{"id":23507,"date":"2007-03-19T11:13:17","date_gmt":"2007-03-19T11:13:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/19\/apoio-racional-da-fe-os-sinais-de-credibilidade\/"},"modified":"2007-03-19T11:13:17","modified_gmt":"2007-03-19T11:13:17","slug":"apoio-racional-da-fe-os-sinais-de-credibilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/apoio-racional-da-fe-os-sinais-de-credibilidade\/","title":{"rendered":"Apoio racional da f\u00e9: os sinais de credibilidade"},"content":{"rendered":"<p>Catequese do Cardeal-Patriarca de Lisboa no 4\u00ba Domingo da Quaresma <!--more--> 1. A raz\u00e3o humana pode assumir o conhecimento espec\u00edfico da f\u00e9, garantindo-lhe o apoio racional e integrando-o, harmonicamente, no conjunto do conhecimento humano. Isso n\u00e3o se faz reduzindo o conhecimento pr\u00f3prio da f\u00e9, que inclui o abandono ao mist\u00e9rio, \u00e0 l\u00f3gica do conhecimento racional. \u00c9 a raz\u00e3o humana que, para al\u00e9m da sua capacidade l\u00f3gica de conhecimento, se abre e acolhe aquele conhecimento que s\u00f3 pode encontrar a sua fonte na revela\u00e7\u00e3o de Deus, e que, dirigida ao homem, \u00e9 intelig\u00edvel, e interpela as capacidades humanas de verdade. J\u00e1 dissemos, num dos domingos anteriores, que a revela\u00e7\u00e3o \u00e9 portadora da sua pr\u00f3pria credibilidade, isto \u00e9, vem carregada daqueles elementos que permitem \u00e0 intelig\u00eancia humana acolh\u00ea-la, indo al\u00e9m das suas capacidades naturais, sem se violentar, na simplicidade de um horizonte de conhecimento e de verdade que se alarga. Nesse processo de abertura da raz\u00e3o \u00e0 Palavra revelada e \u00e0 f\u00e9, exercem um papel importante os \u201csinais\u201d, a que habitualmente chamamos \u201csinais de credibilidade\u201d. \u201c\u00c9 sobre eles que a nossa intelig\u00eancia se apoia para reconhecer o que n\u00e3o poderia constatar directamente: eles conduzem-na para al\u00e9m dela mesma, num mundo impenetr\u00e1vel, que eles lhe tornam cognosc\u00edvel\u201d[1].   Para compreendermos a import\u00e2ncia dos \u201csinais\u201d no crescimento da f\u00e9 e na racionalidade do conhecimento que ela gera, temos de ter em conta o diferente dinamismo do conhecimento racional e do conhecimento da f\u00e9. A raz\u00e3o busca o conhecimento, penetrando na realidade, dissecando-a com m\u00e9todo l\u00f3gico, procurando a sua compreens\u00e3o clara, a que chamamos evid\u00eancia. \u00c9 no aperfei\u00e7oamento dos m\u00e9todos de an\u00e1lise racional da realidade que consiste o progresso e os avan\u00e7os no conhecimento cient\u00edfico. Por este m\u00e9todo, a raz\u00e3o humana n\u00e3o chega ao conhecimento de Deus, quando muito chega \u00e0 inevitabilidade da sua exist\u00eancia.  Mas Deus n\u00e3o se apresenta ao homem apenas como uma realidade desconhecida a investigar. Ele irrompe na vida das pessoas como um Outro, a querer dialogar com o homem e a querer estabelecer, com ele, uma rela\u00e7\u00e3o de alian\u00e7a e de amor, como fez Cristo a Saulo, na Estrada de Damasco (Act. 9). E \u00e9 quando Deus entra na nossa vida como uma pessoa e com uma proposta de rela\u00e7\u00e3o, que se pode iniciar ou rejeitar a f\u00e9 como caminho de vida e de verdade. Como o de Paulo, o testemunho dos convertidos, ao longo dos s\u00e9culos, \u00e9 claro e esclarecedor. Todos afirmam que, ou de repente, ou pouco a pouco, Deus se lhes manifestou e os interpelou para uma rela\u00e7\u00e3o, num caminho novo a encetar[2]. E \u00e9 nesse caminho de conviv\u00eancia com Deus, que Ele se revela e n\u00f3s aprendemos a conhec\u00ea-l\u2019O. O conhecimento que brota da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 conclus\u00e3o de uma investiga\u00e7\u00e3o, mas fruto de uma conviv\u00eancia na intimidade. \u00c9 um reconhecimento, descoberta da pessoa amada, que acontece espontaneamente em todas as verdadeiras rela\u00e7\u00f5es de amor. \u00c9 nesse sentido que Jesus anuncia que todos os que se deixarem atrair por Ele e O seguirem na f\u00e9, ser\u00e3o ensinados por Deus (cf. Jo. 6,44). O conhecimento da f\u00e9 n\u00e3o busca, imediatamente, a evid\u00eancia, mas a posse e a profundidade.  \u00c9 no seio dessa rela\u00e7\u00e3o com o Deus vivo, e para n\u00f3s crist\u00e3os, atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o com Cristo Vivo, que os \u201csinais\u201d se tornam significativos e fazem a ponte entre o mist\u00e9rio e a raz\u00e3o humana. Fora desse contexto, os \u201csinais\u201d, mesmo quando identificados, s\u00e3o interpretados como fen\u00f3menos naturais, sem significado especial, acabando por ser abandonados.  O apoio racional da f\u00e9 brota, assim, do seu dinamismo enquanto abandono confiante ao Deus vivo. N\u00e3o \u00e9 por falta de firmeza que a f\u00e9 busca a racionalidade; \u00e9, antes, porque a rela\u00e7\u00e3o com Deus compromete todo o nosso ser e as suas capacidades. Assim o exprime, na Lei de Mois\u00e9s, o primeiro mandamento do Dec\u00e1logo: amar\u00e1s o Senhor teu Deus, com todo o teu ser e com todas as tuas for\u00e7as e s\u00f3 a Ele adorar\u00e1s (cf. Ex. 20).  <b>Os \u201csinais\u201d da ac\u00e7\u00e3o de Deus<\/b> 2. Se a Deus nunca ningu\u00e9m O viu (cf. Jo. 1,18), continuando mist\u00e9rio insond\u00e1vel mesmo para os que acreditam n\u2019Ele, a sua ac\u00e7\u00e3o \u00e9 sens\u00edvel e verific\u00e1vel, tornando-se \u201csinal\u201d do Seu mist\u00e9rio e do Seu amor. Esta \u00e9 uma experi\u00eancia que acompanha a hist\u00f3ria milenar do povo b\u00edblico: Deus torna-se acess\u00edvel, a Sua presen\u00e7a \u00e9 verific\u00e1vel pela sua ac\u00e7\u00e3o em favor do Seu Povo. A Sagrada Escritura chama-lhe \u201cas maravilhas de Deus\u201d \u2013 mirabilia Dei. S\u00f3 os crentes as captam como express\u00e3o do amor de Deus, embora, por vezes, os autores sagrados ponham os \u201cpag\u00e3os\u201d a reconhecer nessas \u201cmaravilhas de Deus\u201d, um sinal da grandeza do Deus de Israel. Na passagem do Mar Vermelho, o pr\u00f3prio Deus anuncia que atrav\u00e9s da sua ac\u00e7\u00e3o manifestar\u00e1 a Sua grandeza aos eg\u00edpcios: \u201cOs eg\u00edpcios saber\u00e3o que Eu sou Yahw\u00e9, quando me cobrir de gl\u00f3ria \u00e0 custa do Fara\u00f3, dos seus carros e dos seus cavaleiros\u201d (Ex. 14,18). E na mesma narra\u00e7\u00e3o os eg\u00edpcios reconhecem: \u201cfujamos dos israelitas, porque Yahw\u00e9 combate por eles contra os eg\u00edpcios\u201d (Ex. 18,25).   Mas s\u00e3o os crentes que captam o pleno sentido desta ac\u00e7\u00e3o de Deus. A narra\u00e7\u00e3o termina: \u201cO Povo temeu Yahw\u00e9, acreditou em Yahw\u00e9 e em Mois\u00e9s Seu servo\u201d (Ex. 14,31). A f\u00e9 do Povo no Deus que o liberta torna-se, assim, mais compreens\u00edvel. \u00c0 firmeza da confian\u00e7a, acrescenta-se o apoio da compreens\u00e3o.  O Povo de Israel est\u00e1 firmemente convencido de que a Palavra de Deus, o seu Verbo eterno, revelada pelos Profetas, \u00e9 sempre eficaz, realiza as interven\u00e7\u00f5es de Deus em favor do Seu Povo. H\u00e1 uma tal identifica\u00e7\u00e3o entre a Palavra eterna e a sua efic\u00e1cia na hist\u00f3ria e na vida do Povo crente, que o mesmo voc\u00e1bulo \u2013 \u201cdabar\u201d \u2013 significa palavra e acontecimento. Para que a f\u00e9 enra\u00edze na experi\u00eancia humana, \u00e9 importante identificar, na vida do Povo e na vida de cada crente, os \u201csinais\u201d dessa ac\u00e7\u00e3o de Deus. Estes \u201csinais\u201d n\u00e3o se imp\u00f5em com a for\u00e7a l\u00f3gica da evid\u00eancia, respeitam a liberdade, pr\u00f3pria da f\u00e9, mas oferecem a esta o ponto de apoio para uma compreens\u00e3o da presen\u00e7a de Deus na nossa vida.  Estes \u201csinais\u201d podem captar-se, n\u00e3o apenas nos acontecimentos da hist\u00f3ria de Israel, mas tamb\u00e9m na intimidade pessoal de cada crente, porque a interioridade de cada homem \u00e9 o primeiro campo da ac\u00e7\u00e3o amorosa de Deus. O desejo de Deus e a atrac\u00e7\u00e3o pelo Seu mist\u00e9rio, a for\u00e7a na prova\u00e7\u00e3o e na dor, o sentido redentor do sofrimento e a esperan\u00e7a de vit\u00f3ria sobre a morte, s\u00e3o experi\u00eancias vividas pelos crentes e que tornam sens\u00edvel e capt\u00e1vel a insond\u00e1vel ac\u00e7\u00e3o de Deus. \u00c9 na reden\u00e7\u00e3o dos pecados e na transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, que a experi\u00eancia vivida se torna \u201csinal\u201d do amor misericordioso de Deus. No final do Livro de Job, dram\u00e1tica interroga\u00e7\u00e3o sobre o sentido do sofrimento, Job diz a Deus: \u201cAgora sei que Tu \u00e9s o Todo Poderoso e que podes realizar tudo o que imaginas\u2026 N\u00e3o Te conhecia, sen\u00e3o por ouvir dizer, mas agora os meus olhos viram-Te; retiro tudo o que disse e arrependo-me no p\u00f3 e na cinza\u201d (Job. 42,2-6).  <b>Cristo \u00e9 o mais significativo \u201csinal\u201d da ac\u00e7\u00e3o de Deus<\/b> 3. De todas as ac\u00e7\u00f5es de Deus em favor do Seu Povo, a mais decisiva e radical foi a encarna\u00e7\u00e3o do Seu Filho, a Palavra eterna. Em Jesus Cristo, Deus feito homem, o insond\u00e1vel mist\u00e9rio de Deus fica ao alcance do conhecimento humano. \u00c9 assim que S\u00e3o Jo\u00e3o termina o pr\u00f3logo do seu Evangelho: \u201cNunca ningu\u00e9m viu Deus; o Filho \u00fanico, que est\u00e1 no seio do Pai, deu-O a conhecer\u201d (Jo. 1,18). Cristo \u00e9 o Verbo de Deus; ao fazer-Se homem, fica acess\u00edvel ao homem e torna-Se no verdadeiro fundamento da racionalidade da f\u00e9. Fica claro que acreditar em Deus, acreditando em Jesus Cristo, situa a f\u00e9 como acto de liberdade, acess\u00edvel \u00e0 raz\u00e3o humana. Em cada acto de f\u00e9, o crist\u00e3o participa no Logos eterno de Deus, que se nos revela como o princ\u00edpio da verdadeira sabedoria, da compreens\u00e3o de todas as coisas, segundo a mente divina. Jesus Cristo n\u00e3o \u00e9 uma divindade qualquer; \u00e9 o \u00fanico e verdadeiro Deus humanizado. Ele \u00e9 o \u201csinal\u201d levantado perante as na\u00e7\u00f5es, para que todos possam acreditar e adorar a Deus com todas as for\u00e7as, o cora\u00e7\u00e3o, a intelig\u00eancia, a vontade. Cristo n\u00e3o substitui o Pai; Ele \u00e9 o \u00fanico caminho, verdadeiramente humano, para o homem acolher Deus, tamb\u00e9m com a sua intelig\u00eancia. A solidez das raz\u00f5es do nosso acreditar identificam-se com a profundidade da nossa uni\u00e3o a Jesus Cristo. Ele \u00e9 o verdadeiro fundamento da l\u00f3gica da f\u00e9.  O voc\u00e1bulo grego que significa sinal, \u201csemeia\u201d, muito usado pelo evangelista S\u00e3o Jo\u00e3o, foi traduzido em latim por \u201csacramentum\u201d e, desde o in\u00edcio, a Teologia crist\u00e3 chamou a Cristo o \u201csacramentum primordialis\u201d, isto \u00e9, o sinal fundamental, pois n\u2019Ele continua a manifestar-se a ac\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus. A palavra \u201csacramento\u201d, isto \u00e9, sinal, acabou por designar os sete sinais sacramentais, onde se realiza para o crist\u00e3o, atrav\u00e9s da Igreja, a ac\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus, por Jesus Cristo. S\u00e3o momentos de efic\u00e1cia da Palavra, onde acontece o que ela anuncia, por for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. Viv\u00ea-los com f\u00e9 significa tocar, em cada momento, a ac\u00e7\u00e3o de Deus. Mas eles s\u00e3o \u201csinais\u201d, porque Cristo, Verbo eterno feito carne, o Filho do Pai, \u00e9 o \u201csinal primordial\u201d.  Os sete sinais sacramentais s\u00e3o o caso mais n\u00edtido do dinamismo dos sinais: s\u00f3 a f\u00e9 os torna significativos; mas quando o s\u00e3o, eles tornam a ac\u00e7\u00e3o de Deus acess\u00edvel \u00e0 nossa intelig\u00eancia.  <b>Os milagres de Jesus<\/b>  4. Todos os quatro evangelistas d\u00e3o testemunho da import\u00e2ncia dos milagres no minist\u00e9rio prof\u00e9tico de Jesus: curas, multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, tempestades acalmadas, pescarias extraordin\u00e1rias, transforma\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em vinho, ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. Com essas ac\u00e7\u00f5es maravilhosas, Jesus abre o v\u00e9u do mist\u00e9rio do seu poder divino e facilita a aceita\u00e7\u00e3o da sua Palavra. Tal como no Antigo Testamento, Palavra e ac\u00e7\u00e3o de Deus fazem uma unidade e acontecem no interior da f\u00e9. Jesus faz os milagres \u201cvendo a f\u00e9 daquela gente\u201d ou diz aos miraculados \u201ca tua f\u00e9 te salvou\u201d.  Mas \u00e9 S\u00e3o Jo\u00e3o que chama aos milagres de Jesus \u201csinais\u201d, ac\u00e7\u00f5es maravilhosas do Senhor que ajudar\u00e3o os disc\u00edpulos a aceitar e compreender a sua divindade e a sua ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. Termina, assim, o seu Evangelho: \u201cJesus realizou, na presen\u00e7a dos disc\u00edpulos, muitos outros \u201csinais\u201d, que n\u00e3o s\u00e3o relatados neste livro. Estes foram-no para que acrediteis que Jesus \u00e9 o Cristo, o Filho de Deus e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome\u201d (Jo. 20,30-31).  S\u00e3o Jo\u00e3o estabelece, assim, explicitamente, a rela\u00e7\u00e3o entre os \u201csinais\u201d, isto \u00e9, os milagres de Jesus, e a firmeza da f\u00e9 dos disc\u00edpulos. E diz-nos que escolheu alguns entre os muitos milagres realizados por Jesus. Escolheu sete, valorizando a simbologia deste n\u00famero b\u00edblico, e todos eles est\u00e3o orientados para ajudar os disc\u00edpulos a acreditar na ressurrei\u00e7\u00e3o, a gl\u00f3ria de Deus totalmente revelada no homem Jesus.   Recordemos, rapidamente, a s\u00e9rie de \u201csinais\u201d, seleccionados por S\u00e3o Jo\u00e3o. O primeiro \u00e9 o das Bodas de Can\u00e1 (Jo. 2,1ss), onde Jesus transforma a \u00e1gua em vinho e Maria aparece, pela primeira vez na vida p\u00fablica de Jesus, em primeiro plano. S\u00e3o Jo\u00e3o conclui: \u201ceste foi o primeiro dos \u201csinais\u201d de Jesus. Realizou-o em Can\u00e1 da Galileia. Manifestou a sua gl\u00f3ria e os seus disc\u00edpulos acreditaram n\u2019Ele\u201d (Jo. 2,11).  Seguem-se duas curas, a primeira a do filho de um funcion\u00e1rio real (cf. Jo. 4,43ss). S\u00e3o Jo\u00e3o relaciona este milagre com o das Bodas de Can\u00e1: \u201cEle voltou, ent\u00e3o, a Can\u00e1 da Galileia, onde tinha mudado a \u00e1gua em vinho\u201d (v. 46) e estabeleceu a rela\u00e7\u00e3o entre os milagres e a f\u00e9: \u201cSe n\u00e3o virdes sinais e prod\u00edgios, n\u00e3o acreditais\u201d (v. 48) e conclui: \u201cacreditou ele e todos os seus\u201d (v. 53). O terceiro \u201csinal\u201d \u00e9 a cura de um doente na piscina de B\u00e9zatha (5,1ss). Jesus afirma a\u00ed a prioridade do seu poder salv\u00edfico em compara\u00e7\u00e3o com aquela piscina considerada miraculosa e a\u00ed redefine o sentido do s\u00e1bado \u00e0 luz da sua ressurrei\u00e7\u00e3o.  O quarto \u00e9 a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es (6,1ss) an\u00fancio da Eucaristia, essencial para que os disc\u00edpulos percebam o que \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, continuada nas suas vidas. A cura de um cego de nascen\u00e7a (9,1ss) abre para a compreens\u00e3o da verdadeira luz que brota da P\u00e1scoa, e a ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro (11,1ss) prepara o leitor para o principal e decisivo \u201csinal\u201d, a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo (20,1ss). Ao chegar a este s\u00e9timo milagre, o leitor pode exclamar como o encarregado de mesa das Bodas de Can\u00e1: Tu guardaste o melhor vinho para o fim (cf. Jo. 2,10).  <b>Os \u201csinais\u201d na vida da Igreja<\/b>  5. Esta pedagogia dos \u201csinais\u201d, manifesta\u00e7\u00e3o da ac\u00e7\u00e3o de Deus, que ajudam a acreditar, continua na Igreja. Deus continua a agir na Igreja e em cada crente, atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo que foi derramado nos nossos cora\u00e7\u00f5es. A f\u00e9 \u00e9, tamb\u00e9m, aten\u00e7\u00e3o a essa ac\u00e7\u00e3o de Deus, em n\u00f3s e nos outros, que nos leva a reconhecer, em cada momento e em cada tempo, as \u201cmirabilia Dei\u201d. O discernimento desses \u201csinais\u201d \u00e9 importante para fortalecer a nossa f\u00e9.   No tempo da Igreja tamb\u00e9m h\u00e1 \u201cmilagres\u201d, quase sempre pontos de partida para grandes convers\u00f5es e encontro com Cristo Vivo. Mas \u00e9, sobretudo, o que o Esp\u00edrito realiza no cora\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, em ordem \u00e0 fidelidade e \u00e0 santidade: convers\u00f5es inesperadas, a fidelidade at\u00e9 ao mart\u00edrio, a ousadia mission\u00e1ria, o dom da contempla\u00e7\u00e3o e da uni\u00e3o m\u00edstica com Deus, o dom radical ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os. Os Santos s\u00e3o, em todos os tempos, um \u201csinal\u201d que confirma a nossa f\u00e9 e pode abrir a Deus os cora\u00e7\u00f5es daqueles que o procuram. O pr\u00f3prio crist\u00e3o \u00e9, no meio do mundo, um \u201csinal\u201d da caridade de Deus que nos salvou, em Jesus Cristo.  <b>O sinal do disc\u00edpulo<\/b>  6. Os crist\u00e3os s\u00e3o, por vontade do Senhor, um importante \u201csinal\u201d para o mundo. Jesus disse: \u201c\u00c9 no amor que tereis uns pelos outros, que todos reconhecer\u00e3o que sois meus disc\u00edpulos\u201d (Jo. 13,35). Na coer\u00eancia evang\u00e9lica do nosso amor aos irm\u00e3os, ajudaremos os outros a solidificar a sua f\u00e9. Vede como eles se amam, exclamavam os pag\u00e3os acerca dos primeiros crist\u00e3os. A \u201cfantasia da caridade\u201d, que procuramos viver nesta Quaresma, \u00e9 \u201csinal\u201d particularmente significativo, neste mundo que parece t\u00e3o afastado de Deus.  S\u00e9 Patriarcal, 18 de Mar\u00e7o de 2007 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i>  &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; [1] A. BRIEN, Le Cheminement de la foi, Seuil, Paris, pp., 112-113 [2] Ibidem, p. 112<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequese do Cardeal-Patriarca de Lisboa no 4\u00ba Domingo da Quaresma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,127,168,275,91],"class_list":["post-23507","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-pascoa","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23507\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}