{"id":237420,"date":"2022-04-17T09:05:40","date_gmt":"2022-04-17T08:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=237420"},"modified":"2022-04-17T11:54:46","modified_gmt":"2022-04-17T10:54:46","slug":"homilia-do-nuncio-apostolico-em-portugal-na-vigilia-pascal-em-angra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-nuncio-apostolico-em-portugal-na-vigilia-pascal-em-angra\/","title":{"rendered":"Homilia do n\u00fancio apost\u00f3lico em Portugal na Vig\u00edlia Pascal em Angra"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Rev.mo Mons. H\u00e9lder de Sousa Mendes, Administrador Diocesano<br \/>\nRev.mos Sacerdotes e Di\u00e1conos<br \/>\nRev.mos Religiosos e Religiosas<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s no Senhor Ressuscitado<\/p>\n<p>Depois da abund\u00e2ncia e da riqueza da Palavra de Deus que, como acontece em cada ano, foi proclamada nesta solene Vig\u00edlia Pascal, qualquer palavra humana pode parecer in\u00fatil e inoportuna. Mesmo assim, tendo em conta quanto prev\u00ea a Liturgia da Igreja, permito-me oferecer algumas reflex\u00f5es que podem ajudar a entender melhor o sentido desta celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um elemento que carateriza a Liturgia da Vig\u00edlia Pascal \u00e9 a simbologia das trevas e da luz. As trevas s\u00e3o o s\u00edmbolo da morte, do maligno, do pecado, do desespero, do sofrimento, do castigo, da enfermidade, da escravid\u00e3o, da viol\u00eancia, da guerra. S\u00e3o todas situa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias que fazem sofrer muito os seres humanos, pondo em risco a possibilidade de alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o eterna \u00e0 qual todos s\u00e3o chamados.<\/p>\n<p>Por outro lado, a luz que rasga as trevas \u00e9 o s\u00edmbolo de Jesus, que, atrav\u00e9s da sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, vence tudo o que \u00e9 representado pelas trevas. Portanto anunciar que Jesus ressuscitou significa afirmar que:<\/p>\n<p>= a morte f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 mais a \u00faltima palavra, antes a porta atrav\u00e9s da qual entramos na vida eterna; gra\u00e7as aos m\u00e9ritos da paix\u00e3o e morte de Jesus, temos a possibilidade de experimentar, se somos dignos, a felicidade do Para\u00edso.<\/p>\n<p>= o diabo, que julgava ter vencido Jesus na tr\u00e1gica conclus\u00e3o da morte na cruz, na realidade no dia de Pascoa \u00e9 derrotado definitivamente; entretanto vivemos o tempo chamado do \u201cj\u00e1 e ainda n\u00e3o\u201d: o Reino de Deus j\u00e1 se est\u00e1 a expandir, por\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 ainda implementado definitivamente porque se est\u00e1 a realizar uma grande luta entre a irresist\u00edvel for\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o de Cristo, de um lado, e, do outro, as graves e m\u00faltiplas tentativas de sabotagem do diabo.<\/p>\n<p>= o pecado, que parecia ser uma condi\u00e7\u00e3o da qual os homens eram incapazes de libertar-se, de facto \u00e9 eliminado pelo sacrif\u00edcio de Jesus; com o Seu sacrif\u00edcio, Ele expiou o pecado original como tamb\u00e9m todos os nossos pecados.<\/p>\n<p>= o desespero, no qual os seres humanos caem por causa das inumer\u00e1veis dificuldades e prova\u00e7\u00f5es da vida, n\u00e3o \u00e9 o \u00faltimo sentimento, pois este \u00e9 vencido pela esperan\u00e7a e a caridade. Nas provas e sofrimentos a esperan\u00e7a crist\u00e3 liberta do perigo e do desespero. Tamb\u00e9m a caridade crist\u00e3, a solidariedade, a empatia e a amizade s\u00e3o instrumentos decisivos para libertar do desespero e da depress\u00e3o as pessoas que sofrem no corpo ou no esp\u00edrito; n\u00e3o se pode esquecer que um dos objetivos do diabo \u00e9 de conduzir as pessoas ao desespero, a desconfiar do amor de Deus, a deixar-se abandonar ao pessimismo, ao \u00f3dio, \u00e0 inveja e a sentimentos de autodestrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>= o sofrimento, f\u00edsico e espiritual, que parece ser injusto e in\u00fatil, pode transformar-se num instrumento de resgate e reden\u00e7\u00e3o; depende de n\u00f3s, gra\u00e7as aos m\u00e9ritos da paix\u00e3o e morte de Jesus, de transformar os nossos sofrimentos em instrumentos eficazes para difundir o Reino de Deus e adquirir m\u00e9ritos para a vida eterna.<\/p>\n<p>= o castigo, que parecia como algo definitivo a motivo da m\u00e1 conduta dos homens, \u00e9 na realidade instrumento de purifica\u00e7\u00e3o e santifica\u00e7\u00e3o; sabemos que, para a nossa convers\u00e3o, purifica\u00e7\u00e3o e salva\u00e7\u00e3o, Deus permite situa\u00e7\u00f5es que contribuem \u00e0 salva\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p>= a doen\u00e7a, que se apresenta como um destino inevit\u00e1vel para os seres humanos, transforma-se numa fonte de gra\u00e7as; na cruz Jesus n\u00e3o eliminou as doen\u00e7as do corpo e do esp\u00edrito, mas ensinou-nos a enfrent\u00e1-las com esp\u00edrito de f\u00e9 e docilidade \u00e0 vontade de Deus.<\/p>\n<p>= a escravid\u00e3o, \u00e0 qual os homens reduzem outros homens, v\u00ea aparecer o momento da liberta\u00e7\u00e3o; por amor, Jesus aceitou a experi\u00eancia da paix\u00e3o e da morte, para a salva\u00e7\u00e3o de todos os seres humanos. Assim deu um valor e uma dignidade enorme a cada pessoa, enquanto preciosa aos olhos de Deus.<\/p>\n<p>= a viol\u00eancia, que \u00e9 apresentada como \u00fanico m\u00e9todo para resolver os problemas entre as pessoas, pode ser substitu\u00edda pelo caminho da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o; Jesus, com a sua entrega total na cruz, indicou o caminho do amor e da miseric\u00f3rdia para resolver as contendas humanas.<\/p>\n<p>Com a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus inicia-se, portanto, o resplandecer de um novo dia que se instaurar\u00e1 de maneira definitiva com o regresso glorioso e definitivo de Cristo.<\/p>\n<p>Este \u00e9, portanto, o tempo em que coexistem trevas e luz, no qual as trevas parecem ainda dominar sobre a luz, em que temos de lutar contra o mal e o diabo sabendo, por\u00e9m, que Jesus sai vitorioso. E cada batizado, \u00abfoi com uma esperan\u00e7a, para al\u00e9m do que se podia esperar\u00bb (Rm 4,18), tem a miss\u00e3o de difundir no mundo e na hist\u00f3ria esta mensagem de esperan\u00e7a que nenhuma trag\u00e9dia pode apagar.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a mensagem que devemos anunciar e testemunhar, dando prova de ter uma esperan\u00e7a inquebrant\u00e1vel porque fundada sobre Cristo Ressuscitado, prim\u00edcia de uma nova humanidade chamada a ultrapassar \u201cas portas da eternidade\u201d.<\/p>\n<p>+ Ivo Scapolo<br \/>\nN\u00fancio Apost\u00f3lico<br \/>\n16 de abril de 2022, Catedral de Angra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":237359,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[169],"class_list":["post-237420","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-angra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237420","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237420"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237420\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/237359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}