{"id":235130,"date":"2022-04-04T10:49:05","date_gmt":"2022-04-04T09:49:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=235130"},"modified":"2022-04-04T10:56:18","modified_gmt":"2022-04-04T09:56:18","slug":"lusofonias-contra-o-naufragio-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-contra-o-naufragio-da-humanidade\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Contra o \u2018naufr\u00e1gio\u2019 da humanidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_234770\" aria-describedby=\"caption-attachment-234770\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/FPUzpfkXwAI2hKG.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-234770\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/FPUzpfkXwAI2hKG.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"853\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/FPUzpfkXwAI2hKG.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/FPUzpfkXwAI2hKG-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/FPUzpfkXwAI2hKG-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/FPUzpfkXwAI2hKG-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/FPUzpfkXwAI2hKG-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/FPUzpfkXwAI2hKG-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/FPUzpfkXwAI2hKG-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/FPUzpfkXwAI2hKG-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-234770\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Vatican Media<\/figcaption><\/figure>\n<p>Era uma vez no ano 60. O mar estava encapelado junto \u00e0 Ilha de Malta \u2013 que, em l\u00edngua fen\u00edcia, quer dizer \u2018porto seguro\u2019 &#8211; e a embarca\u00e7\u00e3o em que viajava S. Paulo, a caminho de Roma, naufragou. Num esfor\u00e7o de chegar a terra firme, muitos dos viajantes conseguiram salvar-se, sendo acolhidos pelos habitantes desta Ilha plantada no meio do Mediterr\u00e2neo, a sul do continente europeu. O Papa Francisco decidiu visitar esta terra e este povo, atingindo dois objetivos maiores: fazer uma peregrina\u00e7\u00e3o\u00a0 \u00e0s fontes do an\u00fancio do Evangelho e abra\u00e7ar os milhares de imigrantes africanos que ali chegam e s\u00e3o acolhidos.<\/p>\n<p>O tema da viagem \u00e9 tirado da passagem b\u00edblica em que S. Paulo confessa: \u2018Eles nos trataram com rara humanidade\u2019. Referia-se, claro, ao acolhimento que lhe foi feito pelos habitantes da Ilha, ap\u00f3s naufr\u00e1gio.<\/p>\n<p>Esta Igreja multisecular fora j\u00e1 visitada por Jo\u00e3o Paulo II e Bento XVI, noutros contextos e com outros objetivos. Em plena guerra na Ucr\u00e2nia, ap\u00f3s invas\u00e3o das tropas russas, o Papa Francisco teve interven\u00e7\u00f5es muito frontais, apontando a dedo a muitas situa\u00e7\u00f5es desumanas, elogiando o que de bom se faz e rasgando novos caminhos para um futuro de justi\u00e7a, paz e encontro de povos e culturas.<\/p>\n<p>O Papa chegou, na manh\u00e3 de s\u00e1bado, a esta Ilha que tem menos de 500 mil habitantes, sendo 85% cat\u00f3licos. Foi recebido em festa por autoridades e povo. As suas primeiras palavras foram para os respons\u00e1veis pol\u00edticos da Ilha e diplomatas. Disse que esta Ilha \u00e9 o \u2018cora\u00e7\u00e3o do Mediterr\u00e2neo\u2019 e o seu povo, no Hino, canta sempre a unidade e a paz. Lembrou que uma sociedade de progresso assenta nos pilares da honestidade, da justi\u00e7a, do sentido do dever e da transpar\u00eancia, exigindo ainda a equidade social, o cuidado da casa comum, a protec\u00e7\u00e3o da vida, o acolhimento ao estrangeiro e o combate sem tr\u00e9guas a todas as formas de corrup\u00e7\u00e3o e ao consumismo desenfreado. Elogiou a coragem de um povo que tem acolhido vagas de imigrantes que fogem de injusti\u00e7as gritantes, conflitos violentos ou altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas desastrosas. Criticou as guerras, geradas pela gan\u00e2ncia de alguns senhores que, para al\u00e9m das trag\u00e9dias que provocam, impedem o combate de grandes males, como a fome no mundo e a luta pelas desigualdades. Terminou com a convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o podemos dar nunca lugar \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s viagem de barco, chegou \u00e0 Ilha de Gozo, onde presidiu a um momento de Ora\u00e7\u00e3o no Santu\u00e1rio Nacional de\u00a0Ta&#8217; Pinu, famoso pela hist\u00f3ria da recita\u00e7\u00e3o das \u2018Tr\u00eas-Av\u00e9 Marias\u2019, uma por cada dia que Cristo esteve no sepulcro. Depois houve um tempo forte de testemunhos de quem vive a sua f\u00e9, mesmo na dor, com o apoio da fam\u00edlia. O Papa, na sua breve interven\u00e7\u00e3o, falou da arte do acolhimento. A esta Ilha de Malta chegam tantos imigrantes crucificados pela dor, mis\u00e9ria, pobreza e viol\u00eancia. S\u00e3o pessoas naufragadas pelas tempestades da vida que precisam de ser aquecidas pelas fogueiras de ternura do povo desta Ilha pequena, mas com cora\u00e7\u00e3o grande.<\/p>\n<p>De regresso a Malta, o domingo come\u00e7ou com a visita \u00e0 Gruta de S. Paulo, ao que se seguiu a celebra\u00e7\u00e3o da Missa no Largo \u2018dei Granai\u2019. O Papa atacou todas as formas de hipocrisia, falando do Deus que deixa sempre aberta uma porta para a liberta\u00e7\u00e3o e a salva\u00e7\u00e3o. Temos que ser testemunhas incans\u00e1veis da miseric\u00f3rdia, pois tamb\u00e9m Deus perdoa tudo.<\/p>\n<p>O momento mais esperado e mais simb\u00f3lico desta visita foi o encontro no Centro para os Migrantes Jo\u00e3o XXIII Paece Lab. Foram emocionantes os testemunhos de Daniel e Slimani, dois dos imigrantes acolhidos neste \u2018laborat\u00f3rio de paz\u2019. Daniel, ap\u00f3s traum\u00e1tica travessia do deserto, acabou por tentar passar o mediterr\u00e2neo seis vezes. Depois de longo calv\u00e1rio, chegou a Malta. Slimani fez via-sacra semelhante e lembrou que s\u00f3 realizou esta penosa viagem para encontrar um lugar seguro e na esperan\u00e7a de construir um futuro melhor.<\/p>\n<p>O Papa Francisco, na sua interven\u00e7\u00e3o, pediu que Malta continuasse a ser porto seguro para quantos chegam \u00e0s costas destas Ilhas, com hist\u00f3rias iguais aos que fogem da guerra na Ucr\u00e2nia e noutras paragens do mundo. S\u00f3 com acolhimento e humanidade conseguiremos evitar o naufr\u00e1gio que amea\u00e7a o navio da nossa civiliza\u00e7\u00e3o. O futuro da fam\u00edlia humana est\u00e1 no caminho da fraternidade, da amizade social e da cultura do encontro. Os imigrantes n\u00e3o s\u00e3o n\u00fameros, mas pessoas de carne e osso, com direitos espezinhados, muitas vezes com a cumplicidade das autoridades competentes.<\/p>\n<p>Ficam a ecoar as palavras do P. Dionisus, o velho franciscano de 91 anos, director deste Centro: \u2018o Papa Francisco \u00e9 a \u00fanica voz do mundo que fala pelos pobres. Precisamos que outras na\u00e7\u00f5es escutem as suas palavras\u2019.<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Contra o \u2018naufr\u00e1gio\u2019 da humanidade\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6XpgpdnVH1TNZRh7AqDqtt?si=wSjk92s3Qf6bvFZgDCzIPQ&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-235130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=235130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235130\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=235130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=235130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=235130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}