{"id":23892,"date":"2007-04-05T11:08:02","date_gmt":"2007-04-05T11:08:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/05\/anuncio-da-palavra-celebracao-dos-sacramentos-servico-da-caridade\/"},"modified":"2007-04-05T11:08:02","modified_gmt":"2007-04-05T11:08:02","slug":"anuncio-da-palavra-celebracao-dos-sacramentos-servico-da-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/anuncio-da-palavra-celebracao-dos-sacramentos-servico-da-caridade\/","title":{"rendered":"An\u00fancio da Palavra, celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos, servi\u00e7o da caridade"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, na Missa Crismal <!--more--> Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, o significado e inten\u00e7\u00e3o desta Missa Crismal encontr\u00e1mo-los j\u00e1 na ora\u00e7\u00e3o colecta. Pedimos a Deus Pai que nos fa\u00e7a participar da consagra\u00e7\u00e3o de Cristo, para sermos no mundo testemunhas do seu Evangelho. Como naquele dia em Nazar\u00e9, quando o Senhor aplicou a si a palavra de Isa\u00edas. Ouvimo-la tamb\u00e9m: \u201cO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres\u201d. Como no nosso Baptismo, em que o mesmo Esp\u00edrito fez de n\u00f3s membros de Cristo, sacerdote, profeta e rei. Como pela Confirma\u00e7\u00e3o, quando o Esp\u00edrito Santo &#8211; dom de Deus e Deus dom &#8211; nos capacitou para a constru\u00e7\u00e3o do Reino\u2026 E os santos \u00f3leos, que aben\u00e7oarei nesta celebra\u00e7\u00e3o, transportam id\u00eantica gra\u00e7a, para que a boa nova seja anunciada aos pobres. Boa nova e Evangelho vivo e vivificante, que s\u00e3o a alma e a subst\u00e2ncia de toda a miss\u00e3o da Igreja no mundo. De cada catedral flui neste dia para a Igreja particular e universal uma corrente salv\u00edfica, que onde chega tudo reverdece, como Ezequiel disse um dia do templo de Jerusal\u00e9m (cf. Ez 47, 1-12).  \u2013 E o que levamos n\u00f3s daqui, como boa nova para os pobres, nesta Quinta-Feira Santa, t\u00e3o pr\u00f3xima da P\u00e1scoa do Senhor? Sabemo-lo bem, car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s, ministros e consagrados, laicado todo da Diocese do Porto. Das pobrezas \u00e9 dif\u00edcil fazer a conta, tantas e tais s\u00e3o, do corpo ou do esp\u00edrito. Mas n\u00e3o devemos desistir de as apurar, pois em cada uma sabemos encontrar a Cristo, que com elas se solidarizou para sempre. Encontramo-Lo nos pobres e temos a\u00ed a verdadeira religi\u00e3o: \u201cA religi\u00e3o pura e sem m\u00e1cula diante daquele que \u00e9 Deus e Pai \u00e9 esta: visitar os \u00f3rf\u00e3os e vi\u00favas nas suas tribula\u00e7\u00f5es e n\u00e3o se deixar contaminar pelo mundo\u201d (Tg 1, 27). \u00d3rf\u00e3os e vi\u00favas eram naquela altura os mais desamparados; hoje em dia, outras orfandades e viuvezes esperam a nossa pr\u00e1tica religiosa aut\u00eantica, que para isso nos unge o Esp\u00edrito de Cristo, discernindo e traduzindo na actualidade o mesmo impulso que era constantemente o seu. Nos tr\u00eas anos da sua vida p\u00fablica, manifestou-nos Cristo o que eternamente sente a respeito de todos e de cada um de n\u00f3s. Ele, que \u201cpor n\u00f3s homens e para nossa salva\u00e7\u00e3o, desceu dos C\u00e9us\u2026\u201d.   E sem nos deixarmos contaminar por aquilo que no mundo contrafaz a cria\u00e7\u00e3o, destruindo-a pelo individualismo e os ego\u00edsmos v\u00e1rios. Cria\u00e7\u00e3o, que sempre brota de Deus como convite \u00e0 comunh\u00e3o, onde nos realizemos todos como humanidade \u00e0 maneira da Trindade; ou seja, em que cada um de n\u00f3s se realize precisamente como pessoa, uns com os outros e para os outros, da fam\u00edlia e da comunidade crist\u00e3 para a sociedade, como fermento novo de partilha e de paz. \u00c9 o pr\u00f3prio Esp\u00edrito da comunh\u00e3o divina, Vida circulante e transbordante do Pai e do Filho, que agora nos unge a n\u00f3s, como humanidade de Cristo continuada no mundo, para impedir que este se feche em si pr\u00f3prio e individualmente, em auto-sufici\u00eancia imposs\u00edvel e mortal, antes se abra em partilha, possibilitando a vida em promessa que possu\u00edmos todos. Descortinar, repito, as orfandades e viuvezes que nos rodeiam; ou &#8211; voltando a Isa\u00edas e \u00e0 sinagoga de Nazar\u00e9 &#8211; as pobrezas, cativeiros, cegueiras e opress\u00f5es existentes, perto ou longe, \u00e9 a primeira luz e actividade do Esp\u00edrito crismal. Responder-lhes, como Jesus lhes respondeu por si e quer continuar a responder por n\u00f3s, \u00e9 realizar a miss\u00e3o da Igreja, seu sinal no mundo. Por isso mesmo repetimos \u2013 e fa\u00e7amo-lo muitas vezes, para que a caridade n\u00e3o tarde! &#8211; o que pedimos na ora\u00e7\u00e3o colecta, isto \u00e9, que, \u201cparticipando na consagra\u00e7\u00e3o de Cristo, sejamos no mundo testemunhas do seu Evangelho\u201d. E nem \u00e9 preciso lembrar, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, que testemunhar o Evangelho \u00e9 mais de obras do que de palavras, ainda que a palavra seja muitas vezes a obra mais urgente, como esclarecimento ou incentivo. Por alguma raz\u00e3o \u2013 e foi tamb\u00e9m esta, decerto \u2013 o Santo Padre dedicou a sua primeira enc\u00edclica ao pr\u00f3prio Deus, manifestado como amor e pelo amor. Para dizer, entre tantas outras coisas oportun\u00edssimas: \u201cO crist\u00e3o [\u2026] sabe que Deus \u00e9 amor e torna-Se presente precisamente nos momentos em que nada mais se faz a n\u00e3o ser amar. Sabe [\u2026] que o vilip\u00eandio do amor \u00e9 vilip\u00eandio de Deus e do homem, \u00e9 a tentativa de prescindir de Deus. Consequentemente, a melhor defesa de Deus e do homem consiste precisamente no amor. \u00c9 dever das organiza\u00e7\u00f5es caritativas da Igreja refor\u00e7ar de tal modo esta consci\u00eancia nos seus membros, que estes, atrav\u00e9s do seu agir \u2013 como tamb\u00e9m do seu falar, do seu sil\u00eancio, do seu exemplo -, se tornem testemunhas cred\u00edveis de Cristo\u201d (Deus caritas est, n\u00ba 31).  E escusado \u00e9 dizer que toda a Igreja e cada uma das suas realiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias se distingue exactamente por ser, de certo modo, uma \u201corganiza\u00e7\u00e3o caritativa\u201d, quer no inter-relacionamento de todos e cada um dos seus membros, quer no servi\u00e7o ao mundo, onde este precise de ingressar no grande \u201cano da gra\u00e7a do Senhor\u201d, que Cristo nos trouxe, finalmente! Aqui se traduz e joga a condi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e crismal da Igreja, da nossa Igreja.   A caridade de Cristo, como o Esp\u00edrito no-la induz, exprime-se em tudo o que a Igreja \u00e9 e faz com autenticidade. E mesmo que se distingam tradicionalmente o an\u00fancio da Palavra, a celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos e o servi\u00e7o da Caridade, \u00e9 da mesma realidade que falamos, pois nela se consubstancia toda a verdade de Deus connosco, revelada em Cristo e difundida pelo Esp\u00edrito. \u00c9 tamb\u00e9m Bento XVI a record\u00e1-lo: \u201cA natureza \u00edntima da Igreja exprime-se num tr\u00edplice dever: an\u00fancio da Palavra de Deus (kerygma-martyria), celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos (leiturgia), servi\u00e7o da caridade (diakonia). S\u00e3o deveres que se reclamam mutuamente, n\u00e3o podendo um ser separado dos outros. Para a Igreja, a caridade n\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de actividade de assist\u00eancia social que se poderia mesmo deixar a outros, mas pertence \u00e0 sua natureza, \u00e9 express\u00e3o irrenunci\u00e1vel da sua pr\u00f3pria ess\u00eancia\u201d (Deus caritas est, n\u00ba 25).               An\u00fancio da Palavra, celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos, servi\u00e7o da caridade: esta tripla aplica\u00e7\u00e3o da Igreja prolonga nela e atrav\u00e9s dela a miss\u00e3o de Cristo e do seu Esp\u00edrito. E tem no sacerd\u00f3cio ministerial, pela sucess\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, um claro sinal e incentivo. Tamb\u00e9m a gra\u00e7a, porque de sacramento se trata, n\u00e3o mera fun\u00e7\u00e3o. Gra\u00e7a do sacramento da Ordem, que nos vai transformando em sinais vivos de Cristo Pastor no meio dos seus, trazendo na exist\u00eancia, dedica\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia de cada sacerdote uma das mais eloquentes provas de que Ele est\u00e1 sempre connosco at\u00e9 ao fim dos tempos (cf. Mt 28, 20). \u00c9 not\u00e1vel o realismo pessoal e como que sacramental com que S\u00e3o Paulo exprimia o sentimento do que lhe acontecera, na revela\u00e7\u00e3o de Cristo vivo para o fazer ap\u00f3stolo. S\u00e3o palavras suas, que devemos reter como nossas, car\u00edssimos sacerdotes: \u201cQuando aprouve a Deus \u2013 que me escolheu desde o seio de minha m\u00e3e e me chamou pela sua gra\u00e7a \u2013 revelar o seu Filho em mim, para que o anuncie como Evangelho entre os gentios\u2026\u201d (Gl 1, 15-16). Tudo isto traz uma densidade t\u00e3o \u00edntima, que ultrapassa qualquer compreens\u00e3o meramente funcional do minist\u00e9rio. Trata-se, como a tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica foi compreendendo e definindo cada vez mais, de transformar pessoalmente cada um de n\u00f3s em presen\u00e7a de Cristo, \u00fanico sumo-sacerdote da Nova Alian\u00e7a, para o servi\u00e7o dos crentes e de todos. Trata-se de fazer do pr\u00f3prio sacerdote, j\u00e1 por si, uma \u201cboa nova\u201d anunciada aos pobres.   Pois, n\u00e3o ser\u00e1 boa nova a presen\u00e7a de Cristo nos seus padres, sustentando as comunidades pela prega\u00e7\u00e3o aut\u00eantica da Palavra, pela administra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos e pela ora\u00e7\u00e3o e intercess\u00e3o ass\u00edduas; incrementando o exerc\u00edcio da caridade nas suas formas mais oportunas, trazendo o alento de Cristo a todas as necessidades humanas, que encontre ou procure; garantindo a unidade eclesial pela integra\u00e7\u00e3o, efectiva e afectiva no presbit\u00e9rio, em torno do bispo diocesano; sendo para a sociedade em redor a refer\u00eancia geral da comunidade crist\u00e3; sendo, para a miss\u00e3o universal da Igreja, um alerta constante dos pr\u00f3prios fi\u00e9is?! Na nossa compreens\u00e3o cat\u00f3lica, os sacramentos recebem-se como ac\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito, sempre cristificantes. Baptizados e confirmados, somos com os outros fi\u00e9is, sinais vivos de Cristo, Filho de Deus e construtor do Reino. Pelo sacramento da Ordem, somo-lo de Cristo cabe\u00e7a e pastor, como os nossos irm\u00e3o di\u00e1conos o s\u00e3o de Cristo servidor de todos. Tudo isto \u00e9 complementar, na grande realidade carism\u00e1tica e ministerial que \u00e9 a Igreja no seu conjunto, dentro da comum dignidade dos filhos de Deus. Mas tudo \u00e9 igualmente pessoal, \u00edntimo e sumamente realizador, segundo a voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de cada um. Nossa tamb\u00e9m, de padres e bispos. Na sua recente exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal Sacramentum Caritatis, sobre a Eucaristia fonte e \u00e1pice da vida e da miss\u00e3o da Igreja, o Santo Padre Bento XVI dedica alguns trechos ao sacerd\u00f3cio ministerial, sublinhando quer o seu car\u00e1cter pessoal e n\u00e3o meramente funcional, quer ligando-o, tamb\u00e9m na pessoa e no cora\u00e7\u00e3o de cada ministro, ao sacrif\u00edcio eucar\u00edstico de Cristo. Quanto ao primeiro ponto e referindo-se especificamente ao celibato, escreve o seguinte: \u201cO facto de o pr\u00f3prio Cristo, eterno sacerdote, ter vivido a sua miss\u00e3o at\u00e9 ao sacrif\u00edcio da cruz no estado de virgindade constitui o ponto de refer\u00eancia para perceber o sentido da tradi\u00e7\u00e3o da Igreja Latina a tal respeito. Assim, n\u00e3o \u00e9 suficiente compreender o celibato sacerdotal em termos meramente funcionais; na realidade, constitui uma especial conforma\u00e7\u00e3o ao estilo de vida do pr\u00f3prio Cristo. Antes de mais, semelhante op\u00e7\u00e3o \u00e9 esponsal: a identifica\u00e7\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o de Cristo Esposo que d\u00e1 a vida pela sua Esposa. [\u2026] O celibato sacerdotal, vivido com maturidade, alegria e dedica\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o enorme para a Igreja e para a pr\u00f3pria sociedade\u201d (SC, n\u00ba24). E, referindo-se mais adiante \u00e0 espiritualidade sacerdotal na sua raiz, o Papa estabelece-a como participa\u00e7\u00e3o de cada sacerdote na oferta que Cristo faz de si mesmo ao Pai, aos outros e pelos outros. Por isso a diz \u201ceucar\u00edstica\u201d, j\u00e1 que cada um de n\u00f3s preside \u00e0 Eucaristia \u201cna pessoa de Cristo\u201d, para alargar a sua caridade no mundo. Oi\u00e7amo-lo de novo: \u201cA espiritualidade sacerdotal \u00e9 intrinsecamente eucar\u00edstica; a semente desta espiritualidade encontra-se j\u00e1 nas palavras que o bispo pronuncia na liturgia da ordena\u00e7\u00e3o: \u2018Recebe a oferenda do povo santo para a apresentares a Deus. Toma consci\u00eancia do que vir\u00e1s a fazer; imita o que vir\u00e1s a realizar, e conforma a tua vida com o mist\u00e9rio da cruz do Senhor\u2019\u201d (SC, n\u00ba 80).  Mas o Papa sabe muito bem o que n\u00f3s tamb\u00e9m vamos sabendo, ou seja, que as maiores verdades s\u00f3 se realizam ao longo duma exist\u00eancia fiel e aplicada, tamb\u00e9m no nosso caso de sacerdotes, t\u00e3o dispersos que podemos ficar, por m\u00faltiplas actividades e solicita\u00e7\u00f5es. Da\u00ed que prossiga: \u201cPara conferir \u00e0 sua exist\u00eancia uma forma eucar\u00edstica cada vez mais perfeita, o sacerdote deve reservar, j\u00e1 no per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o e depois nos anos sucessivos, amplo espa\u00e7o para a vida espiritual. \u00c9 chamado a ser continuamente um aut\u00eantico perscrutador de Deus, embora ao mesmo tempo permane\u00e7a solid\u00e1rio com as preocupa\u00e7\u00f5es dos homens. Uma vida espiritual intensa permitir-lhe-\u00e1 entrar mais profundamente em comunh\u00e3o com o Senhor e ajud\u00e1-lo-\u00e1 a deixar-se possuir pelo amor de Deus, tornando-se sua testemunha em todas as circunst\u00e2ncias, mesmo dif\u00edceis e obscuras\u201d (ibidem). Da Eucaristia para a Eucaristia, no aprofundamento di\u00e1rio e constante da realidade sacramental \u00fanica onde, duma vez por todas, Cristo se entregou, como boa nova, tamb\u00e9m pessoal, do amor de Deus: isto somos e havemos de ser inteiramente, car\u00edssimos sacerdotes, para a Igreja e para o mundo.   Algo vos queria pedir, finalmente, irm\u00e3os e irm\u00e3s aqui reunidos no Esp\u00edrito Santo, sobre todos derramado. Primeiramente, que acolhais o sacerd\u00f3cio ministerial como Cristo, Paulo ou Bento XVI nos falaram dele, ou seja, com a consist\u00eancia que a tradi\u00e7\u00e3o eclesial respeitou e desenvolveu, em particular no nosso caso cat\u00f3lico e latino. Acolhamo-lo como boa nova, que alegra e constr\u00f3i as comunidades crist\u00e3s e o mundo em que se implantam. Em cada sacerdote, que agrega a si pelo sacramento da Ordem, quer Cristo confirmar e continuar o que disse a Nicodemos: \u201cTanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unig\u00e9nito, a fim de que todo o que cr\u00ea nele n\u00e3o se perca, mas tenha a vida a eterna\u201d (Jo 3, 16). Pe\u00e7o-vos que considereis a voca\u00e7\u00e3o ao sacerd\u00f3cio ministerial \u2013 como, ali\u00e1s, todas as outras, de especial consagra\u00e7\u00e3o, masculinas e femininas, laicais e familiares, locais ou mission\u00e1rias \u2013 como um imenso dom do nosso Deus, cujo Esp\u00edrito n\u00e3o cessa de interpelar cada um, para que, tamb\u00e9m por n\u00f3s, Cristo salve o mundo e a cria\u00e7\u00e3o inteira se restaure e realize em Deus, \u201cque renova todas as coisas\u201d (cf. Ap 21, 5). Pe\u00e7o-vos ainda que a vossa ora\u00e7\u00e3o pelos sacerdotes seja insistente e persistente, para que perseverem e cres\u00e7am sempre mais no minist\u00e9rio, generosos e felizes &#8211; felizes porque generosos -, descobrindo que, como garantiu o Senhor, \u201ca felicidade est\u00e1 mais em dar do que em receber\u201d (Ac 20, 35). Que rezeis pelos seminaristas e por todos aqueles que, certamente, o Esp\u00edrito j\u00e1 chama ao sacerd\u00f3cio, para \u201canunciar a boa nova aos pobres e proclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor\u201d!       S\u00e9 do Porto, 5 de Abril de 2007 <i>+ Manuel Clemente<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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