{"id":23806,"date":"2007-04-01T17:18:53","date_gmt":"2007-04-01T17:18:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/01\/servir-a-palavra-de-ordem-do-bispo-do-porto\/"},"modified":"2007-04-01T17:18:53","modified_gmt":"2007-04-01T17:18:53","slug":"servir-a-palavra-de-ordem-do-bispo-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/servir-a-palavra-de-ordem-do-bispo-do-porto\/","title":{"rendered":"Servir, a palavra de ordem do Bispo do Porto"},"content":{"rendered":"<p>Transformar o \u00abdesejo espont\u00e2neo de auto-afirma\u00e7\u00e3o em desejo de comunh\u00e3o e vontade incans\u00e1vel de servir\u00bb. <!--more--> Homilia de Domingo de Ramos do Bispo do Porto  Bela e importante \u00e9 esta designa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, meus irm\u00e3os e irm\u00e3s: \u201cDomingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor\u201d. Bela pelo que evoca e importante pelo que n\u00e3o deixa esquecer. Havia, efectivamente, ramos e palmas a receber Jesus, na sua entrada em Jerusal\u00e9m, t\u00e3o prof\u00e9tica como messi\u00e2nica. Mas esse era o primeiro quadro vivo de um drama maior, que continuaria: a paix\u00e3o do Senhor, onde podemos descortinar o duplo sentido do que passou por n\u00f3s e do modo apaixonado como o fez. E porque se trata duma celebra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas trazemos \u00e0 lembran\u00e7a, por palavras e gestos rituais, o que aconteceu um dia, mas revivemo-lo verdadeiramente, porque acontece hoje e acontecer\u00e1 sempre, enquanto houver mundo a salvar, almas a levantar, vidas a restaurar. Ele est\u00e1 connosco, seu corpo eclesial, para continuar no mundo id\u00eantica paix\u00e3o, com igual significado e aplica\u00e7\u00e3o.  Irm\u00e3os e irm\u00e3s que me escutais, nas mais diversas e por vezes dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es da vida presente de cada um, exactamente aonde a paix\u00e3o de Cristo quer incidir agora, em verdade e caridade perenes: deixai-vos acompanhar por Aquele que tomou para si a nossa humanidade, para a renovar e preencher com a sua divindade. Os passos de Jesus, enquanto despojamento seu e caminho nosso, continuam agora nas vossas pr\u00f3prias exist\u00eancias, que poder\u00e3o ter ramos e palmas, mas certamente encontram prova\u00e7\u00f5es e espinhos. \u00c9 um caminho que se abre \u2013 pois Ele \u00e9 o caminho! \u2013 e um caminho de gl\u00f3ria, de que fazemos Eucaristia e louvor a Deus. Resumiu-o a ora\u00e7\u00e3o colecta, em que ped\u00edamos a Deus que, para dar aos homens um exemplo de humildade, quis que o nosso Salvador se fizesse homem e padecesse o supl\u00edcio da cruz, nos leve a seguir os ensinamentos da sua paix\u00e3o, para merecermos tomar parte na gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o. E nisto mesmo se encerra toda a celebra\u00e7\u00e3o da Semana Maior em que entr\u00e1mos, para dela sairmos mais ressuscitados, para Deus e para o mundo.  Sigamos pois os ensinamentos da paix\u00e3o de Jesus, cuja narra\u00e7\u00e3o devotamente escut\u00e1mos. Sigamo-los agora na lembran\u00e7a geral e nalgum ponto que mais directamente se aplique \u00e0 exist\u00eancia de cada um, onde precise de ser salva pela caridade divina; sigamos alguns detalhes do texto de S\u00e3o Lucas. O evangelista coloca, depois da institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, um elucidativo di\u00e1logo, para eles como para n\u00f3s. Ainda naquele momento, de facto, os disc\u00edpulos questionavam-se uns aos outros. \u2013 E sobre qu\u00ea? Sobre qual deles se devia considerar o maior\u2026 Jesus, cuja paci\u00eancia \u00e9 do tamanho da sua caridade infinda, lembrou-lhes que essa era uma falsa quest\u00e3o e absolutamente deslocada, pr\u00f3pria de dominadores mundanos. E prosseguiu dizendo \u2013 com o seu exemplo, antes de mais \u2013 que a \u00fanica grandeza, real e consistente, \u00e9 a do servi\u00e7o. Lembremos as palavras, pois temos de record\u00e1-las sem cessar: \u201cO maior entre v\u00f3s seja como o menor, e aquele que manda seja como quem serve. [\u2026] Ora eu estou no meio de v\u00f3s como aquele que serve\u201d. J\u00e1 o dev\u00edamos ter aprendido todos, tal a evid\u00eancia das coisas. Aprendamo-lo com o pr\u00f3prio Deus, cuja humildade nos espanta, mas nos h\u00e1-de converter, pois imaginamo-Lo mais facilmente a partir dos nossos fumos de grandeza do que a partir da sua auto-manifesta\u00e7\u00e3o em Cristo, humilde e servo de todos. Se lhe confessamos o Evangelho como \u201cpalavra da salva\u00e7\u00e3o\u201d, vivamo-lo tamb\u00e9m, para servirmos os irm\u00e3os com iguais sentimentos.  Os santos mais lembrados, cujo exemplo e ensino realmente determinam vidas e sustentam a esperan\u00e7a, mesmo para al\u00e9m das fronteiras vis\u00edveis da Igreja, s\u00e3o aqueles e aquelas que mais serviram os seus semelhantes, no corpo ou no esp\u00edrito. Tem-se dito, por exemplo, que uma mulher como Teresa de Calcut\u00e1 contribuiu tanto ou mais para a apresenta\u00e7\u00e3o de Cristo no grande sub-continente indiano, do que muitas outras iniciativas apost\u00f3licas, de valor inquestion\u00e1vel, ali\u00e1s. No nosso Pa\u00eds e no s\u00e9culo passado, apontem-se exemplos como o Padre Cruz, o Padre Am\u00e9rico ou S\u00edlvia Cardoso, no mesmo sentido. E \u00e0 escala imediata, de fam\u00edlias, amigos e comunidades, mesmo c\u00edvicas, empresariais e pol\u00edticas, nacionais ou internacionais, verificamos igualmente a verdade concreta do ensinamento de Cristo: s\u00e3o determinantes apenas os que servem; atrai-nos e convence-nos sobretudo o seu servi\u00e7o. Assim Cristo, primeiro e acima de tudo. Primeiro, porque \u201camou at\u00e9 ao fim\u201d; acima, porque \u201cassumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo \u2013 Ele, que era de condi\u00e7\u00e3o divina -, tornou-se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-se ainda mais, obedecendo at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou e lhe deu um nome que est\u00e1 acima de todos os nomes\u201d. \u2013 Que esta celebra\u00e7\u00e3o nos conven\u00e7a e esta Semana nos converta aos sentimentos de Cristo, transformando o desejo espont\u00e2neo de auto-afirma\u00e7\u00e3o em desejo de comunh\u00e3o e vontade incans\u00e1vel de servir, onde com Ele e com todos nos realizemos por fim, na caridade, na justi\u00e7a e na paz!   Mais uma passagem, ainda, pela oportunidade acrescida: a agonia no horto, com as circunst\u00e2ncias da vers\u00e3o que escut\u00e1mos. Diz-nos o evangelista que Jesus exortou os disc\u00edpulos a orar, para n\u00e3o ca\u00edrem em tenta\u00e7\u00e3o; que Ele mesmo orou em seguida, para conseguir comungar o c\u00e1lice da nossa salva\u00e7\u00e3o, que para Ele tinha o custo imenso de nos vir buscar onde est\u00e1vamos, onde porventura ainda estejamos &#8211; quer dizer, \u00e0 nossa pr\u00f3pria desola\u00e7\u00e3o e morte -, para juntos regressarmos ao Pai, princ\u00edpio, recome\u00e7o e realiza\u00e7\u00e3o \u00faltima das nossas vidas; que nesta conforma\u00e7\u00e3o absoluta com o des\u00edgnio salvador do Pai, encontrou o consolo dum Anjo; que, entretanto, deparou com os disc\u00edpulos, n\u00e3o orando mas dormindo, \u201cpor causa da tristeza\u201d; e que a estes mesmo increpou: \u201cPorque estais a dormir? Levantai-vos e orai, para n\u00e3o entrardes em tenta\u00e7\u00e3o\u201d. Ainda aqui, a Paix\u00e3o de Jesus elucida-nos sobre Ele e sobre n\u00f3s. Porque s\u00f3 no acolhimento da vontade de Deus nos salvamos e ajudamos \u00e0 salva\u00e7\u00e3o dos outros; porque a tribula\u00e7\u00e3o que tal nos traga inclui a consola\u00e7\u00e3o divina; porque a tristeza ou a decep\u00e7\u00e3o que nos advenham nos podem entorpecer e alienar; e porque a vit\u00f3ria definitiva sobre a grande tenta\u00e7\u00e3o de desistirmos de Deus, dos outros e at\u00e9 do melhor de n\u00f3s mesmos vence-se com Cristo, despertos, orantes e dispon\u00edveis. Assim queremos estar n\u00f3s, irm\u00e3os e irm\u00e3s, em Domingo de Ramos que n\u00e3o sequem. Assim queremos estar, com Jesus e o Pai no mesmo Esp\u00edrito, para que o triunfo da vida sobre a morte continue a acontecer em n\u00f3s e \u00e0 nossa volta. Assim persistiremos decerto, sem nos faltar a companhia de todos os \u201canjos\u201d que Deus nos envia, com palavras de \u00e2nimo e mensagens de esperan\u00e7a, consola\u00e7\u00f5es divinas e est\u00edmulo de tantos companheiros de jornada.  Assim queremos estar, e em especial nas alturas em que problemas de v\u00e1ria ordem se acumulem sobre n\u00f3s e sobre os outros, podendo levar-nos ao sono do alheamento ou ao torpor das vidas adiadas. Assim queremos estar, para cumprirmos nesta Semana Santa e na santifica\u00e7\u00e3o de toda a vida, pessoal e familiar, eclesial e c\u00edvica o mandato de Jesus: \u201cLevantai-vos e orai, para n\u00e3o entrardes em tenta\u00e7\u00e3o!\u201d.  Assim passaremos definitivamente para o seu Reino, j\u00e1 assinalado nesta vida pelo amor a Deus e ao pr\u00f3ximo, caminho de Evangelho e de esperan\u00e7a para o Mundo! E o mesmo pediremos, na ora\u00e7\u00e3o conclusiva desta celebra\u00e7\u00e3o, suplicando a Deus que nos passe da morte \u00e0 vida, pela paix\u00e3o de Cristo, nossa liberdade e paz! D. Manuel Clemente<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transformar o \u00abdesejo espont\u00e2neo de auto-afirma\u00e7\u00e3o em desejo de comunh\u00e3o e vontade incans\u00e1vel de servir\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,206,308],"class_list":["post-23806","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23806"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23806\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}