{"id":237425,"date":"2022-04-17T10:08:42","date_gmt":"2022-04-17T09:08:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=237425"},"modified":"2022-04-18T10:49:57","modified_gmt":"2022-04-18T09:49:57","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-vigilia-pascal-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-vigilia-pascal-3\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Funchal na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->A celebra\u00e7\u00e3o desta noite santa de P\u00e1scoa \u00e9 marcada pelas narra\u00e7\u00f5es das diferentes passagens de Deus pela vida do povo da Antiga Alian\u00e7a: \u00e9 a passagem do nada \u00e0 exist\u00eancia; a passagem da prova\u00e7\u00e3o da f\u00e9; a passagem da escravid\u00e3o \u00e0 liberdade; a passagem da indiferen\u00e7a \u00e0 vida da Alian\u00e7a.<\/p>\n<p>E todas estas passagens \u2014 da cria\u00e7\u00e3o do mundo \u00e0 vida do crente \u2014 desenham diante de n\u00f3s um sentido: mostram o sentido da hist\u00f3ria, a direc\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio Deus vai imprimindo aos diferentes acontecimentos da hist\u00f3ria, por entre o encontro da sua vontade com a liberdade humana. Todas estas passagens reclamam a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus: sem Jesus, vencedor da morte e do pecado, tudo permaneceria sem sentido. De que serviria termos sido criados, se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos sido resgatados? Como poderia a nossa liberdade ver-se constantemente inclinada para o mal e n\u00e3o ter a esperan\u00e7a de um redentor? De que serviria a liberdade se n\u00e3o pud\u00e9ssemos viver a vida de gente libertada, povo resgatado? A P\u00e1scoa (as P\u00e1scoas) da Antiga Alian\u00e7a indicam, requerem, encontram a sua plenitude na P\u00e1scoa de Jesus.<\/p>\n<p>Mas, na II\u00aa Leitura, S. Paulo vai mesmo mais longe. Porque, se fosse apenas a P\u00e1scoa de Jesus aquela que era requerida para que as P\u00e1scoas da Antiga Alian\u00e7a fizessem sentido, tudo ficaria parado e perdido no tempo. Olhar\u00edamos para esse acontecimento como realidade magn\u00edfica; far\u00edamos dele mem\u00f3ria transmitida de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, mas seria apenas um acontecimento que diria respeito a um homem do passado \u2014 admir\u00e1vel, sem d\u00favida, mas prisioneiro do passado.<\/p>\n<p>N\u00e3o. S. Paulo, ao escrever aos crist\u00e3os de Roma, ia muito mais longe. Porque, olhando para a P\u00e1scoa de Jesus, descobria nela uma realidade maior: descobria nela a vida dos crist\u00e3os de todos os tempos e lugares. Por isso, o Ap\u00f3stolo n\u00e3o hesitava em usar aquele \u201ccom\u201d, caracter\u00edstico do seu pensamento e da espiritualidade e vida dos crist\u00e3os: sepultados \u201ccom\u201d Cristo, somos tamb\u00e9m \u201ccom\u201d Cristo ressuscitados.<\/p>\n<p>Quer dizer: a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus alargam o seu dinamismo pascal, ultrapassam tempos e lugares, para nos envolver a n\u00f3s, crist\u00e3os. Para nos envolver a n\u00f3s, crist\u00e3os madeirenses, que celebramos esta P\u00e1scoa de 2022.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que tal acontece? Como \u00e9 que a P\u00e1scoa de Jesus nos pode abra\u00e7ar, envolver, e fazer-se nossa de verdade? S. Paulo responde tamb\u00e9m a esta quest\u00e3o: \u201cFomos sepultados com Ele pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela gl\u00f3ria do Pai, tamb\u00e9m n\u00f3s vivamos uma vida nova\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 por meio do sacramento baptismal que todos n\u00f3s, crist\u00e3os, nos passamos a identificar com Cristo. N\u00e3o \u00e9 fruto das nossas capacidades, da nossa intelig\u00eancia, da nossa vontade f\u00e9rrea, ou mesmo do nosso comportamento exemplar. \u00c9 fruto da vontade de Deus, que em n\u00f3s crucifica o Homem velho e nos faz viver com Cristo ressuscitado.<\/p>\n<p>Por isso aguardamos com ansiedade que, diante de n\u00f3s, se realize esta P\u00e1scoa, esta passagem, nestes nossos irm\u00e3os que ir\u00e3o ser baptizados: sepultados com Ele no baptismo, por uma morte semelhante \u00e0 sua, com Cristo v\u00e3o tamb\u00e9m ressurgir, homens novos, para uma vida nova.<\/p>\n<p>E olhando para eles, percebemos tamb\u00e9m o que sucedeu com todos n\u00f3s quando, porventura ainda rec\u00e9m-nascidos, os nossos pais nos conduziram \u00e0 Igreja, para nos dar a possibilidade de, desde tenra idade, vivermos j\u00e1 na gra\u00e7a baptismal.<\/p>\n<p>Com Cristo mortos e com Cristo ressuscitados, queremos deixar que Deus fa\u00e7a connosco a P\u00e1scoa. Deus connosco e em n\u00f3s: vida nova a brotar sempre de novo.<\/p>\n<p>Olhando para estes nossos irm\u00e3os que, dentro de momentos, v\u00e3o ser baptizados, sintamos todos renascer em n\u00f3s a voca\u00e7\u00e3o baptismal, a docilidade ao Esp\u00edrito Santo, o apelo divino a deixarmos o homem velho que teima em se manifestar, para vivermos a vida nova da santidade: a vida de Cristo ressuscitado, presente em n\u00f3s e na vida da Igreja.<\/p>\n<p>S\u00e9 do Funchal, 16 de abril de 2022<br \/>\n<em>D. Nuno Br\u00e1s<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":237642,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-237425","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237425","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237425"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237425\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/237642"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}