{"id":235191,"date":"2022-04-04T15:07:18","date_gmt":"2022-04-04T14:07:18","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=235191"},"modified":"2022-04-04T15:19:06","modified_gmt":"2022-04-04T14:19:06","slug":"a-cruz-escondida-181","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-181\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Bispo conta como \u00e9 estar numa cidade ucraniana sitiada pelas bombas<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/fais-ucrania.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-235198 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/fais-ucrania-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/fais-ucrania-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/fais-ucrania-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/fais-ucrania-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/fais-ucrania-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/fais-ucrania-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/fais-ucrania-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/fais-ucrania-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/fais-ucrania.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\u201cSobrevivemos a mais uma noite\u2026\u201d<\/h4>\n<p>\u201cSobrevivemos a mais uma noite. Estamos vivos e de boa sa\u00fade.\u201d A frase \u00e9 do Bispo de Kharkiv e diz muito, quase tudo, sobre a guerra na Ucr\u00e2nia. O Bispo \u00e9 uma das pessoas que conhece melhor o drama das popula\u00e7\u00f5es for\u00e7adas a viver escondidas das bombas em caves profundas, nas esta\u00e7\u00f5es subterr\u00e2neas ou em improvisados \u2018bunkers\u2019. \u00c9 um dia de cada vez. Desde que a guerra come\u00e7ou que tem sido assim\u2026<\/p>\n<p>Com os pr\u00e9dios desfeitos, com os bairros em ru\u00ednas, com as ruas cheias de destro\u00e7os, sobreviver em Kharkiv parece quase um luxo. Dos c\u00e9us silvam bombas que espalham a morte. \u00c9 tudo t\u00e3o r\u00e1pido, t\u00e3o brutal que as pessoas j\u00e1 se come\u00e7aram a acostumar \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o. A morte banalizou-se desde a madrugada de 24 de Fevereiro, quando os primeiros soldados, os primeiros tanques atravessaram as fronteiras, quando o mundo, ainda incr\u00e9dulo, percebeu que havia uma guerra no centro da Europa. O mapa da Ucr\u00e2nia \u00e9 hoje o retrato de um moribundo. Algumas cidades t\u00eam sido particularmente flageladas pela viol\u00eancia. Kharkiv \u00e9 uma delas. Uma das pessoas que conhece melhor o drama destas popula\u00e7\u00f5es for\u00e7adas a viver escondidas das bombas \u00e9 D. Pavlo Honcharuk. O Bispo da Diocese Cat\u00f3lica de Kharkiv-Zaporizhzhia sabe bem o que significa a guerra. Logo na primeira semana ap\u00f3s a invas\u00e3o, um m\u00edssil atingiu a sua casa. Por sorte, n\u00e3o matou ningu\u00e9m. \u201cSobrevivemos a mais uma noite. Estamos vivos e de boa sa\u00fade.\u201d As palavras do Bispo, ao telefone, a Magda Kaczmarek, a respons\u00e1vel de projectos da Funda\u00e7\u00e3o AIS para a Ucr\u00e2nia, mostram a incerteza de quem vive sob constantes ataques. Cada dia pode ser o \u00faltimo e a vida \u00e9 celebrada apesar da desola\u00e7\u00e3o que se v\u00ea em volta. \u201cH\u00e1 tiros constantes, mas isso agora \u00e9 normal. Est\u00e1 tudo a tremer, e est\u00e1 muito barulho. As janelas estremecem como se a vidra\u00e7a estivesse prestes a cair. Habitu\u00e1mo-nos a que fosse t\u00e3o barulhento. At\u00e9 parece suspeito quando \u00e9 calmo&#8230;\u00a0 \u00c9 quando n\u00e3o sabemos o que est\u00e1 por vir\u201d, diz o Bispo, acrescentando: \u201cEstamos a viver uma realidade muito nova e triste\u2026\u201d As sirenes tocam com frequ\u00eancia. S\u00e3o avisos de que as bombas podem estar a cair. As pessoas refugiam-se em abrigos. O Bispo estende at\u00e9 esses lugares a sua presen\u00e7a. A presen\u00e7a do Bispo, dos padres e das irm\u00e3s \u00e9 um sinal desta Igreja que se transformou num aut\u00eantico hospital de campanha.<\/p>\n<h4>Pastoral do amor<\/h4>\n<p>Com a cidade bombardeada, transformada quase num destro\u00e7o, os hospitais passaram a ser lugares preciosos. \u00c9 a\u00ed tamb\u00e9m que o Bispo passa agora o seu tempo. \u201cEssa \u00e9 agora a nossa miss\u00e3o\u201d, diz. \u00c9 a solidariedade a funcionar em todas as suas val\u00eancias. \u201cVisitamos os doentes regularmente. Ontem, conseguimos entregar absorventes sanit\u00e1rios ao hospital psiqui\u00e1trico, onde as pessoas tiveram de passar sem artigos de higiene durante v\u00e1rios dias. O director agradeceu-nos com l\u00e1grimas nos olhos.\u201d A guerra est\u00e1 tamb\u00e9m a dividir as fam\u00edlias. Os homens, com menos de 60 anos est\u00e3o a ser incorporados nas for\u00e7as armadas. D. Pavlo Honcharuk j\u00e1 assistiu a muitas despedidas. J\u00e1 se comoveu muitas vezes. \u201cVisitei a esta\u00e7\u00e3o onde assisti a cenas muito comoventes, que me tocaram profundamente. Como nenhum homem entre os 18 e os 60 anos pode deixar o pa\u00eds, os pais despedem-se das suas esposas e filhos, sem saber quando ou se voltar\u00e3o a ver-se.\u201d N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil lidar com uma avalanche t\u00e3o grande de sentimentos. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil lidar com tantas pessoas aflitas no meio de uma guerra que n\u00e3o se imaginava poss\u00edvel. \u201cVejo muitos traumas nas pessoas, nos seus olhos, nos seus rostos\u201d, diz o Bispo de Kharkiv. \u201cAs crian\u00e7as, sobretudo, sofrer\u00e3o mais tarde as consequ\u00eancias. Haver\u00e1 certamente doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas depois da guerra. Vamos ter a\u00ed uma tarefa dif\u00edcil\u2026\u201d Uma tarefa dif\u00edcil que exige de todos o m\u00e1ximo de solidariedade e de amor. \u201cNeste momento, \u00e9 importante rezar e sobreviver de modo a ajudar as pessoas que est\u00e3o sozinhas e n\u00e3o t\u00eam mais ningu\u00e9m. H\u00e1 tanta necessidade \u2013 n\u00e3o s\u00f3 de coisas materiais, mas tamb\u00e9m de bondade, de calor humano, de uma palavra am\u00e1vel, de um abra\u00e7o, um telefonema&#8230;\u201d, explica o Bispo, para acrescentar logo de seguida: \u201c\u00c9 assim que testemunhamos a presen\u00e7a de Deus, o facto de Ele estar connosco. \u00c9 uma maneira de transmitir o Evangelho. \u00c9 a nossa pastoral hoje em dia. H\u00e1 tantos testemunhos de amor\u2026\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo conta como \u00e9 estar numa cidade ucraniana sitiada pelas bombas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-235191","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=235191"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235191\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=235191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=235191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=235191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}