{"id":23485,"date":"2007-03-16T17:26:37","date_gmt":"2007-03-16T17:26:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/16\/emigrar-para-a-escravatura\/"},"modified":"2007-03-16T17:26:37","modified_gmt":"2007-03-16T17:26:37","slug":"emigrar-para-a-escravatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/emigrar-para-a-escravatura\/","title":{"rendered":"Emigrar para a escravatura"},"content":{"rendered":"<p>Numa Europa que se proclama de direitos humanos e de justi\u00e7a e de ser exemplo para fora, \u201caqui temos o caso de cidad\u00e3os portugueses, europeus em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de vida e de trabalho\u201d, explicita o Pe. Rui Pedro, director da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es, acerca da situa\u00e7\u00e3o dos 79 portugueses em Espanha que viviam em condi\u00e7\u00f5es penosas de habita\u00e7\u00e3o e trabalho, situa\u00e7\u00e3o descoberta e denunciada ontem.  Esta quinta-feira a Guarda Civil espanhola desmantelou uma rede em v\u00e1rias localidades de Navarra e libertou 91 trabalhadores, 79 dos quais portugueses, que se encontravam em Espanha a trabalhar \u201csazonalmente\u201d, vivendo em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias.  A opera\u00e7\u00e3o resultou em 17 deten\u00e7\u00f5es, sendo que 13 dos detidos t\u00eam nacionalidade portuguesa. Al\u00e9m dos portugueses estavam a ser explorados oito espanh\u00f3is, dois angolanos, um mo\u00e7ambicano e um polaco.   Uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 novidade, \u201cem 2005 no encontro mundial denunci\u00e1mos estas situa\u00e7\u00f5es\u201d, aponta o Pe. Rui Pedro, que sublinha a contradi\u00e7\u00e3o existente e a vergonha \u201cque estando n\u00f3s no ano europeu da igualdade de oportunidades, temos aqui uma prova muito concreta e evidente de como cidad\u00e3os europeus em mobilidade de direito na vizinha Espanha, est\u00e3o enganados por compatriotas e recrutados por ag\u00eancias amb\u00edguas\u201d, esclarece. O preconceito recai em africanos, brasileiros, cidad\u00e3os de leste, mas \u201cestes s\u00e3o portugueses\u201d, trabalhadores rurais que procuram melhores condi\u00e7\u00f5es.   Por isso a OCPM e a Igreja t\u00eam \u201cde continuar a dizer \u00e0s pessoas que se querem ir para outro pa\u00eds preparem bem a sua partida, informem-se bem, procurem lugares com informa\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis\u201d, sublinha o ainda respons\u00e1vel pela OCPM que mais uma vez aponta \u201ca exig\u00eancia de que, tal como se faz para os emigrantes nos Centros Locais de Apoio aos Imigrantes\u201d, \u00e9 preciso dar a conhecer tamb\u00e9m os Gabinetes de Apoio aos Emigrantes \u201cdestinados aos portugueses que querem partir\u201d.   Esta estrutura j\u00e1 existe nos munic\u00edpios mas \u201ch\u00e1 um total desconhecimento e uma burocracia crescente que n\u00e3o deixa lugar \u00e0 operacionalidade\u201d, adianta o Pe. Rui Pedro, sendo por isso necess\u00e1rio agilizar estes gabinetes nas regi\u00f5es de maior partida de imigrantes.  \u201cOs fluxos de partida est\u00e3o a aumentar\u201d, contacta e h\u00e1 que \u201cdar uma resposta hoje a esta necessidade\u201d, devendo tamb\u00e9m haver um refor\u00e7o da campanha de sensibiliza\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o. \u201cEstarmos iludidos com as emigra\u00e7\u00f5es qualificadas, mas temos exemplo de portugueses agricultores, desempregados e de Lisboa\u201d, que deitam por terra alguns estere\u00f3tipos que temos.   Existe tamb\u00e9m um neg\u00f3cio paralelo \u00e0 procura de melhores oportunidades. \u201cN\u00e3o h\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o nas empresas de trabalho tempor\u00e1rio, muitas delas s\u00e3o at\u00e9 fantasmas\u201d. \u201cO mercado de trabalho \u00e9 o grande desregulador da mobilidade\u201d, aponta o Pe. Rui Pedro.  Estava agendado um encontro bilateral entre a Confer\u00eancia Episcopal portuguesa e espanhola, que este ano n\u00e3o se realizou, \u201cmas que se torna imperativo, de forma a estreitar os la\u00e7os de coopera\u00e7\u00e3o e de maior sintonia\u201d, adianta o director da OCPM.  O Padre Rui Pedro est\u00e1 de partida para a Holanda, em companhia de D. Ant\u00f3nio Vitalino, Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal para a Mobilidade Humana, para a Festa dos Povos, que este ano est\u00e1 agendada para Haia, na Holanda, \u201cprecisamente porque no ano passado na Holanda tamb\u00e9m se denunciaram situa\u00e7\u00f5es semelhentes a esta a acontecer em Espanha\u201d.  Entre os dias 20 e 22 acontece o encontro anual dos Coordenadores das Comunidades Cat\u00f3licas de L\u00edngua Portuguesa na Europa sobre \u201cMiss\u00f5es Lingu\u00edsticas e Igreja Local: que rela\u00e7\u00e3o, hoje?\u201d, organizado pela OCPM. \u201cVamos estabelecer contactos locais com os nossos mission\u00e1rios onde existem tr\u00eas comunidades portuguesas, em Haia, Amesterd\u00e3o e Roterd\u00e3o, e onde vamos contactar os conselheiros da comunicada protuguesa para que a Igreja possa perceber melhor o que se passa e passou na Holanda, e de modo a mobilizar as nossas comunidades e agentes pastorais para dar uma resposta de solidariedade e justi\u00e7a e den\u00fancia\u201d, manifesta o Pe. Rui Pedro. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa Europa que se proclama de direitos humanos e de justi\u00e7a e de ser exemplo para fora, \u201caqui temos o caso de cidad\u00e3os portugueses, europeus em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de vida e de trabalho\u201d, explicita o Pe. 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