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia do Trabalhador e Dia da M\u00e3e. Este ano, no 1\u00ba de Maio celebram-se n\u00e3o s\u00f3 duas importantes datas, mas duas dimens\u00f5es do ser mulher nem sempre de f\u00e1cil concilia\u00e7\u00e3o. A Hist\u00f3ria de Maria das Neves Jesus confirma-o: m\u00e3e, que est\u00e1 longe dos filhos e da fam\u00edlia ao longo da semana para ser professora.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":239012,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[163,247],"class_list":["post-239015","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-dia-da-mae","tag-loc-mtc"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239015","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=239015"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239015\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/239012"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=239015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=239015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=239015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}