{"id":23747,"date":"2007-03-29T10:57:13","date_gmt":"2007-03-29T10:57:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/29\/irma-lucia-1907-2005\/"},"modified":"2007-03-29T10:57:13","modified_gmt":"2007-03-29T10:57:13","slug":"irma-lucia-1907-2005","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/irma-lucia-1907-2005\/","title":{"rendered":"Irm\u00e3 L\u00facia (1907-2005)"},"content":{"rendered":"<p><i>Na abertura do programa celebrativo do Centen\u00e1rio do Nascimento da Irm\u00e3 L\u00facia, na manh\u00e3 de 28 de Mar\u00e7o, o director do Servi\u00e7o de Estudos e Difus\u00e3o do Santu\u00e1rio, P. Luciano Cristino, apresentou, na Bas\u00edlica do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, \u00a0antes da Eucaristia, uma confer\u00eancia com algumas notas biogr\u00e1ficas da vidente de F\u00e1tima<\/i>  Foi na igreja paroquial de F\u00e1tima, no dia 19 de Novembro de 1890, que se constituiu o lar de Manuel dos Santos (n. 3.01.1868 &#8211; + 31.07.1919), natural do lugar de Aljustrel, da mesma freguesia, com Maria Rosa, natural da Perulheira, da actual freguesia de S. Mamede (n. 6.07.1869 &#8211; + 16.07.1942). Deste matrim\u00f3nio, nasceram Maria dos Anjos, a 13 de Agosto de 1891; Teresa, a 22 de Maio de 1893; Manuel, a 22 de Agosto de 1895; Gl\u00f3ria, a 5 de Outubro de 1898; e Carolina, a 17 de Outubro de 1902; e L\u00facia, a 28 de Mar\u00e7o de 1907, faz hoje 100 anos. O assento baptismal de L\u00facia, n\u00ba 31 de 1907, regista: \u201cAos trinta dias do m\u00eas de Mar\u00e7o do ano mil nove centos e sete, nesta paroquial igreja de F\u00e1tima, concelho de Vila Nova de Our\u00e9m, patriarcado de Lisboa, baptizei solenemente um indiv\u00edduo do sexo feminino, a quem dei o nome L\u00facia, nascida em Aljustrel desta freguesia, \u00e0s sete horas da tarde de vinte e dois de Mar\u00e7o corrente, filha leg\u00edtima de Ant\u00f3nio dos Santos e Maria Rosa, trabalhadores, naturais desta freguesia, onde foram recebidos, s\u00e3o paroquianos e residentes em Aljustrel. Neta paterna de Joaquim dos Santos e Maria Vit\u00f3ria, e materna de Joaquim Ferreira e Rosa da Encarna\u00e7\u00e3o. Foram padrinhos, que sei serem os pr\u00f3prios, Anast\u00e1cio Vieira, propriet\u00e1rio, e Maria Rosa. Para constar, lavrei em duplicado este termo, que, lido e conferido perante os padrinhos, dos quais s\u00f3 o primeiro escreve, com ele assino. Era ut supra. O padrinho, Anast\u00e1cio Vieira. O p\u00e1roco, Manuel Joaquim de Oliveira\u201d [Pe. Manuel Joaquim de Oliveira, tio\u00a0paterno do Pe. Dr. Jos\u00e9 Galamba de Oliveira, que veio a falecer em 1909]. O Dr. Manuel Nunes Formig\u00e3o, aquando do seu primeiro interrogat\u00f3rio aos videntes, no dia 27 de Setembro de 1917, na casa dos pais de L\u00facia em Aljustrel, depois de interrogar o Francisco e a Jacinta, e antes de L\u00facia, conversou com a Sr\u00aa. Maria Rosa, da qual ouviu os nomes e idades dos filhos. Sobre L\u00facia registou: \u201cCompletou dez anos de idade em 22 de Mar\u00e7o do corrente ano [1917]\u201d. (DCF 1, doc. 7, de 27 de Setembro de 1917, p. 52). Talvez tenha sido nesta mesma ocasi\u00e3o que o Dr. Formig\u00e3o ouviu da Senhora Maria Rosa o esclarecimento, posto por escrito pela Irm\u00e3 L\u00facia, em 1989, mas que j\u00e1 comunicara, talvez desde a d\u00e9cada de 1950 a outras pessoas, como as irm\u00e3s Carmelitas do Carmelo de Santa Teresa, de Coimbra, e, pelo menos, uma familiar, um pouco mais tarde:\u00a0   \u00a0\u201cMeu Pai era muito ass\u00edduo em levar os filhos \u00e0 pia baptismal. Quando eu nasci \u2013 ouvi contar a minha M\u00e3e, numa entrevista com o Dr. Formig\u00e3o, que a interrogou, perguntando em que dia eu fazia anos \u2013, a M\u00e3e respondeu: \u201cN\u00f3s dizemos que \u00e9 no dia 22 de Mar\u00e7o, porque ela foi registada como tendo nascido neste dia, mas, na verdade, n\u00e3o \u00e9 bem assim. Ela nasceu no dia 28 de Mar\u00e7o de 1907. Era Quinta-Feira Santa; pela manh\u00e3, fui \u00e0 Santa Missa e comunguei, pensando voltar de tarde, a visitar o Sant\u00edssimo, mas j\u00e1 n\u00e3o p\u00f4de ser, que, nessa tarde, nasceu ela\u201d (s\u00f3 ent\u00e3o tive conhecimento de qual era o verdadeiro dia dos meus anos, o que n\u00e3o admira, porque, nesse tempo em F\u00e1tima, n\u00e3o se ligava nenhuma import\u00e2ncia ao dia dos anos, nem se fazia festa; por isso, era um assunto de que se n\u00e3o falava); \u201cno entanto, como est\u00e1 registada como nascida no dia 22, continuamos a dizer que faz anos nesse dia. O Pai tratou logo do baptizado. N\u00e3o lhe convinha na pr\u00f3xima semana, por motivo dos seus trabalhos, mas, como estava mandado que os pais levassem os filhos a baptizar aos oito dias, depois de nascidos \u2013 que, de contr\u00e1rio, pagavam multa -, o Pai resolveu d\u00e1-la como nascida no dia 22, para que o p\u00e1roco a baptizasse no S\u00e1bado de Aleluia, que era o dia 30 do mesmo m\u00eas. De passagem, lembro aqui que, relativamente \u00e0 data do nascimento da Jacinta, deve ter sucedido coisa semelhante. O mesmo Dr. Formig\u00e3o, no dia 11 de Outubro, antev\u00e9spera da \u00faltima apari\u00e7\u00e3o, registou\u00a0 nos seus apontamentos duas notas sobre a idade de Jacinta: \u201cJacinta 5 de Mar\u00e7o\u201d e \u201cJacinta de Jesus, fez 7 a 5 de Mar\u00e7o\u201d (DCF 1, doc. 11, de 11 de Outubro de 1917, p. 92 e 97). A data de 11 de Mar\u00e7o ter\u00e1 sido referida pelo pai da Jacinta, para que n\u00e3o pagasse multa, pois que o baptismo foi realizado a 19 de Mar\u00e7o do mesmo ano, oito dias depois. O assento n\u00ba 19, do baptismo da Jacinta tem uma particularidade curiosa: est\u00e1 repetido integralmente, no livro de registo (fls. 8 e 8v), porque o P\u00e1roco, deixando uma linha em branco, inutilizou, com dois tra\u00e7os em cruz, o que escrevera, e voltou a repeti-lo, colocando, \u00e0 margem e no texto, a nota: \u201cSem efeito\u201d. (DCF 1, doc. 11, de 11 de Outubro de 1917, p. 8, nota 8).  Voltando ao esclarecimento da Irm\u00e3 L\u00facia, na sua Quinta Mem\u00f3ria:   \u201cConvidou para madrinha do meu baptismo uma jovem vizinha, afilhada da minha M\u00e3e [Maria Rosa, afilhada da m\u00e3e de L\u00facia, era filha de Jos\u00e9 Pedro Marto, irm\u00e3o do pai dos videntes Francisco e Jacinta, e de Maria Ant\u00f3nia. Vivia em frente da casa dos pais de L\u00facia]. Ela aceitou, contente, e foi pedir autoriza\u00e7\u00e3o ao pai. Como era naquele tempo, as jovens n\u00e3o podiam tomar nenhuma responsabilidade sem a autoriza\u00e7\u00e3o dos pais. O pai perguntou-lhe que nome iam dar \u00e0 menina. Ela disse-lhe que o de Maria Rosa, porque a m\u00e3e j\u00e1 tinha quatro filhas [Maria dos Anjos, Teresa, Gl\u00f3ria e Carolina] e nenhuma com este nome, que era o seu; ela tamb\u00e9m se chamava Maria Rosa e a pequenina que me havia precedido e que Deus tinha levado para o C\u00e9u, tamb\u00e9m se chamava Maria Rosa [Maria Rosa, m\u00e3e de L\u00facia, no interrogat\u00f3rio oficial feito em 28 de Setembro de 1923, disse que \u201cteve sete filhos, morrendo um \u00e0 nascen\u00e7a\u201d (DCF 2, doc. 4, de 28 de Setembro de 1923, p. 84). Tanto L\u00facia como sua irm\u00e3, Carolina de Jesus, dizem que a crian\u00e7a que morreu, \u00e0 nascen\u00e7a, foi uma menina. Manuel dos Santos, irm\u00e3o de L\u00facia, contou ao Padre Joaquim Maria Alonso, em 1968, que se tratava de um menino. Os pais iam num carro para uma fazenda, chamada Estrumeira da Concei\u00e7\u00e3o e, \u00e0 sa\u00edda da Casa Velha, o carro voltou-se. Maria Rosa, que andava gr\u00e1vida, regressou imediatamente a casa e deu \u00e0 luz um menino morto (apontamento in\u00e9dito do P. Alonso, no Arquivo do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima). Talvez tenha sido baptizado ou baptizada em casa, sob condi\u00e7\u00e3o. Mas o baptismo, se foi realizado, n\u00e3o ficou registado no livro de assentos de baptismos. Este facto verificou-se entre 1903 e 1906]. \u201cO pai [da madrinha] respondeu: N\u00e3o! Tendes de p\u00f4r-lhe o nome de L\u00facia! Se assim n\u00e3o for, n\u00e3o te autorizo a seres madrinha [Carolina de Jesus, irm\u00e3 de L\u00facia, disse-nos que tamb\u00e9m foi Jos\u00e9 Pedro Marto que escolheu o nome de baptismo para ela, pois era marido da madrinha, Maria Ant\u00f3nia. O padrinho desta foi o mesmo de L\u00facia, Anast\u00e1cio Vieira; cf. tamb\u00e9m \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d, Leiria, 34 (405), 13 Jun. 1956, p. 4, cols. 3-4; \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d, Leiria, 65 (775), 13 Abr. 1987, p. 3, cols. 3-5]. Ela foi dizer a meus pais que, surpreendidos, se perguntavam: Mas, onde foi teu pai buscar tal nome? No entanto, por condescend\u00eancia, aceitaram que me fosse posto o nome de L\u00facia. Assim, por gra\u00e7a de Deus, fui baptizada no s\u00e1bado (de) Aleluia, dia 30 de Mar\u00e7o de 1907, quando os sinos da igreja paroquial anunciavam a Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor Nesse tempo, n\u00e3o havia registo civil, era s\u00f3 na igreja). [Conservat\u00f3ria de Registo Civil de Our\u00e9m, Registos Paroquiais, F\u00e1tima, Baptismos, 1907, n\u00ba 31, fls. 5-5v: DCF 1, doc. de c. 27 de Msio de 1917, p. 6, nota 5] (Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia \u2013 vol. II &#8211; V Mem\u00f3ria \u201cO meu Pai\u201d, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p. 13-14). \u00a0O Dr. Formig\u00e3o escreveu na redac\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria do seu interrogat\u00f3rio de 27 de Setembro de 1917, a respeito de L\u00facia: \u201cTinha oito anos quando fez a primeira comunh\u00e3o\u201d\u00a0 (DCF 1, doc. 7, de 27 de Setembro de 1917, p. 52), isto \u00e9, teria sido em 1915. O Rol de confessados da par\u00f3quia de F\u00e1tima de 1915-1919 s\u00f3 regista a confiss\u00e3o e comunh\u00e3o de desobriga, a partir de 1916. Nada impede, no entanto, aceitar as informa\u00e7\u00f5es, segundo as quais a primeira comunh\u00e3o foi em data anterior (ibidem, p. 52, nota 228). Numa das mais belas p\u00e1ginas da sua Segunda Mem\u00f3ria (1937), a Irm\u00e3 L\u00facia escreveu que a sua primeira comunh\u00e3o foi aos seis anos, isto \u00e9, em 1913, por ter sido considerada preparada pelo Padre Francisco da Cruz, nessa ocasi\u00e3o a confessar na igreja paroquial de F\u00e1tima. (6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1990. p. 54). De facto, j\u00e1 em 1912, com cinco anos, L\u00facia era atenta ouvinte da m\u00e3e, quando esta ensinava a catequese aos seus filhos e a outras crian\u00e7as mais velhas. Contou-nos a senhora Carolina que, um dia, sua M\u00e3e explicava a doutrina da Sant\u00edssima Trindade, e perguntou: \u201cQuem morreu?\u201d. E L\u00facia respondeu, triunfante: \u201cFoi o tio Agostinho!\u201d.\u00a0 Quem era este Tio Agostinho? A pr\u00f3pria L\u00facia explica na sua Quinta mem\u00f3ria (1989) que seu pai a mandava, por ocasi\u00e3o da matan\u00e7a do porco, a levar peda\u00e7os de carne ao p\u00e1roco, a outras pessoas amigas e aos vizinhos mais pobres, uma das quais, era Josefa de Jesus, \u201ca vi\u00fava do ti Agostinho, que tamb\u00e9m vivia s\u00f3, desde que o marido morreu\u201d. Ora Agostinho de S. Jos\u00e9 faleceu em 13 de Outubro de 1912. (Quinta Mem\u00f3ria, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1993). H\u00e1 anos, foi oferecido ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima um pequeno livro intitulado Cartilha da Doutrina Crist\u00e3, composta por A. J. de Mesquita Pimentel, Abade de Salamonde, que seguramente existia na casa de L\u00facia, pois est\u00e1 indiscutivelmente \u201cautografado\u201d pela L\u00facia, nos anos de 1918 ou 1919 e que, na referida doutrina da Sant\u00edssima Trindade, apresenta aquela pergunta e a respectiva resposta deste modo: \u201cP. Qual foi o que morreu, onde e por qu\u00ea? R. Foi o Filho, na cruz, para nos remir, salvar e dar exemplo. P. Morreu enquanto Deus ou enquanto Homem? R. Enquanto Homem, por que enquanto Deus n\u00e3o podia morrer nem padecer; pois morrer \u00e9 fraqueza e Deus \u00e9 Todo Poderoso\u201d. Chegamos a 1915, possivelmente entre Abril e Outubro. L\u00facia, ent\u00e3o com oito anos, v\u00ea, por tr\u00eas vezes, juntamente com algumas companheiras e companheiros, j\u00e1 identificados em 1917, \u201cuma\u00a0 figura como se fosse uma est\u00e1tua de neve que os raios do sol tornavam algo transparente\u201d, sem nada dizer. Como n\u00e3o soube explicar o que seria, L\u00facia disse \u00e0 m\u00e3e, quando interrogada por ela, que \u201cparecia uma pessoa embrulhada em um len\u00e7ol\u201d (2\u00aa Mem\u00f3ria, 1937), aparecida em 1916. Estas estranhas vis\u00f5es foram lembradas, logo em Maio de 1917, aquando da primeira apari\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, na Cova da Iria. Que L\u00facia considerou essa figura como um anjo, v\u00ea-se pela express\u00e3o que usa, quando descreve, logo a seguir, na mesma Segunda Mem\u00f3ria, as apari\u00e7\u00f5es de 1916: \u201cEis que um vento forte sacode as \u00e1rvores e faz-nos levantar a vista para ver o que se passava, pois o dia estava sereno. Vemos, ent\u00e3o que, sobre o olival se encaminha para n\u00f3s a tal figura de que j\u00e1 falei\u201d. Na primavera, ver\u00e3o e outono de 1916, L\u00facia e seus primos Francisco, de oito anos, e Jacinta, de seis, v\u00eaem o Anjo da Paz, da Guarda de Portugal e da Eucaristia, respectivamente na Loca do Cabe\u00e7o, po\u00e7o do Arneiro, no quintal da casa paterna de L\u00facia, e novamente na Loca do Cabe\u00e7o, com a mensagem que j\u00e1 conhecemos. As apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora aos tr\u00eas pastorinhos, L\u00facia, Jacinta e Francisco, verificaram-se, como \u00e9 do conhecimento de todos, de 13 de Maio a 13 de Outubro de 1917, no dia 13 de cada m\u00eas, excepto em Agosto, em que as crian\u00e7as foram impedidas de estar na Cova da Iria, por terem sido levadas para Our\u00e9m, onde estiveram retidas de 13 a 15. Por isso, a apari\u00e7\u00e3o foi a 19, no s\u00edtio dos Valinhos. O P\u00e1roco de F\u00e1tima, depois de cada apari\u00e7\u00e3o, interroga-os e o mesmo fazem muitas outras pessoas, a partir dos princ\u00edpios de Setembro. Entretanto, na segunda quinzena de Setembro de 1917, a L\u00facia e a Jacinta passam oito dias em casa de Maria do Carmo Marques da Cruz Meneses, na Reixida, freguesia das Cortes, concelho de Leiria, onde s\u00e3o interrogadas pelo p\u00e1roco, Pe. Ant\u00f3nio dos Santos Alves, que deixou um relato breve de cada uma das apari\u00e7\u00f5es at\u00e9 \u00e0quela data verificadas, acrescentando posteriormente um resumo da apari\u00e7\u00e3o de 13 de Outubro. Da sua estada na Reixida, tem a Irm\u00e3 L\u00facia uma boa lembran\u00e7a: \u201cA\u00ed fui com a vener\u00e1vel Jacinta e a\u00ed pass\u00e1mos uns dias de mais tranquilidade. \u00cdamos \u00e0 noite, com essa Senhora e sua fam\u00edlia, rezar o ter\u00e7o a uma capelinha que estava muito perto da sua casa. Juntava-se muita gente de ali da terra, enchia-se a capela que n\u00e3o era grande, e todos rezavam com f\u00e9 e devo\u00e7\u00e3o. Levou-nos um dia \u00e0s Cortes, a casa de uma fam\u00edlia que n\u00e3o sei se era sua parente. A\u00ed nos encontr\u00e1mos com o p\u00e1roco dessa freguesia que nos fez algumas perguntas. E volt\u00e1mos para Aljustrel, j\u00e1 um pouco refeitas do nosso cansa\u00e7o\u201d (Sexta Mem\u00f3ria, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p. 148).  Depois do regresso das Cortes, verifica-se o primeiro interrogat\u00f3rio do Dr. Manuel Nunes Formig\u00e3o, aos tr\u00eas videntes, no dia 27 de Setembro de 1917 e v\u00e3o-se repetir, nos dias 11, 13 e 19 de Outubro, 2 e 3 de Novembro de 1917.  D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, Arcebispo de Mitilene, governador do patriarcado de Lisboa, na aus\u00eancia do Patriarca de Lisboa, que tinha sido expulso em Julho para fora da sua diocese, incumbe, a 19 de Outubro de 1917, os vig\u00e1rios de Our\u00e9m e de Porto de M\u00f3s de \u201creceber(em) os depoimentos do maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas fidedignas que tenham sido testemunhas presenciais dos factos ocorridos em F\u00e1tima, no dia 13 do corrente m\u00eas de Outubro\u201d. O p\u00e1roco de F\u00e1tima, logo a seguir \u00e0 \u00faltima apari\u00e7\u00e3o e depois de ouvir a L\u00facia, no dia 15 de Outubro de 1917, oficia ao arcebispo de Mitilene, propondo a \u201cnomea\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o para averigua\u00e7\u00e3o do que h\u00e1\u201d e implorando \u201curgentes e acertados conselhos para o governo desta freguesia\u201d. O arcebispo responde a 3 de Novembro, incumbindo o p\u00e1roco de F\u00e1tima de proceder, tamb\u00e9m, a um \u201cinqu\u00e9rito consciencioso sobre os factos ocorridos [\u2026] no dia 13 do passado m\u00eas de Outubro, ouvindo testemunhas fidedignas, e principalmente as crian\u00e7as que se dignem favorecidas de gra\u00e7as singulares do C\u00e9u\u201d. Aproveitando os apontamentos dos interrogat\u00f3rios, feitos depois de cada apari\u00e7\u00e3o, o P\u00e1roco de F\u00e1tima organizou um processo, que se prolongou at\u00e9 Abril de 1919, com os depoimentos dos videntes, a que p\u00f4s a data de 6 de Agosto de 1918; de quatro testemunhas, ouvidas a 20 e a 31 de Dezembro de 1918, e a 2 de Mar\u00e7o de 1919, e juntou cinco anexos. Concluiu o processo, a 18 de Abril do mesmo ano, com um aditamento sobre o Francisco, que havia falecido no dia 4, o qual \u201cconfirmou que tinha visto uma Senhora, na Cova da Iria e Valinho\u201d. E L\u00facia na sua Quarta Mem\u00f3ria, descreve os \u00faltimos momentos do seu primo: \u201cagarrando-me a m\u00e3o direita, apertou-ma com for\u00e7a, olhando para mim com as l\u00e1grimas nos olhos[\u2026]: \u201cAdeus at\u00e9 ao C\u00e9u\u201d! E o C\u00e9u aproximava-se. Para l\u00e1 voou no dia seguinte, nos bra\u00e7os da M\u00e3e Celeste\u201d (Quarta Mem\u00f3ria, 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1996, p. 148).\u00a0\u00a0\u00a0  A 30 de Julho de 1919, tamb\u00e9m o pai de L\u00facia adoece gravemente com uma pneumonia, vindo a falecer, no dia seguinte, \u201cnos bra\u00e7os de minha m\u00e3e e de sua irm\u00e3 Ol\u00edmpia \u2013 como escreveu a Irm\u00e3 L\u00facia, na sua quinta Mem\u00f3ria -, repetindo as jaculat\u00f3rias que elas lhe iam sugerindo e se usavam, naqueles tempos, em tais casos. [\u2026]. Assim \u2013 continua a Irm\u00e3 \u2013 eu me sinto inteiramente tranquila, a respeito da eterna salva\u00e7\u00e3o de meu Pai, certa de que o Senhor acolheu a sua bela alma, nos bra\u00e7os da sua infinita miseric\u00f3rdia, e o introduziu na posse plena do Ser imenso de Deus, nosso Pai\u201d (Quinta Mem\u00f3ria, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1996, p. 34). Depois da morte do Francisco e do seu pai, L\u00facia vai assistindo tamb\u00e9m \u00e0 doen\u00e7a da sua prima Jacinta e \u00e0 sua retirada para Lisboa, onde veio a falecer, no 20 de Fevereiro de 1920, no Hospital de D. Estef\u00e2nia. L\u00facia guardou para sempre o enternecedor momento da despedida: [Jacinta] permaneceu muito tempo abra\u00e7ada ao meu pesco\u00e7o e dizia chorando: \u201cNunca mais nos tornamos a ver! Reza por mim, at\u00e9 que eu v\u00e1 para o c\u00e9u. Depois, l\u00e1, eu pe\u00e7o muito por ti. N\u00e3o digas nunca o segredo a ningu\u00e9m, ainda que te matem. Ama muito a Jesus e o Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria e faz muitos sacrif\u00edcios pelos pecadores\u201d. De Lisboa \u2013 continua L\u00facia -, mandou-me ainda dizer que Nossa Senhora j\u00e1 a tinha ido ver; que lhe tinha dito a hora e dia em que morria; e recomendava-me que fosse muito boa\u201d (Primeira Mem\u00f3ria, 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1990, p. 46). L\u00facia era muito solicitada para casa de familiares e de pessoas amigas. Assim foi que, desde o ano de 1917 at\u00e9 \u00e0 sua sa\u00edda de Aljustrel, foi passar alguns dias em Leiria, Olival, Torres Novas, Carrascos, Valado, Alcoba\u00e7a, etc. De uma visita \u00e0 Nazar\u00e9, onde foi levada por uma fam\u00edlia amiga do Valado que ali tinha uma casa, tem recorda\u00e7\u00f5es de um certo pitoresco: \u201cTinha umas vistas maravilhosas, donde se viam ao longe os vapores, os barcos pequenos e grandes, remando sobre a espuma das ondas agitadas, os pescadores puxando as redes, carregadas de peixes para a praia, e as varinas, com algazarra, ralhando umas com as outras, a encher as canastras de peixe, a p\u00f4-las \u00e0 cabe\u00e7a e, correndo, indo cada uma para seu lado. Ent\u00e3o, eu dizia: As mulheres da minha terra n\u00e3o gritam assim!\u201d (Sexta mem\u00f3ria, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1996, p. 155). De 7 de Julho a 6 de Agosto de 1920, L\u00facia encontra-se em Lisboa, em casa de D. Maria da Assun\u00e7\u00e3o Avelar, visitando tamb\u00e9m o Dr. Eurico Lisboa. Desta estada em Lisboa tem tamb\u00e9m L\u00facia uma boa lembran\u00e7a, na Sexta Mem\u00f3ria e tamb\u00e9m no que, mais tarde, contou \u00e0s suas Irm\u00e3s Carmelitas, que o contam na publica\u00e7\u00e3o editada, j\u00e1 depois do seu falecimento. De 6 a 12 de Agosto de 1920, no regresso de Lisboa, L\u00facia esteve em casa do Dr. Formig\u00e3o, em Santar\u00e9m, donde regressou a F\u00e1tima, na companhia da irm\u00e3 do mesmo Dr. Formig\u00e3o e de uma \u201cjovem rec\u00e9m-baptizada, aos 18 anos, de nome Cec\u00edlia, que \u2013 segundo me parece \u2013 foi, mais tarde, uma das fundadoras das Religiosas de Nossa Senhora das Dores\u201d, diz a Irm\u00e3 L\u00facia (Sexta mem\u00f3ria, p. 164). A 16 de Junho de 1921, L\u00facia saiu de Aljustrel, com uma \u00faltima visita \u00e0 Cova da Iria, onde, na v\u00e9spera, teve a 7\u00aa apari\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora. Tomou o comboio em Leiria e foi admitida no Asilo de Vilar (Instituto do Arcediago Van Zeller), no Porto, entregue \u00e0s Religiosas de Santa Doroteia, no dia seguinte, tomando o nome de Maria das Dores, nome sugerido por Mons. Manuel Pereira Lopes, confessor da casa, que em carta a D. Jo\u00e3o Pereira Ven\u00e2ncio, explica que, \u201cquando ela entrou, sob condi\u00e7\u00e3o de se guardar segredo, no Asilo de Vilar, assisti ou fui o padrinho da substitui\u00e7\u00e3o do seu nome para Maria das Dores, que era o nome da ent\u00e3o superiora do Asilo (Madre Maria das Dores Magalh\u00e3es). Ela compreendeu as vantagens da substitui\u00e7\u00e3o e foi fiel \u00e0 promessa de segredo\u201d (DCF 3, 3, doc. 623, p. 141, nota 2). Apenas quatro dias depois, no dia 21 de Junho, escreve a primeira carta \u00e0 M\u00e3e, dizendo que a viagem fora boa, que estava feliz e contente e dava recomenda\u00e7\u00f5es \u00e0 fam\u00edlia, beijos \u00e0s sobrinhas. Alguns dias depois, a 4 de Julho, nova carta: \u201cMinha querida m\u00e3e n\u00e3o tenha cuidados que estou muito bem; as minhas professoras s\u00e3o muito boas para mim; a Senhora Directora tamb\u00e9m \u00e9 muito am\u00e1vel, anima-me muito, e \u00e9 o que me vale (DCF 3, 3, doc. 624, de 4 de Julho de 1921, p. 143). At\u00e9 ao fim de 1921, conhecem-se sete cartas, seis das quais para a M\u00e3e. \u00a0Foi no Asilo de Vilar que L\u00facia redigiu o primeiro escrito sobre os acontecimentos de 1917, que tem a data de 5 de Janeiro de 1922. \u00a0Foi ainda neste Instituto que a Comiss\u00e3o Can\u00f3nica, nomeada pelo Senhor D. Jos\u00e9 Alves Correia da Silva, primeiro bispo da diocese restaurada de Leiria, a 3 de Maio de 1922, ouviu o depoimento, prestado por L\u00facia a 8 de Julho de 1924, de que ficaram duas vers\u00f5es, uma em discurso indirecto e outra em discurso directo, tendo esta sido junta ao Processo Can\u00f3nico Diocesano. \u00a0O Senhor D. Jos\u00e9 convidou a Senhora Maria Rosa para passar uns dias de f\u00e9rias na sua Quinta da Formigueira, pr\u00f3ximo de Braga, levando tamb\u00e9m L\u00facia, que a\u00ed recebeu o crisma, no dia 24 de Agosto de 1925, sendo madrinha D. Filomena Morais de Miranda, de Santo Tirso. Destes dias na Quinta da Formigueira tem L\u00facia boa lembran\u00e7a: O Senhor D. Jos\u00e9, quando a m\u00e3e dela partiu para F\u00e1tima, disse-lhe \u201cA menina tem que agradecer a Deus a M\u00e3e t\u00e3o boa e t\u00e3o santa como a que Ele lhe deu. Gostei muito de passar estes dias aqui, na sua companhia\u201d. Na ocasi\u00e3o, eu n\u00e3o compreendi, mas hoje \u2013 escreve em 1993 \u2013 n\u00e3o me resta d\u00favida de que o Sr. Bispo quis que eu fosse para o Porto e n\u00e3o para Lisboa, para poder estudar, pessoalmente e melhor. os acontecimentos de F\u00e1tima, e, com maior conhecimento de causa, formar o seu ju\u00edzo e pronunciar-se. Para isso, ter-me sob a sua jurisdi\u00e7\u00e3o, entregue a pessoas da sua confian\u00e7a que o informaram de tudo o que houvesse a meu respeito, e poder Sua Ex\u00aa observar-me e falar comigo, sempre que quisesse, e assim poder melhor formar um ju\u00edzo acertado dos factos. Parece-me que o Senhor Bispo fez bem e que ter\u00e1 sido guiado pelo Esp\u00edrito Santo. Por isso, a Deus, a Nossa Senhora e ao Sr. Bispo, estou muito agradecida\u201d (Sexta Mem\u00f3ria, 3\u00aa ed. 1996, p. 178). Foi tamb\u00e9m nesta \u00e9poca que surgiu a L\u00facia a voca\u00e7\u00e3o religiosa. Nesse ano de 1925, foi a canoniza\u00e7\u00e3o da Beata Teresa do Menino Jesus. L\u00facia ter\u00e1 manifestado, j\u00e1 ent\u00e3o, v\u00e1rias vezes, o desejo de ser carmelita. No entanto, por gratid\u00e3o para com as suas educadoras, resolveu ingressar na Congrega\u00e7\u00e3o de Santa Doroteia. E assim, partiu, a 24 de Outubro de 1925 para Tuy, Espanha, a caminho de Pontevedra, para ingressar na Congrega\u00e7\u00e3o. Entrou na Casa da Congrega\u00e7\u00e3o de Santa Doroteia, em Pontevedra, como postulante, no dia seguinte, 25 de Outubro de 1925. Tinha ent\u00e3o 18 anos e sete meses de idade. Ainda nesse ano, a 10 de Dezembro de 1925, e nessa casa, L\u00facia teve uma apari\u00e7\u00e3o da Sant\u00edssima Virgem e do Menino Jesus, que lhe pediu que ela promovesse a devo\u00e7\u00e3o dos cinco primeiros s\u00e1bados: \u201ctodos aqueles que durante cinco meses, ao primeiro s\u00e1bado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunh\u00e3o, rezarem um ter\u00e7o e me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 mist\u00e9rios do Ros\u00e1rio, com o fim de me desagravar, eu prometo assistir-lhes na hora da morte com todas as gra\u00e7as necess\u00e1rias para a salva\u00e7\u00e3o dessas almas\u201d (Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia, Ap\u00eandice 1, 6\u00aa ed. 1996, p. 227-228). E no dia 15 de Fevereiro de 1926, novamente lhe apareceu o Menino Jesus, a insistir na devo\u00e7\u00e3o dos cinco primeiros s\u00e1bados. No entanto, ainda esperou mais dois anos at\u00e9 revelar essa devo\u00e7\u00e3o. L\u00facia regressou a Tuy, a 20 de Julho de 1926, para terminar o postulantado, que terminou, no dia 2 de Outubro de 1926, e iniciou o Noviciado, tomando o nome de Maria L\u00facia das Dores. A 17 de Dezembro de 1927, L\u00facia recebe de Jesus a ordem de escrever o que lhe era pedido sobre a devo\u00e7\u00e3o ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, pondo por escrito, por ordem do director espiritual, Pe. Jos\u00e9 Apar\u00edcio da Silva. Faz os votos tempor\u00e1rios, em Tuy, no dia 3 de Outubro de 1928, em cerim\u00f3nia solene, presidida pelo Padre C\u00e2ndido de Azevedo Mendes e presenciada pelo Dr. Manuel Nunes Formig\u00e3o, Pe. Augusto de Sousa Maia e outros. \u00c9 ainda em Tuy, no dia 13 de Junho de 1929, que a Irm\u00e3 L\u00facia tem a vis\u00e3o da Sant\u00edssima Trindade e do Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, com o seu Cora\u00e7\u00e3o cercado de espinhos, como nas apari\u00e7\u00f5es de Junho e de Julho de 1917, que lhe diz: \u201c\u00c9 chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em uni\u00e3o com todos os Bispos do Mundo, a Consagra\u00e7\u00e3o da R\u00fassia ao Meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o, prometendo salv\u00e1-la por este meio\u201d. L\u00facia faz os votos perp\u00e9tuos, em Tuy, no dia 3 de Outubro de 1934, seguindo, a 9 do mesmo m\u00eas, novamente para Pontevedra.  A 12 de Setembro de 1935, foram trasladados de Vila Nova de Our\u00e9m para o cemit\u00e9rio de F\u00e1tima os restos mortais da Jacinta. No jazigo dos Bar\u00f5es de Alvai\u00e1zere, onde Jacinta foi depositada, desde Fevereiro de 1920, foi feita a abertura do caix\u00e3o e fizeram-se algumas fotografias, que foram enviadas pelo Sr. Bispo de Leiria, para L\u00facia. A sua carta de resposta e agradecimento, de 17 de Novembro desse ano, levou o Sr. Bispo a mandar-lhe escrever tudo o que se recordasse da Jacinta. Foi esta a origem do Primeiro manuscrito, que mais tarde ser\u00e1 chamado \u201cMem\u00f3ria\u201d, come\u00e7ado na segunda semana de Dezembro e terminada no dia de Natal do mesmo ano.  \u00a0Entretanto, entre 16 e 20 de Setembro do mesmo ano, L\u00facia respondeu a um minucioso e dif\u00edcil interrogat\u00f3rio do Dr. Antero de Figueiredo, interrogat\u00f3rio que veio a dar origem, no ano seguinte (1936), a um livro de bom recorte liter\u00e1rio que chegou a ter 18 reimpress\u00f5es e a ser traduzido em espanhol e franc\u00eas: F\u00e1tima \u2013 gra\u00e7as \u2014 segredos \u2014 mist\u00e9rios. L\u00facia regressa novamente a Tuy, a 27 de Maio de 1937, e \u00e9 a\u00ed que, por lembran\u00e7a do Padre Lu\u00eds Gonzaga da Fonseca, SJ, e a pedido do Sr. D. Jos\u00e9, redige mais uma Mem\u00f3ria, a Segunda, iniciada a 7 de Novembro e terminada a 21 do mesmo m\u00eas, com novidades surpreendentes: as apari\u00e7\u00f5es do Anjo, a sua primeira comunh\u00e3o, a apari\u00e7\u00e3o do Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, em Junho de 1917 e outras circunst\u00e2ncias.  Em 1938, surge mais uma obra de grande valor, fundada nestes dois escritos de L\u00facia: a biografia de Jacinta, a florinha de F\u00e1tima, compilada pelo Dr. Jos\u00e9 Galamba de Oilveira, que atingiu muito rapidamente tiragens enormes. Depois das duas primeiras edi\u00e7\u00f5es desse livrinho, e na perspectiva da celebra\u00e7\u00e3o do 25\u00ba anivers\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es, que se aproximava, em 1942, o Sr. Bispo de Leiria pediu que L\u00facia recordasse ainda mais pormenores sobre a vida da sua prima Jacinta. Foi esse pedido que deu origem \u00e0 Terceira Mem\u00f3ria, breve mas muito importante. Foi terminada a 31 de Agosto de 1941. Em carta ao Padre Jos\u00e9 Bernardo Gon\u00e7alves, L\u00facia explica: Esta ordem do Sr. Bispo caiu-me no fundo da alma como um raio de luz, dizendo-me que era chegado o momento de revelar as duas primeiras partes do segredo e acrescentar \u00e0 nova edi\u00e7\u00e3o dois cap\u00edtulos: um sobre o inferno, outro sobre o Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria\u201d. (cfr. Terceira Mem\u00f3ria, introdu\u00e7\u00e3o, p. 102). Finalmente, o Sr. Bispo de Leiria e o Dr. Galamba encontram-se com L\u00facia em Valen\u00e7a, no dia 7 de Outubro de 1941. Recebem a Terceira Mem\u00f3ria e apresentam novos interrogat\u00f3rios e pedidos: escrever o que se recordava sobre o Francisco; escrever com mais pormenores as apari\u00e7\u00f5es do Anjo; uma nova hist\u00f3ria das apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora; mais algumas recorda\u00e7\u00f5es da Jacinta; os versos profanos que cantava; fazer uma leitura do livro do Pe. Fonseca, e anotar o que lhe parecesse menos exacto. Surgiu assim a Quarta Mem\u00f3ria, cujo primeiro caderno foi enviado para Leiria, a 25 de Novembro de 1941,\u00a0 e o segundo no dia 8 de Dezembro do mesmo ano.  A 1 de Julho de 1942, falecia a Sr\u00aa Maria Rosa, M\u00e3e da L\u00facia. Quase 51 anos depois, a Irm\u00e3 L\u00facia escreveu, no fim da sua Sexta Mem\u00f3ria: \u201cAgrade\u00e7o a Deus a M\u00e3e t\u00e3o boa e t\u00e3o santa que Ele me deu, enquanto que lamento tristemente tantas outras que entregam seus filhos \u00e0 morte, ainda antes de d\u00e1-los \u00e0 luz. \u201cN\u00e3o matar\u00e1s\u201d, diz-nos a Lei de Deus (Ex 20, 13). Eu sou a \u00faltima de 7 filhos que Deus deu a maus pais; se eles fossem desse teor, eu n\u00e3o estaria hoje aqui\u201d (Sexta Mem\u00f3ria, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p. 181). A 3 de Janeiro de 1944, a Irm\u00e3 L\u00facia escreve a terceira parte do Segredo de F\u00e1tima, que foi revelada no ano de 2000. Antes de 13 de Maio de 1946, a Irm\u00e3 L\u00facia enviou para a coroa\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora de F\u00e1tima um belo ramo de flores, atado com uma fita branca, onde inseriu um poema e os nomes das Irm\u00e3s e das Alunas da casa de Tuy. O dia 13 de Maio desse ano foi realmente um dia muito solene, em que a Irm\u00e3 L\u00facia n\u00e3o p\u00f4de participar pessoalmente. Mas, alguns dias depois, teve a felicidade de voltar a ver a terra, onde tinha vivido os dias felizes da sua inf\u00e2ncia e tinha recebido a mensagem celeste que incendiou o mundo. Partiu de Tuy, no dia 17 de Maio de 1946. Esteve dois dias no Col\u00e9gio do Sard\u00e3o, Vila Nova de Gaia, donde partiu no dia 20, passando por Coimbra e Leiria, para visitar, nos dias 21 e 22, a Cova da Iria, Loca do Cabe\u00e7o, Valinhos e Aljustrel, tendo ocasi\u00e3o de identificar bem os lugares das apari\u00e7\u00f5es do Anjo, na Loca do Cabe\u00e7o, e a de Nossa Senhora nos Valinhos, no dia 19 de Agosto de 1917. Depois de regressar ao Col\u00e9gio do Sard\u00e3o, a 22 de Maio de 1946, logo se dispuseram as coisas para que a Irm\u00e3 L\u00facia pudesse satisfazer finalmente os seus desejos antigos de ingressar na vida de clausura da Ordem das Carmelitas Descal\u00e7as. Devidamente autorizada pelo Papa Pio XII, a Irm\u00e3 L\u00facia saiu para Coimbra, no dia 24 de Mar\u00e7o de 1948, ingressando no Carmelo de Santa Teresa, no Penedo da Saudade, Coimbra, no dia seguinte. Tomou o h\u00e1bito, e recebeu o nome de Maria L\u00facia de Jesus e do Cora\u00e7\u00e3o Imaculado, no dia 13 de Maio de 1948, e fez os votos solenes no dia 31 de Maio do ano seguinte. Vamos resumir, em breves apontamentos, a actividade da Irm\u00e3 L\u00facia nas d\u00e9cadas seguintes: Encontra-se com o Papa Paulo VI, a 13 de Maio de 1967, cinquenten\u00e1rio da primeira apari\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora; com o Cardeal .Albino Luciani, patriarca de Veneza, mais tarde o Papa Jo\u00e3o Paulo I, a 11 de Julho de 1977; visita\u00a0 ao Carmelo de S. Jos\u00e9, em F\u00e1tima, para dirigir um trabalho pict\u00f3rico sobre as apari\u00e7\u00f5es, do dia 3 a 17 de Agosto de 1981; encontra-se com o Papa Jo\u00e3o Paulo II em F\u00e1tima, no dia 13 de Maio de 1982, um ano depois do atentado da Pra\u00e7a de S. Pedro; a 23 de Fevereiro de 1989, termina a Quinta Mem\u00f3ria sobre o pai, pedida pelo Reitor do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima; volta a encontrar-se, pela segunda vez, com o Papa Jo\u00e3o Paulo II, na peregrina\u00e7\u00e3o deste, a 13 de Maio de 1991; termina a Sexta Mem\u00f3ria sobre a M\u00e3e, a 25 de Mar\u00e7o de 1993; os Apelos da Mensagem de F\u00e1tima t\u00eam a data de 25 de Mar\u00e7o de 1997 e a primeira edi\u00e7\u00e3o impressa no ano de 2000. Na 3\u00aa peregrina\u00e7\u00e3o do Papa Jo\u00e3o Paulo II a F\u00e1tima, a 13 de Maio de 2000, foram beatificados os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, com a presen\u00e7a da sua prima, e foi feita a primeira apresenta\u00e7\u00e3o da terceira parte do segredo de F\u00e1tima, que no dia 26 de Junho seguinte foi publicado na \u00edntegra, pela Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, cujo prefeito era o Cardeal Ratzinger, actual Papa Bento XVI.  No dia 16 de Maio de 2000, dias depois da peregrina\u00e7\u00e3o, a Irm\u00e3 L\u00facia visitou, pela \u00faltima vez \u00e0 Loca do Cabe\u00e7o, Valinhos, Aljustrel e igreja paroquial de F\u00e1tima. No interrogat\u00f3rio a que procedeu, no dia 27 de Setembro de 1917,\u00a0 o Dr. Formig\u00e3o perguntou \u00e0 L\u00facia: A Senhora mandou que aprendesses a ler? \u2013 Mandou sim, da segunda fez que apareceu. \u2013 Mas se a Senhora disse que te levaria para o C\u00e9u no m\u00eas de Outubro pr\u00f3ximo, para que te serviria aprenderes a ler) \u2013 N\u00e3o \u00e9 verdade isso; a Senhora nunca disse que me levaria para o C\u00e9u em Outubro, e eu nunca afirmei que ela me tivesse dito tal coisa\u201d (DCF 1, doc. 7, de 27 de Setembro de 1917, p. 59). Em fins de Dezembro de 1927, a Irm\u00e3 L\u00facia p\u00f4s por escrito, por ordem do seu director espiritual, Pe. Jos\u00e9 Apar\u00edcio, o que Jesus lhe dissera, a 17 do mesmo m\u00eas e ano, em Pontevedra sobre o que Maria Sant\u00edssima lhe revelou \u201cna apari\u00e7\u00e3o em que falou desta devo\u00e7\u00e3o\u201d (ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria):  \u201cO que em 1917 foi confiado a este respeito \u00e9 o seguinte: ela [L\u00facia] pediu para os levar para o C\u00e9u. A SS. Virgem respondeu: &#8211; Sim; a Jacinta e o Francisco levo-os em breve, mas tu ficas c\u00e1 mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no Mundo a devo\u00e7\u00e3o ao meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o [\u2026].  &#8211; Fico c\u00e1 sozinha? \u2013 disse com tristeza &#8211; N\u00e3o, filha. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o teu ref\u00fagio e o caminho que te conduzir\u00e1 at\u00e9 Deus\u201d (Mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia, Ap\u00eandice I). Na sua Quarta Mem\u00f3ria, em 1941, ao descrever, mais uma vez, as apari\u00e7\u00f5es de 1917, a Irm\u00e3 L\u00facia atribui \u00e0 apari\u00e7\u00e3o de Junho o mesmo di\u00e1logo com Nossa Senhora, praticamente com as mesmas palavras (4\u00aa Mem\u00f3ria, II, 3, ed. 2004, p. 175). N\u00e3o conhecemos nenhuma refer\u00eancia mais antiga \u00e0quela promessa de Nossa Senhora de manter L\u00facia no mundo \u201cmais algum tempo\u201d. No entanto, \u00e9 bem poss\u00edvel que algo tenha transparecido nesse sentido, logo no per\u00edodo das Apari\u00e7\u00f5es. De facto, no interrogat\u00f3rio que fez a L\u00facia, no dia 2 de Novembro de 1917, o Dr. Manuel Nunes Formig\u00e3o perguntou-lhe: \u201cOuvi dizer que disseste a algu\u00e9m que havias de viver mais de vinte anos. \u00c9 verdade?\u201d L\u00facia respondeu: \u201cN\u00e3o me recordo\u201d. Ficamos sem saber se a resposta de L\u00facia escondia a preocupa\u00e7\u00e3o de ocultar o que Nossa Senhora predissera sobre os primos e sobre ela pr\u00f3pria.  A prop\u00f3sito de uma travessura de inf\u00e2ncia (ter ido \u00e0 coelheira e tirar um coelhito pequeno, para brincar), a Irm\u00e3 L\u00facia conta na Quinta Mem\u00f3ria, que a M\u00e3e a repreendeu: \u201cOs dem\u00f3nios eram anjos que estavam no C\u00e9u, mas porque se fizeram maus, Deus p\u00f4-los de l\u00e1 para fora e andam por a\u00ed a tentar toda a gente. A ti, deitou-te c\u00e1 para baixo, a ver se te fazes boa, para depois poderes voltar para l\u00e1. Perguntei ainda: Mas eu n\u00e3o me lembro! \u2013 Pois n\u00e3o \u2013 respondeu a M\u00e3e \u2013 porque estavas a dormir, e \u00e9s muito esquecida. \u00c0 noite, quando veio o Pai, eu disse-lhe o que a M\u00e3e me tinha dito, e ele respondeu: &#8211; Est\u00e1 bem, mas n\u00e3o te preocupes! Isso \u00e9 para quando tu fores velhinha; por agora, \u00e9s muito pequenina. Por isso, ainda tens muito tempo para te fazeres boa. O Pai parece que adivinhou, que tenho quase 82 anos (escrevia em Fevereiro de 1989) e ainda por aqui ando, \u00e0 espera de ser boa, para ir para o C\u00e9u. Mas, como Jesus Cristo diz que s\u00f3 Deus \u00e9 bom, ter\u00e1 Ele que levar-me para l\u00e1, por miseric\u00f3rdia, sem esperar que eu seja boa\u201d (Quinta Mem\u00f3ria, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1996, p. 25-26). A Irm\u00e3 L\u00facia faleceu a 13 de Fevereiro de 2005, quando faltava pouco mais de um m\u00eas para completar 98 anos.  Ultrapassou a idade de todos os seus familiares mais pr\u00f3ximos, pois que o pai morreu com 51 anos e meio; a m\u00e3e (73); os irm\u00e3os, Maria dos Anjos (95), Teresa (79), Manuel (81), Gl\u00f3ria (73) e Carolina (89). O certo \u00e9 que a Irm\u00e3 L\u00facia ainda viveu muito mais tempo do que aquilo que seria de esperar, quando a Senhora lhe disse: \u201cTu ficas c\u00e1 mais algum tempo\u201d, a \u201cfazer conhecer e amar\u201d Maria Sant\u00edssima e a divulgar a devo\u00e7\u00e3o ao Seu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, a devo\u00e7\u00e3o dos cinco primeiros s\u00e1bados, que veio a ser aprovada oficialmente, na Cova da Iria, a 13 de Setembro de 1939, quando j\u00e1 se iniciara a Segunda Guerra Mundial <i>P. Luciano Cristino<\/i> (Confer\u00eancia na Bas\u00edlica do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, no centen\u00e1rio do nascimento da Irm\u00e3 L\u00facia, 28 de Mar\u00e7o de 2007)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na abertura do programa celebrativo do Centen\u00e1rio do Nascimento da Irm\u00e3 L\u00facia, na manh\u00e3 de 28 de Mar\u00e7o, o director do Servi\u00e7o de Estudos e Difus\u00e3o do Santu\u00e1rio, P. Luciano Cristino, apresentou, na Bas\u00edlica do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, \u00a0antes da Eucaristia, uma confer\u00eancia com algumas notas biogr\u00e1ficas da vidente de F\u00e1tima Foi na igreja paroquial [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,126,127,154,168,172,174,180,187,206,207,211,237,267,316],"class_list":["post-23747","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-carmelitas","tag-catequese","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-santarem","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-fatima","tag-ferias","tag-joao-paulo-ii","tag-natal","tag-terco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23747","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23747"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23747\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}