{"id":23803,"date":"2007-04-01T17:05:34","date_gmt":"2007-04-01T17:05:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/01\/domingo-de-ramos-a-festa-dos-contrastes\/"},"modified":"2007-04-01T17:05:34","modified_gmt":"2007-04-01T17:05:34","slug":"domingo-de-ramos-a-festa-dos-contrastes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/domingo-de-ramos-a-festa-dos-contrastes\/","title":{"rendered":"Domingo de Ramos: A Festa dos Contrastes"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de Domingo de Ramos do Arcebispo de Braga <!--more--> \tA Liturgia de hoje sintetiza e harmoniza o contradit\u00f3rio. Fazendo mem\u00f3ria, encontramos um povo aclamando e acolhendo Cristo como Messias e deparamos com as exig\u00eancias de condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte interpretadas, talvez, pelas mesmas pessoas. \tA entrada na Semana Maior coloca-nos, deste modo, perante o contradit\u00f3rio da vida dos disc\u00edpulos de Cristo. Sei, e devo reconhecer, que todos caminhamos, quotidianamente, nestes comportamentos contrastantes. Temos momentos de esperan\u00e7a ilus\u00f3ria, talvez inconsciente, que poder\u00edamos apelidar de tempo de utopia e sonho e, passados tempos, estamos a desencantar a comunidade, talvez escandalizando-o, que se apercebe dos nossos sonhos perdidos. Sejamos humildes e iniciemos esta Semana Maior reconhecendo as incoer\u00eancias pessoais, familiares e comunit\u00e1rias. \tNeste acto de humildade teremos de descortinar ou dever\u00edamos ser capazes de o fazer, o dualismo existencial, nas atitudes e op\u00e7\u00f5es, que contradiz, dum modo quase permanente, o estilo de vida do disc\u00edpulo que Cristo apontou. Os santos ca\u00edram e falharam. S. Pedro, que conheceremos melhor na Semana Santa, negou Cristo, mas recome\u00e7ou. A mentira de Judas \u00e9 que n\u00e3o a podemos aceitar. \tNum tempo de relativismo, onde e os comportamentos parecem adquirir o mesmo valor, o cristianismo aceitando um pluralismo no acidental mas exigindo a unidade no essencial, tem de levar a um encontro com Cristo-Verdade no meio de tantas verdades. Da\u00ed que seja lament\u00e1vel este tergiversar entre comportamentos e op\u00e7\u00f5es de fidelidade e atitudes de incoer\u00eancia. Nunca poderemos ser do Sim e do N\u00e3o. Perante as hipot\u00e9ticas respostas de muitos, teremos de estar na coer\u00eancia de quem n\u00e3o s\u00f3 acredita que \u00e9 poss\u00edvel a diferen\u00e7a, mas aceita-a como necess\u00e1ria. \tS\u00e3o muitos os sectores da vida humana onde teremos de assegurar a fidelidade. Ao iniciar a Semana Santa, gostaria de concentrar-me, intencionalmente, na fam\u00edlia. N\u00e3o o fa\u00e7o \u00e0 procura dum tema. O Programa Pastoral exige-o. Repetirei conceitos. A centralidade da P\u00e1scoa pede que continue a insistir. \t1 \u2013 Existe, quer queiramos quer n\u00e3o, uma confus\u00e3o muito grande no modelo de fam\u00edlias. A Igreja pode ser exigente mas determina e aceita a comunh\u00e3o de amor entre um homem e uma mulher. Muitos poder\u00e3o pensar doutra maneira. O crist\u00e3o s\u00f3 deveria ter esta mentalidade. Viver ou pensar doutro modo \u00e9 disfarce duma imagem crist\u00e3, trata-se dum apelativo sem consist\u00eancia. \t2 \u2013 Como comunh\u00e3o deve acreditar que no amor est\u00e1 o essencial e a experi\u00eancia familiar cresce de harmonia com a capacidade de auto-doa\u00e7\u00e3o como quem se entrega em gratuidade e, porventura, em esp\u00edrito de sacrif\u00edcio. Unir dois ego\u00edsmos nunca pode ser considerado fam\u00edlia. \u00c9 mais um contraste incompreens\u00edvel. \t3 \u2013 No amor, a fam\u00edlia \u00e9 \u00fanica e indissol\u00favel atrav\u00e9s de algo exclusivo, sem reparti\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o, e com uma dimens\u00e3o perene. O amor nunca pode viver de experi\u00eancias fortuitas e marcadas pelo tempo ou condicionalismos. \t4 \u2013 Na comunh\u00e3o de vida a gera\u00e7\u00e3o de filhos, numa paternidade respons\u00e1vel, \u00e9 a norma habitual de quem acolhe a vida como dom de Deus a cuidar e guardar de todas as contrariedades que possam impedir o seu pleno desenvolvimento. \tPoder\u00edamos recordar outros aspectos como exig\u00eancia de algo que se escolhe para uma fidelidade coerente e n\u00e3o s\u00f3 como sintoma duma superficialidade de atitudes contradit\u00f3rias. Importa, por isso, recordar que algumas coisas podem estar na moda e ser aplaudidas pelas multid\u00f5es. Os crist\u00e3os n\u00e3o vivem por elas e para elas ainda que alguns os considerem retr\u00f3grados e fora dum ambiente de modernidade. Hoje, mais do que nunca, teremos de ser claros e chamar as coisas pelo seu nome: h\u00e1 certas realidades que os crist\u00e3os n\u00e3o podem aceitar. Devem compreender as pessoas mas t\u00eam o dever de denunciar e viver dum modo diferente. Div\u00f3rcio, adult\u00e9rio, uni\u00f5es de facto, homossexualidade, abortos, aproveitamento de embri\u00f5es numa procria\u00e7\u00e3o medicamente assistida\u2026 S\u00e3o factores que reclamam muita coer\u00eancia. \tPerante o ambiente que se respira, o ideal da vida matrimonial proposto pela Igreja exige uma prepara\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e uma espiritualidade conjugal. S\u00e3o dois factores que permitem que, sem entusiasmos f\u00e1ceis, continuemos a aclamar e acolher o modelo apresentado pela fam\u00edlia de Nazar\u00e9. \tNingu\u00e9m ignora a superficialidade e facilitismo do relacionamento entre os jovens. Muitos assumem-se como namorados, mas n\u00e3o querem crescer numa educa\u00e7\u00e3o para o amor duma maneira alegre e feliz, capaz de descortinar o seu verdadeiro significado, que nunca se pode reduzir \u00e0 sexualidade. \u00c9 muito mais e s\u00e3o estes horizontes que lhe d\u00e3o profundidade. N\u00e3o posso deixar de referir que a coer\u00eancia se situa em todas as idades. Se hoje celebramos o Dia Mundial da Juventude, n\u00e3o podemos ignorar a Mensagem do Papa Bento XVI que nos conduz \u00e0 mesma identidade crist\u00e3 a viver no: \u201cQue vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei\u201d (Jo. 13, 34). No amor mostramos que somos crist\u00e3os sem disfarces e teremos de ser testemunhos do amor de Cristo, ousando amar como os Santos. O Santo Padre recorda aos jovens que \u00e9 essencial descobrir um projecto de amor \u201clivres do preconceito difundido de que o cristianismo, com os seus mandamentos e as suas proibi\u00e7\u00f5es, constitua obst\u00e1culos \u00e0 alegria do amor e impe\u00e7a em particular de viver plenamente aquela felicidade que o homem e a mulher procuram no seu amor rec\u00edproco\u201d. \tAo iniciarmos esta Semana particular quis recordar doutrinas conhecidas com a \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o de acolher as exig\u00eancias que elas comportam. N\u00e3o podemos reduzir o cristianismo a um mero conte\u00fado te\u00f3rico contido nos livros. Ele \u00e9 vida e esta, para ser verdadeiramente humana, admitindo as contradi\u00e7\u00f5es, dever\u00e1 assumir-se como testemunho exigente. Estar no mundo sem ser do mundo, pode e deve tornar-se alegria de ser diferente. \tPe\u00e7o ao Senhor que a Semana Santa nos fa\u00e7a compreender a verdade do excesso do dom manifestado na paix\u00e3o de Cristo para que nos sintamos seduzidos para transparecer esse amor nas palavras e nas atitudes. \u201cH\u00e3o-de olhar para Aquele que trespassaram\u201d foi o fio condutor da nossa Caminhada Quaresmal. Que a Semana Santa n\u00e3o permita um olhar meramente curioso ou de turista. Entremos dentro da l\u00f3gica deste cora\u00e7\u00e3o. Sejamos fi\u00e9is e mostremos que vale a pena ser \u201cdiferentes\u201d. D. Jorge Ortiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de Domingo de Ramos do Arcebispo de Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,120,164,168,172,193,199,206,246,275,91,308],"class_list":["post-23803","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-dia-mundial-da-juventude","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23803","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23803"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23803\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}