{"id":237052,"date":"2022-04-15T16:09:01","date_gmt":"2022-04-15T15:09:01","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=237052"},"modified":"2022-04-15T16:09:01","modified_gmt":"2022-04-15T15:09:01","slug":"braga-homilia-da-sexta-feira-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/braga-homilia-da-sexta-feira-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Braga: Homilia da Sexta-Feira da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>A cruz abaixa o C\u00e9u e eleva a Terra<\/p>\n<ol>\n<li>Da Cruz \u00e0 Gl\u00f3ria<\/li>\n<\/ol>\n<p>Hoje contemplamos \u00abCristo, nossa P\u00e1scoa, que foi imolado\u00bb (1Cor 5,7) e adoramos a cruz. N\u00e3o participamos em nenhum funeral nem dramatizamos a dor e o sofrimento. No sil\u00eancio do mist\u00e9rio da cruz, celebramos a gl\u00f3ria do amor, como rezamos neste dia: \u00abAdoramos, Senhor, a vossa Cruz, louvamos e glorificamos a vossa ressurrei\u00e7\u00e3o: pela \u00e1rvore da Cruz veio a alegria ao mundo inteiro\u00bb.<\/p>\n<p>Em que sentido podemos afirmar que a morte de Cristo na cruz \u00e9 um sacrif\u00edcio? S\u00f3 porque se identifica o \u201csacrif\u00edcio\u201d com a morte da v\u00edtima? S\u00f3 porque Jesus morreu como resultado de acusa\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico e religioso do seu tempo ou porque se proclamava filho de Deus?<\/p>\n<p>Na realidade, no calv\u00e1rio n\u00e3o se v\u00ea nenhum rito sacrificial, nem um sacerdote, nem um altar\u2026<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Oferecimento total<\/li>\n<\/ol>\n<p>Para entender a morte de Jesus como sacrif\u00edcio \u00e9 preciso compreender toda a sua vida como uma oferta cont\u00ednua ao Pai.<\/p>\n<p>Com efeito, ao entrar no mundo disse: \u00abEis que venho &#8211; como est\u00e1 escrito no livro a meu respeito &#8211; para fazer, \u00f3 Deus, a tua vontade\u00bb (Hb 10, 7); no templo de Jerusal\u00e9m, quando tinha 12 anos, respondeu a Maria e a Jos\u00e9: \u00abPorque me procur\u00e1veis? N\u00e3o sab\u00edeis que devia estar em casa de meu Pai\u00bb (Lc 2,49); no encontro com a samaritana, disse aos disc\u00edpulos: \u00abO meu alimento \u00e9 fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra\u00bb (Jo 4, 34); no discurso sobre o p\u00e3o da vida, afirmou: \u00abdesci do C\u00e9u n\u00e3o para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou\u00bb (Jo 6, 38); numa discuss\u00e3o com os judeus proclamou: \u00abquando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, ent\u00e3o ficareis a saber que Eu sou o que sou e que nada fa\u00e7o por mim mesmo, mas falo destas coisas tal como o Pai me ensinou\u00bb (Jo 8, 28) e no jardim das oliveiras rezou: \u00abMeu Pai, se este c\u00e1lice n\u00e3o pode passar sem que Eu o beba, fa\u00e7a-se a tua vontade!\u00bb (Mt 26, 42).<\/p>\n<p>A cruz \u00e9 o momento culminante de uma exist\u00eancia de total doa\u00e7\u00e3o de amor. Por isso, a f\u00e9 crist\u00e3 reconhece a morte de Cristo como sacrif\u00edcio; ou melhor, como o \u00fanico sacrif\u00edcio, realizado de uma vez por todas, para a remiss\u00e3o dos pecados de todas as pessoas.<\/p>\n<p>A cruz de quatro bra\u00e7os abre-se em oito pontos, a indicar o oitavo dia e as oito dire\u00e7\u00f5es da b\u00fassola.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o ponto cruz que cuidamos durante o tempo da Quaresma e que tem de prosseguir na vida de todos os dias.<\/p>\n<p>No sil\u00eancio da cruz inaugura-se o mist\u00e9rio pascal. A exalta\u00e7\u00e3o da cruz \u00e9 a proclama\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria de Deus sobre o mal e sobre a morte, como se evidencia na longa proclama\u00e7\u00e3o do profeta Isa\u00edas sobre os sofrimentos do Servo do Senhor, que depois de tantos sofrimentos e dores \u00abver\u00e1 a luz\u00bb (Is 53, 11).<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m est\u00e1 s\u00f3. Cada pessoa est\u00e1 unida ao amor de Cristo, que deu a vida por n\u00f3s. \u00c9 o amor que salva, n\u00e3o \u00e9 o sofrimento! Somos ainda hoje incomodados pelo grito de Jesus na cruz.<\/p>\n<p>De facto, \u00e9 Cristo que continua a gritar nos doentes e nos idosos; nos que vivem s\u00f3s e nos esquecidos da sociedade; nos jovens sem rasgos de futuro e nos desempregados; nos migrantes e nos refugiados; nos pobres e nas v\u00edtimas de viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica; e nos desanimados da vida, mesmo aqui no territ\u00f3rio da nossa Arquidiocese.<\/p>\n<p>Nestes tempos, \u00abo mundo do trabalho e a vida dos trabalhadores t\u00eam sido marcados pelo ressurgimento do precariado\u00bb (LOC\/MTC). H\u00e1 muitos homens e mulheres a trabalhar sem um v\u00ednculo laboral permanente ou est\u00e1vel, com empregos incertos e inseguros, baixos sal\u00e1rios e hor\u00e1rios longos.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>M\u00e3e da Esperan\u00e7a<\/li>\n<\/ol>\n<p>Maria participou de p\u00e9 neste momento crucial da nossa hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Nos Evangelhos s\u00e3o seis as vezes em que Maria fala, sempre em poucas palavras, excetuando o c\u00e2ntico do Magnificat. Alguns autores dizem at\u00e9 que falou por setes vezes, sendo a s\u00e9tima palavra, junto \u00e0 cruz, a mais eloquente, porque brotou do sil\u00eancio.<\/p>\n<p>O sil\u00eancio de Maria que estava de p\u00e9 junto \u00e0 cruz \u00e9 a \u201cpalavra\u201d s\u00edntese de toda a sua vida cheia de amor e esperan\u00e7a. Ela \u00e9 m\u00e3e e crente.<\/p>\n<p>Esta Semana Santa encontrei na capela da casa de sa\u00fade de S\u00e3o Jos\u00e9, em Areias de Vilar, esta frase de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus: \u00abN\u00e3o acho melhor rem\u00e9dio nem consola\u00e7\u00e3o, para quando me encontro aflito, do que olhar e contemplar a Jesus Cristo crucificado\u00bb. Aqui pude tocar o mist\u00e9rio da cruz feito hospitalidade.<\/p>\n<p>Que grandeza h\u00e1 no sil\u00eancio e que for\u00e7a se pode extrair dele!&#8230; N\u00e3o do sil\u00eancio nefasto da falta mas do sil\u00eancio da virtude, que \u00e9 perfeito quando dele n\u00e3o se tem consci\u00eancia.<\/p>\n<p>A alegria crist\u00e3 \u00e9 a simplicidade de uma f\u00e9, a seriedade de uma esperan\u00e7a e a vitalidade do amor.<\/p>\n<p>D. Jos\u00e9 Cordeiro, Arcebispo Primaz de Braga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":4,"featured_media":229050,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172],"class_list":["post-237052","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237052","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237052"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237052\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/229050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}