{"id":236347,"date":"2022-04-13T11:10:42","date_gmt":"2022-04-13T10:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=236347"},"modified":"2022-04-13T11:11:26","modified_gmt":"2022-04-13T10:11:26","slug":"saber-aprender-a-viver-trinitariamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-viver-trinitariamente\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A viver trinitariamente"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O caminho sinodal orienta-se para uma <em>eclesiologia de comunh\u00e3o<\/em>. Foi esta a impress\u00e3o que tive ao recordar um livro que li h\u00e1 algum tempo de Dennis Doyle publicado h\u00e1 22 anos com este t\u00edtulo. Uma eclesiologia de comunh\u00e3o poderia ser interpretada como o sentido de ser da Igreja focado nos relacionamentos, sobretudo entre as pessoas da Trindade por inspirarem todos os outros tipos. Nesta vis\u00e3o centrada numa compreens\u00e3o profunda dos relacionamentos trinit\u00e1rios apercebemo-nos de como a Igreja pode ser um entrela\u00e7ar em rede de relacionamentos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_236348\" aria-describedby=\"caption-attachment-236348\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/TrindadeRublev.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-236348\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/TrindadeRublev.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/TrindadeRublev.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/TrindadeRublev-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/TrindadeRublev-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/TrindadeRublev-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/TrindadeRublev-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/TrindadeRublev-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/TrindadeRublev-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/TrindadeRublev-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-236348\" class=\"wp-caption-text\">Icon da Trindade de Andrei Rublev<\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo Doyle, em \u2014 <em>\u00abeclesiologia de comunh\u00e3o promove um jogo din\u00e2mico e saud\u00e1vel entre unidade e diversidade na Igreja\u00bb<\/em>. Este equil\u00edbrio entre unidade e diversidade no caminho sinodal tem procurado ir ao ponto de acolher neste jogo din\u00e2mico, a experi\u00eancia de vida e pensamento de todos, incluindo aqueles que est\u00e3o fora da Igreja. Eu sempre tive alguma dificuldade neste ponto, pois, como pode algu\u00e9m que est\u00e1 fora dar um contributo \u00fatil a quem est\u00e1 dentro? N\u00e3o correr\u00e1 o risco de criticar por n\u00e3o compreender o que se vive dentro da Igreja? Seguramente, mas n\u00e3o \u00e9 essa a diversidade levada ao extremo que se torna riqueza e potencia uma unidade \u00edmpar entre quem dialoga?<\/p>\n<p>Muitas das m\u00e1goas que existem entre as pessoas que fazem parte (ou n\u00e3o) da Igreja, ou mesmo entre os fi\u00e9is e o corpo eclesi\u00e1stico composto pelos sacerdotes e bispos, s\u00e3o essencialmente de natureza relacional. E compreende-se essa raz\u00e3o se pensarmos que uma Igreja que n\u00e3o viva \u00e0 imagem dos relacionamentos trinit\u00e1rios, n\u00e3o \u00e9 sequer Igreja, mas uma constru\u00e7\u00e3o humana. Quando assistimos a momentos de tens\u00e3o nos conselhos pastorais, ou entre membros de uma mesma comunidade de vida espiritual ou Movimento, onde os desacordos podem resultar em danos relacionais, \u00e9 a vis\u00e3o humana que prevaleceu sobre a divina. N\u00e3o h\u00e1 quem n\u00e3o queira o que Deus quer, mas quem poder\u00e1 alguma vez entender, realmente, o que Deus quer? No contexto de uma eclesiologia de comunh\u00e3o, s\u00f3 na viv\u00eancia intensa da comunh\u00e3o poderemos vislumbrar o que Deus possa querer de n\u00f3s. N\u00e3o existem pessoas particularmente iluminadas, mas uma experi\u00eancia comunit\u00e1ria de unidade na diversidade onde \u00e9 a presen\u00e7a de Jesus entre as pessoas (Mt 18, 20) que ilumina. Algo que me faz pensar como colocamos pouco o nosso pensar, sentir e agir na Trindade.<\/p>\n<p>O jesu\u00edta Karl Rahner no seu livro sobre a Trindade (\u201cThe Trinity\u201d, Ed. Herder &amp; Herder de 2005) chegou a dizer algo chocante, mas que passou despercebido por muitos \u2014 <em>\u00abos Crist\u00e3os s\u00e3o, na sua vida pr\u00e1tica, quase meros \u201cmonote\u00edstas\u201d. Temos de estar dispostos a admitir que, se a doutrina da Trindade tivesse de ser abdicada por ser falsa, a maior parte da literatura religiosa podia bem manter-se virtualmente inalterada.\u00bb<\/em> Da\u00ed que a viv\u00eancia dos relacionamentos trinit\u00e1rios seja fundamental para percorrer o caminho sinodal ao modo da Trindade, n\u00e3o ao nosso. Nesse sentido, quais seriam as caracter\u00edsticas de um estilo de vida trinit\u00e1ria? Recorro \u00e0 leitura do P. Enrique Camb\u00f3n e do livro que escreveu sobre \u201cA Trindade &#8211; Modelo Social\u201d (Cidade Nova, 2001) que explora cinco bin\u00f3mios.<\/p>\n<h3>Pessoa-rela\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<blockquote><p>\u00abEu e o Pai somos Um.\u00bb (Jo 10, 30)<\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo Camb\u00f3n, <em>\u00abna vida trinit\u00e1ria, cada Pessoa \u00e9 ela pr\u00f3pria fazendo a Outra ser.\u00bb<\/em> Recordo-me daqueles casais em que se tornou imposs\u00edvel pensar num deles, sem pensar em simult\u00e2neo no outro. Numa rela\u00e7\u00e3o, nem sempre as pessoas conseguem dar espa\u00e7o uns aos outros, como verbalizado pelo pedagogo Paulo Freire quando diz que \u2014 <em>\u00abningu\u00e9m \u201c\u00e9\u201d se impede que os outros sejam.\u00bb<\/em> Mas importa perceber que n\u00e3o podemos dar apenas espa\u00e7o, mas dar tudo o que nos for poss\u00edvel dar, como diria Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares \u2014 <em>\u00abquanto mais d\u00e1s, mais te realizas, mais \u00e9s tu; porque se tem o que se d\u00e1, o que se d\u00e1 faz-nos ser\u00bb.<\/em> Mas sermos um dom rec\u00edproco uns para com os outros leva-nos a uma unidade sem perder a distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Unidade-distin\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<blockquote><p>\u00abEu estou no Pai e o Pai est\u00e1 em mim.\u00bb (Jo 14, 11)<\/p><\/blockquote>\n<p>Camb\u00f3n adapta esta passagem a: <em>\u00abeu sou eu em ti e tu \u00e9s tu em mim.\u00bb<\/em> S\u00f3 se pode unir o que \u00e9 distinto, caso contr\u00e1rio, ser\u00edamos o mesmo. A diferen\u00e7a entre n\u00f3s na opini\u00e3o que temos das coisas, ou no modo de viver, pode ser uma riqueza quando a partilhamos e, reciprocamente, acolhemos o modo de pensar e viver do outro. N\u00e3o precisamos de pensar todos o mesmo, ou fazer as mesmas coisas, ou todas as coisas da mesma maneira, mas saber aprender a perder o que pensamos e fazemos para acolher a inspira\u00e7\u00e3o proveniente da diferen\u00e7a. Algo que nos leva a uma totalidade.<\/p>\n<h3>Totalmente-Totalmente<\/h3>\n<blockquote><p>\u00abQuem me v\u00ea, v\u00ea o Pai.\u00bb (Jo 14, 9)<\/p><\/blockquote>\n<p>A s\u00edntese de Camb\u00f3n sobre este bin\u00f3mio \u00e9 a de que <em>\u00aba plenitude\/unidade de Deus encontra-se totalmente na unidade dos Tr\u00eas e totalmente em cada Pessoa.\u00bb<\/em> Cada um de n\u00f3s \u00e9 uma totalidade. Existe o mito da alma g\u00e9mea, como se a coisa mais rom\u00e2ntica fosse o complemento que cada esposo \u00e9 para a sua esposa e vice-versa, mas nos relacionamentos trinit\u00e1rios descobrimos algo diferente e mais profundo: somos seres completos. N\u00e3o recebemos do outro o que nos falta, mas tudo o que o outro nos quer dar. Assim como n\u00e3o podemos dar o que temos a mais porque j\u00e1 damos tudo. Por isso, faz sentido sermos \u201ctotalmente na unidade\u201d. Isto leva-nos a uma vis\u00e3o maior sobre o efeito boomerang.<\/p>\n<h3>Altru\u00edsmo-reciprocidade<\/h3>\n<blockquote><p>\u00abTudo o que \u00e9 meu \u00e9 teu e o que \u00e9 teu \u00e9 meu.\u00bb (Jo 17, 10)<\/p><\/blockquote>\n<p>O efeito boomerang consiste em dar tudo, sem esperar nada, mas compreender que tudo o que \u00e9 dado por amor gera amor e, consequentemente, o amor volta, como num boomerang. Camb\u00f3n diz sobre este bin\u00f3mio que <em>\u00abas pessoas agem em sentido trinit\u00e1rio na medida em que viverem com as outras, para as outras, nas outras e gra\u00e7as \u00e0s outras.\u00bb<\/em> Mas a vida da Trindade inclui, tamb\u00e9m, o paradoxo.<\/p>\n<h3>Esvaziamento-plenitude<\/h3>\n<blockquote><p>\u00abQue sejam um, como N\u00f3s somos Um.\u00bb (Jo 17, 22)<\/p><\/blockquote>\n<p>Para uma pessoa se unir verdadeiramente a outra, n\u00e3o pode estar cheia de si mesma ou de tanta coisa que n\u00e3o reste espa\u00e7o para acolher o dom que o outro \u00e9 para n\u00f3s. Parece paradoxal que tenhamos de nos esvaziar de n\u00f3s mesmos para experimentar a plenitude. Por\u00e9m, \u00e9 poss\u00edvel encontrar na natureza um exemplo: um corpo negro. Na transmiss\u00e3o de calor por radia\u00e7\u00e3o, um corpo negro absorve toda a radia\u00e7\u00e3o que for poss\u00edvel absorver, e emite o m\u00e1ximo de radia\u00e7\u00e3o que \u00e9 poss\u00edvel emitir a uma determinada temperatura. Em linguagem do quotidiano, as superf\u00edcies d\u00e3o tudo, acolhendo tudo. N\u00e3o h\u00e1 filtros.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Por mais que reflitamos sobre como fazer dos nossos relacionamentos, relacionamentos trinit\u00e1rios, s\u00f3 a vida poder\u00e1 ajudar-nos a tra\u00e7ar este caminho sinodal. Como diria ainda Karl Rahner \u2014 <em>\u00abo crist\u00e3o do futuro ou ter\u00e1 que ser um m\u00edstico, isto \u00e9, uma pessoa que experimentou algo, ou n\u00e3o vai conseguir ser crist\u00e3o.\u00bb<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-236347","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236347","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=236347"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236347\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=236347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=236347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=236347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}