{"id":23815,"date":"2010-04-01T16:56:20","date_gmt":"2010-04-01T16:56:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/01\/teologia-e-espiritualidade-do-triduo-pascal\/"},"modified":"2010-04-01T16:56:20","modified_gmt":"2010-04-01T16:56:20","slug":"teologia-e-espiritualidade-do-triduo-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/teologia-e-espiritualidade-do-triduo-pascal\/","title":{"rendered":"Teologia e Espiritualidade do Tr\u00edduo Pascal"},"content":{"rendered":"<p>Ritos de Quinta-feira Santa iniciam ao ciclo de celebra\u00e7\u00e3os mais importantes no calend\u00e1rio da Igreja <!--more--> <\/p>\n<p>Entre todas as semanas do ano, a mais importante para os crist&atilde;os &eacute; a Semana Maior, que foi santificada pelos acontecimentos que a liturgia celebra, da Paix&atilde;o, Morte e Ressurrei&ccedil;&atilde;o do Senhor &ndash; o Mist&eacute;rio Pascal. <br \/>A peregrina do s&eacute;c. IV, Et&eacute;ria, come&ccedil;a a sua rela&ccedil;&atilde;o da semana santa em Jerusal&eacute;m escrevendo: &laquo;O dia seguinte, domingo, &eacute; o come&ccedil;o da semana da P&aacute;scoa ou Semana Maior, como a chamam aqui&raquo;. <br \/>De facto, esta semana &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o e o centro de toda a liturgia anual, nela se celebra o mist&eacute;rio da reden&ccedil;&atilde;o, o grande sinal do amor de Deus salvador. &laquo;A P&aacute;scoa &eacute; o cume&raquo;, assim resume esta festa um escritor dos primeiros s&eacute;culos. <br \/>O crist&atilde;o entra nesta Semana com o esp&iacute;rito de paz interior e recolhimento. A Quaresma foi um tempo de trabalho, disciplina, convers&atilde;o, cerim&oacute;nias penitenciais, agora chegou o tempo de descansar na Paix&atilde;o de Cristo. &laquo;Deus amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho Unig&eacute;nito&raquo; (Jo. 3, 16). Toda a Paix&atilde;o &eacute; sinal do amor de Deus, tornado vis&iacute;vel em Jesus Cristo. <br \/>A devo&ccedil;&atilde;o da Semana Santa nasceu da piedade dos primeiros crist&atilde;os de Jerusal&eacute;m, onde Jesus sofreu a sua paix&atilde;o. Por isso, desde os primeiros s&eacute;culos, Jerusal&eacute;m tornou-se lugar de peregrina&ccedil;&otilde;es para os crist&atilde;os que gostavam de visitar os lugares da paix&atilde;o. N&oacute;s participamos nos mist&eacute;rios de Cristo n&atilde;o apenas com o sentimento ou imagina&ccedil;&atilde;o, mas antes de tudo com a f&eacute;. <\/p>\n<p>2 &ndash; O tr&iacute;duo pascal come&ccedil;a com a missa vespertina da ceia do Senhor, em Quinta-Feira Santa, alcan&ccedil;a o seu apogeu na vig&iacute;lia pascal e termina com as v&eacute;speras do domingo de P&aacute;scoa. Todo este espa&ccedil;o de tempo forma uma unidade que inclui os sofrimentos e a gl&oacute;ria da ressurrei&ccedil;&atilde;o. O bispo de Mil&atilde;o, Santo Ambr&oacute;sio, refere nos seus escritos os &laquo;tr&ecirc;s santos dias&raquo; e o bispo de Hipona, Santo Agostinho, nas suas cartas chama-os &laquo;os tr&ecirc;s sacrat&iacute;ssimos dias da Crucifix&atilde;o, sepultura e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo&raquo;. <\/p>\n<p>A Quinta-Feira Santa est&aacute; marcada pela institui&ccedil;&atilde;o da Escritura, &laquo;verdadeiro sacrif&iacute;cio vespertino&raquo; (cf. 141, 2). O ritual pro&iacute;be a celebra&ccedil;&atilde;o da eucaristia sem fi&eacute;is e recomenda a concelebra&ccedil;&atilde;o, que confere &agrave; cerim&oacute;nia lit&uacute;rgica uma nota de eclesialidade eucar&iacute;stica e de unidade entre eucaristia e sacerd&oacute;cio. A cerim&oacute;nia sugestiva e humilde do Lava-P&eacute;s orienta-se tamb&eacute;m para a Eucaristia. <br \/>Os textos lit&uacute;rgicos mostram a entrega de Jesus Cristo para a salva&ccedil;&atilde;o da humanidade. Jesus celebra a P&aacute;scoa judia mas oferece o seu corpo e sangue em lugar do cordeiro imolado no Templo, para selar a Nova Alian&ccedil;a. O Lava-P&eacute;s &eacute; sinal do &laquo;amor at&eacute; ao fim&raquo; (Jo. 13, 1). A translada&ccedil;&atilde;o solene do Sant&iacute;ssimo Sacramento, &eacute; um sinal de continuidade entre o sacrif&iacute;cio e a adora&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a sacramental. <\/p>\n<p>A Sexta-feira Santa da Paix&atilde;o do Senhor &eacute; constitu&iacute;da por uma liturgia austera e s&oacute;bria. O centro da celebra&ccedil;&atilde;o &eacute; uma &laquo;sinaxis&raquo; (assembleia lit&uacute;rgica) n&atilde;o eucar&iacute;stica que na liturgia antiga se chamava &laquo;missa dos presantificados&raquo;. Os paramentos s&atilde;o vermelhos e a liturgia desenvolve-se em tr&ecirc;s momentos &ndash; a liturgia da Palavra, com a leitura do IV c&acirc;ntico do poema do Servo de Deus (Is. 52, 13), a carta aos Hebreus com a passagem do Sumo Sacerdote &laquo;causa de salva&ccedil;&atilde;o para os que lhe obedecem&raquo; (Heb. 4, 14), e a Paix&atilde;o segundo S&atilde;o Jo&atilde;o, o te&oacute;logo m&iacute;stico que v&ecirc; na cruz a exalta&ccedil;&atilde;o de Cristo. &Agrave;s leituras segue-se a ora&ccedil;&atilde;o universal; &#8211; a adora&ccedil;&atilde;o da cruz com a ant&iacute;fona de origem bizantina &laquo;adoramos Senhor a vossa cruz&hellip; pelo madeiro veio a alegria a todo o mundo&raquo; e os improp&eacute;rios nos quais Jesus reprova a ingratid&atilde;o do seu povo; &#8211; a comunh&atilde;o com o P&atilde;o eucar&iacute;stico consagrado na tarde de quinta feira santa. A piedade popular gosta de participar na prociss&atilde;o do Enterro do Senhor e comove-se com a presen&ccedil;a da Senhora da Soledade acompanhando o seu Filho morto. <\/p>\n<p>A Sexta-feira &eacute; um dia de intenso luto e dor mas iluminado pela esperan&ccedil;a crist&atilde;. A devo&ccedil;&atilde;o &agrave; Paix&atilde;o do Senhor est&aacute; fortemente arreigada na piedade crist&atilde;. A peregrina Eteria, ao descrever as cerim&oacute;nias em Jerusal&eacute;m, por volta do ano 400, diz: &laquo;dificilmente podeis acreditar que toda a gente, velhos e jovens, chorem durante essas tr&ecirc;s horas, pensando no muito que o Senhor sofreu por n&oacute;s&raquo;. <br \/>A Igreja apresenta grande austeridade, nada distrai o nosso olhar do altar e da cruz, o povo crist&atilde;o fica vigilante junto &agrave; cruz do Senhor e da Virgem da Soledade. <\/p>\n<p>O grande S&aacute;bado Santo, &eacute; um dia de serena esperan&ccedil;a e prepara&ccedil;&atilde;o orante para a ressurrei&ccedil;&atilde;o. Os crist&atilde;os dos primeiros s&eacute;culos jejuavam neste dia como em sexta feira santa, era o tempo em que o esposo os tinha deixado (Mt. 2, 19). <br \/>O Of&iacute;cio Divino &eacute; rezado perante o altar desnudado, presidido pela cruz e tem um acento de medita&ccedil;&atilde;o e repouso. A piedade crist&atilde; ora perante a imagem da Virgem das Dores, &laquo;ela no grande S&aacute;bado, recolheu a f&eacute; de toda a Igreja&hellip; s&oacute; ela entre todos os disc&iacute;pulos esperou vigilante a ressurrei&ccedil;&atilde;o do Senhor&raquo;. (Missa da Virgem Maria). <br \/>A Vig&iacute;lia Pascal &eacute; uma vasta celebra&ccedil;&atilde;o da Palavra de Deus que continua com o baptismo e continua com a Eucaristia. Os s&iacute;mbolos s&atilde;o abundantes e de uma grande riqueza espiritual &ndash; o ritual do fogo e da luz que evoca a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus e a marcha de Israel no deserto guiado pela coluna de fogo; a liturgia da Palavra com Salmo e ora&ccedil;&atilde;o, percorrendo as etapas da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o; a liturgia da inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; que incorpora novos filhos na Igreja; a renova&ccedil;&atilde;o das promessas do baptismo e aspers&atilde;o com a &aacute;gua benta que recorda a &aacute;gua do nosso baptismo; por fim a eucaristia que proclama a ressurrei&ccedil;&atilde;o do Senhor, esperando a sua &uacute;ltima vinda (1 Cor. 11, 26). <br \/>A liturgia convoca de novo os fi&eacute;is para o &laquo;dia que fez o Senhor&raquo; na missa do dia. A piedade crist&atilde; realiza a prociss&atilde;o de Cristo ressuscitado, ornamentando as estradas, estalando foguetes, tocando sinos e ao som da m&uacute;sica entoa o &laquo;Regina coeli&raquo; &agrave; m&atilde;e de Jesus. O Aleluia, que fora suprimido na Quaresma, aparece repetidas vezes em sinal de alegria e vit&oacute;ria, de forma que o Aleluia pascal se tornou a aclama&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria do mist&eacute;rio pascal. <\/p>\n<p>A magn&iacute;fica liturgia pascal p&otilde;e em relevo uma nota escatol&oacute;gica que indica a meta para onde nos dirigimos seguindo Cristo e que S&atilde;o Paulo apresenta na carta aos Cor&iacute;ntios: &laquo;Sempre que comemos deste p&atilde;o e bebemos deste c&aacute;lice, anunciamos a tua morte Senhor, at&eacute; que venhas&raquo; (1Cor. 11, 26).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>D. Teodoro de Faria, Bispo em&eacute;rito do Funchal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ritos de Quinta-feira Santa iniciam ao ciclo de celebra\u00e7\u00e3os mais importantes no calend\u00e1rio da Igreja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186,199,246,91,308],"class_list":["post-23815","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal","tag-espiritualidade","tag-liturgia","tag-quaresma","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23815"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23815\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}