{"id":237431,"date":"2022-04-17T09:27:27","date_gmt":"2022-04-17T08:27:27","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=237431"},"modified":"2022-04-17T09:27:27","modified_gmt":"2022-04-17T08:27:27","slug":"homilia-do-bispo-emerito-de-braganca-miranda-na-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-emerito-de-braganca-miranda-na-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo em\u00e9rito de Bragan\u00e7a-Miranda na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->A Vig\u00edlia Pascal \u00e9 a mais importante de todas as celebra\u00e7\u00f5es do Ano Lit\u00fargico. Na sugestiva formula\u00e7\u00e3o de Santo Agostinho, \u00e9 a \u00abm\u00e3e de todas as santas vig\u00edlias\u00bb, na qual recordamos a noite santa em que o Senhor ressuscitou.<\/p>\n<ol>\n<li>Na primeira parte da Vig\u00edlia \u2013 o Lucern\u00e1rio ou Liturga da Luz \u2013 benzemos o lume novo e acendemos nele o C\u00edrio Pascal, s\u00edmbolo de Cristo ressuscitado. O C\u00edrio tem gravadas a primeira e a \u00faltima letras do alfabeto grego, \u0391 e \u03c9, a anunciar que a Cristo pertencem o tempo e a eternidade: ontem, hoje e sempre. O C\u00edrio foi aclamado como luz de Cristo e trazido para junto do altar onde ficar\u00e1 como sinal da presen\u00e7a de Cristo. Entretanto, o Di\u00e1cono cantou o jubiloso texto do Prec\u00f3nio Pascal, o preg\u00e3o que canta a claridade desta noite iluminada pelo fulgor de Cristo na sua ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>A segunda parte da Vig\u00edlia foi a Liturgia da Palavra. Das sete leituras poss\u00edveis do Antigo Testamento, todas elas marcando etapas ou momentos altos da Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, escolhemos tr\u00eas mais significativas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>2.1. A primeira \u00e9 o belo texto da narrativa sacerdotal da Cria\u00e7\u00e3o, que serve de p\u00f3rtico ao primeiro livro da B\u00edblia, o G\u00e9nesis. N\u00e3o \u00e9 um capitulo dum tratado de ci\u00eancias naturais. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria que, refletindo a cosmogonia do tempo em que foi escrita, tem como objetivo transmitir uma mensagem religiosa bem diferente da mundivid\u00eancia ent\u00e3o dominante. Mais importante que a roupagem liter\u00e1ria \u00e9 a mensagem doutrinal do texto: a afirma\u00e7\u00e3o do monote\u00edsmo (contraposto \u00e0 explica\u00e7\u00e3o politeista da cria\u00e7\u00e3o como se os v\u00e1rios seres tivessem sido obra de divindades distintas e at\u00e9 concorrentes) e a afirma\u00e7\u00e3o da bondade da cria\u00e7\u00e3o (rejeitando os mitos da diviniza\u00e7\u00e3o da natureza e tamb\u00e9m o seu contr\u00e1rio, a diaboliza\u00e7\u00e3o maniqueia como se a cria\u00e7\u00e3o tivesse sido obra de divindades mal\u00e9ficas ou fosse ela mesma personifica\u00e7\u00e3o do mal). Neste relato da cria\u00e7\u00e3o \u2013 que foi esquematizado em seis dias para dar relevo \u00e0 santifica\u00e7\u00e3o do s\u00e9timo, o dia do descanso de Deus \u2013 nos cinco primeiros dias a conclus\u00e3o \u00e9: \u00abDeus viu que isto era bom\u00bb (Gn 1, 10, 12, 18, 21 e 25). Terminada a cria\u00e7\u00e3o com o aparecimento do g\u00e9nero humano no sexto dia, o estribilho de louvor sobe ao patamar do superlativo: \u00ab\u2026 era tudo muito bom\u00bb (Gn 1,31). A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira maravilha de Deus.<\/p>\n<p>2.2. A segunda leitura, redigida em estilo \u00e9pico, grandiloquente e hiperb\u00f3lico, narra a liberta\u00e7\u00e3o do povo hebreu do cativeiro do Egito e a travessia do Mar Vermelho a p\u00e9 enxuto. Este acontecimento do s\u00e9culo XIII antes de Cristo constitui o elemento referencial da P\u00e1scoa judaica. Mas a liberta\u00e7\u00e3o do cativeiro do Egito, como rez\u00e1mos na ora\u00e7\u00e3o correspondente, foi s\u00edmbolo e sinal antecipador do nosso renascimento nas \u00e1guas do batismo.<\/p>\n<p>2.3. A terceira leitura &#8211; tirada do profeta Ezequiel que viveu no cativeiro de Babil\u00f3nia no s\u00e9culo VI antes de Cristo \u2013 assinala outra etapa das maravilhas de Deus com um reconfortante apelo \u00e0 renova\u00e7\u00e3o: \u00abDerramarei sobre v\u00f3s \u00e1gua pura e ficareis limpos de todas as imund\u00edcies\u2026 Dar-vos-ei um cora\u00e7\u00e3o novo\u2026 Arrancarei do vosso peito o cora\u00e7\u00e3o de pedra e dar-vos-ei um cora\u00e7\u00e3o de carne\u00bb (Ez 36, 25-26).<\/p>\n<p>2.4. O Antigo Testamento foi an\u00fancio e prefigura\u00e7\u00e3o do Novo onde encontrou a sua plenitude. Aqui a grande maravilha de Deus foi a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, apresentada este ano na quinta leitura segundo o evangelho de S. Lucas ( Lc 24, 1-12). A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus foi a entrada da sua humanidade glorificada no seio da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p>Para celebrarmos condignamente a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, n\u00f3s devemos viver em estado de ressurrei\u00e7\u00e3o, como pede S. Paulo na quarta leitura da Vig\u00edlia: \u00abConsiderai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus\u00bb (Rm 6,11). E ainda: \u00abTodos os que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte\u00bb (Rm 6,3).<\/p>\n<p>\u00c9 uma refer\u00eancia \u00e0 pr\u00e1tica antiga do Batismo por imers\u00e3o. Imergir na \u00e1gua significa sepultar o pecado, o homem velho, como escreve o Ap\u00f3stolo na mesma carta (Rm 6,6). Emergindo, o ne\u00f3fito levanta-se da \u00e1gua totalmente renovado pela gra\u00e7a de Deus. O Batismo \u00e9 deste modo sepultura e renascimento, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, abandono do pecado e ades\u00e3o plena ao homem novo, \u00e0 vida nova em Cristo. Por isso, a Vig\u00edlia Pascal incorporou tamb\u00e9m a dimens\u00e3o batismal.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Dentro de momentos vamos passar \u00e0 terceira parte da Vig\u00edlia Pascal, a Liturgia Batismal, este ano com celebra\u00e7\u00e3o do Batismo e renova\u00e7\u00e3o das promessas batismais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Apresentam-se ao Batismo tr\u00eas jovens adultos que receber\u00e3o tamb\u00e9m os sacramentos da Confirma\u00e7\u00e3o e da Eucaristia. Caros Amigos: a comunidade crist\u00e3 de Bragan\u00e7a acolhe-vos com alegria e reza pela vossa fidelidade e perseveran\u00e7a. A partir de agora a Igreja \u00e9 a vossa casa e Cristo, a luz da vossa vida.<\/p>\n<p>Em seguida, vamos todos renovar as promessas do nosso pr\u00f3prio Batismo. As perguntas que vos farei s\u00e3o as mesmas do vosso Batismo e v\u00eam j\u00e1 do s\u00e9culo III. Tal antiguidade manifesta a continuidade da f\u00e9 crist\u00e3 ao longo dos s\u00e9culos, \u00e0 qual desejamos todos ser fi\u00e9is neste Nordeste Transmontano do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Tocamos aqui um ponto sens\u00edvel da nossa pastoral: a revaloriza\u00e7\u00e3o do Batismo. H\u00e1 que ultrapassar a tend\u00eancia a fazer do Batismo um acontecimento social e uma festa de fam\u00edlia. Tamb\u00e9m \u00e9 isso, mas \u00e9 isso por ser em primeiro lugar ades\u00e3o a Jesus Cristo e incorpora\u00e7\u00e3o na comunidade eclesial.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Finalmente, seguir-se-\u00e1 a quarta e \u00faltima parte da Vig\u00edlia Pascal: a Liturgia Eucar\u00edstica, na forma do costume.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Antecipando a b\u00ean\u00e7\u00e3o final pr\u00f3pria desta solenidade, pedimos ao Senhor que, celebrando a P\u00e1scoa de 2022, Ele nos conceda a bem-aventuran\u00e7a da P\u00e1scoa eterna.<\/p>\n<p>Neste esp\u00edrito, para todos v\u00f3s e vossas fam\u00edlias os meus votos cordiais de Santa P\u00e1scoa na alegria de Jesus ressuscitado.<\/p>\n<p>Catedral de Bragan\u00e7a, 16 de abril de 2022.<br \/>\nD. Ant\u00f3nio Montes Moreira, Bispo Em\u00e9rito<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":237344,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[173],"class_list":["post-237431","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braganca-miranda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237431","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237431"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237431\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/237344"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}