{"id":2356,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/agora-os-tempos-sao-outros\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"agora-os-tempos-sao-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/agora-os-tempos-sao-outros\/","title":{"rendered":"Agora os Tempos s\u00e3o Outros"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAgora os tempos s\u00e3o outros!&#8230;\u201d Esta frase, hoje em dia, \u00e9 proferida por pessoas de todas as idades e estratos sociais. Esta frase tem o poder de calar quase todas as bocas, que criticam determinados comportamentos. Os mais conservadores, deixam transparecer o seu desagrado pela actual forma de vida e tamb\u00e9m a sua saudade por tempos passados, bem diferentes dos de agora. Presentemente \u00e9-se mais feliz, ou pelo contr\u00e1rio? H\u00e1 valores que se v\u00e3o perdendo de dia para dia, porqu\u00ea? Os motivos s\u00e3o tantos, que \u00e9 dif\u00edcil enumer\u00e1-los. Comecemos pela fam\u00edlia: o amor, o respeito, a uni\u00e3o, a compreens\u00e3o, a harmonia, eram os \u201calicerces\u201d da maioria dos lares, onde viviam pais, filhos e muitas vezes av\u00f3s. As senhoras, as \u201cfadas\u201d desses lares, cuidavam da casa, das roupas, da alimenta\u00e7\u00e3o, criavam os filhos e faziam tudo com muito amor e sem se lastimarem. Os homens, os chefes de fam\u00edlia, sa\u00edam cedo para o trabalho, regressavam tarde e ningu\u00e9m come\u00e7ava a jantar sem que eles chegassem. Quando metiam a chave \u00e0 porta, os filhos corriam ao seu encontro, saltavam-lhes ao pesco\u00e7o e enchiam-nos de beijos. As mulheres recebiam-nos com sorrisos que lhes iluminavam os rostos. Esse acolhimento, era a primeira compensa\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s um longo dia de trabalho. Seguia-se o jantar. Pouco depois as crian\u00e7as deitavam-se e finalmente&#8230; o melhor: o ser\u00e3o. Muitas fam\u00edlias passavam-no junto da lareira. O av\u00f4 recostava-se na sua cadeira, a mais confort\u00e1vel da casa, e n\u00e3o tardava a dormitar, a av\u00f3 passajava as pe\u00fagas do marido, do genro e dos netos, a m\u00e3e fazia tric\u00f4 ou croch\u00e9, o chefe de fam\u00edlia, lia o seu jornal e, por vezes, deitado numa almofada, um gato ronronava, De quando em quando, entreolhavam-se com ternura. Gerava-se ent\u00e3o, um ambiente de bem-estar, de paz, de conforto, de \u201cfelicidade!\u201d todos se sentiam recuperados, daquele dia de trabalho, prontos para enfrentar o que se seguia, depois de uma noite bem dormida.   \u201cAgora os tempos s\u00e3o outros!&#8230;\u201d Tanto trabalham os homens como as mulheres. As crian\u00e7as saem das suas caminhas quentes, para serem entregues nos jardins de inf\u00e2ncia ou escolas. Ao fim da tarde, os pais ou as m\u00e3es, v\u00e3o busc\u00e1-los. Do casal, o primeiro a chegar a casa, come\u00e7a a fazer o jantar. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 \u201cfadas do lar\u201d a irem esperar os maridos com sorrisos a iluminarem-lhes os rostos. Tentam desdobrar-se o mais que podem, mas as \u201cvarinhas de cond\u00e3o\u201d, de t\u00e3o usadas, j\u00e1 n\u00e3o fazem os mesmos encantos! \u00c9 que nos lugares onde trabalham, tamb\u00e9m t\u00eam que ser \u201cfadas\u201d&#8230; Mal os maridos metem a chave \u00e0 porta, j\u00e1 nem digo chefes de fam\u00edlia, porque agora qualquer deles \u00e9 chefe&#8230; gritam da cozinha:- chegaste t\u00e3o tarde! Olha que tens que dar banho ao mi\u00fado, que eu estou \u00e0s voltas com o jantar!&#8230; ou ent\u00e3o:- Estou a fazer sopa, v\u00ea se vens ajudar-me a descascar as batatas! As crian\u00e7as \u201cgrudadas\u201d  \u00e0 televis\u00e3o ou a jogar nos computadores, n\u00e3o ligam \u00e0 chegada dos pais. Ser\u00f5es junto da lareira, tamb\u00e9m j\u00e1 s\u00e3o raros, assim como um av\u00f4 a dormitar e uma av\u00f3 a passajar pe\u00fagas&#8230; J\u00e1 nem se passaja pe\u00fagas; quando se rompem, deitam-se fora!&#8230; Voltando aos av\u00f3s, conservam-se no seu canto, amparando-se mutuamente, at\u00e9 que um dia v\u00e3o para um lar. Quem poderia cuidar deles? Sim, quem? Gatos j\u00e1 poucas pessoas t\u00eam e, coitados, n\u00e3o est\u00e3o deitados em almofadas a ronronar, andam aos saltos, dum lado para o outro, com as orelhas para tr\u00e1s, ao ritmo dos donos. Em muitos casos h\u00e1 mais do um aparelho de televis\u00e3o: Um na sala, outro no quarto do casal, outro no quarto dos filhos. Cada um escolhe o programa que quer ver, assim, a fam\u00edlia fica dividida, em vez de estar junta a apreciar a companhia uns dos outros, naquela parcela de tempo que antecede a hora de deitar. Uma amiga contou-me que por vezes a filha, antes de ir para o seu quarto, pergunta-lhe se n\u00e3o quer ler-lhe uma hist\u00f3ria, ou rezar uma ora\u00e7\u00e3o; pretexto para a ter junto dela. Embora cansada, quando chega \u00e0 noite, compreende esse anseio e acompanha-a. Ajuda-a a vestir o pijama, aconchega-lhe a roupa, d\u00e1-lhe um beijo, senta-se \u00e0 beira da cama e,  cheia de boa vontade, come\u00e7a a rezar um \u201cPai Nosso\u201d, mas por vezes n\u00e3o chega a acabar a ora\u00e7\u00e3o. As p\u00e1lpebras pesam-lhe. Procura manter os olhos abertos, mas o sono acaba por venc\u00ea-la.  Hoje em dia a vida est\u00e1 dif\u00edcil para todos, mas embora alguns homens ajudem nas tarefas caseiras, as mulheres s\u00e3o sempre as mais sobrecarregadas: esposas, m\u00e3es, donas de casa e profissionais. Um dia destes, entrei numa pastelaria para comer um bolo. Ao meu lado estava uma senhora jovem a falar ao telem\u00f3vel e sobre o balc\u00e3o, \u00e0 sua frente, uma ch\u00e1vena de caf\u00e9 a fumegar. N\u00e3o pude deixar de ouvir a conversa, por mais discreta que tivesse querido ser. J\u00e1 tinha pedido o meu pastel de nata, e estava desejosa de lhes \u201cferrar\u201d os dentes. Percebi que falava com um filho, recomendando-lhe que pedisse ao pai, assim que ele chegasse a casa, para ir comprar uma \u201cpizza\u201d porque se esquecera de deixar os bifes a descongelar:- Olha, querido, acrescentou, diz-lhe tamb\u00e9m que tenho uma reuni\u00e3o e n\u00e3o sei a que horas vou chegar. \u201cJinhos\u201d at\u00e9 logo! \u2013 Tomou o caf\u00e9 num trago, acendeu um cigarro e desapareceu veloz. Pensei nos jantares de outrora, das fam\u00edlias da classe m\u00e9dia, na sopa de feij\u00e3o encarnado, nos past\u00e9is de bacalhau com arroz de tomate, nos \u201cJoaquinzinhos fritos&#8230;\u201d \u201cAgora os tempos s\u00e3o outros!\u201d Adeus tigelas de marmelada e pratos de arroz doce, feitos pelos av\u00f3s. Para a frente os congelados, os enlatados, os frangos assados, as benditas \u201cpizzas!\u201d As sopas, o pur\u00e9 de batata, os pudins instant\u00e2neos. Tudo instant\u00e2neo!!! Para a maior parte das pessoas, vinte e quatro horas \u00e9 pouco para o que t\u00eam que fazer e descontando algumas, para dormir e engolir qualquer coisa, as vinte e quatro horas ainda ficam reduzidas.  O tempo vai passando. As crian\u00e7as v\u00e3o crescendo.. Quando chegam a\u00ed aos seus dez anos, onze anos, ou antes, os pais acham que j\u00e1 s\u00e3o suficientemente \u201crespons\u00e1veis\u201d para lhes entregar as chaves de casa e voltarem da escola sozinhos. Ensinam-lhes a regressar  pelo caminho que acham mais conveniente, recomendam-lhes que tenham cuidado com os carros e que nunca aceitem, seja o que for, convites de desconhecidos. Se tocarem \u00e0 campainha, n\u00e3o abram a porta sem terem a certeza de quem \u00e9. Os pequenos ao princ\u00edpio ficam orgulhosos da confian\u00e7a que os pais depositaram neles. Mais tarde por\u00e9m, n\u00e3o se sentem assim t\u00e3o bem. Seguem os conselhos que lhes deram, mas quando entram em casa, \u201cque sil\u00eancio!\u201d Primeiro desembara\u00e7am-se das mochilas, que pesam como chumbo, depois despem os blus\u00f5es, atiram-nos para qualquer lado e v\u00e3o direitos ao frigor\u00edfico. Abrem a porta: leite, queijo, iogurtes&#8230; optam pelos iogurtes&#8230; a lei do menor esfor\u00e7o. H\u00e1 dias um dos meus alunos confessou-me:- \u00c9 muito \u201cchato\u201d estar sozinho. \u00c0 hora a que chego a casa, a televis\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 nada de jeito; jogo um bocado no computador, depois vou buscar a mochila para fazer os trabalhos. \u00c0s vezes nem sei por que disciplina hei-de come\u00e7ar. Pela matem\u00e1tica? Hum! Detesto! Do ingl\u00eas tamb\u00e9m n\u00e3o gosto nem um bocadinho&#8230; \u201cPorra!\u201d n\u00e3o h\u00e1 nada que se aproveite, talvez a hist\u00f3ria&#8230;Vou \u00e0 dispensa buscar guloseimas. Que sorte, quando encontro um chocolate! Fico mais bem disposto! \u2013 Oxal\u00e1 no decorrer dos anos, um chocolate, possa preencher-lhe os \u201cvazios\u201d, e nunca se sinta tentado a recorrer \u201c\u00e0quilo\u201d que ningu\u00e9m quer para os seus filhos, para os seus netos, nem para os filhos dos outros, nem para os netos dos outros, para ningu\u00e9m!&#8230;  Agora como sou mulher, tamb\u00e9m sou \u201cfada\u201d e como sou  fada, tamb\u00e9m tenho uma \u201cvarinha de cond\u00e3o\u201d. Quero entrar \u00e0 hora do intervalo, numa escola secund\u00e1ria, sem ser vista, observar os diversos grupinhos de jovens para ver o que est\u00e3o a fazer e ouvir o que est\u00e3o a dizer. Escolhi uma perto da minha casa e num instante pus-me l\u00e1. Entrei. Passei por duas raparigas, uma loira franzina de cabelos compridos, outra mais forte, morena, cabelos castanhos encaracolados. Parei a ouvi-las. A segunda perguntou \u00e0 primeira: &#8211; Ent\u00e3o, ainda \u00e9s virgem? \u2013 A loirinha \u201ccorou at\u00e9 \u00e0s orelhas, porque era virgem,\u201d \u201ce, como j\u00e1 tinha quinze anos, considerava uma vergonha\u201d! \u201cParecia que ningu\u00e9m a tinha querido!&#8230;\u201d Resolveu mentir e respondeu-lhe: &#8211; Que ideia! Onde isso j\u00e1 vai! E tu? \u2013 A outra, com muita naturalidade e desenvoltura, retorquiu: &#8211; Eu? Com dezassete anos? At\u00e9 j\u00e1 tenho um filho de tr\u00eas meses. A loirinha imaginou que ela era casada e advertiu: &#8211; \u201cCasaste cedo!\u201d \u2013 Ao que a morena repostou: &#8211; Que disparate, como se fosse preciso casar para ter filhos! Calhou! Era um namorado recente e eu nem gostava muito dele&#8230; Os meus pais \u00e9 que est\u00e3o a criar o beb\u00e9 e eu continuo a estudar. Quero ser arquitecta e nunca perco uma oportunidade de ir com os meus amigos a uma discoteca ou a uma festa&#8230;Por mim \u201cdeslizei\u201d e aproximei-me de tr\u00eas mocinhas que com as cabe\u00e7as muito unidas espreitavam um cat\u00e1logo de modas que uma delas folheava lentamente. Apanhei-as a apreciar duas p\u00e1ginas dedicadas a \u201clingerie\u201d. As palavras \u201csexy\u201d e sensual sa\u00edam de todas as bocas. Uma preferia o biquini preto e dizia: &#8211; Ai que \u201csexy\u201d, todo em renda! Se tivesse dinheiro comprava-o j\u00e1! \u2013 Outra gostava mais da cor de salm\u00e3o, em cetim, que achava extremamente sensual, a terceira estava encantada com uma camisa de noite, rosa p\u00e1lido e lembrava: &#8211; Dev\u00edamos guardar o dinheiro dos lanches para um dia comprarmos uma pe\u00e7a destas, e acrescentou: com algum que tir\u00e1ssemos da semanada, talvez l\u00e1 cheg\u00e1ssemos e ao jantar com\u00edamos como umas \u201cfrieiras\u201d, e os nossos pais ficavam muito contentes, por andarmos com tanto apetite. Desataram a rir \u00e0s \u201cbandeiras despregadas!\u201d Afastei-me e num recanto do espa\u00e7o destinado ao recreio, estavam v\u00e1rios casalinhos a beijarem-se; alguns rapazes iam fumando charros&#8230; Vim-me embora; estava-me por\u00e9m reservado como \u201cpr\u00e9mio de consola\u00e7\u00e3o\u201d a surpresa agrad\u00e1vel de ouvir os coment\u00e1rios de uma rapariga e dois rapazes que iam ter testes no dia seguinte. Um dizia: &#8211; Vou fazer uma \u201cdirecta\u201d; come\u00e7o e estudar hoje \u00e0 noite, at\u00e9 de manh\u00e3, e s\u00f3 paro uma hora antes de vir para a escola. A rapariga n\u00e3o estava de acordo com o m\u00e9todo do colega e afirmava: &#8211; Claro que vou fazer um ser\u00e3o mas sem exageros&#8230;Assim, dessa maneira, pode ser contraproducente. O terceiro concordou com ela. L\u00e1 ficaram os tr\u00eas a fazer projectos para o futuro. Todos aspiravam a uma carreira brilhante. J\u00e1 tinha andado alguns passos e ainda os ouvia falar em cursos diversos, bolsas de estudo, doutoramentos no estrangeiro. Enfim, h\u00e1 uma parte da mocidade que n\u00e3o se deixa envolver pelas vicissitudes desta \u00e9poca&#8230;  Apressei-me a sair da escola, n\u00e3o fosse passar o \u201cencantamento\u201d, e, como na Cinderela, n\u00e3o perder pr\u00f3priamente o sapato, mas verem uma senhora a deambular por entre os jovens, armada em \u201ccusca\u201d&#8230; Respirei fundo! Sentia-me um pouco abatida. Ralhei comigo mesma: &#8211; Ent\u00e3o, o que \u00e9 isto? Mas que conservadora! Que retr\u00f3grada. Afinal o que  acabei de ouvir e de ver entre aqueles jovens n\u00e3o tem nada de mais! Os casalinhos a beijarem-se, \u00e9 natural\u00edssimo. Ent\u00e3o \u00e9 melhor que eu n\u00e3o chegue a ligar a televis\u00e3o&#8230;Que disparate, tem que se acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o, o progresso!  Peguei no telem\u00f3vel. Como estava perto da casa da minha amiga Cacilda, resolvi ligar-lhe, porque se n\u00e3o tivesse sa\u00eddo, seria uma boa oportunidade para lhe fazer uma visita. Atendeu-me ao segundo toque: &#8211; Olha Cacilda, sou eu. Ah! Reconheceste logo a minha voz! Sabes, continuei, estou aqui, muito perto da tua casa e lembrei-me de ir a\u00ed um bocadinho. Calha-te bem? \u00d3ptimo! Qu\u00ea? Tens montes de novidades para me dar? Quatro div\u00f3rcios entre casais nossos conhecidos? Outros que se v\u00e3o juntar? E casamentos? Nenhuns?! Uma das que se vai divorciar do marido \u00e9 a \u201cF\u00e1tinha?\u201d Mas ela casou ainda nem h\u00e1 um ano! Como, ele \u00e9 \u201cgay?\u201d Olha, Cacilda, p\u00f5e uma chaleira de \u00e1gua ao lume, se fazes favor, porque me est\u00e1 a apetecer imenso um ch\u00e1zinho de t\u00edlia. Tens t\u00edlia em casa? Est\u00e1 bem, sen\u00e3o comprava pelo caminho; sim, duas saquetas, sempre fica mais forte&#8230; At\u00e9 j\u00e1! \u2013 Desliguei o telem\u00f3vel. L\u00e1 fui andando, olhando para algumas montras s\u00f3 por olhar e lastimando: &#8211; Coitada da \u201cF\u00e1tinha!\u201d Um casamento t\u00e3o lindo! Tudo parecia ser perfeito! E quem ser\u00e3o os outros casais que tamb\u00e9m v\u00e3o divorciar-se? A Cacilda \u00e9 assim, est\u00e1 sempre em cima dos acontecimentos!&#8230; E at\u00e9 me pareceu bem disposta. Enfim temos que aceitar estas surpresas desagrad\u00e1veis com serenidade, tendo sempre em mente a frase t\u00e3o proferida hoje em dia: \u201cAgora os tempos s\u00e3o outros!&#8230;\u201d  Susana Cardoso <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAgora os tempos s\u00e3o outros!&#8230;\u201d Esta frase, hoje em dia, \u00e9 proferida por pessoas de todas as idades e estratos sociais. Esta frase tem o poder de calar quase todas as bocas, que criticam determinados comportamentos. 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