{"id":23690,"date":"2007-03-26T19:16:49","date_gmt":"2007-03-26T19:16:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/26\/futuro-do-papel-da-mulher-no-seio-da-igreja-debatido-por-especialistas-em-coimbra\/"},"modified":"2007-03-26T19:16:49","modified_gmt":"2007-03-26T19:16:49","slug":"futuro-do-papel-da-mulher-no-seio-da-igreja-debatido-por-especialistas-em-coimbra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/futuro-do-papel-da-mulher-no-seio-da-igreja-debatido-por-especialistas-em-coimbra\/","title":{"rendered":"Futuro do papel da mulher no seio da Igreja debatido por especialistas em Coimbra"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEm que linha devemos avan\u00e7ar para que a mulher seja mais valorizada dentro da Igreja?\u201d \u2013 Foi uma das interpela\u00e7\u00f5es deixadas por D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, aos participantes, no encerramento das Jornadas de Teologia do Instituto Superior de Estudos Teol\u00f3gicos de Coimbra (ISET). Subordinadas ao tema \u201cA mulher e a Igreja, perspectivas para o s\u00e9culo XXI\u201d, as jornadas do ISET decorreram nos dias 23 e 24 de Mar\u00e7o, no audit\u00f3rio da delega\u00e7\u00e3o do Instituto Portugu\u00eas da Juventude de Coimbra. D. Albino reconheceu que o tema debatido ao longo de dois dias \u201cagita opini\u00f5es e provoca cr\u00edticas\u201d. Para o Bispo de Coimbra \u201cj\u00e1 estar\u00edamos a dar passos mais significativos relativamente ao papel da mulher no seio da Igreja se o ecumenismo estivesse mais avan\u00e7ado\u201d. O desafio lan\u00e7ado \u00e0 mulher, hoje, n\u00e3o significa atribuir mais poder, mas sim, atribuir-lhe mais valor, reconheceu o prelado da diocese.  D. Albino pretende que as mulheres sejam \u201co rosto de Deus\u201d no s\u00e9culo XXI, um rosto de ternura, de mudan\u00e7a e de esperan\u00e7a. No dia em que o Bispo de Coimbra comemorava seis anos \u00e0 frente dos des\u00edgnios desta sua diocese, afirmou que entender a Igreja no feminino, requer em primeiro lugar uma mudan\u00e7a de  mentalidades e uma nova linguagem adequada aos nossos tempos.  O director do ISET, Padre Doutor Ant\u00f3nio Jesus Ramos, considerou, por sua vez, que j\u00e1 se nota uma diferen\u00e7a de mentalidades\u201d mas referiu que \u201cestas coisas n\u00e3o se fazem de um momento para o outro, nem por decreto\u201d. Para o respons\u00e1vel destas jornadas, esta iniciativa deu um \u201ccontributo importante para que o assunto seja visto de um modo diferente\u201d para \u201cque sejam dados passos seguros\u201d, mas, \u201csem pressas\u201d.  <b>\u201cChegou a hora da mulher\u201d<\/b> D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa e porta-voz da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesas (CEP), um dos conferencistas destas jornadas, corrobora da mesma opini\u00e3o de D. Albino Cleto. A sua reflex\u00e3o sobre \u201cMulher na Igreja: Tempos novos para mentalidades novas\u201d, \u201crequer abertura de horizontes aos sinais dos tempos\u201d.  Para este especialista em Hist\u00f3ria da Igreja \u201cos contributos originais do masculino e do feminino, nas suas diferen\u00e7as, ajudam a ampliar a miss\u00e3o evangelizadora da Igreja, sem a reduzir aos sacramentos\u201d.  Segundo D. Carlos Azevedo, \u201cum certo ensino da Igreja ainda reduz a mulher \u00e0 esposa amante e m\u00e3e sacrificada\u201d. \u201cUma parcial teologia do servi\u00e7o contribui para manter muitas mulheres crist\u00e3s em estado de inferioridade, com aus\u00eancia de reconhecimento das suas capacidades\u201d, lamentou.  Nesse sentido, o Bispo Auxiliar de Lisboa considera que \u201ca reflex\u00e3o teol\u00f3gica feita no feminino favorecer\u00e1 vis\u00f5es, possibilidades e estrat\u00e9gias alternativas, de que a Igreja anda t\u00e3o necessitada\u201d.  \u201cN\u00e3o basta apreciar o g\u00e9nio da mulher na vida social e eclesial. Essa hora j\u00e1 chegou. \u00c9 pouco aprofundar o sentido da dignidade da mulher e do homem criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus (\u2026). A mulher participa activamente na Igreja n\u00e3o s\u00f3 no sil\u00eancio e de modo invis\u00edvel, mas com papel relevante como construtoras de teologia\u201d, disse.  D. Carlos Azevedo considera que \u201ca mulher tem a capacidade inata privilegiada para fazer que a Igreja seja visivelmente o espa\u00e7o de vida, quente, receptivo, de portas acolhedoras\u201d. Falando de um \u201cprofetismo feminino da m\u00e3e Igreja\u201d, o prelado apontou para a necessidade de se passar \u201ca uma civiliza\u00e7\u00e3o da ternura\u201d.  \u201cCome\u00e7a a ser hora para olharmos nos olhos de cada fiel homem e mulher para nos descobrirmos e criarmos comunh\u00e3o sem dom\u00ednio. Olharmo-nos em sil\u00eancio, com transpar\u00eancia e esperan\u00e7a, conscientes das igualdades e das diferen\u00e7as, para, na riqueza de homens e mulheres, servirmos a cultura da vida, o di\u00e1logo inter-religioso, o servi\u00e7o da caridade contra a pobreza, a defesa da ecologia\u201d, apontou.  Quanto \u00e0s cr\u00edticas muitas vezes dirigidas contra a Igreja, por causa da subalterniza\u00e7\u00e3o das mulheres, D. Carlos Azevedo indicou que \u201ca Igreja, sendo Mist\u00e9rio, criada por des\u00edgnio divino no mist\u00e9rio trinit\u00e1rio, n\u00e3o reduz a sua miss\u00e3o a crit\u00e9rios e decis\u00e3o pol\u00edtica como um sistema democr\u00e1tico. Se se perde a sua m\u00edstica, perde-se o mist\u00e9rio e o sentido\u201d.  Por isso, observou, \u201cquando a Igreja desatende a sua miss\u00e3o feminina, o que \u00e9 grave n\u00e3o \u00e9 o estar em desacordo com a moda dos tempos, mas antes o ser infiel \u00e0 sua verdade interior\u201d.  <b>A vida consagrada \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o (ainda) com futuro<\/b> A Irm\u00e3 Laurinda Faria, Hospitaleira do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus abordou o tema: a mulher consagrada no s\u00e9culo XXI. Partilhou a sua experi\u00eancia de consagrada, como um carisma especial de servi\u00e7o e hospitalidade, especialmente em prol das pessoas com sofrimento ps\u00edquico. Para a Irm\u00e3 Laurinda Faria, o tema da \u201cmulher e da mulher consagrada na Igreja \u00e9 uma quest\u00e3o em aberto que exige de n\u00f3s aten\u00e7\u00e3o, cuidado e compromisso no caminho que falta percorrer\u201d. Para esta irm\u00e3 hospitaleira, a voca\u00e7\u00e3o consagrada n\u00e3o est\u00e1 em risco como muitos apregoam. Segundo esta conferencista, \u201cse a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o com futuro, assim tamb\u00e9m ser\u00e1 com a vida consagrada\u201d, disse. \u201cO governo de um pa\u00eds pode liberalizar a pr\u00e1tica do aborto, mas nunca ser\u00e1 capaz de destruir a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade\u201d, ironizou. Para a Irm\u00e3 Laurinda, \u201ca mulher consagrada ter\u00e1 certamente dificuldades na viv\u00eancia da sua consagra\u00e7\u00e3o, mas ser\u00e1 sempre um sinal de que um mundo novo e diferente \u00e9 poss\u00edvel, ser\u00e1 uma testemunha do divino ao alcance da m\u00e3o, ser\u00e1 uma prova do amor de Deus pelas suas criaturas\u201d, defendeu. E, para justifica essa sua posi\u00e7\u00e3o, a Irm\u00e3 Laurinda Faria apresentou n\u00fameros que contrariariam o \u201ccertificado de \u00f3bito\u201d que se amea\u00e7a eminente nalgumas Congrega\u00e7\u00f5es. Actualmente as mulheres consagradas s\u00e3o mais de um milh\u00e3o no mundo, n\u00famero tr\u00eas vezes maior que o dos homens. Em Portugal, a vida consagrada ganha visibilidade atrav\u00e9s de 99 institutos religiosos femininos, com cerca de cinco mil membros (os masculinos s\u00e3o 38, com cerca de 1400 consagrados). Destes 99 institutos femininos, 62 t\u00eam menos de 25 membros; 15 est\u00e3o entre 25 e 50; tr\u00eas institutos entre 50 e 100; Doze entre 100 e 200 membros; 7 congrega\u00e7\u00f5es t\u00eam mais de 200 membros. Existem ainda 16 institutos seculares femininos, com cerca de 650 filiados. Reconhece que muitas congrega\u00e7\u00f5es passam por momentos dif\u00edceis, como a falta de voca\u00e7\u00f5es que se faz sentir na Igreja, mas t\u00eam que se adaptarem aos tempos novos. A Irm\u00e3 Laurinda Faria tamb\u00e9m defendeu que a \u201cmulher est\u00e1 mais bem preparada para o minist\u00e9rio da ternura, do acolhimento, da hospitalidade, da liturgia da caridade\u201d que no seu entender, s\u00e3o verdadeiros actos o sacerd\u00f3cio de Cristo.   <b>\u201cDa vis\u00e3o medieval aos novos tempos\u201d<\/b> A Doutora Filomena Andrade, do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa (UCP), foi a segunda conferencista das Jornadas de Teologia de 2007 e, numa exposi\u00e7\u00e3o que se debru\u00e7ou sobre a \u201cmulher na Hist\u00f3ria da Igreja\u201d, assinalou os momentos mais marcantes da evolu\u00e7\u00e3o do papel feminino na sociedade e na Igreja, reflectindo n\u00e3o apenas no que esta institui\u00e7\u00e3o pensa da mulher, mas tamb\u00e9m no que esta \u00faltima realiza nela, \u201cenquanto membro de \u2018pleno direito\u2019, construtora, ao lado do homem do reino anunciado por Cristo\u201d. Dando a conhecer as mudan\u00e7as na vis\u00e3o do lugar feminino no mundo e na sociedade e a forma como foram sendo acompanhadas essas transforma\u00e7\u00f5es, na pr\u00e1tica, pelo clero e pela hierarquia eclesi\u00e1stica, a especialista referiu, por exemplo, os grupos particulares de mulheres da \u00e9poca medieval e da \u00e9poca moderna, como as vi\u00favas ou as comunidades religiosas, que foram afirmando, mesmo que de forma lenta, \u201cum papel espiritual e caritativo importante\u201d, ainda que marcado por uma cultura de exclus\u00e3o e de excep\u00e7\u00e3o, que associava a mulher \u00e0 fraqueza, ao pecado, \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o intelectual e \u00e0 incapacidade de participar, por isso, na vida p\u00fablica. Nas palavras da Dra. Filomena Andrade, \u201cexclu\u00eddas da cena pol\u00edtica oficial, as mulheres cat\u00f3licas encontram na benefic\u00eancia o seu terreno de actua\u00e7\u00e3o\u201d. A evolu\u00e7\u00e3o mental, a mudan\u00e7a do papel da fam\u00edlia e da import\u00e2ncia que lhe era conferida, os ganhos constantes da mulher no que respeita \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da sua intelectualidade e racionalidade v\u00e3o criando condi\u00e7\u00f5es para que ela v\u00e1 ganhando espa\u00e7os novos e mais activos \u201cna viv\u00eancia social e transmiss\u00e3o da f\u00e9 \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es\u201d. Como conclus\u00e3o, a conferencista enunciou dois ensinamentos deixados pela hist\u00f3ria: os processos de evolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o, muitas vezes, concebidos \u201cn\u00e3o por quem tem um poder formal, mas por quem gere o poder informal\u201d; a Igreja vive \u201cem \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com a sociedade, no seu todo, por vezes anunciando as suas rupturas, outras colmatando-as e ajudando a ultrapass\u00e1-las, mas sempre em \u00edntima conex\u00e3o com ela\u201d.  <b>\u201cA mulher nova na Sagrada Escritura\u201d<\/b> Sempre perspectivando o s\u00e9culo XXI, o Dr. Jos\u00e9 Carlos Carvalho, da Universidade Cat\u00f3lica do Porto, oscilando, como explicado pelo pr\u00f3prio, \u201centre um ponto de vista mais de teologia e outro mais na perspectiva hist\u00f3rico-cultural\u201d, apresentou, na confer\u00eancia proferida nas Jornadas de Teologia, uma vis\u00e3o do feminino b\u00edblico de Deus. Pensando a \u201cmulher nova\u201d na Sagrada Escritura, o especialista foi mostrando como, na pr\u00f3pria revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica e ao longo da tradi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, se foi \u201cplasmando a imagem do feminino\u201d e como Deus foi revelando o Seu ser nas mulheres do Seu povo, constitu\u00eddas quer como \u201cmedia\u00e7\u00f5es da revela\u00e7\u00e3o quer como te\u00f3logas que pensam o Deus\u201d, que \u00e9 ao mesmo tempo paternidade e maternidade: Deus que \u00e9 Pai tamb\u00e9m faz permanentemente \u201cressurgir a vida\u201d, apresentando reac\u00e7\u00f5es maternas face ao povo pecador que o abandona de tempos a tempos. Revelado tamb\u00e9m por mulheres e a mulheres, Deus reconstr\u00f3i uma rela\u00e7\u00e3o de alian\u00e7a e, na experi\u00eancia concreta destes rostos femininos da hist\u00f3ria de Israel, \u00e9 poss\u00edvel renovar a imagem divina e a teologia. Jesus Cristo, que estabelece um di\u00e1logo permanente com o mundo e com a cultura do seu tempo, retoma o princ\u00edpio fundador da cria\u00e7\u00e3o e filtra as sucessivas interpreta\u00e7\u00f5es e releituras da Palavra. De acordo com este princ\u00edpio fundador, o homem e mulher foram criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus. S. Paulo lembra depois aos crist\u00e3os que \u201cCristo \u00e9 tudo em todos\u201d. Em conclus\u00e3o, o Dr. Jos\u00e9 Carlos Carvalho, explicou que a radicalidade trazida por Jesus e depois refor\u00e7ada por Paulo s\u00e3o os dados da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica que devem ser assumidos. Segundo o conferencista, \u00e9 importante entender que, com a f\u00e9 crist\u00e3, foram coexistindo elementos culturais que foram denegrindo a condi\u00e7\u00e3o da mulher, n\u00e3o s\u00f3 na sociedade mas tamb\u00e9m \u201cno seio da pr\u00f3pria revela\u00e7\u00e3o\u201d.  <b>\u201cMulher, Fam\u00edlia e Sociedade\u201d: uma articula\u00e7\u00e3o ainda dif\u00edcil<\/b> A deputada na Assembleia da Rep\u00fablica, como independente do PS, Doutora Maria do Ros\u00e1rio Carneiro, falou, nas Jornadas de Teologia, da rela\u00e7\u00e3o entre \u201cMulher, Fam\u00edlia e Sociedade, no in\u00edcio de um novo mil\u00e9nio\u201d, afirmando que esta articula\u00e7\u00e3o constitui um dos grandes desafios para o s\u00e9culo XXI.  A emerg\u00eancia de uma cultura de defesa dos direitos humanos, a clarifica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 fundamental na dignidade da pessoa e a afirma\u00e7\u00e3o do valor da liberdade trouxeram \u00e0 mulher \u201cnovos espa\u00e7os que lhe eram devidos na esfera p\u00fablica\u201d. Esta igualdade entre g\u00e9neros, fundada nas diferen\u00e7as, \u00e9, na opini\u00e3o da tamb\u00e9m professora na Universidade Cat\u00f3lica, \u201cum pressuposto preconizado por Cristo que tardou 2000 anos a concretizar-se\u201d, mas que, uma vez conquistado e assumido, se torna irrevog\u00e1vel. Com a reposi\u00e7\u00e3o da mulher na esfera p\u00fablica, tamb\u00e9m ao homem se exige que aceite um novo lugar no mundo que \u00e9 dos dois. Na opini\u00e3o da deputada, a sociedade n\u00e3o tem ainda modelos que clarifiquem as novas formas de estar da mulher. A descida da taxa de natalidade, o aumento do n\u00famero de div\u00f3rcios e a quebra no n\u00famero de casamentos est\u00e3o relacionados com esta \u201cincapacidade social para absorver a no\u00e7\u00e3o de igualdade. As mulheres pedem para si uma vida profissional e um lugar no espa\u00e7o p\u00fablico, sem terem que arcar, sozinhas, com a responsabilidade acrescida de gerir a fam\u00edlia e o lar. A organiza\u00e7\u00e3o antiquada da sociedade e as pol\u00edticas estatais partem, muitas vezes, do pressuposto de que \u201c\u00e9 a mulher que deve organizar-se para conciliar a vida p\u00fablica e privada\u201d. Para Maria do Ros\u00e1rio Carneiro, a Igreja acompanha a sociedade e tem, por isso, as mesmas dificuldades que ela. Dado o seu car\u00e1cter \u201creflexivo e lento\u201d, a Igreja deve, sobretudo, ser prudente para que \u201ca mulher n\u00e3o fique sozinha\u201d.  <b>\u201cDeus \u00e9 uma palavra dif\u00edcil\u201d<\/b> Em forma de testemunho e de relato de experi\u00eancias pessoais, a jornalista Laurinda Alves falou, aos participantes nas Jornadas de Teologia, da Mulher e da Igreja, apresentando-as como um \u201cbin\u00f3mio (dif\u00edcil) na Comunica\u00e7\u00e3o Social\u201d. Afirmando que \u201cDeus \u00e9 uma palavra dif\u00edcil de usar nos jornais e na televis\u00e3o, porque n\u00e3o est\u00e1 na moda\u201d, explicou tamb\u00e9m que falar de religi\u00e3o \u00e9 complicado num mundo cheio de refer\u00eancias ditas jornal\u00edsticas que quase determinam ser errado falar de Deus. Dando a conhecer um percurso espiritual e profissional, a antiga directora da revista XIS, disse, no entanto, que a coer\u00eancia de vida, de gestos e de discursos, pode ser um meio para se aprender a assumir Deus, inclusive, enquanto jornalista. Criticando um mundo em que s\u00f3 as m\u00e1s not\u00edcias s\u00e3o not\u00edcia, afirmou estar convicta da import\u00e2ncia de ser diferente, de trabalhar \u201cem contra corrente\u201d, dando a conhecer lados humanos e mostrando a Igreja como, de facto, \u00e9. Laurinda Alves disse ainda acreditar que \u201ca Igreja cat\u00f3lica tem dificuldade na comunica\u00e7\u00e3o\u201d, sendo importante que pense \u201cno Deus de que quer falar e de que forma\u201d para chegar \u00e0s pessoas da melhor forma. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEm que linha devemos avan\u00e7ar para que a mulher seja mais valorizada dentro da Igreja?\u201d \u2013 Foi uma das interpela\u00e7\u00f5es deixadas por D. 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