{"id":23813,"date":"2007-04-02T10:42:02","date_gmt":"2007-04-02T10:42:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/02\/o-verdadeiro-rosto-do-messias\/"},"modified":"2007-04-02T10:42:02","modified_gmt":"2007-04-02T10:42:02","slug":"o-verdadeiro-rosto-do-messias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-verdadeiro-rosto-do-messias\/","title":{"rendered":"<i>O verdadeiro rosto do Messias<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca no Domingo de Ramos <!--more--> 1. A Liturgia deste Domingo de Ramos, in\u00edcio da Semana Maior, chamada Santa porque nela se celebra a P\u00e1scoa, convida-nos a mergulhar na verdadeira dimens\u00e3o do Messias, o ungido do Senhor, esperado como libertador do Povo de Deus e salvador de toda a humanidade. Compreender a verdadeira dimens\u00e3o da miss\u00e3o messi\u00e2nica \u00e9 mergulhar na realidade actual de Jesus Cristo, da Igreja que vive da Sua P\u00e1scoa e \u00e9 o seu corpo, da humanidade contempor\u00e2nea, t\u00e3o necessitada de reden\u00e7\u00e3o. \tA esperan\u00e7a messi\u00e2nica constitui dimens\u00e3o central na espiritualidade de Israel. As refer\u00eancias nos textos sagrados ao Messias esperado, tra\u00e7am aspectos complementares da miss\u00e3o desse ungido do Senhor: a gl\u00f3ria e a grandeza da realeza, ele ser\u00e1 o verdadeiro Rei de Israel que libertar\u00e1 o Povo de todos os seus opressores; o Servo obediente e sofredor, com ouvidos de disc\u00edpulo, que carrega sobre os ombros os pecados do Povo; o Filho do homem celeste, que h\u00e1-de aparecer sobre as nuvens do C\u00e9u, revestido da gl\u00f3ria da divindade, inaugurando o triunfo definitivo de Deus. Cada uma destas dimens\u00f5es da miss\u00e3o messi\u00e2nica dera origem a tradi\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas e espirituais espec\u00edficas, sendo a do Messias sofredor a menos desenvolvida, porque mais exigente e incompreens\u00edvel. Para estes grupos, cada uma destas dimens\u00f5es definia o Messias, incapazes que eram de fazer a s\u00edntese das tr\u00eas num \u00fanico Messias salvador. \tOs pr\u00f3prios acontecimentos daquela semana pascal, exprimem esta incapacidade de s\u00edntese. A multid\u00e3o que aclama Jesus, como Messias Rei, nas ruas de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o suportar\u00e1, como manifesta\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica, a condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte e o supl\u00edcio da Cruz. Os pr\u00f3prios disc\u00edpulos dispersam-se atordoados e escandalizados. E nem uns, nem outros, est\u00e3o preparados para a surpresa da ressurrei\u00e7\u00e3o, o verdadeiro triunfo do Messias, que realiza a grandeza do Messias Rei e a gl\u00f3ria da Divindade. Essa vis\u00e3o profunda e total da miss\u00e3o messi\u00e2nica s\u00f3 Cristo a tem, acompanhado de perto por sua M\u00e3e Maria Sant\u00edssima. A ora\u00e7\u00e3o angustiada, no Jardim das Oliveiras, mostra-nos que Jesus estava s\u00f3 com Deus, Seu Pai, ao abra\u00e7ar a miss\u00e3o de Messias em toda a sua grandeza. \tEste \u00e9, tamb\u00e9m, o destino da Igreja. Quanto mais mergulha na profundidade da miss\u00e3o de Jesus Cristo, actualizando-a, isto \u00e9, dando-lhe a densidade de cada momento concreto da hist\u00f3ria da humanidade, mais fica s\u00f3, com Jesus Cristo. N\u00e3o pode esperar que o mundo a compreenda e a aplauda. Isso pode acontecer, em circunst\u00e2ncias concretas, como Jesus foi aclamado nas ruas de Jerusal\u00e9m. Mas aceitar a radicalidade da Cruz e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo como \u00fanico triunfo com sentido, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mesmo para os crist\u00e3os. Tamb\u00e9m hoje, viver com radicalidade a P\u00e1scoa de Jesus, n\u00e3o vergar \u00e0s exig\u00eancias do mundo e oferecer, com Cristo, a dor que salva, \u00e9 sempre uma experi\u00eancia de solid\u00e3o. Nunca como na P\u00e1scoa, a Igreja est\u00e1 s\u00f3 com Jesus Cristo.  \t2. Na Igreja a P\u00e1scoa \u00e9 a verdadeira s\u00edntese de todas as dimens\u00f5es da miss\u00e3o messi\u00e2nica e salv\u00edfica de Jesus. A Carta de Paulo aos Filipenses \u00e9 disso testemunho: de condi\u00e7\u00e3o divina, aniquilou-se a Si mesmo, tomando a condi\u00e7\u00e3o de Servo. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu o Nome que est\u00e1 acima de todos os nomes (cf. Fil. 2,6-11). A condi\u00e7\u00e3o de Servo foi anunciada, com pormenor impressionante, pela profecia de Isa\u00edas (cf. Is. 50,4-7), e descrita, com sabor de relato hist\u00f3rico, pelo evangelista S\u00e3o Lucas (cf. Lc. 22,14-23,56). \tNesta s\u00edntese da nova P\u00e1scoa, praticamente desaparece o triunfo messi\u00e2nico, como o que aconteceu nas ruas de Jerusal\u00e9m. O verdadeiro triunfo messi\u00e2nico exprime-se na obedi\u00eancia do Servo, que oferece a sua vida pelo resgate da multid\u00e3o, e na ressurrei\u00e7\u00e3o, que S\u00e3o Paulo mostra bem ser o ponto culminante da Paix\u00e3o. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o do verdadeiro fruto do sofrimento oferecido, e ao ser-lhe dado o nome de \u201cK\u00farios\u201d, Senhor, Ele \u00e9, para todo o sempre, o verdadeiro Filho do Homem celeste, que um dia h\u00e1-de manifestar a Sua gl\u00f3ria a toda a humanidade, com a autoridade que lhe confere o facto de ser humano. \tEsta \u00e9 a P\u00e1scoa da Igreja. O triunfo na pra\u00e7a p\u00fablica, mesmo quando \u00e9 espont\u00e2neo e sincero, \u00e9 ef\u00e9mero, n\u00e3o traz a marca do definitivo, n\u00e3o exprime a verdade profunda de uma humanidade redimida. A Igreja \u00e9 humana, vive no tempo, sabem-lhe bem os triunfos pr\u00f3prios deste mundo. Mas abra\u00e7ar a Cruz exprime melhor a sua vit\u00f3ria. Os triunfos e as derrotas da Igreja n\u00e3o se medem com os crit\u00e9rios das vit\u00f3rias e dos fracassos deste mundo. Os seus triunfos s\u00f3 podem ser a irradia\u00e7\u00e3o da glorifica\u00e7\u00e3o de Cristo, exprimem-se na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus, silencioso e discreto, at\u00e9 \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o definitiva.  \t3. Assim, a Liturgia deste Domingo constitui, verdadeiramente, a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa crist\u00e3, onde a Cruz e a Ressurrei\u00e7\u00e3o mant\u00eam a sua actualidade perene, express\u00f5es do triunfo do Messias Servo, a Quem a Igreja chama Senhor. Seria erro grave considerar a Cruz como realidade ultrapassada pela ressurrei\u00e7\u00e3o. O Senhor da Igreja, o nosso Salvador, \u00e9, ainda hoje, at\u00e9 ao fim dos tempos, Cristo morto e ressuscitado. A humanidade continua em processo de reden\u00e7\u00e3o, o que exige a actualidade do sacrif\u00edcio do Messias-Servo. \tA Cruz \u00e9 realidade actual para Cristo redentor e para a humanidade redimida. Sobretudo na Eucaristia, Cristo continua a oferecer a Deus a sua vida pela salva\u00e7\u00e3o dos homens. A sua ressurrei\u00e7\u00e3o revela a verdadeira dimens\u00e3o do seu sacrif\u00edcio, s\u00f3 poss\u00edvel com a for\u00e7a de Deus. A ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 o sinal de que Deus aceitou o sacrif\u00edcio do seu Filho e de que a humanidade est\u00e1, verdadeiramente, redimida. \tMas a Cruz exprime, tamb\u00e9m, o realismo do dom da Igreja. Identificada com Cristo, pelo baptismo, a Igreja oferece com Cristo e os crist\u00e3os podem viver o sofrimento e as prova\u00e7\u00f5es da f\u00e9, unidos a Cristo, dando actualidade \u00e0 sua Cruz. S\u00e3o Paulo exprimiu-o, com realismo impressionante, dizendo que os crist\u00e3os, no seu sofrimento, contemplam a Cruz de Cristo (cf. Col. 1,24). Ser disc\u00edpulo \u00e9 tomar a pr\u00f3pria cruz e seguir o Senhor (cf. Mt. 16,24). \tH\u00e1 uma dimens\u00e3o universal nesta actualidade da Cruz de Cristo, vivida pela Igreja. A Igreja pode oferecer mesmo o sofrimento daqueles que n\u00e3o conhecem Cristo. A Eucaristia \u00e9 a mais profunda resposta da Igreja ao sofrimento do mundo, donde brota a exig\u00eancia da caridade.  \t4. A Liturgia deste dia, que come\u00e7a com a evoca\u00e7\u00e3o do triunfo messi\u00e2nico de Jesus nas ruas de Jerusal\u00e9m, conduz a Igreja para a profundidade humilde da P\u00e1scoa, den\u00fancia de todos os triunfalismos humanos, afirma\u00e7\u00e3o da silenciosa esperan\u00e7a do gr\u00e3o de trigo que, morrendo, ser\u00e1 fecundo. A P\u00e1scoa celebra-se na l\u00f3gica do Reino dos C\u00e9us, que por enquanto \u00e9 fermento na massa, essa j\u00f3ia escondida e ignorada, que a Igreja encontra em cada Eucaristia que celebra. S\u00e9 Patriarcal, 1 de Abril de 2007 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca no Domingo de Ramos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[199,246,275],"class_list":["post-23813","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-espiritualidade","tag-liturgia","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23813\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}