{"id":23521,"date":"2007-03-19T16:12:37","date_gmt":"2007-03-19T16:12:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/19\/festival-terras-sem-sombra-2\/"},"modified":"2007-03-19T16:12:37","modified_gmt":"2007-03-19T16:12:37","slug":"festival-terras-sem-sombra-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/festival-terras-sem-sombra-2\/","title":{"rendered":"Festival Terras sem Sombra"},"content":{"rendered":"<p>O Festival Terras sem Sombra de M\u00fasica Sacra do Baixo Alentejo conclui em Santiago do Cac\u00e9m a sua terceira edi\u00e7\u00e3o, principiada em Novembro de 2006. Esta iniciativa, resultante da articula\u00e7\u00e3o dos esfor\u00e7os do Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja (DPHA) e da Arte das Musas, tem o apoio do Instituto das Artes (Minist\u00e9rio da Cultura), da Regi\u00e3o de Turismo da Plan\u00edcie Dourada e dos munic\u00edpios da regi\u00e3o onde t\u00eam decorrido os concertos: Castro Verde, Sines, Almod\u00f4var, Beja, Alvito e, agora, Santiago do Cac\u00e9m.  O local escolhido \u2013 a igreja matriz de Santiago Maior \u2013 \u00e9 um s\u00edtio repleto de hist\u00f3ria que oferece excelentes condi\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas. Recuperado atrav\u00e9s de uma parceria entre a Diocese, o Estado e a C\u00e2mara Municipal, depois de muitos anos com graves problemas de conserva\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a, \u00e9 tamb\u00e9m um exemplo de como um monumento pode contribuir, quando aberto ao p\u00fablico, para revitalizar um centro hist\u00f3rico em luta contra a desertifica\u00e7\u00e3o. Contando com um p\u00fablico fiel, incluindo muitos espectadores que acompanham a sua itiner\u00e2ncia e garantem \u201ccasa cheia\u201d, o Festival constitui uma firme aposta n\u00e3o s\u00f3 na projec\u00e7\u00e3o da m\u00fasica sacra, desde a Idade M\u00e9dia at\u00e9 \u00e0 \u00e9poca contempor\u00e2nea, como no enraizamento de h\u00e1bitos culturais, algo muito necess\u00e1rio quando se trata de uma regi\u00e3o, como o Baixo Alentejo, que tem sido votada a um certo esquecimento.  O segredo desta f\u00f3rmula de sucesso, como vem salientando a cr\u00edtica da especialidade, assenta na escolha de uma programa\u00e7\u00e3o interessante para um p\u00fablico alargado, nas condi\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas proporcionadas pelas igrejas hist\u00f3ricas e na aposta numa pedagogia que, sem esquecer uma linha de rumo coerente, faz a ponte entre o patrim\u00f3nio e a m\u00fasica.  Isto permite dar nova vida a um conjunto de monumentos que a Diocese tem vindo a recuperar e a valorizar, em articula\u00e7\u00e3o com o Estado e as autarquias. \u00c9 um projecto sempre em crescendo, que conseguiu mobilizar j\u00e1 mais de 5 000 participantes, algo que parecia inveros\u00edmil quando se teve que partir do nada. Para o encerramento do Festival, no pr\u00f3ximo s\u00e1bado, foi escolhido um concerto do agrupamento Sete L\u00e1grimas, fundado em 2000 por m\u00fasicos especializados em m\u00fasica renascentista e barroca que explora em cada programa a t\u00e9nue fronteira entre a m\u00fasica erudita e as tradi\u00e7\u00f5es seculares. O consort \u00e9 dirigido por Filipe Faria e S\u00e9rgio Peixoto, elementos efectivos do Coro Gulbenkian desde 1998 e com uma carreira consolidada nos mais prestigiados agrupamentos nacionais.  Os seus programas combinam o virtuosismo com delicadas composi\u00e7\u00f5es de melancolia. Dois tenores, duas flautas de bisel, ala\u00fade e tiorba e viola da gamba s\u00e3o a instrumenta\u00e7\u00e3o de base dos programas j\u00e1 apresentados em encontros nacionais, como o Festival de S\u00e3o Roque e o Festival dos Capuchos. Desde 2006 que o grupo desenvolve projectos de composi\u00e7\u00e3o de m\u00fasica original e arranjos de m\u00fasica antiga para o cinema, o teatro e a televis\u00e3o.  Efectuou j\u00e1 a banda sonora original, baseada em m\u00fasica dos s\u00e9culos XVI a XVIII, de uma s\u00e9rie de 13 programas televisivos da SIC. Em cada concerto o projecto c\u00e9nico \u00e9 elaborado de acordo com o programa interpretado e com o espa\u00e7o de apresenta\u00e7\u00e3o utilizando um cuidadoso recurso \u00e0 luz, a adere\u00e7os c\u00e9nicos ou \u00e0 projec\u00e7\u00e3o v\u00eddeo. Sob o sugestivo t\u00edtulo de &#8220;As Vozes e as L\u00e1grimas Humanas&#8221;, o programa do concerto na igreja matriz de Santiago do Cac\u00e9m percorre um per\u00edodo temporal que se estende dos finais do s\u00e9culo XVI ao s\u00e9culo XVIII.  Nele se cruzam v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es e estilos musicais (franc\u00eas, italiano, germ\u00e2nico) e a express\u00e3o ritual de v\u00e1rios credos religiosos (catolicismo, protestantismo), unidos por fios condutores evidentes ou subtis. O tema das l\u00e1grimas como express\u00e3o da dor, do sofrimento \u00edntimo ou colectivo, da melancolia, da f\u00e9 ou da intoler\u00e2ncia religiosa est\u00e1 impl\u00edcito em quase todas as \u00e9pocas no contexto de cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias pe\u00e7as musicais ou no seu pr\u00f3prio conte\u00fado, atingindo uma express\u00e3o particularmente rica durante o per\u00edodo barroco.  Por outro lado, a voz que canta (mas tamb\u00e9m chora) \u00e9 um elemento primordial intr\u00ednseco \u00e0 pr\u00f3pria natureza da m\u00fasica, aqui entendida de forma abrangente, estendendo-se \u00e0 aspira\u00e7\u00e3o que conduziu compositores e int\u00e9rpretes da \u00e9poca barroca a tentarem igualar a eloqu\u00eancia da voz humana na m\u00fasica instrumental. O fim da terceira edi\u00e7\u00e3o do Festival Terras sem Sombra \u00e9 assinalado com o lan\u00e7amento do CD Lachrimae #1, editado pela etiqueta Mu Records.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Festival Terras sem Sombra de M\u00fasica Sacra do Baixo Alentejo conclui em Santiago do Cac\u00e9m a sua terceira edi\u00e7\u00e3o, principiada em Novembro de 2006. 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