{"id":23885,"date":"2007-04-04T17:48:52","date_gmt":"2007-04-04T17:48:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/04\/sacerdotes-entre-militares-e-agentes-policiais\/"},"modified":"2007-04-04T17:48:52","modified_gmt":"2007-04-04T17:48:52","slug":"sacerdotes-entre-militares-e-agentes-policiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sacerdotes-entre-militares-e-agentes-policiais\/","title":{"rendered":"Sacerdotes entre militares e agentes policiais"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira na Missa Crismal do Ordinariato Castrense <!--more--> 1-  Nesta Missa Crismal sa\u00fado todos os padres capel\u00e3es das For\u00e7as Armadas e das For\u00e7as de Seguran\u00e7a, nesta comunh\u00e3o de unidade eclesial, evocando, particularmente, os ausentes no Afeganist\u00e3o, L\u00edbano e Kosovo e, a estas horas, o Padre Joaquim Martins, ao servi\u00e7o da GNR, a caminho de Timor-Leste. Entre padres e bispos o gui\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um: a unidade nunca ser\u00e1 unicidade; o bispo precisa dos padres, os padres necessitam do bispo. O contr\u00e1rio \u00e9 contradi\u00e7\u00e3o e infelicidade da exist\u00eancia. No decurso deste ano faleceram a M\u00e3e de um sacerdote, e o Pai e M\u00e3e, de um outro. Houve momentos penosos de enfermidades, que ainda n\u00e3o foram totalmente superadas. Situa\u00e7\u00f5es humanas destas foram e s\u00e3o motivo de p\u00f4r \u00e0 experi\u00eancia a nossa sensibilidade e o exemplo fraterno. Aos di\u00e1conos permanentes, aos excelent\u00edssimos senhores militares e civis que, nas suas responsabilidades, e tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o nos Conselhos Pastorais, nos quiseram enriquecer com o calor da presen\u00e7a, dirigimos uma palavra de muita estima. A tantos quantos est\u00e3o aqui connosco, a nossa gratid\u00e3o.   2. N\u00e3o pomos em causa a miss\u00e3o sacerdotal, sem excluir a reflex\u00e3o sobre formas concretas do nosso exerc\u00edcio. Cada um, num momento da hist\u00f3ria pessoal, decidiu-se por consagrar a vida, na fidelidade ao \u00danico Sacerdote. A identidade com a Pessoa de Jesus Cristo, de modo livre e feliz, quer significar um voto de semelhan\u00e7a \u00e0 entrega de um Deus \u00e0 causa da humanidade: esta \u00e9 grandiosa, quanto repudiada; \u00fanica, quanto fonte de justi\u00e7a e reconcilia\u00e7\u00e3o. Porque h\u00e1 pobres, a Igreja tem a obriga\u00e7\u00e3o de ser libertadora. Porque h\u00e1 presos, os problemas do direito, suporte de um Estado civilizado, constituem fonte de nossa inquieta\u00e7\u00e3o diante da legalidade n\u00e3o praticada. Porque h\u00e1 oprimidos, h\u00e1 s\u00f3 um exerc\u00edcio limpo diante do poder pela independ\u00eancia, contrapondo-nos \u00e0 desumanidade e cooperando sempre a favor dos reais direitos de uma sociedade. Estas figuras do texto evang\u00e9lico de S. Lucas 4, 16-21 (o pobre, os cativos, os oprimidos) representam protagonistas e quest\u00f5es do nosso quotidiano. Transformar a sua indignidade, converter a sua marginaliza\u00e7\u00e3o, verbalizar a sua entidade menor, n\u00e3o s\u00e3o terrenos indevidos. S\u00e3o a face renovada de Jesus Cristo, visivelmente profanada no santu\u00e1rio da Pessoa. Sem exclus\u00e3o de ningu\u00e9m, os mais carenciados de qualquer sorte deveriam ser sempre a prioridade de um Povo Sacerdotal. Tomar op\u00e7\u00f5es por eles, sonhar com um Mundo constru\u00eddo com outra arquitectura e inovadores c\u00e1lculos, \u00e9, num espa\u00e7o profano, como no p\u00e3o que conduzimos ao altar, edificar o Corpo de Cristo, na Palavra e no vi\u00e1tico da Eucaristia. V\u00f3s sereis \u201csacerdotes do Senhor\u201d, proclama o profeta Isa\u00edas (61, 1-3).  Esta a doutrina dos capel\u00e3es militares e policiais. Este o indicativo da marcha do povo de Deus que, liberto da escravatura, ascendeu \u00e0 maioridade de gente salva, na P\u00e1scoa do Senhor.   3-  O mundo sem comunh\u00e3o \u00e9 uma empresa em fal\u00eancia. Multinacionais em crise, s\u00e3o for\u00e7as contra o futuro. As gera\u00e7\u00f5es de toda a idade s\u00e3o vitimas de quem julga construir um novo tempo, desrespeitando o suor, o p\u00e3o de tantas fam\u00edlias, a instabilidade social. Ao contr\u00e1rio dos descuidados, a miss\u00e3o sacerdotal tem o cargo de zelar; ao inv\u00e9s de passar ao largo, a decis\u00e3o de um padre \u00e9 tornar-se pr\u00f3ximo; em contraste com desculpas, um servo de Jesus Cristo assume as dificuldades pr\u00f3prias e reconverte a inefic\u00e1cia do agir. N\u00e3o se auto-vitimiza diante dos reparos. N\u00e3o projecta sobre os outros o seu hist\u00f3rico insucesso. As atitudes perante a cultura contempor\u00e2nea n\u00e3o solicita apenas os padres mas a pertin\u00e1cia de todo e qualquer minist\u00e9rio, convidando, antes de mais, \u00e0 medita\u00e7\u00e3o e ao estudo, e em todo o tempo e lugar, \u00e0 fidelidade a convic\u00e7\u00f5es, nunca fechando os olhos nem os ouvidos a criticas honestas, que as h\u00e1 tamb\u00e9m destemperadas e fan\u00e1ticas.  Algu\u00e9m me punha em causa h\u00e1 dias a ac\u00e7\u00e3o da Capelania Militar e Policial, nestes termos: \u201cMas se as pessoas n\u00e3o manifestam o m\u00ednimo interesse, porqu\u00ea manter um servi\u00e7o? Se o que se deseja s\u00e3o d\u00f3lares (perdoe-se-me o exemplo) e um padre lhes oferece rupias, como poder\u00e1 a Igreja manter-se com modelos ultrapassados?\u201d  Se uma comunidade quer a escravatura, a persegui\u00e7\u00e3o aos emigrantes, as saudades do poder ditatorial, se \u00e9 de opini\u00e3o que estar ao lado do povo de Timor-Leste \u00e9 dar \u00e2nimo a l\u00f3gicas totalit\u00e1rias, se se prop\u00f5e destruir a fam\u00edlia ou opor-se a qualquer liberdade, ou seja, se estas compara\u00e7\u00f5es concretas s\u00e3o ausp\u00edcios de d\u00f3lares\u2026e n\u00e3o de rupias, que fazer? Vamos dar consentimento a ventos de desgra\u00e7a? Fugir? Ou ficar de bra\u00e7os cruzados? J\u00e1 nem me refiro ao facto de haver uma multid\u00e3o de pessoas que est\u00e1 aberta \u00e0 busca da verdade. A rendi\u00e7\u00e3o \u00e9 prova de que se n\u00e3o acredita em valores. Defendemos o progresso e sentimo-nos em casa com os avan\u00e7os do saber. Tudo o que \u00e9 humano constitui nossa p\u00e1tria. Mas tamb\u00e9m o que levamos nas nossas m\u00e3os, n\u00e3o s\u00e3o ilus\u00f5es. Sobretudo, n\u00e3o \u00e9 nosso o que pomos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de quem o deseja. Parece-me p\u00e3o, mas \u00e9 o Corpo de Jesus Cristo. Parecem receitas mas s\u00e3o fontes de justi\u00e7a.  Numa sociedade de apar\u00eancias, perdemos. Mas quem quiser ganhar a sua vida, tem de perd\u00ea-la, diz o Senhor. Ganhar, em certas circunst\u00e2ncias, \u00e9 ser sepultado pelo pr\u00f3prio pedestal que se intentou erguer!  Quem soletrar o \u201clivro\u201d da hist\u00f3ria dos homens e da mulheres dos nossos dias, desde a gruta de Bel\u00e9m at\u00e9 \u00e0 Cruz da v\u00edtimas de hoje, estando ao lado destas e preferindo, de acordo com met\u00e1fora citada, rupias a d\u00f3lares, ficou com a certeza de que os pobres foram redimidos, o esp\u00edrito de corpo, reconquistado e a paz foi conseguida. Um capel\u00e3o de militares e de agentes policiais \u00e9 um padre que anuncia e vive a Boa Nova de que a morte foi transfigurada pela P\u00e1scoa!  Igreja da Mem\u00f3ria 04 de Abril de 2007  <i>Janu\u00e1rio Torgal Mendes Ferreira Bispo das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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