{"id":237490,"date":"2022-04-17T11:49:34","date_gmt":"2022-04-17T10:49:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=237490"},"modified":"2022-04-17T11:57:38","modified_gmt":"2022-04-17T10:57:38","slug":"homilia-do-bispo-de-viana-do-castelo-na-celebracao-da-eucaristia-da-vigilia-pascal-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-viana-do-castelo-na-celebracao-da-eucaristia-da-vigilia-pascal-2022\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Viana do Castelo na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia da Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->\u00abPorque buscais entre os mortos Aquele que est\u00e1 vivo? N\u00e3o est\u00e1 aqui: ressuscitou\u00bb. Esta mensagem dirigida \u00e0quelas mulheres que na saudade e no sofrimento tinham ido at\u00e9 ao sepulcro de Jesus de Nazar\u00e9 e que as despertam para algo de novo e surpreendente, \u00e9 a mesma que nos \u00e9 dirigida a n\u00f3s hoje que nos reunimos para escutar o grito de vit\u00f3ria de Jesus Cristo sobre a morte na experi\u00eancia da Sua ressurrei\u00e7\u00e3o. Na verdade Jesus Cristo ressuscitou, alegremo-nos e rejubilemos.<\/p>\n<p>A riqueza da liturgia desta noite para nos ajudar a fazer a experi\u00eancia do Ressuscitado e a Sua implica\u00e7\u00e3o na vida do baptizado e na vida da comunidade crist\u00e3, revela-se atrav\u00e9s da beleza da Palavra proclamada, percorrendo os passos significativos da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o; expressa-se num conjunto de sinais nomeadamente da luz e da \u00e1gua baptismal; desafia-nos na profiss\u00e3o da verdadeira f\u00e9 em Jesus Cristo; estimula-nos para a proclama\u00e7\u00e3o da Boa Nova da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo.<\/p>\n<p>Jesus Cristo \u00e9 o Alfa e Omega de toda a cria\u00e7\u00e3o, n\u2019Ele se realizam as promessas feitas ao longo da primeira Alian\u00e7a e Ele manifesta- Se como o Homem Novo para quem toda a criatura olha com o sentido de a Ele se configurar.<\/p>\n<p>Como afirma o Papa Francisco, \u00aba meta do caminho do universo situa-se na plenitude de Deus, que j\u00e1 foi alcan\u00e7ada por Cristo ressuscitado, fulcro da matura\u00e7\u00e3o universal\u00bb (LS, 83). \u00a0Na verdade, todas as criaturas \u00abavan\u00e7am, juntamente connosco e atrav\u00e9s de n\u00f3s, para a meta comum, que \u00e9 Deus, numa plenitude transcendente onde Cristo ressuscitado tudo abra\u00e7a e ilumina\u00bb (LS, 83\u00bb. Ali\u00e1s, \u00abo ser humano, dotado de intelig\u00eancia e amor e atra\u00eddo pela plenitude de Cristo, \u00e9 chamado a reconduzir todas as criaturas ao seu Criador\u00bb (LS, 83).<\/p>\n<p>Na Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo somos surpreendidos pela Nova Cria\u00e7\u00e3o. De facto, \u00abo Novo Testamento n\u00e3o nos fala s\u00f3 de Jesus terreno e da sua rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o concreta e amorosa com o mundo; mostra-no-Lo tamb\u00e9m como ressuscitado e glorioso, presente em toda a cria\u00e7\u00e3o com o seu dom\u00ednio universal\u00bb (LS, 100). Como refere S. Paulo, \u00abfoi n\u2019Ele que aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude e, por Ele e para Ele, reconciliar todas as coisas (\u2026), tanto as que est\u00e3o na terra como as que est\u00e3o no c\u00e9u\u00bb (<em>Cl\u00a0<\/em>1, 19-20).<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, \u00abisto lan\u00e7a-nos para o fim dos tempos, quando o Filho entregar ao Pai todas as coisas \u201ca fim de que Deus seja tudo em todos\u201d (<em>1 Cor\u00a0<\/em>15, 28)\u00bb (LS, 100).<\/p>\n<p>Realmente, \u00abas criaturas deste mundo j\u00e1 n\u00e3o nos aparecem como uma realidade meramente natural, porque o Ressuscitado as envolve misteriosamente e guia para um destino de plenitude\u00bb (LS, 100).<\/p>\n<p>Mas \u00e9 \u00e0 luz do Ressuscitado que somos convidados a percorrer os passos da liberta\u00e7\u00e3o do Povo de Deus na travessia do Mar Vermelho, porque este percurso hist\u00f3rico torna-se hoje definitivamente realizado em Cristo na passagem da escravid\u00e3o do pecado e da morte para a Vida Nova de baptizados e disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>Seguramente, que \u00e9 na contempla\u00e7\u00e3o da \u00e1gua revigoradora que nos projecta na nossa condi\u00e7\u00e3o de baptizados. Da\u00ed os sinais da luz e da \u00e1gua como manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo Ressuscitado que transforma a nossa exist\u00eancia e a nossa pessoa.<\/p>\n<p>Como afirma S. Paulo \u00e0 comunidade de Roma \u00abtodos n\u00f3s que fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela gl\u00f3ria do Pai, tamb\u00e9m n\u00f3s vivamos uma vida nova\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta idealizar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo como um acontecimento exterior, pelo contr\u00e1rio, a densidade e a profundidade do mist\u00e9rio que celebramos nesta noite pascal, lan\u00e7a a sua luz e a sua for\u00e7a transformadora sobre toda a hist\u00f3ria, sobre a mundo, sobre as aspira\u00e7\u00f5es e perplexidades do presente, mas sobretudo responde aos anseios de cada pessoa, convidando-a a passar do que os olhos v\u00eam, do simples racioc\u00ednio humano, provavelmente do desespero, para escutar a voz quer nos alerta para a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Neste sentido, o itiner\u00e1rio que nos \u00e9 apresentado no Evangelho \u00e9 profundamente provocante e interpela-nos a percorrermo-lo n\u00f3s hoje, pessoal e comunitariamente.<\/p>\n<p>Tal como aquelas mulheres, tamb\u00e9m n\u00f3s conhecemos a Jesus de Nazar\u00e9, na sua hist\u00f3ria, sabemos das maravilhas que Ele operou e os prod\u00edgios que os Seus gestos realizaram junto dos seus contempor\u00e2neos e somos informados da Sua morte tr\u00e1gica. At\u00e9 aqui todos os que est\u00e3o atentos \u00e0 hist\u00f3ria sabem. Contudo, estas mulheres n\u00e3o ficaram por aqui. Tamb\u00e9m n\u00f3s n\u00e3o podemos ficar t\u00e3o s\u00f3 nesta dimens\u00e3o da Sua vida.<\/p>\n<p>Movidos pelos sentimentos de encontro que a Sua Palavra nos proporciona e pela ac\u00e7\u00e3o do Espirito, o Amor derramado nos nossos cora\u00e7\u00f5es, somos impelidos a ir ao encontro d\u2019Aquele que tinha afirmado a Sua vit\u00f3ria sobre a morte.<\/p>\n<p>Precisamente neste deslocarmo-nos e movidos pelo Amor colocarmo-nos dispon\u00edveis para que os sinais nos revelem o mais profundo da Revela\u00e7\u00e3o do Mist\u00e9rio, reconhecemos, ent\u00e3o, que Ele n\u00e3o est\u00e1 ali. Aqueles sinais conduzem-nos \u00e0 verdade da unidade entre o Jesus morto e o Ressuscitado, \u00e9 o mesmo, mas Ele Ressuscitou, est\u00e1 Vivo.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 muito oportuna e urgente a proclama\u00e7\u00e3o \u00abporque buscais entre os mortos Aquele que est\u00e1 vivo? N\u00e3o est\u00e1 aqui: ressuscitou\u00bb.<\/p>\n<p>Tanta gente que anda \u00e0 procura de Jesus entre os mortos, mais ainda, que continua a procurar a sua salva\u00e7\u00e3o entre mortais, sem se alertar que o \u00fanico que se revela com poder salvador \u00e9 o Ressuscitado.<\/p>\n<p>Diz-nos o texto Evang\u00e9lico que aquelas mulheres foram narrar o que tinham visto e como se lhes tinha anunciado que Jesus estava vivo. Este anuncio provocou nos Ap\u00f3stolos o desejo de fazerem tamb\u00e9m eles a mesma experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Este movimento de anuncio e de encontro pessoal \u00e9 fundamental na viv\u00eancia do Ressuscitado na pr\u00e1tica crist\u00e3. A miss\u00e3o de testemunho \u00e9 essencial para a experi\u00eancia da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>De facto o anuncio da Ressurrei\u00e7\u00e3o t\u00e3o vivo na celebra\u00e7\u00e3o desta noite implica a nossa condi\u00e7\u00e3o de baptizados.<\/p>\n<p>Somos chamados a percorrer os caminhos que levam ao encontro de Jesus Vivo, somos iluminados pela luz nova que nos faz descobrir a Sua Vida Nova de Ressuscitado a partir dos sinais da Sua morte e sentimos o estimulo a ser testemunhas da Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o junto de todos os que ainda aguardam por esta Boa Noticia.<\/p>\n<p>\u00c9 muito n\u00edtida a import\u00e2ncia da comunidade para a verdadeira experi\u00eancia de Jesus Cristo Ressuscitado. Ela \u00e9 vivida em comunidade e \u00e9 testemunhada em comunidade.<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno o desafio do Papa Francisco lan\u00e7ado a toda a Igreja na edifica\u00e7\u00e3o de comunidades de rosto sinodal, na comunh\u00e3o, na participa\u00e7\u00e3o de todos os baptizados e na miss\u00e3o partilhada por todos os fi\u00e9is em Cristo.<\/p>\n<p>Hoje brota a esperan\u00e7a para todos os que esperam a sua liberta\u00e7\u00e3o. Por isso, somos impelidos a tornar presente a Jesus Vivo, junto de todos os que O procuram, junto dos que desesperam por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, pelos que se encontram mergulhados nas trevas e na morte, na tristeza, na solid\u00e3o e na marginalidade.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de todos os disc\u00edpulos de Jesus Cristo e de cada uma das comunidades crist\u00e3s, que hoje se sentem fortalecidas e iluminadas na sua f\u00e9, na sua esperan\u00e7a e na comunh\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os, o os homens e mulheres, jovens e crian\u00e7as, fam\u00edlias, idosos, marginalizados e pobres s\u00e3o reconfortados na esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Como afirma o Papa S. Jo\u00e3o Paulo II, \u00aba tarefa fundamental da Igreja de todos os tempos e, de modo particular, do nosso, \u00e9 a de dirigir o olhar do homem e de endere\u00e7ar a consci\u00eancia e experi\u00eancia de toda a humanidade para o mist\u00e9rio de Cristo, de ajudar todos os homens a ter familiaridade com a profundidade da Reden\u00e7\u00e3o que se verifica em Cristo Jesus\u00bb (RH, 10). E continua, sublinhando que \u00absimultaneamente, toca-se tamb\u00e9m a esfera mais profunda do homem, a esfera \u2014 queremos dizer \u2014 dos cora\u00e7\u00f5es humanos, das consci\u00eancias humanas e das vicissitudes humanas\u00bb (RH, 10).<\/p>\n<p>Nestes sentimentos quero expressar os meus votos de Santa e Feliz P\u00e1scoa para todos os diocesanos, seja os que est\u00e3o no nosso territ\u00f3rio sejam os que est\u00e3o na di\u00e1spora. De modo especial rogo as b\u00ean\u00e7\u00e3os de Jesus Ressuscitado para todos os que se encontram em situa\u00e7\u00f5es de dor, de sofrimento e de prova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Imploro de Nossa Senhora que se alegra com a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Seu Filho, de S. Bartolomeu dos M\u00e1rtires, de S. Teot\u00f3nio e de S. Paulo VI, que nos aben\u00e7oem e nos conduzam pelas sendas que levam \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo de hoje<\/p>\n<p>Amen<\/p>\n<p><em>D. Jo\u00e3o Lavrador, Bispo de Viana do Castelo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":237494,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[182],"class_list":["post-237490","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-viana-do-castelo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237490\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/237494"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}