{"id":23891,"date":"2007-04-05T11:06:20","date_gmt":"2007-04-05T11:06:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/05\/o-sacerdote-sacramento-de-cristo-bom-pastor\/"},"modified":"2007-04-05T11:06:20","modified_gmt":"2007-04-05T11:06:20","slug":"o-sacerdote-sacramento-de-cristo-bom-pastor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-sacerdote-sacramento-de-cristo-bom-pastor\/","title":{"rendered":"O Sacerdote, sacramento de Cristo Bom Pastor"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca de Lisboa, na Missa Crismal de Quinat-Feira Santa <!--more--> Queridos Sacerdotes,  \t1. Ao dirigir-me a v\u00f3s, membros do presbit\u00e9rio de Lisboa, nesta Eucaristia, express\u00e3o da abund\u00e2ncia sacramental e salv\u00edfica da Igreja, recordo a maneira como vos consagrei a Nossa Senhora, naquela noite inesquec\u00edvel do cortejo da Luz, no encerramento da sess\u00e3o de Lisboa do Congresso Internacional para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. Foi assim que vos entreguei a Nossa Senhora: \u201cConsagramo-Vos os nossos seminaristas e sacerdotes. V\u00f3s que correspondestes ao chamamento misterioso de Deus, ensinai-os a entregar-se confiadamente e sem limites \u00e0 voca\u00e7\u00e3o a que Deus os chamou. Que sejam servidores como V\u00f3s fostes serva, que sejam felizes no seu dom, protegei-os nas suas lutas, iluminai-os nas suas d\u00favidas, defendei-os das tenta\u00e7\u00f5es e do esp\u00edrito do mundo. Eles \u201cest\u00e3o no mundo, mas n\u00e3o s\u00e3o do mundo!\u201d. Ensinai-os a serem pastores, \u201csacramentos\u201d de Cristo Bom Pastor, e a fazerem de cada Eucaristia um momento de j\u00fabilo e de louvor\u201d (1). \tEnsinai-os a serem pastores, sacramentos de Cristo Bom Pastor. Essa \u00e9 a dimens\u00e3o mais bela do nosso minist\u00e9rio: sermos pastores do Povo de Deus. Mas este tem um \u00fanico Pastor, Cristo que Se chamou, a Si Mesmo, o Bom Pastor: \u201cEu sou o Bom Pastor: conhe\u00e7o as minhas ovelhas e elas conhecem-Me. (\u2026) Eu dou a vida pelas ovelhas\u201d (Jo. 10,11). N\u00f3s s\u00f3 podemos ser pastores, como sacramentos de Cristo Bom Pastor. Ao consagrar-nos, Ele quer continuar a ser Pastor atrav\u00e9s de n\u00f3s, com a nossa bondade e capacidade de dom, com a nossa palavra e os nossos gestos. Em tudo o que somos e fazemos deve exprimir-se a bondade de Cristo, a sua solicitude pelo rebanho, que \u00e9 a Igreja. \tOu\u00e7amos, a este prop\u00f3sito, as palavras do Papa Jo\u00e3o Paulo II: \u201cOs presb\u00edteros s\u00e3o, na Igreja e para a Igreja, uma representa\u00e7\u00e3o sacramental de Jesus Cristo, Cabe\u00e7a e Pastor, proclamam a Sua palavra com autoridade, repetem os seus gestos de perd\u00e3o e oferta de salva\u00e7\u00e3o, nomeadamente com o Baptismo, a Penit\u00eancia e a Eucaristia, exercitam a sua am\u00e1vel solicitude, at\u00e9 ao dom total de si mesmos, pelo rebanho que re\u00fanem na unidade e conduzem ao Pai por meio de Cristo no Esp\u00edrito. Numa palavra, os presb\u00edteros existem e agem para o an\u00fancio do Evangelho ao mundo e para a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja em nome e na pessoa de Cristo, Cabe\u00e7a e Pastor\u201d (2). \tEsta situa\u00e7\u00e3o de sermos sacramentos do Bom Pastor, transforma e define a qualidade de todas as nossas atitudes. \u201cOs presb\u00edteros s\u00e3o chamados a prolongar a presen\u00e7a de Cristo, \u00fanico e Sumo Pastor, actualizando o seu estilo de vida e tornando-se como que a sua transpar\u00eancia no meio do rebanho a eles confiado\u201d (3). Esta \u00e9, j\u00e1, a vis\u00e3o do presb\u00edtero, nas cartas do Ap\u00f3stolo S\u00e3o Pedro: \u201cRecomendo aos presb\u00edteros que est\u00e3o entre v\u00f3s, eu presb\u00edtero como eles, testemunha dos sofrimentos de Cristo e participante da gl\u00f3ria que se deve manifestar: apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado, olhando por ele, n\u00e3o constrangidos, mas de boa vontade, segundo Deus, n\u00e3o por gan\u00e2ncia, mas por dedica\u00e7\u00e3o; n\u00e3o como dominadores sobre aqueles que vos foram confiados, antes tornando-se modelo do rebanho\u201d (1Pet. 5,1-4).  \t2. Na nossa linguagem corrente, fala-se mais de pastoral, do que de pastores. A designa\u00e7\u00e3o de pastoral significa que toda a ac\u00e7\u00e3o da Igreja, na realiza\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o, deveria exprimir a solicitude de Cristo pelo rebanho. Significa, tamb\u00e9m, que n\u00e3o apenas cada um de n\u00f3s, mas a Igreja toda \u00e9 sacramento de Cristo, Bom Pastor. Mas para que isso aconte\u00e7a, \u00e9 importante o testemunho dedicado dos sacerdotes, como pastores do Povo de Deus. \tSer pastor n\u00e3o indica, apenas, mais um sector de actividade do sacerdote, na complexidade da sua miss\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo. \u00c9 qualidade que se exprime e concretiza em toda a sua ac\u00e7\u00e3o, garantia da unidade vital entre o que somos e o que fazemos, no exerc\u00edcio do nosso minist\u00e9rio. A atitude do pastor revela os crit\u00e9rios e os ritmos das diversas tarefas e atitudes, define a miss\u00e3o e a maneira como nos v\u00eaem. Numa sociedade, a que se pode aplicar a frase de Jesus, dispersa, desorientada e infeliz, \u201ccomo um rebanho sem pastor\u201d, \u00e9 importante que o sacerdote seja identificado como pastor. \tSer pastor, exprime-se, antes de mais, na caridade pastoral, participa\u00e7\u00e3o no amor com que Cristo ama a Igreja. O sacerdote pastor ama sempre e faz tudo com amor: quando acolhe, quando escuta e consola, quando orienta, quando se alegra com os que est\u00e3o felizes e partilha a dor dos que sofrem; quando \u00e9 exigente e quando \u00e9 compreensivo e tolerante; quando ensina, todos e cada um a discernirem, no concreto das suas vidas, os caminhos do Reino de Deus. O sacerdote \u00e9 pastor na sua miss\u00e3o p\u00fablica, em que preside \u00e0 comunidade dos crentes, e na sua vida privada, na intimidade dos seus sil\u00eancios, da sua ora\u00e7\u00e3o, dos seus sentimentos e afectos. Um cora\u00e7\u00e3o de pastor \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o indiviso, transformado pela caridade de Jesus Cristo. A maneira como ama \u00e9 libertadora, suscita no cora\u00e7\u00e3o das pessoas a beleza e a esperan\u00e7a e alimenta o desejo de vencer as pr\u00f3prias dificuldades. Aqueles que o pastor ama, devem sentir-se amados por Deus. \u00c9 neste quadro que se situa o dom inestim\u00e1vel do celibato consagrado e a sua conson\u00e2ncia com a caridade pastoral: cora\u00e7\u00e3o transformado pelo amor de Cristo, bom pastor tamb\u00e9m dos sacerdotes, pode amar todos, sempre e em todas as circunst\u00e2ncias, sem deixar perturbar a pureza desse amor com a veem\u00eancia dos afectos naturais. Num tempo em que o celibato \u00e9, cada vez mais, contestado e incompreendido, a \u00fanica resposta do sacerdote \u00e9 viv\u00ea-lo, na generosa vigil\u00e2ncia do seu cora\u00e7\u00e3o.  \t3. A caridade pastoral deve marcar o ritmo da autoridade do sacerdote. Como aquele que preside \u00e0 comunidade, o sacerdote est\u00e1 revestido de uma leg\u00edtima autoridade, que decorre da natureza da sua miss\u00e3o e \u00e9 explicitada pelo direito. Autoridade firme na defesa da autenticidade da f\u00e9 e da Igreja, na fidelidade aos caminhos de constru\u00e7\u00e3o da Igreja, como Corpo de Cristo e Povo de Deus, definidos, quer pela Igreja Universal, quer pela Igreja particular, na fidelidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. Isto mostra que a autoridade pastoral do sacerdote n\u00e3o \u00e9 individual, mas colegial, \u00e9 express\u00e3o da condu\u00e7\u00e3o da Igreja pelos caminhos e crit\u00e9rios da comunh\u00e3o eclesial. Ela \u00e9, no sacerdote pastor, express\u00e3o da sua fidelidade \u00e0 Igreja, \u00e9 uma obedi\u00eancia, em que a fidelidade \u00e0 Igreja \u00e9 credencial da sua autenticidade. Desligada da comunh\u00e3o eclesial, a autoridade resvala para o poder pessoal, que por vezes divide em vez de unir e fazer convergir. \tA autoridade pastoral valoriza os carismas de cada um, as potencialidades de cada um na edifica\u00e7\u00e3o da Igreja, comunidade de todos e obra de todos, \u201ccasa de comunh\u00e3o\u201d, como lhe chamou Jo\u00e3o Paulo II. \u00c9 frequente ouvir que a nossa Igreja \u00e9, ainda, demasiadamente clerical, onde os crist\u00e3os s\u00f3 t\u00eam o lugar e o protagonismo que o sacerdote decide. Penso que esta an\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 completamente justa. Mas ela interpela a nossa consci\u00eancia. Hoje, Quinta-Feira Santa, analisemo-nos em confronto com a P\u00e1scoa de Jesus, para vermos se n\u00e3o haver\u00e1 a\u00ed a den\u00fancia das vezes em que a autoridade pastoral se torna em poder pessoal.  \t4. E, finalmente, tomemos consci\u00eancia de que a viv\u00eancia do nosso sacerd\u00f3cio como sacramentos de Cristo, Bom Pastor, pode suscitar, na Igreja, novas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais. S\u00f3 Cristo atrai, s\u00f3 a bondade do servi\u00e7o ao Povo de Deus inquieta o cora\u00e7\u00e3o dos jovens. Ou\u00e7amos Jo\u00e3o Paulo II: \u201cO conhecimento da natureza e da miss\u00e3o do sacerd\u00f3cio ministerial \u00e9 o pressuposto irrecus\u00e1vel, e ao mesmo tempo o guia mais seguro, bem como o est\u00edmulo mais premente para desenvolver na Igreja a ac\u00e7\u00e3o pastoral de promo\u00e7\u00e3o e discernimento das voca\u00e7\u00f5es sacerdotais\u201d (4). \tSuscitar de voca\u00e7\u00f5es sacerdotais \u00e9 algo que nos deve mobilizar a todos. Mas antes de ac\u00e7\u00f5es espec\u00edficas a desencadear, h\u00e1 este testemunho da nossa vida de aut\u00eanticos pastores, sacramentos de Cristo Bom Pastor.  S\u00e9 Patriarcal, 5 de Abril de 2007 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i>  NOTAS 1 &#8211; J. POLICARPO, Obras Escolhidas, vol. 9, pg. 46 2 &#8211; JO\u00c3O PAULO II, Pastores Dabo Vobis, n. 15 3 &#8211; Ibidem, n. 15 4 &#8211; Ibidem, n. 11<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca de Lisboa, na Missa Crismal de Quinat-Feira Santa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[237,268,275,294],"class_list":["post-23891","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-joao-paulo-ii","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23891"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23891\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}