{"id":23432,"date":"2007-03-13T15:26:55","date_gmt":"2007-03-13T15:26:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/13\/em-cristo-tudo-e-novo\/"},"modified":"2007-03-13T15:26:55","modified_gmt":"2007-03-13T15:26:55","slug":"em-cristo-tudo-e-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/em-cristo-tudo-e-novo\/","title":{"rendered":"\u00abEm Cristo, tudo \u00e9 novo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Augusto C\u00e9sar, na peregrina\u00e7\u00e3o de 13 de Mar\u00e7o, em F\u00e1tima. <!--more--> <i>Em Cristo, tudo \u00e9 novo<\/i> O Ap\u00f3stolo Paulo acaba de usar uma express\u00e3o com resson\u00e2ncias apocal\u00edpticas: &#8216;nova criatura&#8217;! E isto para p\u00f4r em contraste o &#8216;mundo velho&#8217; (com tudo o que tem de apego \u00e0 letra da lei e a uma certa ambi\u00e7\u00e3o terrena)&#8230; e o &#8216;mundo novo&#8217; onde o esp\u00edrito enche o caminho de luz e de confian\u00e7a. E onde se encontra a raz\u00e3o desta mudan\u00e7a? Na interven\u00e7\u00e3o prodigiosa de Deus, que afecta a exist\u00eancia humana no que ela tem de mais profundo, em vez de ficar pelas altera\u00e7\u00f5es exteriores do cosmos. Pois, a grande mudan\u00e7a d\u00e1-se nas pessoas e n\u00e3o nas coisas. E ser\u00e1 esse o caminho que Jesus Cristo vai trilhar? \u00c9, com certeza, uma vez que n&#8217;Ele se realiza a &#8216;reconcilia\u00e7\u00e3o&#8217; do homem com Deus. E, para sublinhar esta ideia, Paulo insiste dez vezes na express\u00e3o, cinco das quais nesta passagem da carta. E depois de denunciar alguns falsos irm\u00e3os que vieram, como intrusos, para provocar um certo distanciamento entre os cor\u00edntios e ele, Paulo afirma claramente que o caminho da reconcilia\u00e7\u00e3o passa primeiramente por Deus. Da\u00ed, a advert\u00eancia aos cor\u00edntios, embora repassada de afecto, e que vale para os crist\u00e3os de todos os tempos. Na realidade, a paz que os homens desejam construir entre si, resulta duma experi\u00eancia feita primeiramente com Deus. Da\u00ed, o lugar da convers\u00e3o, na mensagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima e o lugar do confession\u00e1rio neste Santu\u00e1rio. Tudo isto, porque Jesus Cristo, sendo o verdadeiro agente da reconcilia\u00e7\u00e3o, mediante a Sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, confiou \u00e0 Igreja o dom da media\u00e7\u00e3o e a gra\u00e7a dos Sacramentos. E, assim, falamos da solidariedade de Jesus Cristo com a humanidade e falamos do homem novo, a partir da experi\u00eancia do baptismo. \u00c9 tamb\u00e9m neste sentido que o mesmo Ap\u00f3stolo diz em G\u00e1latas: &#8220;Cristo livrou-nos da maldi\u00e7\u00e3o da lei, tornando-se maldi\u00e7\u00e3o por n\u00f3s&#8221;. Ou seja: aceitou voluntariamente as consequ\u00eancias do pecado, apesar da Sua total inoc\u00eancia. E, assim, n\u00f3s somos fruto da Sua doa\u00e7\u00e3o gratuita e da miseric\u00f3rdia de Deus n&#8217;Ele expressa. Poderemos, ent\u00e3o, regatear os sacramentos, como dom do Seu amor ou substituir a Eucaristia por alguma promessa, cumprida mesmo com sacrif\u00edcio? N\u00e3o deixemos que o laicismo nos d\u00ea li\u00e7\u00f5es de f\u00e9 e se queira transformar em religi\u00e3o de &#8216;estado&#8217;. A laicidade \u00e9 diferente, se respeitar a f\u00e9 e os seus valores espirituais. Mas a tenta\u00e7\u00e3o p\u00f5e \u00e0 prova o nosso testemunho e gostaria, at\u00e9, que nos esquec\u00eassemos de perguntar, a cada momento: Pai, qual \u00e9 a Tua vontade? Ora, esta era a norma da Sagrada Fam\u00edlia de Nazar\u00e9 e deve ser a dos crist\u00e3os. Com Maria, o caminho inspira confian\u00e7a Nesta hora, por\u00e9m, somos convidados a voltar os olhos para o Calv\u00e1rio, de acordo com a leitura do Evangelho. Jesus acaba de exalar o \u00faltimo suspiro, entregando ao Pai o Seu &#8216;projecto&#8217;: &#8220;Nas Tuas m\u00e3os, \u00f3 Pai, entrego o Meu esp\u00edrito&#8221;. E inclinando a cabe\u00e7a, balbuciou: &#8220;Tudo est\u00e1 consumado&#8221;! Ora, nesta forma de ser e de viver, n\u00e3o h\u00e1 lugar para o &#8216;acaso&#8217; nem para o &#8216;capricho&#8217;. Mas, sim, uma complac\u00eancia diante do que \u00e9 bom e do homem feito \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus! Por isso, os argumentos que se usam para privar algu\u00e9m de ser ou para justificar o morrer, traduzem o cinismo do tempo e ca\u00e7oam da verdadeira liberdade. Deixai-me lembrar o exemplo do Papa Jo\u00e3o Paulo lI, na fase final da sua vida e na manifesta\u00e7\u00e3o crente, diante da sua morte: foi a melhor resposta \u00e0 nossa sociedade economicista, que rejeita os velhos e os doentes, \u00e0 conta da m\u00e1quina de calcular. E discursos destes, ouvimo-los todos os dias! Mas vamos olhar, de novo, para o Calv\u00e1rio: os soldados entret\u00eam-se a repartir as vestes&#8230; as santas mulheres a colocar as ligaduras&#8230; e Maria, m\u00e3e de Jesus (mencionada seis vezes no texto), ocupa o lugar central, uma vez que alia o sofrimento \u00e0 fidelidade, em ordem ao &#8216;novo parto&#8217; donde nasce a Igreja e o homem novo. Da\u00ed, a advert\u00eancia ao disc\u00edpulo amado, como refer\u00eancia a cada um de n\u00f3s (&#8220;eis a\u00ed o teu filho&#8221;) e a Maria, como &#8216;mulher&#8217; b\u00edblica, que ocupa a hist\u00f3ria, com o nome de &#8216;nova Eva&#8217;. Quer dizer: chegou a &#8216;hora&#8217; de Jesus, e, com ela, a hora de Maria e da Igreja que Ela simboliza. E assim, o disc\u00edpulo amado recebe em sua casa a M\u00e3e de Jesus, como sua m\u00e3e, isto \u00e9, como algo que lhe pertence e a que n\u00e3o pode renunciar. Pois, a verdadeira heran\u00e7a do disc\u00edpulo \u00e9 a f\u00e9. E, assim, esta cena representa, em s\u00edntese, a obra que Jesus vinha realizar. Ou seja: nascendo a Igreja, Ele pode morrer, pois \u00e9 esta que prolonga a Sua ac\u00e7\u00e3o \u2013 a salva\u00e7\u00e3o do homem! Portanto, a miss\u00e3o do disc\u00edpulo amado nasce da Cruz; e da Cruz nasce tamb\u00e9m a dupla miss\u00e3o de Maria: isto \u00e9, enquanto m\u00e3e de Jesus, merece que os crentes lhe dediquem todo o respeito e venera\u00e7\u00e3o; e enquanto m\u00e3e e s\u00edmbolo da Igreja, deve ser acolhida com gratid\u00e3o e sem desist\u00eancia. Pois, cada um de n\u00f3s est\u00e1 implicado nesta &#8216;hora&#8217;, t\u00e3o singular como cheia de plenitude. Ser\u00e1 que acreditamos nisto com a vida e renovamos neste Santu\u00e1rio o nosso acto de f\u00e9? Ent\u00e3o, regressemos como disc\u00edpulos amados e demos testemunho do que somos, diante do mundo que teima em ser \u00f3rf\u00e3o e descrente, &#8211; embora sinta necessidade da nossa f\u00e9. E talvez nos seja \u00fatil guardar sil\u00eancio, \u00e0 sombra desta Capelinha das Apari\u00e7\u00f5es. Pois, foi neste lugar que Nossa Senhora revelou aos Pastorinhos o encanto do c\u00e9u e os atraiu com afecto maternal. &#8220;Ai que Senhora t\u00e3o linda&#8221;, dizia a Jacinta!. . E a seguir \u00e0 vis\u00e3o do inferno: &#8220;N\u00f3s, n\u00e3o havemos de ofender, nunca, Nosso Senhor, pois est\u00e1 muito ofendido&#8221;! E ser\u00e1 assim? Olhai as guerras&#8230; as crian\u00e7as maltratadas, antes e depois de nascer&#8230; os av\u00f3s distantes dos netos e, muitas vezes, sem visitas da fam\u00edlia&#8230; uma autonomia agressiva (vazia de valores) que os Media denunciam e, logo a seguir, julgam na pra\u00e7a p\u00fablica, como se fossem ju\u00edzes&#8230; e, no meio disto tudo e por causa disto, Jesus crucificado em todos os que sofrem injustamente! Afinal, o Calv\u00e1rio de Jesus n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 d&#8217;Ele e de Sua M\u00e3e; pois, a Igreja passa pelos caminhos do mundo, carregando com a cruz e pedindo aos &#8216;cireneus&#8217; que t\u00eam cora\u00e7\u00e3o, que pousem a enxada dos afazeres e ajudem os que sofrem. Isto, \u00e9 ser crist\u00e3o e ser peregrino de F\u00e1tima. E Nossa Senhora pediu aos Pastorinhos&#8230; para que outros entendessem a mensagem e fossem \u00e0 frente. Podemos ser n\u00f3s, mas temos de vencer o ego\u00edsmo e abrir o cora\u00e7\u00e3o a um ideal que saiba sorrir e exercer a caridade, deixando para tr\u00e1s a mediocridade e os discursos inchados. A vida, na inten\u00e7\u00e3o de Deus, quanto mais se d\u00e1, mais se lucra. E os pais devem ser mestres, fazendo juntamente com os filhos, uma escola de amor circular, que n\u00e3o desiste da virtude, nem mesmo nas dificuldades. Faz-nos bem olhar para Maria, junto \u00e0 Cruz, e em muitas outras circunst\u00e2ncias provadas de car\u00eancias materiais e de sofrimento indiz\u00edvel, diante do filho rejeitado e condenado. Mas, se a lei do amor \u00e9 n\u00e3o desistir, o amor de m\u00e3e \u00e9 grande como a fidelidade. E sem julgar as fam\u00edlias, sofremos com as que sofrem e rezamos por todas elas, mormente quando a prova\u00e7\u00e3o p\u00f5e em risco o amor e faz alternar os filhos ao fim de semana. Oxal\u00e1 que pelo mundo al\u00e9m se oi\u00e7a cantar o &#8220;Ave&#8221; de F\u00e1tima, com sabor aos apelos do c\u00e9u&#8230; e que o murm\u00fario do Ros\u00e1rio seja a ora\u00e7\u00e3o de muita gente, como Nossa Senhora pediu. <i>F\u00e1tima, 13 de Mar\u00e7o de 2007 D. Augusto C\u00e9sar<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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