{"id":2342,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/saudades-da-tabuada\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"saudades-da-tabuada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saudades-da-tabuada\/","title":{"rendered":"Saudades da tabuada"},"content":{"rendered":"<p>A gente n\u00e3o deve falar daquilo que n\u00e3o sabe. \u00c9 verdade. Mas \u00e0s vezes, escutamos pessoas s\u00e1bias a emitirem opini\u00f5es exactamente opostas sobre o mesmo assunto. Quando n\u00e3o, a mesma pessoa, com variantes astron\u00f3micas sobre a mesma mat\u00e9ria, consoante o contexto ou o interlocutor. N\u00e3o se trata bem de mentira ou verdade, mas de aproxima\u00e7\u00f5es a temas \u201ccaleidosc\u00f3picos\u201d, onde o ser e o parecer humano envolvem aspectos que n\u00e3o se arrumam nas f\u00f3rmulas sint\u00e9ticas ou nos t\u00edtulos r\u00e1pidos t\u00e3o apetecidos da comunica\u00e7\u00e3o compacta do nosso tempo. E se o que est\u00e1 em an\u00e1lise \u00e9 a pessoa, qualquer observa\u00e7\u00e3o redobra sempre de complexidade. A\u00ed est\u00e1 mais um come\u00e7o de ano escolar com bandos de crian\u00e7as e jovens a povoarem as nossas escolas. Ainda antes de come\u00e7arem as aulas j\u00e1 muitos comentadores ensaiam conclus\u00f5es: \u201cos alunos n\u00e3o sabem nada e de tudo, n\u00e3o t\u00eam mais que uma vaga ideia. Em matem\u00e1tica grande parte deles n\u00e3o passa de zero e, quanto a portugu\u00eas, basta ouvir as conversas de esquina ou vigiar os erros abissais que cometem nas poucas linhas que escrevem\u201d. E por a\u00ed adiante. Mas \u00e0s vezes colhe-se a impress\u00e3o de que h\u00e1 muitas saudades da velha tabuada, das cantilenas do professor muito bem memorizadas e repetidas pelos bons alunos, das letrinhas muito certas sem um deslize imaginativo, da confus\u00e3o total entre disciplina e aprendizagem, crescimento na cultura e encaixe de formula\u00e7\u00f5es, ou cumprimento burocr\u00e1tico de programas. A mat\u00e9ria \u00e9 complexa, mas n\u00e3o se pode esquecer que estamos perante um \u201chomem novo\u201d que absorve conhecimentos por outras vias e tem arruma\u00e7\u00f5es mentais com outras (des)ordens. Os programas, pastas, ficheiros, disquetes e discos r\u00edgidos, com novos livros cheios de edi\u00e7\u00f5es, inser\u00e7\u00f5es, formata\u00e7\u00f5es, ferramentas, tabelas, janelas e centenas de neologismos instalados na cabe\u00e7a dos novos aprendizes de cultura, convidam os s\u00e1bios, professores e pedagogos a, pelos menos, lerem com melhor aten\u00e7\u00e3o o que vem inscrito no pano fundo sobre que cair\u00e3o todas as suas eruditas li\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m a aprendizagem \u00e9 global e o jogo entre o c\u00e9rebro esquerdo e o direito abre caminhos que devem ser serena e humildemente explorados. Para se n\u00e3o repetir o \u201cerro de Descartes\u201d \u00c9, no m\u00ednimo, precipitado, olhar os caminhos de hoje como se fossem os pachorrentos atalhos do passado. Ser professor \u00e9 uma das miss\u00f5es mais nobres e mais ingratas porque surpreende muitos alunos a alta velocidade numa curva da cultura moderna. Eis uma mat\u00e9ria em que \u00e9 bom sermos eternamente aprendizes. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gente n\u00e3o deve falar daquilo que n\u00e3o sabe. \u00c9 verdade. Mas \u00e0s vezes, escutamos pessoas s\u00e1bias a emitirem opini\u00f5es exactamente opostas sobre o mesmo assunto. Quando n\u00e3o, a mesma pessoa, com variantes astron\u00f3micas sobre a mesma mat\u00e9ria, consoante o contexto ou o interlocutor. N\u00e3o se trata bem de mentira ou verdade, mas de aproxima\u00e7\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[154,261],"class_list":["post-2342","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-crianca","tag-missoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2342","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2342"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2342\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}