{"id":23894,"date":"2007-04-05T11:11:15","date_gmt":"2007-04-05T11:11:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/05\/a-digna-celebracao-da-eucaristia\/"},"modified":"2007-04-05T11:11:15","modified_gmt":"2007-04-05T11:11:15","slug":"a-digna-celebracao-da-eucaristia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-digna-celebracao-da-eucaristia\/","title":{"rendered":"A digna celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Albino Cleto, aos sacerdotes, em Quinta-feira Santa na S\u00e9 Nova  <!--more--> Concede-nos Deus uma vez mais a gra\u00e7a e a alegria de celebrarmos o mist\u00e9rio da Eucaristia no conforto do Presbit\u00e9rio que somos. \u00c9 este mist\u00e9rio que, acima de tudo, nos define como sacerdotes. Assim o repete a \u00faltima Exorta\u00e7\u00e3o do Santo Padre Bento XVI, &#8220;Sacramentum Caritatis&#8221;, guia precioso para a digna celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia que tomo como fonte de algumas considera\u00e7\u00f5es sobre a celebra\u00e7\u00e3o deste &#8220;mist\u00e9rio de amor&#8221; que torna presente a Ceia de Jesus, memorial da sua Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o. Alguns \u00f3rg\u00e3os da nossa comunica\u00e7\u00e3o social n\u00e3o entenderam o documento, rebuscando nele apenas sinais de altera\u00e7\u00e3o na vida da Igreja, altera\u00e7\u00e3o que venha ao encontro de gostos superficiais e facilidades da sensibilidade actual. Que nenhum de n\u00f3s, padres, se dispense de o ler, de modo a reavivar na sua vida espiritual e no seu labor apost\u00f3lico aquela verdade que tantas vezes enunciamos: A Eucaristia \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da Igreja. Sim, \u00e9 para a Igreja que ela existe, tal como o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 para a vida de todo o corpo. E, no entanto, a comunidade crist\u00e3 sem o sacerdote n\u00e3o a pode ter. Ao longo de vinte s\u00e9culos, sempre o entendeu assim a f\u00e9 cat\u00f3lica: S\u00f3 pelo poder sacerdotal que, pela imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os de um Bispo, se recebe em cadeia de sucess\u00e3o que tem a sua origem nos Ap\u00f3stolos, s\u00f3 pelo nosso poder sacerdotal se realiza o que o Senhor Jesus ordenou aos mesmos Ap\u00f3stolos: &#8220;Fazei isto em mem\u00f3ria de Mim&#8221; Que grandeza e que responsabilidade a nossa, queridos padres! Que grandeza! Est\u00e1 em nossas m\u00e3os a fonte maior em que os crentes bebem a \u00e1gua da vida que corre do Cora\u00e7\u00e3o de Cristo! Que responsabilidade! Cumpre-nos, como primeira obriga\u00e7\u00e3o da nossa miss\u00e3o de padres, zelar para que esta fonte n\u00e3o deixe de correr com a frequ\u00eancia e a abund\u00e2ncia necess\u00e1rias para a vida da comunidade, com a frescura atraente de uma celebra\u00e7\u00e3o digna, festiva e educadora da f\u00e9. \u00c9 verdade que, por nossa fraqueza, nem sempre assim acontece. O zelo, sentido por n\u00f3s como obriga\u00e7\u00e3o, de assegurar \u00e0s povoa\u00e7\u00f5es a Missa dominical ou a vontade de a garantir em funerais ou outras situa\u00e7\u00f5es particulares exigem-nos a repeti\u00e7\u00e3o de celebra\u00e7\u00f5es, que se tornam tantas vezes rotineiras, apressadas, distra\u00eddas\u2026 Deus, que bem conhece a nossa fraqueza mas tamb\u00e9m a nossa generosidade, nos perdoar\u00e1 este pecado. Que, pelo seu Esp\u00edrito, nos ajude a preparar a Missa de cada dia, alimento maior da nossa vida espiritual, bem como daqueles que nela participam. Como recorda a Exorta\u00e7\u00e3o, &#8220;a espiritualidade sacerdotal \u00e9 intrinsecamente eucar\u00edstica; a semente desta espiritualidade encontra-se j\u00e1 nas palavras que o Bispo pronuncia na liturgia da ordena\u00e7\u00e3o: Recebe a oferenda do povo santo para a apresentares a Deus. Toma consci\u00eancia do que vir\u00e1s a fazer; imita o que vir\u00e1s a realizar&#8221;(n.80). Isto, no tocante ao nosso caminho pessoal de espiritualidade. E que dizer sobre a atitude pastoral de quem, na celebra\u00e7\u00e3o das Eucaristia, preside \u00e0 mesa como pai de fam\u00edlia? O amor e o zelo por aquele que \u00e9 o mais sagrado dos sacramentos, levar-nos-\u00e1 a dedicar-lhe uma permanente aten\u00e7\u00e3o, e consequente empenho, ao modo como ele se vive nas comunidades a que presidimos. Permiti que vos alerte uma vez mais para alguns riscos que corremos actualmente neste campo e para os quais nos alerta a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica. A falta de sacerdotes e o desejo de manter os crist\u00e3os fi\u00e9is \u00e0 reuni\u00e3o dominical tem aumentado entre n\u00f3s o n\u00famero de celebra\u00e7\u00f5es presididas por leigos devidamente mandatados. Esta \u00e9 uma riqueza que se verifica na Diocese que somos, mas que nos pede, antes de mais, uma catequese cuidada sobre a diferen\u00e7a entre Eucaristia, Ceia do Senhor, e a simples, ainda que louv\u00e1vel, assembleia dominical de ora\u00e7\u00e3o na aus\u00eancia de um presb\u00edtero; afinal \u00e9 a diferen\u00e7a entre a fonte e um pouco de \u00e1gua que nela se bebe. Catequese dif\u00edcil de fazer, na medida em que as pessoas aprendem mais pelo que v\u00eaem do que pelo que ouvem. Ora acontece que os modelos daquelas celebra\u00e7\u00f5es seguem t\u00e3o de perto o da Missa que bastantes fi\u00e9is tendem a aproximar na import\u00e2ncia os dois actos sagrados. Por isso afirmei que esta \u00e9 uma catequese dif\u00edcil, a exigir boa prepara\u00e7\u00e3o. Em determinadas situa\u00e7\u00f5es, entre elas as vossas merecidas f\u00e9rias, surge a solu\u00e7\u00e3o de substituir a Missa dominical por uma celebra\u00e7\u00e3o presidida pelo ministro extraordin\u00e1rio. Quando assim tiver for\u00e7osamente de acontecer, procurai faz\u00ea-lo e justific\u00e1-lo de tal modo que n\u00e3o permane\u00e7a no esp\u00edrito dos crentes a impress\u00e3o de que os actos se equivalem. Praza a Deus que os pr\u00f3prios leigos que presidem \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o sejam os primeiros a sensibilizar os participantes para a falta do memorial da Ceia do Senhor, a falta da Missa. E como n\u00e3o consciencializar os mesmos participantes para a causa primeira desta falta, que \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de padres, experimentada dolorosamente por n\u00f3s, ainda h\u00e1 poucos dias, com a morte inesperada de dois membros do Presbit\u00e9rio?&#8230; Diz o texto pontif\u00edcio: Essas assembleias devem &#8220;tornar-se ocasi\u00e3o privilegiada de ora\u00e7\u00e3o a Deus para que mande sacerdotes santos segundo o seu cora\u00e7\u00e3o&#8221; (n.75). O mesmo pedido de implorardes insistentemente a b\u00ean\u00e7\u00e3o de mais padres vos lan\u00e7o a todos v\u00f3s, queridos consagrados e demais leigos que viestes hoje aqui e vos alegrais com esta coroa dos nossos padres que comigo rodeiam a mesa do altar. Esta \u00e9 a mesa de todos. \u00c9 a mesa onde Deus quer sentar o servo fiel e prudente e tamb\u00e9m o filho pr\u00f3digo. Mesa em que o Senhor Jesus, pelos seus sacerdotes, serve o P\u00e3o da Vida, que \u00e9 Ele mesmo entregue pela salva\u00e7\u00e3o do mundo. Na sociedade em que vivemos, sociedade &#8220;em acentuada mudan\u00e7a cultural&#8221;, muitos n\u00e3o entendem j\u00e1 esta linguagem porque se apagou neles a luz da f\u00e9. Por isso, prendem-se apenas aos enfeites da mesa, ao atractivo da festa, que \u00e9 como quem diz, aos c\u00e2nticos, aos gestos, \u00e0 indument\u00e1ria, enfim, \u00e0quilo que \u00e9 o rito. A quem se interroga sobre a perman\u00eancia do gregoriano ou do latim, teremos de responder que esses s\u00e3o apenas pormenores, justific\u00e1veis pela dignidade da festa ou pela diversidade dos participantes. No entanto, sejamos sens\u00edveis, e esta \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o de todos, padres, ac\u00f3litos, leitores, cantores e outros, tamb\u00e9m aos pormenores da festa, ao rito lit\u00fargico, isto \u00e9, ao modo como cuidamos de celebrar a Ceia do Senhor. A Eucaristia \u00e9 o Cora\u00e7\u00e3o da Igreja e a sua celebra\u00e7\u00e3o dominical \u00e9 a melhor catequese, tamb\u00e9m numa sociedade em mudan\u00e7a. Nesta sociedade, marcada pelo individualismo e exagerado valor da opini\u00e3o pessoal, a obriga\u00e7\u00e3o grave de &#8220;ouvir Missa inteira nos domingos e festas de guarda&#8221; perde cada vez mais, at\u00e9 nas crian\u00e7as, o seu peso, o seu valor de ajuda \u00e0 consci\u00eancia. Pois que seja a pr\u00f3pria beleza da celebra\u00e7\u00e3o e o convite dos que a preparam, a realizam e dos que a ela s\u00e3o fi\u00e9is a atrair muitos que agora deixam vazio o seu lugar. Evitemos, por\u00e9m, o erro que seria o de apelarmos somente para o dever de participar na reuni\u00e3o do grupo a que pertencemos, como se de um clube se tratasse. Invoquemos as raz\u00f5es maiores e que todos as reconhe\u00e7am em n\u00f3s, padres, em n\u00f3s que amamos este sinal humilde e prodigioso do amor de Deus, este &#8220;sacramento da caridade&#8221; divina. As raz\u00f5es maiores est\u00e3o nas palavras do nosso Mestre e Senhor: &#8220;Fazei isto em mem\u00f3ria de Mim&#8221;, porque &#8220;o P\u00e3o que Eu hei-de dar \u00e9 a minha carne pela vida do mundo&#8221;.   <i>+ D. Albino Cleto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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