{"id":234870,"date":"2022-04-03T09:30:57","date_gmt":"2022-04-03T08:30:57","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=234870"},"modified":"2022-04-02T14:52:22","modified_gmt":"2022-04-02T13:52:22","slug":"estes-impactos-da-guerra-mostram-que-ha-uma-possibilidade-de-solidariedade-muito-maior-padre-duarte-da-cunha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/estes-impactos-da-guerra-mostram-que-ha-uma-possibilidade-de-solidariedade-muito-maior-padre-duarte-da-cunha\/","title":{"rendered":"\u00abEstes impactos da guerra mostram que h\u00e1 uma possibilidade de solidariedade muito maior\u00bb &#8211; Padre Duarte da Cunha"},"content":{"rendered":"<p><em>Sacerdote do Patriarcado de Lisboa, que durante 10 anos foi secret\u00e1rio-geral do Conselho das Confer\u00eancias Episcopais Europeias (CCEE), aborda crise na Ucr\u00e2nia, impactos da pandemia e do inverno demogr\u00e1fico no continente, pedindo maior aposta em pol\u00edticas de apoio \u00e0s fam\u00edlias<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_136382\" aria-describedby=\"caption-attachment-136382\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/duarte_cunha2019b.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-136382 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/duarte_cunha2019b.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/duarte_cunha2019b.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/duarte_cunha2019b-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/duarte_cunha2019b-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/duarte_cunha2019b-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/duarte_cunha2019b-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-136382\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Presidente do Conselho das Confer\u00eancias Episcopais Europeias condenou a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, alertou para a possibilidade do alastrar do conflito e afirmou determina\u00e7\u00e3o de as Igrejas agirem conjuntamente para acabar com a agress\u00e3o. \u00c9 ineg\u00e1vel a determina\u00e7\u00e3o, a persist\u00eancia do Papa Francisco na procura da paz na regi\u00e3o. Falta essa determina\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia a outros protagonistas<\/em>?<\/p>\n<p>Eu julgo que h\u00e1 unanimidade das Igrejas Crist\u00e3s na Europa na condena\u00e7\u00e3o da invas\u00e3o, n\u00e3o creio que haja muito muitas d\u00favidas sobre isso. Poder\u00e1 haver formas de dizer mais ou menos expl\u00edcitas, por quest\u00f5es que t\u00eam mais a ver com as rela\u00e7\u00f5es ecum\u00e9nicas, com e com as tradi\u00e7\u00f5es e com as rela\u00e7\u00f5es que existiam, porque h\u00e1 tamb\u00e9m o desejo de que, no fim da invas\u00e3o, n\u00e3o fiquemos inimigos.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma perce\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o queremos quebrar as pontes que existem, ainda que n\u00e3o possa haver ambiguidade naquilo que se diz na condena\u00e7\u00e3o da invas\u00e3o e da guerra em geral. N\u00e3o creio que se possa ter d\u00favidas sobre o sob o que est\u00e1 a ser dito, mas \u00e9 preciso ter algum cuidado, com certeza. Esse cuidado n\u00e3o tem tanto a ver com a d\u00favida sobre o que est\u00e1 a acontecer, mas sobre a esperan\u00e7a do que vir\u00e1 a seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso justifica de alguma forma, por exemplo os telefonemas entre o Papa Francisco ou o arcebispo Welby, da Igreja Anglicana, e o patriarca Cirilo, de Moscovo? Ou seja, n\u00e3o derrubar pontes, apesar dos posicionamentos pol\u00e9micos do patriarca russo\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente isso. H\u00e1 um duplo objetivo nestes telefonemas ou nestas tentativas diplom\u00e1ticas &#8211; aquelas que s\u00e3o conhecidas e aquelas que acontecer\u00e3o, certamente, dentro do segredo da vida diplom\u00e1tica que tem a ver com esta quest\u00e3o das pontes. Tem a ver com uma tentativa de convencer o patriarca Cirilo e a Igreja Ortodoxa Russa, em geral, da necessidade de fazer o poss\u00edvel para travar uma guerra cuja justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 nula. Pode haver alguma motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, por parte dos russos, mas nada justificaria uma coisa destas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ficou surpreendido com o posicionamento da Igreja Ortodoxa Russa?<\/em><\/p>\n<p>Surpreendido \u00e9 um pouco dif\u00edcil de dizer. Nas Igrejas Ortodoxas, a rela\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado \u00e9 muito mais estreita do que no mundo ocidental, onde a separa\u00e7\u00e3o Igreja-Estado \u00e9 uma coisa assumida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa interdepend\u00eancia pol\u00edtica, digamos assim, condiciona de alguma forma a posi\u00e7\u00e3o do patriarca de Moscovo?<\/em><\/p>\n<p>Condiciona certamente, em parte. Mas depois h\u00e1 tamb\u00e9m as quest\u00f5es intereclesiais que s\u00e3o complexas: dentro da conce\u00e7\u00e3o do Patriarcado de Moscovo, a Ucr\u00e2nia faz parte do seu territ\u00f3rio, portanto h\u00e1 ali uma ambiguidade se o podemos dizer assim. O patriarca de Moscovo \u00e9 do lado russo, mas deveria ser dos dois lados, por isso seria de esperar que ele fosse um grande apelador da paz. Mas o facto \u00e9 que n\u00e3o foi e est\u00e1 a ser complicado, porque muitas das par\u00f3quias e alguns bispos, inclusive, na Ucr\u00e2nia ligados ao Patriarcado de Moscovo est\u00e3o a deixar de dizer o nome do patriarca na liturgia, o que significa que se est\u00e3o a separar dele. Isto tem criado algumas tens\u00f5es, ainda agora recentemente o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu &#8211; que est\u00e1 de rela\u00e7\u00f5es cortadas com o patriarca Cirilo desde que a Igreja Ortodoxa da Ucr\u00e2nia foi reconhecida por Constantinopla &#8211; esteve agora em Vars\u00f3via com o visitar os refugiados, esteve com o presidente da Confer\u00eancia Episcopal Polaca. H\u00e1 ali uma aproxima\u00e7\u00e3o do patriarca de Constantinopla aos ortodoxos que est\u00e3o a sair da Ucr\u00e2nia que vai criar problemas para o patriarca Cirilo. Ele seria mais compreens\u00edvel se fosse um grande promotor da paz.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabemos \u00e9 de todas as quest\u00f5es internas da R\u00fassia, a coisa \u00e9 muito mais complicada do que n\u00f3s possamos, \u00e0s vezes, imaginar. Como pessoa, o patriarca Cirilo, e o seu segundo, Hil\u00e1rio [respons\u00e1vel pelo Departamento das Rela\u00e7\u00f5es Externas do Patriarcado] s\u00e3o pessoas comprometidas com a hist\u00f3ria de R\u00fassia e comprometidas com a Igreja Russa, s\u00e3o pessoas de f\u00e9 e s\u00e3o pessoas que t\u00eam um ju\u00edzo sobre a situa\u00e7\u00e3o da Europa com algumas coisas verdadeiras. Mas neste momento, vejo-os com uma posi\u00e7\u00e3o muito insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta guerra veio colocar no centro das nossas preocupa\u00e7\u00f5es uma realidade que julg\u00e1vamos imposs\u00edvel. A Europa \u00e9 agora tamb\u00e9m uma das periferias a que temos de dar aten\u00e7\u00e3o<\/em>?<\/p>\n<p>A Europa ser uma periferia n\u00e3o sei exatamente se o podemos dizer, mas na Europa h\u00e1 periferias.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Em termos humanit\u00e1rios\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos muitas situa\u00e7\u00f5es na Europa que s\u00e3o de periferia, no sentido que o Papa Francisco usa: de pessoas que ficam esquecidas, para segundo plano, e que precisam de ser tratadas, cuidadas e acolhidas.<\/p>\n<p>A Europa tem atratividade, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, junto dos outros povos, sobretudo africanos e do M\u00e9dio Oriente em guerra: aqui vive-se uma certa paz, desenvolvimento econ\u00f3mico, h\u00e1 uma liberdade que lhes permite viver, portanto, h\u00e1 aqui uma atratividade.<\/p>\n<p>Neste momento, a quest\u00e3o da guerra da Ucr\u00e2nia \u00e9 mais porque as pessoas est\u00e3o fugir da guerra diretamente e fogem para o s\u00edtio mais perto, n\u00e3o h\u00e1 muita d\u00favida. Mas isto vai criar, certamente, na Europa novas periferias e novas preocupa\u00e7\u00f5es para que a Igreja tem alertado h\u00e1 muito tempo. Mais do que tem alertado &#8211; fui vendo na Europa fora &#8211; h\u00e1 muita a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 muita palavra, sem d\u00favida, e muitas vezes quer\u00edamos mais porque gostamos de ouvir os discursos empolgados dizer as coisas com que concordamos\u2026 Mas no terreno, nas par\u00f3quias, nas C\u00e1ritas, nas solidariedades, h\u00e1 muita coisa a ser feita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falando do que nos trouxe at\u00e9 este momento de guerra. As lideran\u00e7as europeias falharam na sua capacidade de previs\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei se falharam, n\u00e3o sei se conseguem\u2026 dentro das lideran\u00e7as europeias, mesmo pol\u00edticas, a mim parece-me que h\u00e1 ali um jogo de cintura muito grande, porque h\u00e1 muitos interesses econ\u00f3micos, ideol\u00f3gicos e pol\u00edticos. N\u00e3o h\u00e1 uma total transpar\u00eancia na Uni\u00e3o Europeia, n\u00e3o vale a pena imaginar isso.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma necessidade de p\u00f4r povos diferentes, com for\u00e7as econ\u00f3micas diferentes &#8211; o sal\u00e1rio m\u00e9dio na Alemanha ou na Bulg\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa; em Portugal e na Fran\u00e7a, que tamb\u00e9m \u00e9 mais parecido, n\u00e3o \u00e9 igual -, estas coisas todas em conjunto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso limita a capacidade de falar a uma s\u00f3 voz e ter um papel mais forte na media\u00e7\u00e3o, por exemplo?<\/em><\/p>\n<p>Claramente, eu julgo que h\u00e1 pa\u00edses que querem uma coisa e outros querem outra, mas n\u00f3s queremos ter uma mesma voz. Julgo que foi bonito e importante termos visto que a Uni\u00e3o Europeia, quando se tratou da guerra, em si, teve uma unanimidade e uma resposta relativamente forte, esqueceu-se das suas guerras internas, indo em frente nesta condena\u00e7\u00e3o da R\u00fassia e nesta tentativa de proteger a Ucr\u00e2nia, dentro daquilo que consideraram poss\u00edvel e eficaz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A via do di\u00e1logo \u00e9 ainda solu\u00e7\u00e3o? Acredita numa poss\u00edvel media\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9?<\/em><\/p>\n<p>A via do di\u00e1logo \u00e9 sempre poss\u00edvel. A media\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9 j\u00e1 cabe \u00e0s partes decidir se consideram que a Santa S\u00e9 seja suficientemente neutra para poder para poder fazer a media\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, se tiver estatuto, for\u00e7a internacional.<\/p>\n<p>Quer a secretaria de Estado do Vaticano, o cardeal Parolin, quer o Papa t\u00eam dado sinais de disponibilidade para isso e tem experi\u00eancia suficiente. A Santa S\u00e9 tem experi\u00eancia e tem rela\u00e7\u00f5es com os Estados todos, que permitem pensar que teria efic\u00e1cia. Agora, o facto de ser ter ali o problema da Igreja Ortodoxa misturada\u2026<\/p>\n<p>Julgo que as tentativas de di\u00e1logo do Papa Francisco com o patriarca Cirilo tamb\u00e9m t\u00eam a ver com esta oferta de disponibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Criar essa confian\u00e7a para que se possa avan\u00e7ar\u2026.<\/em><\/p>\n<p>Sim.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Voltando \u00e0s quest\u00f5es religiosas e que possam estar subjacentes n\u00e3o s\u00f3 a este conflito, mas uma certa situa\u00e7\u00e3o de fragmenta\u00e7\u00e3o na Europa. J\u00e1 tivemos oportunidade de falar no passado v\u00e1rias vezes. Consegue ligar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o que vivemos tamb\u00e9m ao que tinha denunciado em rela\u00e7\u00e3o ao processo seculariza\u00e7\u00e3o e de uma certa perda de ra\u00edzes espirituais e at\u00e9 religiosas do que deve ser o projeto europeu? <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu penso que a Europa chega a estes momentos, e o que a gente tem para oferecer?\u00a0 Dinheiro, desenvolvimento?\u00a0 Estamos em crise de certa maneira, e depois da pandemia\u2026O que n\u00f3s ter\u00edamos para oferecer \u00e9 uma mundivid\u00eancia e uma antropologia, ou se quisermos uma maneira de olhar para a vida em\u00a0que de facto \u00e9 preciso ter em conta a experi\u00eancia religiosa, porque sen\u00e3o n\u00f3s estamos a desenvolver uma sociedade muito ego\u00edsta. Neste momento, estes impactos da guerra mostram que h\u00e1 uma possibilidade de solidariedade muito maior o que \u00e9 uma coisa bonita, porque est\u00e1 dentro do cora\u00e7\u00e3o do homem. E de repente diante de um drama n\u00f3s esquecemos as nossas d\u00favidas e vamos em frente. Mas a mim parece-me que o ego\u00edsmo, o individualismo que vem desta seculariza\u00e7\u00e3o p\u00f5e em crise tudo aquilo que \u00e9 a coes\u00e3o social, disso n\u00e3o tenho d\u00favidas. E depois, enquanto h\u00e1 dinheiro as coisas v\u00e3o se aguentando, mas quando houver crise financeira, como se costuma dizer: quando n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o h\u00e1 guerra em casa\u2026.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Padre Duarte, a Europa que agora aparece unida na condena\u00e7\u00e3o e no combate \u00e0 invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia e dispon\u00edvel at\u00e9 para acolher refugiados \u00e9 a mesma que se mostrou dividida e at\u00e9 &#8220;amea\u00e7ada&#8221; pela quest\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es. H\u00e1 alguma explica\u00e7\u00e3o para esta situa\u00e7\u00e3o do seu ponto de vista?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o nos esque\u00e7amos que quer a Ucr\u00e2nia quer a R\u00fassia s\u00e3o a Europa. Portanto, estamos aqui a tratar de europeus com europeus, e, portanto, de refugiados europeus que entram dentro da Europa. H\u00e1 aqui uma certa facilidade de acolhimento que torna tamb\u00e9m menos assustador para os pa\u00edses que acolhem que isso possa criar uma convuls\u00e3o social. E por isso, quando se trata de pessoas que v\u00eam de outros continentes, doutras religi\u00f5es, de outros contextos \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o mais delicada.\u00a0 E para o bem deles, e para o bem nosso tem de haver muito mais cuidado, porque sen\u00e3o, a certa altura nem eles v\u00e3o ser bem recebidos, nem n\u00f3s vamos ter a estabilidade necess\u00e1ria para lhes oferecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E mesmo na Ucr\u00e2nia j\u00e1 h\u00e1 relatos de tr\u00e1ficos de pessoas e, portanto, o cuidado tem de existir sempre, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 muitos relatos de tr\u00e1fico e tamb\u00e9m h\u00e1 muitas coisas pouco s\u00e9rias, digamos assim. Mas a sensa\u00e7\u00e3o que eu tenho tido \u00e9 que a preocupa\u00e7\u00e3o, mesmo das pessoas que est\u00e3o a acolher os refugiados e que depois as est\u00e3o a distribuir por v\u00e1rias pessoas \u00e9 de uma preocupa\u00e7\u00e3o cuidadosa. \u00a0Sabe-se que h\u00e1 perigos e portanto, vamos ver que as coisas n\u00e3o corram perigo. Portanto eu penso que a Europa de que me perguntava o Henrique, a Europa de h\u00e1 seis anos ou de h\u00e1 sete anos quando teve a crise dos refugiados que vinham da S\u00edria ou de outros pa\u00edses em guerra, do M\u00e9dio Oriente, ou do Norte da \u00c1frica e estas crises s\u00e3o de facto diferentes pelo impacto que tem junto de n\u00f3s. Por estar mais pr\u00f3ximo tamb\u00e9m faz muito mais impress\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s estamos a conversar num domingo que \u00e9 o dia em que o Papa Francisco encerra a sua visita \u00e0 ilha de Malta na qual vai fazer um gesto simb\u00f3lico com os refugiados que atravessam o Mediterr\u00e2neo. Ou seja, a aten\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica sobre estas popula\u00e7\u00f5es especificamente n\u00e3o desapareceu nem pouco mais ou menos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o desapareceu n\u00e3o, e est\u00e1 muito ativa. \u00c9 verdade que agora temos menos not\u00edcias e, portanto, h\u00e1 menos visibilidade e a ida do Papa ali tamb\u00e9m \u00e9 importante. Lembro-me que estive em Malta e estive num dos campos de refugiados, e faz muita impress\u00e3o estar num campo de refugiados porque h\u00e1 muito controlo, h\u00e1 muita desconfian\u00e7a, h\u00e1 muito medo. Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que depois andava l\u00e1 em Malta e as pessoas de Malta estavam todas com muito medo dos refugiados. Portanto, n\u00e3o havia uma sensa\u00e7\u00e3o de \u00e0-vontade. E quem governa um pa\u00eds tem que ter a perce\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m da sensibilidade das pessoas. Pode-se educar, pode- se acolher\u2026pode-se e deve-se. E isso tudo \u00e9 fundamental. E julgo que h\u00e1\u00a0sinais grandes de se fazer isso.\u00a0 Mas isso requer tamb\u00e9m uma prepara\u00e7\u00e3o das comunidades e uma educa\u00e7\u00e3o. Na parte dos ucranianos \u00e9 diferente tamb\u00e9m. \u00c9 importante que n\u00f3s n\u00e3o nos esque\u00e7amos que h\u00e1 uns 20 milh\u00f5es de ucranianos espalhados pelo mundo e, portanto, todos estes ucranianos que est\u00e3o a sair da Ucr\u00e2nia; n\u00e3o digo todos, mas muitos deles t\u00eam familiares que os podem ajudar e acolher. E, portanto, aquilo que a Igreja e a sociedade em geral est\u00e1 a fazer \u00e9 ajudar a fazer a rela\u00e7\u00e3o entre os que est\u00e3o a sair e os que est\u00e3o a acolher, n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vivemos ainda os efeitos da pandemia a que se junta a guerra na Ucr\u00e2nia. Para combater a crise econ\u00f3mica provocada pela covid de Bruxelas aprovou o denominado Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia. Era o que a Europa precisava ent\u00e3o? A guerra veio de alguma forma desatualizar o PPR?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o quest\u00f5es muito espec\u00edficas e econ\u00f3micas &#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas o tema esteve por exemplo presente nas Jornadas Sociais Europeias em que se falou sobre a Europa e o p\u00f3s-pandemia\u2026.<\/em><\/p>\n<p>Sim. O que d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que est\u00e1 aqui um problema que tem reflexos na economia, mas que \u00e9 maior do que a economia. O problema da pandemia introduziu na vida social e nas rela\u00e7\u00f5es humanas e nas fam\u00edlias, e nas comunidades coisas diferentes e problemas novos que t\u00eam reflexo numa crise econ\u00f3mica que mais ou menos se pode vir a sentir ou se vai sentir, mas tamb\u00e9m tem reflexos nas rela\u00e7\u00f5es sociais e, portanto, na sa\u00fade das pessoas, na sa\u00fade mental tamb\u00e9m, na sa\u00fade psicol\u00f3gica e espiritual.<\/p>\n<p>E nesse sentido aquilo que a Europa precisa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de mais dinheiro para resolver o problema. Se a gente tiver muito dinheiro, mas n\u00e3o tiver cabe\u00e7a para gerir esse dinheiro depois tamb\u00e9m n\u00e3o resolve o problema.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o essencial. Agora estamos a come\u00e7ar com um novo Governo e \u00e9 necess\u00e1ria esta exig\u00eancia at\u00e9 do cidad\u00e3o de n\u00e3o se demitir do seu dever de cidadania de acompanhar a aplica\u00e7\u00e3o destes fundos?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 uma corresponsabilidade. Julgo que a Europa e a democracia \u00e0 europeia que vem desde os tempos dos gregos \u00e9 uma democracia que tem muito a ver com esta ideia de corresponsabilidade. N\u00f3s temos que responder enquanto povo, mas tamb\u00e9m enquanto cada um de n\u00f3s, enquanto cidad\u00e3o. E nesse sentido \u00e9 evidente que n\u00e3o basta que haja um Estado que me sirva o que eu preciso, mas que eu tamb\u00e9m me sinta respons\u00e1vel e correspons\u00e1vel dos meus concidad\u00e3os, dos meus irm\u00e3os e daqueles que est\u00e3o comigo na vida do dia a dia. \u00c9 tamb\u00e9m por isso que a Igreja continua a insistir naquilo que talvez seja um sinal da crise grande da Europa e que a pandemia veio agravar que \u00e9 o problema da fam\u00edlia. A c\u00e9lula b\u00e1sica da sociedade \u00e9 uma fam\u00edlia. Uma fam\u00edlia \u00e9 uma comunidade de vida e amor como dizia o Papa Jo\u00e3o Paulo II. Quer dizer que h\u00e1 ali uma c\u00e9lula que tem a ver com rela\u00e7\u00f5es de amor, interajuda, de amizades, de suporte que vai desde o nascimento at\u00e9 \u00e0 morte. Quer dizer, portanto, as pessoas s\u00e3o apoiadas desde que s\u00e3o concebidas at\u00e9 que morrem s\u00e3o amadas, digamos assim. Mesmo que n\u00e3o sejam sempre facilmente amadas, mas s\u00e3o amadas. Isto \u00e9 a c\u00e9lula de uma sociedade. Quando a sociedade em vez de ser como c\u00e9lula, uma comunidade de vida e amor e tem apenas indiv\u00edduos, todo o problema econ\u00f3mico cresce porque as redes de comunidades tamb\u00e9m s\u00e3o de solidariedade, de apoio e de entreajuda. Se \u00e9 o Estado que tem de pagar tudo, ou se s\u00e3o os ricos que t\u00eam de pagar tudo, depois de repente parece que eu n\u00e3o tenho que fazer nada. Ora, estas guerras o que trazem e estas ondas de refugiados provam-nos que n\u00e3o temos tempo para esperar que o Estado fa\u00e7a isso ou aquilo. E vemos a sociedade civil a mexer-se porque \u00e9 movida pelo amor. E isto \u00e9 um bom sinal.<\/p>\n<p>Mas vamos a ver se a crise da pandemia e do individualismo e da seculariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o diminuem tamb\u00e9m este \u00edmpeto de solidariedade. As pessoas ficam em casa a ver na televis\u00e3o a ver a guerra e dizem: Uau! que pena deles!!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falamos aqui de uma Europa envelhecida sendo n\u00f3s um pa\u00eds onde nascem poucas crian\u00e7as. Este \u00e9 um outro problema que a Europa precisa dar mais aten\u00e7\u00e3o falou ainda agora da quest\u00e3o da fam\u00edlia. \u00a0Ser\u00e1 necess\u00e1ria uma task-force para a promo\u00e7\u00e3o da natalidade?<\/em><\/p>\n<p>Em Bratislava nas jornadas sociais europeias falou-se bastante da demografia, desta transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, e do problema da demografia. E eu julgo que uma das coisas que tamb\u00e9m ficou bem clara \u00e9 que as pol\u00edticas de natalidade t\u00eam que ser sempre associadas a pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e do apoio \u00e0 fam\u00edlia, que vai desde a rela\u00e7\u00e3o entre o trabalho e a fam\u00edlia \u00e0 coes\u00e3o familiar, a quest\u00f5es econ\u00f4micas. a apoios, a subs\u00eddios, liberdades educativas. Portanto, h\u00e1 todo um conjunto de apoio \u00e0 fam\u00edlia que promovem depois e que ajudam as fam\u00edlias a n\u00e3o ter medo de ter filhos e porque se sentem, por um lado livres de os ter, e por outro lado apoiadas para os ter.<\/p>\n<p>Julgo que a Europa est\u00e1 muito assustada. H\u00e1 uns 20 anos atr\u00e1s ainda era s\u00f3 a Igreja que falava do inverno demogr\u00e1fico. Hoje j\u00e1 toda a gente fala do inverno demogr\u00e1fico, porque est\u00e1 muito assustada. De facto, quer economicamente, quer socialmente n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel uma sociedade que est\u00e1 sempre a envelhecer, e a envelhecer sempre cada vez mais. Quer dizer os pr\u00f3prios idosos v\u00e3o deixar de ter apoios nos jovens, e os jovens v\u00e3o entrar em conflito com os idosos porque, a certa altura, n\u00e3o conseguem sobreviver uns e os outros. Isso pode ser uma crise grav\u00edssima. Agora se isto \u00e9 tudo indiv\u00edduos estamos numa situa\u00e7\u00e3o muito mais complicada do que se for c\u00e9lulas das fam\u00edlias, e por isso \u00e9 que a Igreja continua a insistir nesta rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre o que \u00e9 pol\u00edticas de natalidade e o que \u00e9 pol\u00edticas de fam\u00edlia, e de coes\u00e3o social em geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas a Europa est\u00e1 assustada e tem feito pouco para fugir desse medo?<\/em><\/p>\n<p>Porque h\u00e1 quest\u00f5es ideol\u00f3gicas, n\u00e3o \u00e9. Se falarmos do aborto, ou se falamos de todas as pol\u00edticas de uma certa revolu\u00e7\u00e3o sexual que introduziu uma l\u00f3gica de irresponsabilidade na vida sexual das pessoas, a cultura europeia neste momento n\u00e3o falar muito disso, porque n\u00e3o quer diminuir essas liberdades. Mas ao mesmo tempo percebe que isto introduziu um certo caos na quest\u00e3o da natalidade. E agora \u00e9 preciso ter filhos, mas n\u00e3o v\u00e3o fazer pol\u00edtica de natalidade a dizer fa\u00e7am-se filhos. Qualquer dia temos como no admir\u00e1vel mundo novo de\u00a0Aldous Huxley, os filhos feitos em f\u00e1bricas e n\u00e3o feitos em fam\u00edlias. E isso \u00e9 uma coisa que n\u00e3o tem futuro porque quando se tem um filho gera-se uma vida, mas educa-se e integra-se depois na vida social. H\u00e1 toda uma responsabilidade e h\u00e1 capacidade de socializa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e dos jovens que vivem num\u00a0ambiente familiar. Agora quando h\u00e1 falta de m\u00e3o de obra, e precisamos de mais gente, poder\u00e3o os emigrantes resolver isso? Em parte, sim, mas os emigrantes n\u00e3o v\u00eam s\u00f3 com m\u00e3o de obra, v\u00eam como pessoas, e como pessoas com as suas fam\u00edlias, com as suas culturas, com as suas religi\u00f5es.<\/p>\n<p>Portanto h\u00e1 toda uma mudan\u00e7a cultural na Europa inevit\u00e1vel, porque a hist\u00f3ria da Europa \u00e9 feita de mudan\u00e7as culturais, de ondas de pessoas que v\u00eam e que v\u00e3o. Mas, se tivermos uma identidade forte e idealmente crist\u00e3 que introduza, quer o olhar para Deus e para o interior, quer olhar para o irm\u00e3o e para o amor bastante forte; podemos integrar os outros, enriquecer-nos com aquilo que os outros d\u00e3o e ao mesmo tempo mudarmos um bocadinho aquilo que n\u00f3s somos e inclusive at\u00e9 melhorar. Portanto n\u00e3o podemos dizer que estes conceitos sejam s\u00f3 de desespero. H\u00e1 esperan\u00e7as, mas a esperan\u00e7a que tem que estar sempre um bocadinho aliada a um empenho, a fazer qualquer coisa para que aquilo que eu espero aconte\u00e7a. N\u00e3o vou s\u00f3 ficar \u00e0 espera.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sacerdote do Patriarcado de Lisboa, que durante 10 anos foi secret\u00e1rio-geral do Conselho das Confer\u00eancias Episcopais Europeias (CCEE), aborda crise na Ucr\u00e2nia, impactos da pandemia e do inverno demogr\u00e1fico no continente, pedindo maior aposta em pol\u00edticas de apoio \u00e0s fam\u00edlias<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":136382,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[203],"class_list":["post-234870","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/234870","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=234870"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/234870\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136382"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=234870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=234870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=234870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}