{"id":237523,"date":"2022-04-17T12:06:23","date_gmt":"2022-04-17T11:06:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=237523"},"modified":"2022-04-17T12:06:23","modified_gmt":"2022-04-17T11:06:23","slug":"homilia-do-bispo-de-beja-no-domingo-de-pascoa-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-beja-no-domingo-de-pascoa-3\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Beja no Domingo de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>Hoje, domingo de P\u00e1scoa celebramos a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele, que nos amou at\u00e9 ao fim e morreu na Cruz carregando com os nossos pecados, ressuscitou como tinha anunciado, e vive eternamente, junto do Pai, para interceder por n\u00f3s. N\u00f3s acreditamos n\u2019Ele, e reconhecemo-l\u2019O como nosso Senhor, nosso Mestre e nosso Pastor. Morrendo na Cruz Ele desceu aos infernos. Ele, o Filho bem-amado do Pai, o Inocente que n\u00e3o conhecera o pecado, fez-Se pecado por amor de n\u00f3s. A sua ressurrei\u00e7\u00e3o foi esta passagem do Inferno para o C\u00e9u, da descomunh\u00e3o mais plena para a gl\u00f3ria, para a comunh\u00e3o com o Pai, no mesmo Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Convido-vos, irm\u00e3os e irm\u00e3s, a meditar, ainda que brevemente, no que significa para n\u00f3s acreditarmos em Jesus Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira not\u00edcia da Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o, como escut\u00e1mos no Evangelho proclamado h\u00e1 momentos, est\u00e1 no t\u00famulo vazio. T\u00famulo vazio? Sim, porque nele n\u00e3o estava o corpo do Senhor. O t\u00famulo estava vazio do cad\u00e1ver, vazio da morte, mas cheio, cheio de sinais da Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o, cheio da Vida Nova do Filho de Deus, oferecida por Ele aos homens. \u00c9 essa Vida divina que nos re\u00fane aqui hoje, caros irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p>Maria Madalena foi de manh\u00e3 ao sepulcro. A pedra da entrada estava removida e ela correu at\u00e9 junto de Pedro e de Jo\u00e3o a contar o que tinha visto, com estas palavras: \u201ctiraram do sepulcro o corpo do Senhor e n\u00e3o sabemos onde O puseram\u201d. Pedro e Jo\u00e3o correram juntos. Jo\u00e3o chegou primeiro mas esperou por Pedro. Viram ambos o mesmo: as ligaduras no ch\u00e3o e o sud\u00e1rio enrolado \u00e0 parte\u2026 mas Jo\u00e3o <strong>viu e acreditou.<\/strong><\/p>\n<p>Acreditou! Esta \u00e9 a primeira vez que se diz esta palavra a respeito da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. De Maria Madalena se diz que, quando os ap\u00f3stolos regressaram a casa, ficou chorando junto do sepulcro e o Senhor lhe apareceu. Pensava que era o jardineiro, mas ela reconheceu o Senhor que a chamou pelo nome. Ent\u00e3o foi ter com os ap\u00f3stolos e anunciou-lhes<strong>: vi o Senhor! <\/strong>Eles ficaram perturbados e duvidando da sua sanidade mental at\u00e9 que, finalmente, o pr\u00f3prio Senhor, na tarde daquele dia, o primeiro da semana, apareceu vivo no meio deles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A f\u00e9 de Jo\u00e3o, ap\u00f3stolo que escutara da boca do Senhor o an\u00fancio da Sua morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o e que se deparou com o t\u00famulo aberto e vazio, \u00e9 o primeiro degrau da f\u00e9. Viu e acreditou. Esta f\u00e9 n\u00e3o a teve Pedro nem sequer a Madalena. \u00c9 uma f\u00e9 movida pelo amor, mais ao n\u00edvel da intui\u00e7\u00e3o. Esta f\u00e9 \u00e9 a pedra fundamental do edif\u00edcio que \u00e9 a vida crist\u00e3, \u00e9 o germe daquela \u00e1rvore que crescer\u00e1 at\u00e9 se tornar a planta maior da horta onde os p\u00e1ssaros vir\u00e3o abrigar-se, mas naquele momento estava incompleta na vida de Jo\u00e3o: faltava-lhe crescer e ser testemunhada.<\/p>\n<p>A f\u00e9 crist\u00e3, car\u00edssimos crist\u00e3os, n\u00e3o pode resumir-se a esse sentimento interior de concord\u00e2ncia com umas ideias ou verdades, sentimento que leva as pessoas a dizerem, para se justificarem: \u201ceu n\u00e3o vou \u00e0 igreja mas c\u00e1 tenho a minha f\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>O comp\u00eandio da nossa f\u00e9, o Credo, \u00e9 tamb\u00e9m chamado o S\u00edmbolo dos Ap\u00f3stolos. Porqu\u00ea S\u00edmbolo? O que \u00e9 um S\u00edmbolo? A \u00e1gua \u00e9 s\u00edmbolo da vida. No S\u00edmbolo encontram-se duas realidades: o significante e o significado. Neste caso, a \u00e1gua \u00e9 o significante e a Vida \u00e9 o significado. A \u00e1gua \u00e9 mat\u00e9ria, v\u00ea-se, e a Vida, uma realidade mais vasta, est\u00e1 significada pela \u00e1gua. Como ensina S\u00e3o Paulo na Carta aos Romanos, \u201ccom o cora\u00e7\u00e3o se acredita e com a boca se professa a f\u00e9\u201d. A f\u00e9 crist\u00e3, queridos irm\u00e3os, s\u00f3 tem valor quando \u00e9 professada. E, por isso, a import\u00e2ncia enorme que tem, para n\u00f3s crist\u00e3os, a profiss\u00e3o de f\u00e9 feita em p\u00fablico.<\/p>\n<p>Maria Madalena, tamb\u00e9m movida pelo amor, simboliza para n\u00f3s, o segundo degrau da f\u00e9. Viu o t\u00famulo vazio mas s\u00f3 acreditou quando, depois de ter ouvido a voz dos anjos, ouviu a voz de Jesus que a chamou pelo nome e Se lhe manifestou. E surge, neste momento, a profiss\u00e3o da f\u00e9: <strong>vi o Senhor<\/strong>!<\/p>\n<p>A f\u00e9 dos Ap\u00f3stolos que ouviram o testemunho de Maria Madalena s\u00f3 se consolidou quando, na tarde daquele dia, o Senhor ressuscitado lhes aparece, lhes d\u00e1 a paz e os envia, cheios do Esp\u00edrito Santo, a anunciar o perd\u00e3o dos pecados a todos os povos e na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A nossa f\u00e9, queridos irm\u00e3os, \u00e9 apost\u00f3lica; \u00e9 a f\u00e9 dos Ap\u00f3stolos. Como eles, primeiro escut\u00e1mos o an\u00fancio da Boa Nova, pois a f\u00e9 nasce de escutarmos a Boa not\u00edcia, o Evangelho. Todos n\u00f3s que acreditamos em Jesus ouvimos falar d\u2019Ele e demos cr\u00e9dito ao testemunho de quem no-lo anunciou. Essa f\u00e9 \u00e9, no entanto, apenas o come\u00e7o. O Senhor Jesus faz-nos crescer e, digamos assim, manifesta-Se \u00e0queles que n\u2019Ele acreditam quando se re\u00fanem em Seu nome, porque \u00e9 verdade que \u201conde dois ou tr\u00eas estiverem reunidos em Seu nome, Ele est\u00e1 no meio deles\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, onde poderemos encontrar-nos com Ele? A Comunidade Crist\u00e3 \u00e9 o primeiro lugar da manifesta\u00e7\u00e3o de Cristo Ressuscitado. Por isso a Igreja insiste com os seus filhos para que n\u00e3o faltem, nos domingos, \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. O Senhor ressuscitado manifesta-Se naquela Assembleia reunida, e naquele que em Seu nome preside. Por meio da Palavra de Deus que nos comunica o Esp\u00edrito Santo, a dureza dos nossos cora\u00e7\u00f5es abranda, e surge a comunh\u00e3o fraterna e o amor aos irm\u00e3os. Finalmente, no p\u00e3o e no vinho consagrados, acreditamos que est\u00e1 presente, como alimento espiritual, o pr\u00f3prio Senhor Ressuscitado. E sa\u00edmos da celebra\u00e7\u00e3o de rosto transfigurado.<\/p>\n<p>O segundo lugar da manifesta\u00e7\u00e3o do Senhor Ressuscitado \u00e9 na Galileia, ou seja, na evangeliza\u00e7\u00e3o. A\u00ed podemos ver o Senhor atuando por meio da nossa prega\u00e7\u00e3o. Quantas vezes, tremendo de medo, sem confiarmos em n\u00f3s pr\u00f3prios, experimentamos a presen\u00e7a do Senhor que move e converte os cora\u00e7\u00f5es empedernidos. Todos os batizados e batizadas, e n\u00e3o apenas os mission\u00e1rios, os religiosos ou os padres participam deste envio para anunciar o Evangelho, pois todos n\u00f3s que somos membros vivos do Corpo de Cristo, e herdeiros da Sua miss\u00e3o evangelizadora, participamos da mesma f\u00e9 apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A f\u00e9 em Jesus ressuscitado comunica-se pelos testemunhos, como escut\u00e1vamos na primeira leitura de hoje. O que dizia Pedro? \u201cN\u00f3s somos testemunhas de tudo o que Ele fez\u201d. Mas o maior testemunho, que confirma o das palavras, \u00e9 a forma de vida, como ouv\u00edamos na brev\u00edssima segunda leitura da Carta aos Colossenses: \u201cSe ressuscitastes com Cristo, aspirai \u00e0s coisas do alto, onde Cristo Se encontra, sentado \u00e0 direita de Deus. Afei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra. Porque v\u00f3s morrestes e a vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus\u201d.<\/p>\n<p>O que s\u00e3o as coisas do alto, as coisas do C\u00e9u? Tudo o que podemos resumir na express\u00e3o \u201cVida Eterna\u201d: a alegria de estarmos com Deus e de O amarmos acima de tudo, e nesse amor englobarmos a humanidade inteira\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, a nossa condi\u00e7\u00e3o de batizados e de ressuscitados: v\u00f3s morrestes para o pecado e a vossa vida presente na terra \u00e9 uma vida escondida com Cristo em Deus. Como \u00e9 tudo diferente, car\u00edssimos irm\u00e3os, quando nos habituamos a saborear esta vida escondida, a amar este tesouro escondido em nossos cora\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 dia de P\u00e1scoa! Alegremo-nos, irm\u00e3os, no Senhor. Vivamos a vida nova de filhos adotivos de Deus que nos criou e nos resgatou do pecado e da morte para vivermos com Ele e O amarmos eternamente no C\u00e9u. E demos testemunho do Senhor \u00e0s nossas fam\u00edlias e vizinhos, aos que se encontrarem connosco, nestes cinquenta dias da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p><em>D. Jo\u00e3o Marcos, bispo de Beja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":237492,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171],"class_list":["post-237523","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237523","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237523"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237523\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/237492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237523"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237523"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237523"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}