{"id":23844,"date":"2007-04-03T12:01:39","date_gmt":"2007-04-03T12:01:39","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/03\/semana-santa-em-braga\/"},"modified":"2007-04-03T12:01:39","modified_gmt":"2007-04-03T12:01:39","slug":"semana-santa-em-braga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/semana-santa-em-braga\/","title":{"rendered":"Semana Santa em Braga"},"content":{"rendered":"<p>A Semana Santa, assim chamada por causa dos mist\u00e9rios que celebra e pela op\u00e7\u00e3o de vida a que deve conduzir, \u00e9 o fecho do tempo lit\u00fargico da Quaresma, itiner\u00e1rio de prepara\u00e7\u00e3o para a grande festa da P\u00e1scoa.   Na sua origem est\u00e1 a vontade de historicizar os acontecimentos da Paix\u00e3o do Senhor \u2014 algo que, com alguma naturalidade, se come\u00e7ou a fazer em Jerusal\u00e9m, onde era indubitavelmente mais f\u00e1cil reviver, na proximidade local, os \u00faltimos momentos da vida de Jesus.   Esta inten\u00e7\u00e3o foi imitada pela liturgia ocidental, mediante a organiza\u00e7\u00e3o de celebra\u00e7\u00f5es particularizadas. Assim se chegou \u00e0 Semana Santa, muitas vezes repartida por epis\u00f3dios parcelares.  Na Idade M\u00e9dia, por exemplo, a dramatiza\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o de Jesus fez com que se lhe chamasse \u201csemana dolorosa\u201d. Esbateu-se, ent\u00e3o, o seu aspecto salv\u00edfico e de vit\u00f3ria sobre a morte mediante a ressurrei\u00e7\u00e3o. Iniciada no Domingo de Ramos, a Semana Santa vai at\u00e9 \u00e0 tarde de Quinta-feira, momento em que come\u00e7a o Tr\u00edduo Pascal.   Em Braga, o primeiro acto com alguma solenidade no chamado \u201cPrograma da Semana Santa\u201d realiza-se na noite do S\u00e1bado anterior ao Domingo de Ramos.  Nessa noite, sai da igreja de Santa Cruz para a do Semin\u00e1rio Conciliar (Igreja de S\u00e3o Paulo) a imagem do Senhor dos Passos. \u00c9 um percurso breve. Os que nele se integram t\u00eam, contudo, uma inten\u00e7\u00e3o que os h\u00e1-de levar mais longe: participar na via-sacra, passando pelos \u201ccalv\u00e1rios\u201d dispersos na cidade, de portas fechadas ao longo do ano, mas agora vis\u00edveis na harmonia das suas cores.  <b>Quarta-feira Santa<\/b>  Nos \u00faltimos anos, foi recuperada e antecipada para a Quarta-feira da Semana Santa uma prociss\u00e3o que se realizava na noite de S\u00e1bado Santo: a \u201cProciss\u00e3o da Burrinha\u201d, assim chamada por nela se incorporar uma imagem da Sant\u00edssima Virgem, montando um franzino jerico. Esta prociss\u00e3o constitui hoje um dos mais conseguidos momentos catequ\u00e9ticos da Semana Santa.   A \u201cProciss\u00e3o da Burrinha\u201d regressou \u00e0 Semana Santa em 1998, ap\u00f3s uma suspens\u00e3o de 25 anos. Na altura em que foi suspensa, realizava-se na noite de S\u00e1bado Santo, entre a igreja de S\u00e3o Victor e a da Miseric\u00f3rdia, mas o seu conte\u00fado n\u00e3o tinha a for\u00e7a do actual.   <b>Quinta-feira Santa<\/b> A Quinta-feira Santa \u00e9 o \u00faltimo dia da Quaresma \u2014 com a Missa da Ceia do Senhor come\u00e7a o Tr\u00edduo Pascal).  Antigamente, na manh\u00e3 deste dia celebrava-se o rito da reconcilia\u00e7\u00e3o dos penitentes, a quem tinha sido imposto o cil\u00edcio em Quarta-feira de Cinzas. Agora, a manh\u00e3 \u00e9 preenchida pela Missa Crismal e a b\u00ean\u00e7\u00e3o dos \u00f3leos, que h\u00e3o-de ser utilizados na administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos do Baptismo, Crisma (ou Confirma\u00e7\u00e3o) e Santa Un\u00e7\u00e3o.  \u00c9 vulgar que, na homilia, o bispo diocesano sublinhe alguns aspectos da vida do presbit\u00e9rio, mormente glosando a Carta do Papa aos Sacerdotes, anualmente publicada, expressamente, para esta ocasi\u00e3o.   Durante a tarde celebra-se, na Missa Vespertina da Ceia do Senhor, a institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia e do sacerd\u00f3cio e tamb\u00e9m a proclama\u00e7\u00e3o solene do Mandamento do Amor, na sua nova dimens\u00e3o: \u00abAmai-vos uns aos outros, como Eu vos amei\u00bb, como ordenou Jesus, que, para dar exemplo palp\u00e1vel do amor declarado, lavou-lhes os p\u00e9s.   Lavar os p\u00e9s era um dever de hospitalidade num pa\u00eds de viajantes descal\u00e7os ou usando sand\u00e1lias. Chegavam cobertos de p\u00f3, que os escravos deveriam retirar. Percebe-se, por isso, o espanto dos ap\u00f3stolos, traduzido por Pedro: \u00abSenhor, tu vais lavar-me os p\u00e9s? N\u00e3o; nunca&#8230;\u00bb. Jesus insiste, contudo, no servi\u00e7o humilde, num gesto que anuncia a entrega mas que s\u00f3 horas depois se perceber\u00e1.   No final da Missa, o Sant\u00edssimo Sacramento \u00e9 trasladado para um outro local, desnudando-se ent\u00e3o os altares.   <i>A prociss\u00e3o do Senhor Ecce Homo<\/i> \u00c9 a prociss\u00e3o do princ\u00edpio da noite de Quinta-feira Santa, lembrando o momento em que Pilatos apresentou \u00e0 multid\u00e3o Jesus flagelado e coroado de espinhos.  \u201c Ecce Homo\u201d (Eis o homem), disse o Procurador, porventura acolhendo a secreta esperan\u00e7a de que tudo pudesse terminar por ali. Mas n\u00e3o; n\u00e3o se comoveram os circunstantes, que continuaram a reclamar, e conseguiram, a condena\u00e7\u00e3o \u00e0 cruz.   Tamb\u00e9m se lhe chama \u201cProciss\u00e3o dos fogar\u00e9us\u201d, lembrando os tempos em que era precedida por um grupo de mascarados que transportava tigelas acesas e acusava, impiedosamente, os moradores das ruas por onde o cortejo passava.   <b>Sexta-feira Santa<\/b> Este \u00e9 o dia em que n\u00e3o \u00e9 celebrada a Eucaristia. Sexta feira dedica-se \u00e0 Paix\u00e3o um especial rito comemorativo, normalmente com in\u00edcio \u00e0s 15h00, mediante o cumprimento de um minuto de sil\u00eancio, que convida a um exame de consci\u00eancia e consequente contri\u00e7\u00e3o. Divide-se pela proclama\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus,  apresenta\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o da Cruz e comunh\u00e3o.   Na S\u00e9 de Braga, no final da celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o, o Sant\u00edssimo Sacramento \u00e9 encerrado no caix\u00e3o, que ser\u00e1 conduzido na Prociss\u00e3o Teof\u00f3rica, at\u00e9 \u00e0 capela onde vai ficar resguardado.   A prociss\u00e3o do enterro do Senhor estabeleceu-se em Portugal nos fins do s\u00e9culo XV ou princ\u00edpios do XVI. Foi trazida de Jerusal\u00e9m pelo padre Paulo de Portalegre, tendo come\u00e7ado a fazer-se no convento de Vilar de Frades, em Barcelos, donde se propagou por todas as catedrais.   No caix\u00e3o ia uma das h\u00f3stias consagradas em Quinta-feira Santa (da\u00ed o nome de \u201cteof\u00f3rica\u201d, ou seja a que leva Deus). Na S\u00e9 de Braga, as naves s\u00e3o escurecidas e assistem ao passar da prociss\u00e3o, enquanto pequenos cantores entoam lamentos: <i>\u00abHeu, heu Domine; heu Salvator Noster\u00bb<\/i> (Ai, ai Senhor; ai Nosso Salvador).   Ouvindo estes lamentos, podemos lembrar que nos funerais do tempo de Jesus as lamenta\u00e7\u00f5es dos mortos cabiam aos parentes, amigos e conhecidos. \u00c0s vezes, a todo o povo. Tamb\u00e9m se chegava a pagar a pessoas, geralmente mulheres.  <i>Prociss\u00e3o do Enterro<\/i>  Braga participa nesta solene prociss\u00e3o na noitede Sexta-feira Santa. \u00c9 uma prociss\u00e3o vivamente contrastante com a da noite da Quinta-feira Santa: n\u00e3o h\u00e1 fogar\u00e9us, os participantes v\u00e3o de rosto coberto e os estandartes das confrarias e irmandades n\u00e3o v\u00e3o desfraldados, mas ca\u00eddos sobre os ombros de quem os transporta. O sil\u00eancio \u00e9 quase total, apenas quebrado, aqui e ali, pelo gemido de uma lamenta\u00e7\u00e3o.  \u00c0 frente de cada grupo de pequenos figurantes, um anjinho transporta o letreiro identificativo. Eis alguns exemplos: Mois\u00e9s acompanhado pelos israelitas; Jesus com os ap\u00f3stolos; Jesus a caminho do Monte das Oliveiras; Agonia de Jesus no Horto; Conforto; Pris\u00e3o de Jesus; Jesus a\u00e7oitado e coroado de espinhos; Jesus consola as mulheres de Jerusal\u00e9m; Jesus recomenda a sua m\u00e3e o disc\u00edpulo amado; Pai, em vossas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito; Jesus morre na Cruz; Descimento da Cruz; Esquife com a imagem do Senhor morto; \u00daltima dor de Nossa Senhora; Resigna\u00e7\u00e3o; Penit\u00eancia; As minhas palavras h\u00e3o-de cumprir-se a seu tempo; Darei meu cora\u00e7\u00e3o a todos os que invocarem meu nome; Paix\u00e3o; Calv\u00e1rio\u2026   <b>S\u00e1bado Santo<\/b> O significado do S\u00e1bado Santo est\u00e1 patente na apresenta\u00e7\u00e3o que dele faz o Missal: a Igreja permanece neste dia junto do t\u00famulo do Senhor, meditando na Sua paix\u00e3o.  A \u00fanica celebra\u00e7\u00e3o primitiva parece ter sido o jejum. Actualmente, como dia de ora\u00e7\u00e3o e repouso, encontra na ora\u00e7\u00e3o da Liturgia das Horas o seu \u00fanico momento. Deste modo, no Of\u00edcio de Laudes saboreia-se a salva\u00e7\u00e3o universal anunciada aos justos no Antigo Testamento; nas V\u00e9speras, poucas horas antes da Vig\u00edlia Pascal, domina a esperan\u00e7a perante a iminente ressurrei\u00e7\u00e3o.  Uma deficiente interpreta\u00e7\u00e3o do S\u00e1bado Santo chegou a antecipar para o per\u00edodo da manh\u00e3 a celebra\u00e7\u00e3o da vig\u00edlia. A partir do s\u00e9culo XIV passou para as primeiras horas da manh\u00e3; mas tudo foi reconduzido ao significado primitivo com Pio XII, em 1951.  <b>Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/b> O Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9, fundamentalmente, a Vig\u00edlia Pascal. \u00c9 uma celebra\u00e7\u00e3o nocturna, que d\u00e1 cumprimento ao pedido do Senhor: \u00abtende as vossas l\u00e2mpadas acesas\u00bb.  Esta noite santa rompe com o jejum e inaugura a grande festa da alegria. \u00c9 a noite da celebra\u00e7\u00e3o sacramental da P\u00e1scoa pela Palavra, o Baptismo e a Eucaristia.   A grande vig\u00edlia atinge o seu cume precisamente na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, que inicia o Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 a Eucaristia por excel\u00eancia, na qual o ne\u00f3fito e cada crist\u00e3o s\u00e3o absorvidos na comunh\u00e3o com Cristo, nossa P\u00e1scoa, enquanto esperam a vinda gloriosa do Senhor. A vig\u00edlia termina antes do amanhecer. Inicialmente era a \u00fanica celebra\u00e7\u00e3o do Domingo; e na liturgia romana foi-o seguramente at\u00e9 ao s\u00e9culo V.   Esta Missa da Vig\u00edlia Pascal, mesmo que termine antes da meia-noite, \u00e9 a missa pascal do Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o.  <b>Compasso ou Visita Pascal<\/b> O Domingo de P\u00e1scoa \u00e9, em muitas terras, dia para o Compasso ou Visita Pascal: atrav\u00e9s das ruas festivamente adornadas, o p\u00e1roco, ou algu\u00e9m que o represente, leva, de casa em casa, a Cruz florida em visita \u00e0s fam\u00edlias. Foguetes e campainhas avisam que \u00abj\u00e1 a\u00ed vem&#8230;\u00bb, de modo que familiares e amigos se possam perfilar, atempadamente, para beijar a Cruz.   Em 21 de Fevereiro de 1942, o Arcebispo de Braga, D. Ant\u00f3nio Bento Martins J\u00fanior, referia-se assim a este costume: \u00abA Santa Igreja quer que o seu representante nas freguesias, anjo cust\u00f3dio e pacificador das almas que lhe foram confiadas, percorra os lares do seu rebanho, aspergindo-os com a \u00e1gua lustral, que os guarde, proteja e defenda, como foi defendido o povo de Deus, assinalado na sa\u00edda do Egipto, pelo sangue do Cordeiro, figura de Jesus Cristo. \u00c9 nesta nobre e santificadora miss\u00e3o que o p\u00e1roco leva a todas as casas e aos seus filhos espirituais que nelas vivem os seus votos paternais de ressurrei\u00e7\u00e3o espiritual, eficaz e duradoura\u00bb.  Mais informa\u00e7\u00f5es em www.semanasantabraga.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Semana Santa, assim chamada por causa dos mist\u00e9rios que celebra e pela op\u00e7\u00e3o de vida a que deve conduzir, \u00e9 o fecho do tempo lit\u00fargico da Quaresma, itiner\u00e1rio de prepara\u00e7\u00e3o para a grande festa da P\u00e1scoa. 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