{"id":237145,"date":"2022-04-15T20:29:40","date_gmt":"2022-04-15T19:29:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=237145"},"modified":"2022-04-15T20:29:40","modified_gmt":"2022-04-15T19:29:40","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Estamos diante de um cen\u00e1rio verdadeiramente carregado de sentido teol\u00f3gico, espiritual e humano nesta celebra\u00e7\u00e3o da sexta-feira da paix\u00e3o do Senhor. Acompanhamos Jesus, o Verbo de Deus feito carne, o nosso rei e Senhor, o nosso irm\u00e3o, pelas veredas do sofrimento at\u00e9 \u00e0 morte. Este percurso de dor n\u00e3o deixa ningu\u00e9m indiferente, quando se trata do Filho de Deus, como n\u00e3o deixa ningu\u00e9m indiferente, quando se trata dos filhos dos homens. Esta proximidade e configura\u00e7\u00e3o de Jesus, o Filho de Deus, com a humanidade e a sua dor, manifesta o mais profundo mist\u00e9rio do desejo salvador de Deus e os seus verdadeiros sentimentos em rela\u00e7\u00e3o a todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Falar de sofrimento \u00e9 uma coisa, experiment\u00e1-lo \u00e9 outra bem diferente; consolar os que sofrem com palavras de esperan\u00e7a e alento estando felizes e consolados, tem valor e \u00e9 b\u00e1lsamo de solidariedade e amor, mas configurar-se plenamente com os que sofrem com dor igual \u00e0 sua, \u00e9 amor redentor.<\/p>\n<p>Jesus escolhe o caminho mais duro, mas redentor, a partir do amor com que assume na sua carne as dores, as injusti\u00e7as, o desprezo e a humilha\u00e7\u00e3o da humanidade. Ali se manifesta a vontade amorosa do Pai, que n\u00e3o manda mensageiros a manifestar solidariedade e compaix\u00e3o junto dos homens, mas manda o seu pr\u00f3prio Filho, como homem de dores, experimentado no sofrimento, para que partilhe plenamente a nossa condi\u00e7\u00e3o. Ali se manifesta tamb\u00e9m a autenticidade da incarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus, que sela a sua mensagem com o seu pr\u00f3prio sangue e a sua pr\u00f3pria vida: \u00e9 verdadeiramente homem e identifica-se com a nossa humanidade.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o Deus em quem acreditamos, que n\u00e3o est\u00e1 longe de n\u00f3s, que n\u00e3o manda mensagens do C\u00e9u, mas partilha a nossa vida na terra e ilumina os nossos caminhos indo connosco, indo \u00e0 frente, assumindo tudo o que nos alegra e tudo o que nos d\u00f3i.<\/p>\n<p>Na narra\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o segundo o Evangelho de S. Jo\u00e3o, que agora escut\u00e1mos, h\u00e1 uma express\u00e3o de grande significado, que queremos trazer para a nossa medita\u00e7\u00e3o. Pilatos, quando apresenta Jesus no Pret\u00f3rio, vestido com a coroa de espinhos e o manto de p\u00farpura, proclama solenemente: \u00abEis o homem\u00bb.<\/p>\n<p>Pilatos manifesta assim que n\u00e3o acredita que Ele seja o Filho de Deus nem o Rei de Israel, como lhe havia declarado, e que s\u00e3o as acusa\u00e7\u00f5es que impendem sobre Ele. Aquela cena constitui uma forma de ridicularizar as suas afirma\u00e7\u00f5es e a sua pessoa e de dar raz\u00e3o aos que O apresentam como culpado e a quem ele j\u00e1 se referira da mesma forma quando lhes perguntou: \u201cQue acusa\u00e7\u00e3o trazeis contra este homem?\u201d. \u201cDesprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprez\u00edvel e sem valor para n\u00f3s\u201d, como profetizara Isa\u00edas. No entanto, para agudizar o esc\u00e1rnio, \u00e9 apresentado com as ins\u00edgnias reais.<\/p>\n<p>Jesus anuncia que \u00e9 Rei de Israel e apresenta-se como o Senhor, Aquele que \u00e9 a verdade, Aquele que assume toda a humanidade, com as suas debilidades e todas as suas alegrias. E, no entanto, fez-se em tudo igual a n\u00f3s menos no pecado, pois \u00e9 o Santo de Deus, cujo amor \u00e9 divino e, por isso, resgata todo o homem do pecado que o escraviza e o impede de partilhar da sua vida.<\/p>\n<p>No nosso pensamento comparecem hoje todos os homens e mulheres de todas as gera\u00e7\u00f5es, mas sobretudo do nosso tempo, que s\u00e3o reduzidos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o assumida por Jesus. O mundo est\u00e1 cheio de pessoas maltratadas, injuriadas, desprezadas, o mundo est\u00e1 cheio de homens de dores, experimentados no sofrimento, de quem se desvia o rosto e considerados sem valor. Custa olhar para eles de frente, pois como o Servo do Senhor narrado por Isa\u00edas, est\u00e3o desfigurados e parecem ter perdido toda a apar\u00eancia de um ser humano.<\/p>\n<p>A guerra, a destrui\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia exercidas sobre tantos homens e mulheres, pretendem roubar-lhes a alegria de viver, ofuscam a dignidade que, no entanto, ningu\u00e9m lhes pode retirar. Temos diante o panorama da guerra que devasta a Ucr\u00e2nia e reduz a escombros aldeias, campo e cidades, mas reduz sobretudo a servos sofredores todos os que morrem, fogem, passam frio e fome, n\u00e3o s\u00e3o respeitados como pessoas iguais em dignidade e humanidade.<\/p>\n<p>Todos t\u00eam lugar no cora\u00e7\u00e3o de Cristo, o Servo de Deus, que se entrega livremente \u00e0 morte por eles. Todos h\u00e3o de ter lugar no nosso cora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na nossa solidariedade, na nossa caridade e nas a\u00e7\u00f5es desenvolvidas por pessoas e institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se resignam \u00e0 escalada dos horrores a que assistimos.<\/p>\n<p>Esta Sexta-Feira Santa \u00e9 mais dolorosa e triste, porque continuam diante dos nossos olhos e dos olhos do mundo cenas que reproduzem o panorama narrado por Isa\u00edas e contado pelo evangelho da paix\u00e3o.<\/p>\n<p>Na palavra homem usada por Pilatos para escarnecer de Jesus, est\u00e3o inclu\u00eddos todos os homens maltratados e ofendidos, verdadeiramente escarnecidos pelas a\u00e7\u00f5es da maldade humana.<\/p>\n<p>O Evangelho segundo S. Jo\u00e3o que escutamos nesta celebra\u00e7\u00e3o, introduz uma refer\u00eancia \u00e0 Virgem Maria, que est\u00e1 de p\u00e9, junto \u00e0 cruz de seu Filho, com o disc\u00edpulo predileto. Este cen\u00e1rio anuncia a certeza da presen\u00e7a constante da Virgem Maria na vida de seu Filho e a certeza da sua dor diante das cruzes e sofrimentos de todos os que lhe foram dados como filhos.<\/p>\n<p>Maria, M\u00e3e e figura da Igreja, fica connosco para nos ajudar a compreender e sentir as dores de Jesus, que ela mesma partilhou junto \u00e0 cruz do seu Filho e nosso salvador. Maria permanece igualmente connosco como M\u00e3e de toda a ternura para nos consolar nas nossas tribula\u00e7\u00f5es e nos assegurar que nada nem ningu\u00e9m nos pode roubar a nossa condi\u00e7\u00e3o de homens e de filhos.<\/p>\n<p>Enquanto contemplamos Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem suspenso na cruz, pedimos \u00e0 Virgem Maria que seja a M\u00e3e que nos acolhe como filhos e que proteja especialmente aqueles que, nesta hora, s\u00e3o maltratados e desprezados na sua dignidade humana.<\/p>\n<p>Hoje, comprometemo-nos a tudo fazer para que o \u201ceis o homem\u201d do sarcasmo e do esc\u00e1rnio d\u00ea lugar ao \u201ceis o homem\u201d do amor e da fraternidade.<\/p>\n<p>Coimbra, 15 de abril de 2022<br \/>\n<em>D. Virg\u00edlio do Nascimento Antunes, <\/em><em>Bispo de Coimbra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":237146,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[174],"class_list":["post-237145","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-coimbra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237145"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237145\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/237146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}