{"id":236925,"date":"2022-04-15T00:02:40","date_gmt":"2022-04-14T23:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=236925"},"modified":"2022-04-15T00:02:40","modified_gmt":"2022-04-14T23:02:40","slug":"homilia-de-d-manuel-clemente-na-missa-vespertina-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-manuel-clemente-na-missa-vespertina-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Manuel Clemente na Missa Vespertina da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>At\u00e9 ao fim<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_236920\" aria-describedby=\"caption-attachment-236920\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ceia_2022_5841.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-236920\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ceia_2022_5841-390x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ceia_2022_5841-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ceia_2022_5841-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ceia_2022_5841-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ceia_2022_5841-391x260.jpeg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ceia_2022_5841-1080x720.jpeg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ceia_2022_5841-1280x853.jpeg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ceia_2022_5841-980x653.jpeg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ceia_2022_5841-480x320.jpeg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ceia_2022_5841.jpeg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-236920\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Car\u00edssimos<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se ainda procur\u00e1ssemos o verdadeiro porqu\u00ea desta celebra\u00e7\u00e3o, creio que n\u00e3o encontrar\u00edamos resposta mais cabal do que a ouvida no come\u00e7o do Evangelho de h\u00e1 pouco: \u00abAntes da festa da P\u00e1scoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os at\u00e9 ao fim\u00bb.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Reparemos que n\u00e3o se trata apenas de amar, mas de amar at\u00e9 ao fim. Dito de outro modo, amar verdadeiramente requer entrega total ao bem dos outros, fazendo da vida uma plena oferta. A vida de Jesus mostra-nos o que tal significa, a sua cruz realizou-o inteiramente e a Eucaristia oferece-o a cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o Paulo assimilou t\u00e3o plenamente esta verdade que a repetiu uma e outra vez nos seus escritos. Como neste trecho, n\u00e3o hesitando em referir-nos \u00e0 pr\u00f3pria realidade divina, assim mesmo demonstrada: \u00abSede, pois, imitadores de Deus, como filhos bem-amados, e procedei com amor, como tamb\u00e9m Cristo nos amou e se entregou a Deus por n\u00f3s como oferta e sacrif\u00edcio de agrad\u00e1vel odor\u00bb (<em>Ef<\/em> 5, 1-2). Sim, como dir\u00e1 o Pref\u00e1cio desta Missa, \u00abCristo, nosso Senhor, verdadeiro e eterno sacerdote, oferecendo-se como v\u00edtima de salva\u00e7\u00e3o, instituiu o sacrif\u00edcio da nova alian\u00e7a e mandou que o celebr\u00e1ssemos em seu nome\u00bb.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Jesus passou deste mundo para o Pai, na circunst\u00e2ncia precisa que o Sagrado Tr\u00edduo relembra e medita, da trai\u00e7\u00e3o do disc\u00edpulo \u00e0 morte na cruz. Mas de tudo isso, que podia ser apenas uma grande derrota e um trist\u00edssimo desfecho, Jesus fez oferta de si mesmo por n\u00f3s e por todos, inteiramente entregue \u00e0s m\u00e3os de Deus Pai. M\u00e3os que no-lo devolveram como alimento de vida eterna, essa mesma que preenche e salva a quem verdadeiramente a receba.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">A simpatia humana \u00e9 algo de natural e espont\u00e2neo, na nossa humanidade comum. Manifesta-se nas vidas que geram vidas, nos cuidados que se prestam e na aten\u00e7\u00e3o ao bem do pr\u00f3ximo. Mas tamb\u00e9m sentimos que n\u00e3o chega, quando falta quem estava, o horizonte se ensombra, ou o mal parece vencer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Significa isto que os melhores sentimentos e viv\u00eancias n\u00e3o conseguem atingir quanto prometem e o nosso desejo mais profundo acaba por ficar sem cumprimento, n\u00e3o atingindo o fim que pretendia. As circunst\u00e2ncias atuais, que afligem tanta gente por esse mundo al\u00e9m e aqu\u00e9m, d\u00e3o lugar a grandes dece\u00e7\u00f5es. Na verdade, com tanto bem que se pratica, tanto contributo da ci\u00eancia e do engenho humano, tanto sonho e ideal que nos movem, porque havemos de ficar a meio caminho de n\u00f3s pr\u00f3prios, ou mesmo entre os escombros dos melhores prop\u00f3sitos?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Que nos resta ent\u00e3o, a n\u00f3s mortais? Os disc\u00edpulos de Jesus celebram hoje um amor que nos amou at\u00e9 ao fim e que desse modo preencheu de vida divina o que a fraqueza humana extinguiria. E n\u00e3o por fora desta mesma fraqueza, antes sofrendo-a at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz. Em tudo foi igual a n\u00f3s, no que sofreu, mas sempre com Deus Pai e assim vencendo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Porque nos amou at\u00e9 ao fim do percurso terreno que lhe truncaram de modo t\u00e3o injusto e t\u00e3o cruel, nada ficou por acompanhar em cada um, no infindo caminho em si aberto. Por isso celebramos e comungamos a vida que nos deu, na Sant\u00edssima Ceia do seu corpo oferecido e do seu sangue derramado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, car\u00edssimos, se estamos hoje aqui, celebrando a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, \u00e9 unicamente porque Jesus nos amou at\u00e9 ao fim. Se o n\u00e3o tivesse atingido, tamb\u00e9m n\u00e3o nos alcan\u00e7aria a n\u00f3s, humanidade de qualquer tempo e lugar, sempre t\u00e3o longe do que s\u00f3 com Ele poder\u00e1 ser. Sabia-o S\u00e3o Paulo, ao resumir a sua vida deste modo: \u00abcorro para ver se o alcan\u00e7o, j\u00e1 que fui alcan\u00e7ado por Cristo Jesus\u00bb (<em>Fl<\/em> 3, 12). Esta frase pode bem traduzir o dinamismo eucar\u00edstico duma exist\u00eancia crist\u00e3 propriamente dita, da gratid\u00e3o \u00e0 entrega de si mesmo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">Duas consequ\u00eancias maiores daqui se tiram. A primeira \u00e9 que celebrar verdadeiramente a Eucaristia \u00e9 acertar a vida no ponto eucar\u00edstico a que Cristo chegou e donde nos chama agora e a cada um. \u00c9 entrar na l\u00f3gica divina que assim se revelou. Em Jesus Cristo, seu Verbo encarnado, Deus diz-se e comprova-se como vida totalmente oferecida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Foi este o fim da revela\u00e7\u00e3o divina, para a tomarmos n\u00f3s como finalidade da nossa vida em Deus. Na sua cruz Cristo entregou-se \u00e0s m\u00e3os do Pai, na Eucaristia devolvemo-nos com Ele a Quem nos espera a n\u00f3s tamb\u00e9m. N\u00e3o celebramos muitas Missas, celebramos cada vez melhor a \u00fanica de Cristo, sacramentalmente reiterada, para que o mesmo prop\u00f3sito se realize at\u00e9 ao fim.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A outra consequ\u00eancia necess\u00e1ria \u00e9 a que Pedro aprendeu no lava-p\u00e9s, como h\u00e1 pouco ouvimos, dando-lhe o sentido que aprenderia depois: \u00abSenhor, ent\u00e3o n\u00e3o somente os p\u00e9s, mas tamb\u00e9m as m\u00e3os e a cabe\u00e7a\u00bb. N\u00e3o se tratava de limpeza exterior e f\u00e1cil de conseguir. Trata-se da renova\u00e7\u00e3o inteira que s\u00f3 em Cristo se alcan\u00e7a. Em Cristo e precisamente no seu amor comprovado \u201cat\u00e9 ao fim\u201d, refazendo-nos com a sua vida entregue, convertendo toda a boa vontade humana na absoluta caridade divina.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nenhum de n\u00f3s se abeire da Eucaristia para continuar como est\u00e1 ou se garantir como deseja de si e s\u00f3 para si. Tudo isso seria muito pouco e mesmo ingratid\u00e3o. A Eucaristia \u00e9 a entrega total de Cristo pela totalidade que havemos de atingir com Ele, para gl\u00f3ria de Deus e bem dos outros. Tudo nela \u00e9 sacramento e sinal da ressurrei\u00e7\u00e3o que s\u00f3 desse modo nos chega, pois com Cristo nos oferecemos a Deus e com Cristo nos devolvemos a todos, ampliando a Missa em miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Eucaristia \u00e9 a mem\u00f3ria viva e vivificante da oferta que Jesus nos fez de si mesmo e nunca pode ser menos do que isso, para ser aut\u00eantica e salutar. Lembrou-o tamb\u00e9m S\u00e3o Paulo: \u00abNa verdade, todas as vezes que comerdes deste p\u00e3o e beberdes deste c\u00e1lice, anunciareis a morte do Senhor, at\u00e9 que Ele venha\u00bb.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vivemos duma vida entregue, comunguemo-la inteiramente gratos e manifestemo-la em correspond\u00eancia total. N\u00e3o fiquemos a meio do caminho que Ele quer percorrer, connosco e em n\u00f3s, at\u00e9 ao fim!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e9 de Lisboa, 14 de abril de 2022<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 ao fim<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":236920,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-236925","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=236925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236925\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/236920"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=236925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=236925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=236925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}