{"id":237644,"date":"2022-04-18T10:51:28","date_gmt":"2022-04-18T09:51:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=237644"},"modified":"2022-04-18T10:51:28","modified_gmt":"2022-04-18T09:51:28","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-no-domingo-de-pascoa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-no-domingo-de-pascoa-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Funchal no Domingo de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_237617\" aria-describedby=\"caption-attachment-237617\" style=\"width: 1068px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/D.NUNO-DIA-DA-RESSURREICAO-DE-CRISTO21.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-237617 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/D.NUNO-DIA-DA-RESSURREICAO-DE-CRISTO21.jpg\" alt=\"\" width=\"1068\" height=\"712\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/D.NUNO-DIA-DA-RESSURREICAO-DE-CRISTO21.jpg 1068w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/D.NUNO-DIA-DA-RESSURREICAO-DE-CRISTO21-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/D.NUNO-DIA-DA-RESSURREICAO-DE-CRISTO21-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/D.NUNO-DIA-DA-RESSURREICAO-DE-CRISTO21-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/D.NUNO-DIA-DA-RESSURREICAO-DE-CRISTO21-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/D.NUNO-DIA-DA-RESSURREICAO-DE-CRISTO21-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/D.NUNO-DIA-DA-RESSURREICAO-DE-CRISTO21-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1068px) 100vw, 1068px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-237617\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Jornal da Madeira\/Duarte Gomes<\/figcaption><\/figure>\n<p>1. A leitura que acab\u00e1mos de escutar, retirada do Evangelho segundo S. Jo\u00e3o (Jo 20,1-9), sublinha de modo particular o verbo \u201cver\u201d (\u03b2\u03bb\u03ad\u03c0\u03c9): Maria Madalena viu a pedra retirada do sepulcro; o disc\u00edpulo amado \u201cviu as ligaduras no ch\u00e3o\u201d; e Pedro, depois de entrar no sepulcro, \u201cviu as ligaduras no ch\u00e3o e o sud\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Ao sublinhar o \u201cver\u201d, o evangelista quer dizer-nos que n\u00e3o nos encontramos perante um sonho, um desejo, a imagina\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m, mas diante de um acontecimento, diante da verdade de um facto hist\u00f3rico \u2014 t\u00e3o hist\u00f3rico que pode, por isso, ser visto.<\/p>\n<p>Mas, nesse in\u00edcio de manh\u00e3 (era \u201cainda escuro\u201d), aquilo que os disc\u00edpulos viram foram apenas sinais: a pedra que faltava na porta do sepulcro, e o pr\u00f3prio sepulcro sem o corpo de Jesus. Viram tamb\u00e9m as ligaduras e o len\u00e7ol, usados para envolver o corpo do Crucificado, deixados, abandonados no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 depois destes ind\u00edcios, Maria Madalena se h\u00e1-de encontrar com Jesus, mas ainda sem o reconhecer (t\u00e3o impens\u00e1vel era o sucedido, e dado que o Senhor se mostrava agora com o seu corpo glorioso), julgando que era o jardineiro. E, nessa tarde, o pr\u00f3prio Ressuscitado se h\u00e1-de fazer ver, manifestar-se, ultrapassando paredes e portas fechadas, e ultrapassando o pr\u00f3prio medo que os acontecimentos tinham causado nos disc\u00edpulos (obst\u00e1culo bem maior que as portas fechadas duma sala). \u00c9 o ver, mais que real, que a f\u00e9 nos oferece.<\/p>\n<p>Por agora, Maria Madalena, Jo\u00e3o e Pedro s\u00e3o apenas confrontados com ind\u00edcios da ressurrei\u00e7\u00e3o \u2014 ind\u00edcios da vida nova, pr\u00f3pria de Jesus ressuscitado.<\/p>\n<p>Apenas Jo\u00e3o, o \u201cdisc\u00edpulo amado\u201d, \u00e9 capaz de relacionar estes ind\u00edcios com aquilo que Jesus lhes tinha anunciado durante a sua vida p\u00fablica, e com a pr\u00f3pria Escritura. O texto do evangelho diz que ele \u201cviu e acreditou\u201d: viu os sinais, deixou que fossem iluminados pela Sagrada Escritura e pelas palavras do Senhor, e acreditou. Percebeu a realidade da f\u00e9 e o mundo novo que ela abre diante de n\u00f3s!<\/p>\n<p>2. Os acontecimentos vividos naquele dia s\u00e3o \u00fanicos, irrepet\u00edveis. Destes acontecimentos e do dinamismo da f\u00e9 que eles fazem nascer, vive ainda hoje a nossa vida de crentes: acreditamos porque os disc\u00edpulos, depois de confrontados com o t\u00famulo vazio, viram o Senhor ressuscitado, e acreditaram em primeiro lugar. A nossa f\u00e9 alimenta-se deste testemunho apost\u00f3lico, passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, at\u00e9 aos dias de hoje, dois mil anos depois. Mas alimenta-se dele porque aqueles acontecimentos nos fazem descobrir uma realidade presente: porque nos fazem descobrir, no meio de n\u00f3s, o Senhor ressuscitado, connosco, a dar-nos a vida!<\/p>\n<p>Por isso, devemos tamb\u00e9m n\u00f3s questionar: que sinais temos hoje da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus? Que podemos tamb\u00e9m n\u00f3s ver, com os nossos olhos, para acreditar?<\/p>\n<p>Diante de n\u00f3s, ergue-se a natureza, bela e manifestando a vida no seu esplendor primaveril: a cria\u00e7\u00e3o e a sua evolu\u00e7\u00e3o (seja ela narrada em seis dias, seja narrada em milh\u00f5es de anos) n\u00e3o deixam de nos interrogar: e depois, que se segue a esta humanidade, que at\u00e9 agora percebemos como o ponto mais alto da cria\u00e7\u00e3o? Para onde caminhamos n\u00f3s? Para onde caminha esta evolu\u00e7\u00e3o natural?<\/p>\n<p>A vida humana e o amor, a amizade que percebemos, que recebemos e vivemos, a entre-ajuda, a vida familiar \u2014 tudo isso nos indica tamb\u00e9m, por entre a morte e o t\u00famulo vazio, tudo isso nos indica a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus: a guerra, a mentira, a opress\u00e3o n\u00e3o foram nem ser\u00e3o capazes de vencer. O amor teima em ser realidade e em convidar-nos a ir mais longe.<\/p>\n<p>O pensamento humano, com as suas capacidades (tantas vezes mal utilizadas, \u00e9 certo), a reflex\u00e3o e a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a criatividade da t\u00e9cnica, derrotando a passividade e o imobilismo, n\u00e3o podem deixar de nos mostrar uma nova realidade que a\u00ed surge, o mundo novo de que o Ressuscitado \u00e9 apenas o primeiro vivente. Eles n\u00e3o s\u00e3o esse mundo novo, mas indicam-no!<\/p>\n<p>Todas estas realidades \u2014 e tantas outras que poder\u00edamos descobrir neste mundo que, apesar disso, parece teimar em ser um t\u00famulo fechado de mortos \u2014 todas estas realidades s\u00e3o para n\u00f3s, hoje, sinais como outrora a pedra removida do sepulcro, as ligaduras e o len\u00e7ol que tinham aprisionado Cristo, Ele que se libertou do poder da morte para nos mostrar o caminho da vida eterna.<\/p>\n<p>Cabe-nos hoje a n\u00f3s, crist\u00e3os, em cujo cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi semeada a vida nova, mostrar a Escritura, a vida da Igreja (que \u00e9 a vida da f\u00e9), o hoje do Senhor ressuscitado. Cabe-nos faz\u00ea-lo encontrar tantos que O procuram: essa \u00e9 a nossa tarefa e miss\u00e3o! O mesmo \u00e9 dizer: cabe-nos a n\u00f3s, crist\u00e3os, mostrar o Evangelho de modo que tantos homens e mulheres que procuram o Ressuscitado, sejam capazes de, hoje, conduzidos por todos aqueles sinais, descobrir a Boa Not\u00edcia \u2014 \u00fanica a dar sentido, significado definitivo \u00e0 nossa exist\u00eancia: Cristo ressuscitou verdadeiramente! De verdade, ressuscitou!<\/p>\n<p><em>D. Nuno Br\u00e1s, bispo do Funchal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":237617,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-237644","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237644","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237644"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237644\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/237617"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}