{"id":237514,"date":"2022-04-17T11:56:46","date_gmt":"2022-04-17T10:56:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=237514"},"modified":"2022-04-17T11:56:46","modified_gmt":"2022-04-17T10:56:46","slug":"homilia-do-bispo-de-viana-do-castelo-na-celebracao-da-eucaristia-da-ressurreicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-viana-do-castelo-na-celebracao-da-eucaristia-da-ressurreicao\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Viana do Castelo na Celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia da Ressurrei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Ap\u00f3s o jubiloso anuncio de Jesus Ressuscitado na Celebra\u00e7\u00e3o da Vigia Pascal, somos convidados a prosseguir com a experi\u00eancia reconfortante de comunh\u00e3o com o Ressuscitado.<\/p>\n<p>Da\u00ed o desafio a percorrer o itiner\u00e1rio que leva os Ap\u00f3stolos incr\u00e9dulos mas curiosos, t\u00edmidos mas despertos pelas mensagens que lhes foram comunicadas pelas mulheres que foram em primeiro lugar ao sepulcro e, vendo-o vazio, foi-lhes revelado que Jesus n\u00e3o estava ali, tinha ressuscitado.<\/p>\n<p>Tal como aconteceu com os Ap\u00f3stolos, somos estimulados a integrar a comunidade dos baptizados que na experi\u00eancia do Ressuscitado \u00e9 impelida a comunicar n\u00e3o s\u00f3 os acontecimentos da Vida de Jesus Cristo, mas sobretudo o Seu mist\u00e9rio pascal, cujo cume e consuma\u00e7\u00e3o se encontra na Ressurrei\u00e7\u00e3o. Deste modo somos testemunhas dos factos que anunciamos por palavras.<\/p>\n<p>Mas sobretudo, a partir da comunh\u00e3o de vida com o Ressuscitado sentimos o convite a uma Vida Nova que se traduz em novos crit\u00e9rios, em novos valores, numa nova conduta, isto \u00e9, numa vida renovada pela experi\u00eancia comunit\u00e1ria na qual se partilha a realidade que ultrapassa o tempo e o espa\u00e7o e nos introduz na viv\u00eancia do eterno.<\/p>\n<p>Come\u00e7a o Evangelho por afirmar que estamos no primeiro dia da semana. Desde logo somos chamados a reconhecer o valor do domingo para em comunidade crist\u00e3 fazermos a experi\u00eancia do Ressuscitado. A partir desta data\u00e7\u00e3o, desenrola-se um encadeado de advert\u00eancias, de desloca\u00e7\u00f5es e de buscas que levam ao encontro com os Sinais que identificam a Jesus de Nazar\u00e9, mas ao mesmo tempo, iluminados pela Palavra e pelo Esp\u00edrito abrem para o Mist\u00e9rio da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo.<\/p>\n<p>Eis o itiner\u00e1rio que continuamente \u00e9 exigido a cada crist\u00e3o e a cada comunidade e, por isso, tamb\u00e9m hoje.<\/p>\n<p>Esta atitude interior de quem se desloca da sua auto-refer\u00eancia, se deixa interpelar pelo anuncio de algo de novo que aconteceu e se mobiliza para ir ao encontro dos Sinais que, na abertura \u00e0 Palavra e \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, conduzem \u00e0 experi\u00eancia do Ressuscitado.<\/p>\n<p>Daqui surge uma experi\u00eancia de tal maneira forte, porque \u00abviu e acreditou\u00bb, que leva ao dinamismo do testemunho, tal como est\u00e1 narrado na primeira leitura dos Actos do Ap\u00f3stolos, ao afirmar \u00abn\u00f3s somos testemunhas de tudo o que Ele fez\u00bb. E uma vez atra\u00eddos por esta surpreendente novidade, tamb\u00e9m n\u00f3s hoje reconhecemos que \u00abJesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constitu\u00eddo por Deus juiz dos vivos e dos mortos\u00bb.<\/p>\n<p>Do encontro com o Mist\u00e9rio de Cristo Ressuscitado brota a miss\u00e3o, o entusiasmo, a alegria do an\u00fancio e do testemunho.<\/p>\n<p>Na verdade, como S. Paulo afirma na segunda leitura, dirigida \u00e0 comunidade de Colossos, \u00abse ressuscitastes com Cristo, aspirai \u00e0s coisas do alto\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 verdadeiramente o encanto de quem j\u00e1 vive n\u00e3o \u00e0 maneira do mundo mas os valores perenes, que nos leva a integrar uma comunidade que celebra a Cristo Ressuscitado, que partilha na comunh\u00e3o os dons e servi\u00e7os e assume a miss\u00e3o de testemunhar a Boa Noticia da Ressurrei\u00e7\u00e3o no mundo actual.<\/p>\n<p>Interpelados pelo Papa Francisco a promover a sinodalidade nas nossas comunidades crist\u00e3s exige-se, para uma caminhada comum, a necess\u00e1ria experi\u00eancia de Vida Nova que brota do encontro com Jesus Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p>\u00c9 muito oportuna a exorta\u00e7\u00e3o que o Papa Francisco nos lan\u00e7a ao afirmar que \u00abpe\u00e7amos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que querem envelhec\u00ea-la, ancor\u00e1-la ao passado, trav\u00e1-la, torn\u00e1-la im\u00f3vel\u00bb (CV, 35).\u00a0 E, continua, \u00abpe\u00e7amos tamb\u00e9m que a livre doutra tenta\u00e7\u00e3o: acreditar que \u00e9 jovem porque cede a tudo o que o mundo lhe oferece, acreditar que se renova porque esconde a sua mensagem e mimetiza-se com os outros\u00bb (CV, 35).<\/p>\n<p>Energicamente adverte o Papa \u00abn\u00e3o! \u00c9 jovem quando \u00e9 ela mesma, quando recebe a for\u00e7a sempre nova da Palavra de Deus, da Eucaristia, da presen\u00e7a de Cristo e da for\u00e7a do seu Esp\u00edrito em cada dia\u00bb (CV, 35).<\/p>\n<p>Na verdade, \u00ab\u00e9 jovem quando consegue voltar continuamente \u00e0 sua fonte\u00bb (CV, 35).<\/p>\n<p>Sentimos como urgente proporcionar a todas as pessoas e de modo particular a todos os crist\u00e3os a experi\u00eancia mobilizadora e entusiasmante da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. S\u00f3 a partir da\u00ed nos depararemos com comunidades vias, alegres, en\u00e9rgicas e de forte estimulo evangelizador.<\/p>\n<p>Apesar de inseridos no mundo \u00abdevemos ter a coragem de ser diferentes, mostrar outros sonhos que este mundo n\u00e3o oferece, testemunhar a beleza da generosidade, do servi\u00e7o, da pureza, da fortaleza, do perd\u00e3o, da fidelidade \u00e0 pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, da ora\u00e7\u00e3o, da luta pela justi\u00e7a e o bem comum, do amor aos pobres, da amizade social\u00bb (CV, 36).<\/p>\n<p>A Igreja, hoje, sente-se revigorada e confiante anuncia a grande verdade de que Jesus de Nazar\u00e9 est\u00e1 vivo! \u00ab\u00c9 preciso record\u00e1-lo com frequ\u00eancia, como afirma o Papa Francisco, porque corremos o risco de tomar Jesus Cristo apenas como um bom exemplo do passado, como uma recorda\u00e7\u00e3o, como Algu\u00e9m que nos salvou h\u00e1 dois mil anos\u00bb (CV, 124).<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, \u00abde nada nos aproveitaria isto: deixava-nos como antes, n\u00e3o nos libertaria\u00bb (CV, 124). Na verdade, \u00abAquele que nos enche com a sua gra\u00e7a, Aquele que nos liberta, Aquele que nos transforma, Aquele que nos cura e consola \u00e9 Algu\u00e9m que vive\u00bb (CV, 124). Devemos proclam\u00e1-lo com toda a for\u00e7a do nosso ser: \u00ab\u00c9 Cristo ressuscitado, cheio de vitalidade sobrenatural, revestido de luz infinita\u00bb (CV, 124).<\/p>\n<p>Porque estamos perante a urg\u00eancia de uma evangeliza\u00e7\u00e3o sempre nova a exigir a frescura da primeira, s\u00e3o muito oportunas as palavras do Papa Francisco ao afirmar que \u00abcom a sua novidade, Ele (Jesus Cristo) pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade, e a proposta crist\u00e3, ainda que atravesse per\u00edodos obscuros e fraquezas eclesiais, nunca envelhece\u00bb (EG, 11). De facto, \u00abJesus Cristo pode romper tamb\u00e9m os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprision\u00e1-Lo, e surpreende-nos com a sua constante criatividade divina\u00bb (EG, 11). Ali\u00e1s, \u00absempre que procuramos voltar \u00e0 fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, m\u00e9todos criativos, outras formas de express\u00e3o, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo actual\u00bb (EG, 11).\u00a0 Reconhecemos que, \u00abna realidade, toda a ac\u00e7\u00e3o evangelizadora aut\u00eantica \u00e9 sempre \u201cnova\u201d\u00bb (EG, 11).<\/p>\n<p>A tarefa evangelizadora da Igreja tem a sua fonte no mist\u00e9rio da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo que interpela e envia. Da\u00ed que \u00aba intimidade da Igreja com Jesus \u00e9 uma intimidade itinerante, e a comunh\u00e3o \u201creveste essencialmente a forma de comunh\u00e3o mission\u00e1ria\u201d\u00bb (EG, 23).<\/p>\n<p>Deste modo, \u00abfiel ao modelo do Mestre, \u00e9 vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasi\u00f5es, sem demora, sem repugn\u00e2ncias e sem medo\u00bb (EG, 23). Na verdade, \u00aba alegria do Evangelho \u00e9 para todo o povo, n\u00e3o se pode excluir ningu\u00e9m\u00bb (EG, 23).<\/p>\n<p>Perante a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo somos introduzidos no essencial da Boa Nova que acreditamos, que nos renova e a qual somos chamados a anunciar. De facto, \u00abquando se assume um objectivo pastoral e um estilo mission\u00e1rio, que chegue realmente a todos sem excep\u00e7\u00f5es nem exclus\u00f5es, o an\u00fancio concentra-se no essencial, no que \u00e9 mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necess\u00e1rio\u00bb (EG, 35).<\/p>\n<p>Realmente, \u00aba proposta acaba simplificada, sem com isso perder profundidade e verdade, e assim se torna mais convincente e radiosa\u00bb (EG, 35).<\/p>\n<p>Sim, na verdade \u00abtodas as verdades reveladas procedem da mesma fonte divina e s\u00e3o acreditadas com a mesma f\u00e9, mas algumas delas s\u00e3o mais importantes por exprimir mais directamente o cora\u00e7\u00e3o do Evangelho\u00bb (EG, 36). Assim, \u00abneste n\u00facleo fundamental, o que sobressai \u00e9\u00a0a beleza do amor salv\u00edfico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado\u00bb (EG, 36).<\/p>\n<p>N\u00e3o hesitemos em fazer este itiner\u00e1rio pascal, tal como nos prop\u00f5e o Evangelho, a exemplo das primeiras testemunhas da Ressurrei\u00e7\u00e3o, e uma vez renovados pela comunh\u00e3o em Cristo Vivo e Ressuscitado, integrados activamente na comunidade crist\u00e3, lancemo-nos com entusiasmo e criatividade no anuncio jubiloso da Boa Noticia de Jesus Cristo Ressuscitado que quer atrair toda a pessoa humana e quer renovar toda a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nestes sentimentos quero expressar os meus votos de Santa e Feliz P\u00e1scoa para todos os diocesanos, seja os que est\u00e3o no nosso territ\u00f3rio sejam os que est\u00e3o na di\u00e1spora. De modo especial rogo as b\u00ean\u00e7\u00e3os de Jesus Ressuscitado para todos os que se encontram em situa\u00e7\u00f5es de dor, de sofrimento e de prova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Imploro de Nossa Senhora que se alegra com a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Seu Filho, de S. Bartolomeu dos M\u00e1rtires, de S. Teot\u00f3nio e de S. Paulo VI, que nos aben\u00e7oem e nos conduzam pelas sendas que levam \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo de hoje<\/p>\n<p>Amen<\/p>\n<p><em>D. Jo\u00e3o Lavrador, Bispo de Viana do Castelo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":222760,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[182],"class_list":["post-237514","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-viana-do-castelo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237514"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237514\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/222760"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}