{"id":23418,"date":"2007-03-13T13:12:49","date_gmt":"2007-03-13T13:12:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/13\/sacramentum-caritatis-continuacao\/"},"modified":"2007-03-13T13:12:49","modified_gmt":"2007-03-13T13:12:49","slug":"sacramentum-caritatis-continuacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sacramentum-caritatis-continuacao\/","title":{"rendered":"Sacramentum Caritatis (continua\u00e7\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/noticia_all.asp?noticiaid=43816&#038;seccaoid=9&#038;tipoid=217\"> <b><<< Anterior <\/b><\/a>   <B>Participa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o<\/B> 57. Devido ao progresso admir\u00e1vel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, nos \u00faltimos dec\u00e9nios a palavra \u00abparticipa\u00e7\u00e3o\u00bb adquiriu um significado mais amplo do que no passado; com satisfa\u00e7\u00e3o, todos reconhecemos que estes instrumentos oferecem novas possibilidades inclusivamente quanto \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.176 Isto requer dos agentes pastorais do sector uma prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e um vivo sentido de responsabilidade; com efeito, a Santa Missa transmitida na televis\u00e3o ganha inevitavelmente um certo car\u00e1cter de exemplaridade; da\u00ed o dever de prestar particular aten\u00e7\u00e3o a que a celebra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de se realizar em lugares dignos e bem preparados, respeite as normas lit\u00fargicas. Enfim, quanto ao valor desta participa\u00e7\u00e3o na Santa Missa pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, quem assiste a tais transmiss\u00f5es deve saber que, em condi\u00e7\u00f5es normais, n\u00e3o cumpre o preceito dominical; de facto, a linguagem da imagem representa a realidade, mas n\u00e3o a reproduz em si mesma.177 Se \u00e9 muito louv\u00e1vel que idosos e doentes participem na Santa Missa festiva, atrav\u00e9s das transmiss\u00f5es radiotelevisivas, o mesmo n\u00e3o se pode dizer de quem quisesse, por meio de tais transmiss\u00f5es, dispensar-se de ir \u00e0 igreja tomar parte na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica na assembleia da Igreja viva.  <B>Participa\u00e7\u00e3o activa dos doentes<\/B> 58. Considerando a condi\u00e7\u00e3o de quantos por motivos de sa\u00fade ou idade n\u00e3o podem ir aos lugares de culto, quero chamar a aten\u00e7\u00e3o de toda a comunidade eclesial para a necessidade pastoral de garantir a assist\u00eancia espiritual aos doentes, quer estejam nas pr\u00f3prias casas quer se encontrem no hospital. Diversas vezes, no S\u00ednodo dos Bispos, se aludiu \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o; \u00e9 preciso providenciar para que estes nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s possam receber, com frequ\u00eancia, a comunh\u00e3o sacramental; revigorando assim a sua rela\u00e7\u00e3o com Cristo crucificado e ressuscitado, poder\u00e3o sentir a pr\u00f3pria exist\u00eancia inserida plenamente na vida e miss\u00e3o da Igreja, por meio da oferta do seu sofrimento em uni\u00e3o com o sacrif\u00edcio de Nosso Senhor. Uma particular aten\u00e7\u00e3o h\u00e1-de ser reservada aos deficientes: sempre que a sua condi\u00e7\u00e3o o permita, a comunidade crist\u00e3 deve facilitar a sua participa\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o no lugar de culto; a prop\u00f3sito, procure-se remover, nos edif\u00edcios sagrados, eventuais obst\u00e1culos arquitect\u00f3nicos que impe\u00e7am o seu acesso aos deficientes. Enfim, seja garantida tamb\u00e9m a comunh\u00e3o eucar\u00edstica, na medida do poss\u00edvel, aos deficientes mentais, baptizados e crismados: eles recebem a Eucaristia na f\u00e9 tamb\u00e9m da fam\u00edlia ou da comunidade que os acompanha.178  <B>A solicitude pelos presos<\/B> 59. A tradi\u00e7\u00e3o espiritual da Igreja, na esteira duma concreta afirma\u00e7\u00e3o de Cristo (Mt 25,36), individuou na visita aos presos uma das obras de miseric\u00f3rdia corporais. Aqueles que se encontram nesta situa\u00e7\u00e3o t\u00eam particularmente necessidade de ser visitados pelo pr\u00f3prio Senhor, no sacramento da Eucaristia; experimentar a solidariedade da comunidade eclesial, participar na Eucaristia e receber a sagrada comunh\u00e3o num per\u00edodo da vida t\u00e3o especial e doloroso pode seguramente contribuir para a qualidade do seu caminho de f\u00e9 e favorecer a plena recupera\u00e7\u00e3o social da pessoa. Interpretando votos formulados na assembleia sinodal, pe\u00e7o \u00e0s dioceses para providenciarem que haja, na medida do poss\u00edvel, um conveniente investimento de for\u00e7as na actividade pastoral dedicada ao cuidado espiritual dos presos.179  <B>Os migrantes e a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia<\/B> 60. Ao abordar o problema das pessoas que, por motivos v\u00e1rios, s\u00e3o obrigadas a deixar a sua terra, o S\u00ednodo manifestou particular gratid\u00e3o a quantos vivem empenhados no cuidado pastoral dos migrantes. Neste contexto, uma aten\u00e7\u00e3o espec\u00edfica deve ser dada aos migrantes membros das Igrejas Cat\u00f3licas Orientais, j\u00e1 que, \u00e0 separa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria casa, vem juntar-se a dificuldade de n\u00e3o poderem participar na liturgia eucar\u00edstica, segundo o pr\u00f3prio rito a que pertencem; por isso, onde for poss\u00edvel, seja-lhes concedido usufruir da assist\u00eancia de sacerdotes do seu rito. Em todo o caso, pe\u00e7o aos bispos que acolham estes irm\u00e3os na caridade de Cristo. O encontro entre fi\u00e9is de rito diverso pode tornar-se tamb\u00e9m ocasi\u00e3o de m\u00fatuo enriquecimento: penso de modo particular no benef\u00edcio que pode resultar, sobretudo para o clero, do conhecimento das diversas tradi\u00e7\u00f5es.180  <B>As grandes concelebra\u00e7\u00f5es<\/B> 61. A Assembleia sinodal deteve-se a analisar a qualidade da participa\u00e7\u00e3o nas grandes celebra\u00e7\u00f5es que t\u00eam lugar em circunst\u00e2ncias particulares e nas quais se encontram, para al\u00e9m dum grande n\u00famero de fi\u00e9is, tamb\u00e9m muitos sacerdotes concelebrantes.181 \u00c9 f\u00e1cil, por um lado, reconhecer o valor destes momentos, especialmente quando preside o Bispo, rodeado do seu presbit\u00e9rio e dos di\u00e1conos; mas, por outro, em tais ocasi\u00f5es podem verificar-se problemas quanto \u00e0 express\u00e3o sens\u00edvel da unidade do presbit\u00e9rio, especialmente na Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, e quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da sagrada comunh\u00e3o. Deve-se evitar que estas grandes concelebra\u00e7\u00f5es criem dispers\u00e3o; providencie-se a isto mesmo por meio de adequados instrumentos de coordena\u00e7\u00e3o, e organizando o lugar de culto de tal modo que permita aos presb\u00edteros e aos fi\u00e9is uma plena e real participa\u00e7\u00e3o. Entretanto, \u00e9 preciso ter presente que se trata de concelebra\u00e7\u00f5es com \u00edndole excepcional e limitadas a situa\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias.  <B>A l\u00edngua latina<\/B> 62. O que acabo de afirmar n\u00e3o deve, por\u00e9m, ofuscar o valor destas grandes liturgias; penso neste momento, em particular, nas celebra\u00e7\u00f5es que t\u00eam lugar durante encontros internacionais, cada vez mais frequentes hoje, e que devem justamente ser valorizadas. A fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja, quero recomendar o que foi sugerido pelo S\u00ednodo dos Bispos, em sintonia com as directrizes do Conc\u00edlio Vaticano II: 182 exceptuando as leituras, a homilia e a ora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, \u00e9 bom que tais celebra\u00e7\u00f5es sejam em l\u00edngua latina; sejam igualmente recitadas em latim as ora\u00e7\u00f5es mais conhecidas 183 da Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja e, eventualmente, entoadas algumas partes em canto gregoriano. A n\u00edvel geral, pe\u00e7o que os futuros sacerdotes sejam preparados, desde o tempo do semin\u00e1rio, para compreender e celebrar a Santa Missa em latim, bem como para usar textos latinos e entoar o canto gregoriano; nem se transcure a possibilidade de formar os pr\u00f3prios fi\u00e9is para saberem, em latim, as ora\u00e7\u00f5es mais comuns e cantarem, em gregoriano, determinadas partes da liturgia.184  <B>Celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas em pequenos grupos<\/B> 63. Bem distinta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o criada em algumas circunst\u00e2ncias pastorais, onde, precisamente para uma participa\u00e7\u00e3o mais consciente, activa e frutuosa, se favorecem as celebra\u00e7\u00f5es em pequenos grupos. Embora reconhecendo o valor formativo subjacente a estas op\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio especificar que as mesmas devem ser harmonizadas com o conjunto da proposta pastoral da diocese; com efeito, tais experi\u00eancias perderiam o seu car\u00e1cter pedag\u00f3gico, se fossem vistas em antagonismo ou paralelo com a vida da Igreja particular. A este respeito, o S\u00ednodo p\u00f4s em evid\u00eancia alguns crit\u00e9rios a que se devem ater: os pequenos grupos devem servir para unificar a comunidade, e n\u00e3o para a dividir; a prova disto mesmo h\u00e1-de ver-se na pr\u00e1tica concreta; estes grupos devem favorecer a participa\u00e7\u00e3o frutuosa da assembleia inteira e preservar, na medida do poss\u00edvel, a unidade da vida lit\u00fargica de cada uma das fam\u00edlias.185  <B>CELEBRA\u00c7\u00c3O INTERIORMENTE PARTICIPADA  Catequese mistag\u00f3gica<\/B> 64. A grande tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da Igreja ensina-nos que \u00e9 necess\u00e1rio, para uma frutuosa participa\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7ar-se por corresponder pessoalmente ao mist\u00e9rio que \u00e9 celebrado, atrav\u00e9s do oferecimento a Deus da pr\u00f3pria vida em uni\u00e3o com o sacrif\u00edcio de Cristo pela salva\u00e7\u00e3o do mundo inteiro. Por este motivo, o S\u00ednodo dos Bispos recomendou que se fomentasse, nos fi\u00e9is, profunda concord\u00e2ncia das disposi\u00e7\u00f5es interiores com os gestos e palavras; se ela faltasse, as nossas celebra\u00e7\u00f5es, por muito animadas que fossem, arriscar-se-iam a cair no ritualismo. Assim, \u00e9 preciso promover uma educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 eucar\u00edstica que predisponha os fi\u00e9is a viverem pessoalmente o que se celebra. Vista a import\u00e2ncia essencial desta participa\u00e7\u00e3o pessoal e consciente, quais poderiam ser os instrumentos de forma\u00e7\u00e3o mais adequados? Para isso, os padres sinodais indicaram unanimemente a estrada duma catequese de car\u00e1cter mistag\u00f3gico, que leve os fi\u00e9is a penetrarem cada vez mais nos mist\u00e9rios que s\u00e3o celebrados.186 Em concreto e antes de mais, h\u00e1 que afirmar que, devido \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre a arte da celebra\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o activa, \u00aba melhor catequese sobre a Eucaristia \u00e9 a pr\u00f3pria Eucaristia bem celebrada\u00bb; 187 com efeito, por sua natureza a liturgia possui uma efic\u00e1cia pedag\u00f3gica pr\u00f3pria para introduzir os fi\u00e9is no conhecimento do mist\u00e9rio celebrado. Por isso mesmo, na tradi\u00e7\u00e3o mais antiga da Igreja, o caminho formativo do crist\u00e3o \u2013 embora sem descurar a intelig\u00eancia sistem\u00e1tica dos conte\u00fados da f\u00e9 \u2013 assumia sempre um car\u00e1cter de experi\u00eancia, em que era determinante o encontro vivo e persuasivo com Cristo, anunciado por aut\u00eanticas testemunhas. Neste sentido, quem introduz nos mist\u00e9rios \u00e9 primariamente a testemunha; depois, este encontro aprofunda-se, sem d\u00favida, na catequese e encontra a sua fonte e \u00e1pice na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. Desta estrutura fundamental da experi\u00eancia crist\u00e3 parte a exig\u00eancia de um itiner\u00e1rio mistag\u00f3gico, no qual se h\u00e3o-de ter sempre presente tr\u00eas elementos: a) Trata-se, primeiramente, da interpreta\u00e7\u00e3o dos ritos \u00e0 luz dos acontecimentos salv\u00edficos, em conformidade com a tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja; de facto, a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, na sua riqueza infinita, possui cont\u00ednuas refer\u00eancias \u00e0 hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Em Cristo crucificado e ressuscitado, podemos celebrar verdadeiramente o centro recapitulador de toda a realidade (Ef 1,10); desde o seu in\u00edcio, a comunidade crist\u00e3 leu os acontecimentos da vida de Jesus, e particularmente o mist\u00e9rio pascal, em rela\u00e7\u00e3o com todo o percurso do Antigo Testamento. b) Al\u00e9m disso, a catequese mistag\u00f3gica h\u00e1-de preocupar-se por introduzir no sentido dos sinais contidos nos ritos; esta tarefa \u00e9 particularmente urgente numa \u00e9poca acentuadamente tecnol\u00f3gica como a actual, que corre o risco de perder a capacidade de perceber os sinais e os s\u00edmbolos. Mais do que informar, a catequese mistag\u00f3gica dever\u00e1 despertar e educar a sensibilidade dos fi\u00e9is para a linguagem dos sinais e dos gestos que, unidos \u00e0 palavra, constituem o rito. c) Enfim, a catequese mistag\u00f3gica deve preocupar-se por mostrar o significado dos ritos para a vida crist\u00e3, em todas as suas dimens\u00f5es: trabalho e compromisso, pensamentos e afectos, actividade e repouso. Faz parte do itiner\u00e1rio mistag\u00f3gico p\u00f4r em evid\u00eancia a liga\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios celebrados no rito com a responsabilidade mission\u00e1ria dos fi\u00e9is; neste sentido, o fruto maduro da mistagogia \u00e9 a consci\u00eancia de que a pr\u00f3pria vida vai sendo progressivamente transformada pelos sagrados mist\u00e9rios celebrados. Ali\u00e1s, a finalidade de toda a educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 formar o fiel enquanto \u00abhomem novo\u00bb para uma f\u00e9 adulta, que o torne capaz de testemunhar no pr\u00f3prio ambiente a esperan\u00e7a crist\u00e3 que o anima. Condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para se realizar esta tarefa educativa, no \u00e2mbito das nossas comunidades eclesiais, \u00e9 dispor de formadores adequadamente preparados; mas todo o povo de Deus deve, sem d\u00favida, sentir-se comprometido nesta forma\u00e7\u00e3o. Cada comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a ser lugar de introdu\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica aos mist\u00e9rios que se celebram na f\u00e9; a prop\u00f3sito, durante o S\u00ednodo, os padres sublinharam a conveni\u00eancia de um maior envolvimento das comunidades de vida consagrada, movimentos e agrega\u00e7\u00f5es que, pelo pr\u00f3prio carisma, possam dar novo impulso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3.188 Temos a certeza de que, tamb\u00e9m no nosso tempo, o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o poupa a efus\u00e3o dos seus dons para sustentar a miss\u00e3o apost\u00f3lica da Igreja, a quem compete difundir a f\u00e9 e educ\u00e1-la at\u00e9 \u00e0 sua maturidade.189  <B>A rever\u00eancia \u00e0 Eucaristia<\/B> 65. Um sinal convincente da efic\u00e1cia que a catequese eucar\u00edstica tem sobre os fi\u00e9is \u00e9 seguramente o crescimento neles do sentido do mist\u00e9rio de Deus presente entre n\u00f3s; podemos verific\u00e1-lo atrav\u00e9s de espec\u00edficas manifesta\u00e7\u00f5es de rever\u00eancia \u00e0 Eucaristia, nas quais o percurso mistag\u00f3gico deve introduzir os fi\u00e9is.190 Penso, em geral, na import\u00e2ncia dos gestos e posi\u00e7\u00f5es, como, por exemplo, ajoelhar-se durante os momentos salientes da Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica. Embora adaptando-se \u00e0 leg\u00edtima variedade de sinais que tem lugar no contexto das diferentes culturas, cada um viva e exprima a consci\u00eancia de encontrar-se, em cada celebra\u00e7\u00e3o, diante da majestade infinita de Deus, que chega at\u00e9 n\u00f3s humildemente nos sinais sacramentais.  <B>ADORA\u00c7\u00c3O E PIEDADE EUCAR\u00cdSTICA  A rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre celebra\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o<\/B> 66. Um dos momentos mais intensos do S\u00ednodo vivemo-lo quando fomos \u00e0 Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, juntamente com muitos fi\u00e9is, fazer adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Com aquele momento de ora\u00e7\u00e3o, quis a Assembleia dos Bispos n\u00e3o se limitar \u00e0s palavras, na sua chamada de aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e a adora\u00e7\u00e3o. Neste significativo aspecto da f\u00e9 da Igreja, encontra-se um dos elementos decisivos do caminho eclesial que se realizou ap\u00f3s a renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica querida pelo Conc\u00edlio Vaticano II. Quando a reforma dava os primeiros passos, aconteceu \u00e0s vezes n\u00e3o se perceber com suficiente clareza a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre a Santa Missa e a adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento; uma objec\u00e7\u00e3o ent\u00e3o em voga, por exemplo, partia da ideia que o p\u00e3o eucar\u00edstico nos fora dado n\u00e3o para ser contemplado, mas comido. Ora, tal contraposi\u00e7\u00e3o, vista \u00e0 luz da experi\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o da Igreja, aparece realmente destitu\u00edda de qualquer fundamento; j\u00e1 Santo Agostinho dissera: \u00abNemo autem illam carnem manducat, nisi prius adoraverit; (&#8230;) peccemus non adorando \u2013 ningu\u00e9m come esta carne, sem antes a adorar; (\u2026) pecar\u00edamos se n\u00e3o a ador\u00e1ssemos\u00bb.191 De facto, na Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-se connosco; a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 apenas o prolongamento vis\u00edvel da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, a qual, em si mesma, \u00e9 o maior acto de adora\u00e7\u00e3o da Igreja: 192 receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adora\u00e7\u00e3o d\u2019Aquele que comungamos. Precisamente assim, e apenas assim, \u00e9 que nos tornamos um s\u00f3 com Ele e, de algum modo, saboreamos antecipadamente a beleza da liturgia celeste. O acto de adora\u00e7\u00e3o fora da Santa Missa prolonga e intensifica aquilo que se fez na pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Com efeito, \u00absomente na adora\u00e7\u00e3o pode maturar um acolhimento profundo e verdadeiro. Precisamente neste acto pessoal de encontro com o Senhor amadurece depois tamb\u00e9m a miss\u00e3o social, que est\u00e1 encerrada na Eucaristia e deseja romper as barreiras n\u00e3o apenas entre o Senhor e n\u00f3s mesmos, mas tamb\u00e9m, e sobretudo, as barreiras que nos separam uns dos outros\u00bb.193  <B>A pr\u00e1tica da adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica<\/B> 67. Juntamente com a Assembleia sinodal, recomendo, pois, vivamente aos pastores da Igreja e ao povo de Deus a pr\u00e1tica da adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica tanto pessoal como comunit\u00e1ria.194 Para isso, ser\u00e1 de grande proveito uma catequese espec\u00edfica na qual se explique aos fi\u00e9is a import\u00e2ncia deste acto de culto que permite viver, mais profundamente e com maior fruto, a pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Depois, na medida do poss\u00edvel e sobretudo nos centros mais populosos, ser\u00e1 conveniente individuar igrejas ou capelas que se possam reservar propositadamente para a adora\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua. Al\u00e9m disso, recomendo que na forma\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica, particularmente nos itiner\u00e1rios de prepara\u00e7\u00e3o para a Primeira Comunh\u00e3o, se iniciem as crian\u00e7as no sentido e na beleza de demorar-se na companhia de Jesus, cultivando o enlevo pela sua presen\u00e7a na Eucaristia. Quero exprimir, aqui, apre\u00e7o e apoio a todos os institutos de vida consagrada, cujos membros dedicam uma parte significativa do seu tempo \u00e0 adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica; deste modo, oferecem a todos o exemplo de pessoas que se deixam plasmar pela presen\u00e7a real do Senhor. Desejo igualmente encorajar as associa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is, nomeadamente as confrarias, que assumem esta pr\u00e1tica como seu compromisso especial, tornando-se assim fermento de contempla\u00e7\u00e3o para toda a Igreja e apelo \u00e0 centralidade de Cristo na vida dos indiv\u00edduos e da comunidade.  <B>Formas de devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica<\/B> 68. O relacionamento pessoal que cada fiel estabelece com Jesus, presente na Eucaristia, recondu-lo sempre ao conjunto da comunh\u00e3o eclesial, alimentando nele a consci\u00eancia da sua perten\u00e7a ao Corpo de Cristo. Por isso, al\u00e9m de convidar cada um dos fi\u00e9is a encontrar pessoalmente tempo para se demorar em ora\u00e7\u00e3o, diante do Sacramento do altar, sinto o dever de convidar as pr\u00f3prias par\u00f3quias e demais grupos eclesiais a promoverem momentos de adora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Obviamente, conservam todo o seu valor as formas j\u00e1 existentes de devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Penso, por exemplo, nas prociss\u00f5es eucar\u00edsticas, sobretudo a tradicional prociss\u00e3o na solenidade do Corpo de Deus, na devo\u00e7\u00e3o das Quarenta Horas, nos congressos eucar\u00edsticos locais, nacionais e internacionais, e noutras iniciativas an\u00e1logas. Devidamente actualizadas e adaptadas \u00e0s diversas circunst\u00e2ncias, tais formas de devo\u00e7\u00e3o merecem ser cultivadas ainda hoje.195  <B>O lugar do sacr\u00e1rio na igreja<\/B> 69. Ainda relacionado com a import\u00e2ncia da reserva eucar\u00edstica e da adora\u00e7\u00e3o e rever\u00eancia diante do Sacramento do sacrif\u00edcio de Cristo, o S\u00ednodo dos Bispos interrogou-se sobre a devida coloca\u00e7\u00e3o do sacr\u00e1rio, dentro das nossas igrejas.196 Com efeito, uma correcta localiza\u00e7\u00e3o do mesmo ajuda a reconhecer a presen\u00e7a real de Cristo no Sant\u00edssimo Sacramento; por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que o lugar onde s\u00e3o conservadas as esp\u00e9cies eucar\u00edsticas seja f\u00e1cil de individuar por qualquer pessoa que entre na igreja, gra\u00e7as nomeadamente \u00e0 l\u00e2mpada do Sant\u00edssimo perenemente acesa. Tendo em vista tal objectivo, \u00e9 preciso considerar a disposi\u00e7\u00e3o arquitect\u00f3nica do edif\u00edcio sagrado: nas igrejas, onde n\u00e3o existe a capela do Sant\u00edssimo Sacramento mas perdura o altar-mor com o sacr\u00e1rio, conv\u00e9m continuar a valer-se de tal estrutura para a conserva\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o da Eucaristia, evitando por\u00e9m colocar a cadeira do celebrante na sua frente. Nas novas igrejas, bom seria predispor a capela do Sant\u00edssimo nas proximidades do presbit\u00e9rio; onde isso n\u00e3o for poss\u00edvel, \u00e9 prefer\u00edvel colocar o sacr\u00e1rio no presbit\u00e9rio, em lugar suficientemente elevado, no centro do fecho absidal ou ent\u00e3o noutro ponto onde fique de igual modo bem vis\u00edvel. Estas precau\u00e7\u00f5es concorrem para conferir dignidade ao sacr\u00e1rio que deve ser sempre cuidado, tamb\u00e9m sob o perfil art\u00edstico. Obviamente, \u00e9 necess\u00e1rio ter em conta tamb\u00e9m o que diz a prop\u00f3sito a Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano.197 Em todo o caso, o ju\u00edzo \u00faltimo sobre esta mat\u00e9ria compete ao bispo diocesano.    <B>III PARTE EUCARISTIA, MIST\u00c9RIO VIVIDO \u00abAssim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, tamb\u00e9m aquele que Me come viver\u00e1 por Mim\u00bb (Jo 6,57)  FORMA EUCAR\u00cdSTICA DA VIDA CRIST\u00c3  O culto espiritual<\/B> 70. O Senhor Jesus, que para n\u00f3s se fez alimento de verdade e amor, falando do dom da sua vida assegura-nos: \u00abQuem comer deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente\u00bb (Jo 6,51). Mas, esta \u00abvida eterna\u00bb come\u00e7a em n\u00f3s, j\u00e1 agora, atrav\u00e9s da mudan\u00e7a que o dom eucar\u00edstico gera na nossa vida: \u00abAquele que me come viver\u00e1 por mim\u00bb (Jo 6,57). Estas palavras de Jesus permitem-nos compreender que o mist\u00e9rio \u00abacreditado\u00bb e \u00abcelebrado\u00bb possui em si mesmo um tal dinamismo, que faz dele princ\u00edpio de vida nova em n\u00f3s e forma da exist\u00eancia crist\u00e3. De facto, comungando o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, vamo-nos tornando participantes da vida divina de modo sempre mais adulto e consciente. Vale aqui o mesmo que Santo Agostinho afirma a prop\u00f3sito do Verbo (Logos) eterno, alimento da alma, quando, pondo em evid\u00eancia o car\u00e1cter paradoxal deste alimento, o santo doutor imagina ouvi-lo dizer: \u00abSou o p\u00e3o dos fortes; cresce e comer-me-\u00e1s. N\u00e3o me transformar\u00e1s em ti como ao alimento da tua carne, mas mudar-te-\u00e1s em mim\u00bb.198 Com efeito, n\u00e3o \u00e9 o alimento eucar\u00edstico que se transforma em n\u00f3s, mas somos n\u00f3s que acabamos misteriosamente mudados por ele. Cristo alimenta-nos, unindo-nos a si; \u00abatrai-nos para dentro de si\u00bb.199 A celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica surge aqui em toda a sua for\u00e7a como fonte e \u00e1pice da exist\u00eancia eclesial, enquanto exprime a origem e simultaneamente a realiza\u00e7\u00e3o do culto novo e definitivo, o culto espiritual (logik\u00e9 latre\u00eda).200 As palavras que encontramos sobre isto, na Carta de S\u00e3o Paulo aos Romanos, s\u00e3o a formula\u00e7\u00e3o mais sint\u00e9tica do modo como a Eucaristia transforma toda a nossa vida em culto espiritual agrad\u00e1vel a Deus: \u00abPe\u00e7o-vos, irm\u00e3os, pela miseric\u00f3rdia de Deus, que ofere\u00e7ais os vossos corpos como sacrif\u00edcio vivo, santo, agrad\u00e1vel a Deus. Tal \u00e9 o culto espiritual que lhe deveis prestar\u00bb (12,1). Nesta exorta\u00e7\u00e3o, aparece a imagem do novo culto como oferta total da pr\u00f3pria pessoa em comunh\u00e3o com toda a Igreja. A insist\u00eancia do Ap\u00f3stolo sobre a oferta dos nossos corpos sublinha o concretismo humano dum culto de forma alguma desencarnado. E, a prop\u00f3sito, o santo de Hipona lembra-nos que \u00abeste \u00e9 o sacrif\u00edcio dos crist\u00e3os, ou seja, serem muitos e um s\u00f3 corpo em Cristo. A Igreja celebra este mist\u00e9rio atrav\u00e9s do Sacramento do altar, que os fi\u00e9is bem conhecem e no qual se lhes mostra claramente que, naquilo que se oferece, ela mesma \u00e9 oferecida\u00bb.201 De facto, a doutrina cat\u00f3lica afirma que a Eucaristia, enquanto sacrif\u00edcio de Cristo, \u00e9 tamb\u00e9m sacrif\u00edcio da Igreja e, consequentemente, dos fi\u00e9is.202 Esta insist\u00eancia sobre o sacrif\u00edcio \u2013 sacrum facere, \u00abtornar sagrado\u00bb \u2013 exprime aqui toda a densidade existencial que est\u00e1 implicada na transforma\u00e7\u00e3o da nossa realidade humana alcan\u00e7ada por Cristo (Fl 3,12).  <B>Efic\u00e1cia omnicompreensiva do culto eucar\u00edstico<\/B> 71. O novo culto crist\u00e3o engloba todos os aspectos da exist\u00eancia, transfigurando-a: \u00abQuando comeis ou bebeis, ou fazeis qualquer outra coisa, fazei tudo para gl\u00f3ria de Deus\u00bb (1Cor 10,31). Em cada acto da sua vida, o crist\u00e3o \u00e9 chamado a manifestar o verdadeiro culto a Deus; daqui toma forma a natureza intrinsecamente eucar\u00edstica da vida crist\u00e3. Uma vez que abra\u00e7a a realidade humana do crente em seu concretismo quotidiano, a Eucaristia torna poss\u00edvel dia ap\u00f3s dia a progressiva transfigura\u00e7\u00e3o do homem, por gra\u00e7a chamado a ser conforme \u00e0 imagem do Filho de Deus (Rm 8,29s). Nada h\u00e1 de autenticamente humano \u2013 pensamentos e afectos, palavras e obras \u2013 que n\u00e3o encontre no sacramento da Eucaristia a forma adequada para ser vivido em plenitude. Sobressai aqui todo o valor antropol\u00f3gico da novidade radical trazida por Cristo com a Eucaristia: o culto a Deus na exist\u00eancia humana n\u00e3o pode ser relegado para um momento particular e privado, mas tende, por sua natureza, a permear cada aspecto da realidade do indiv\u00edduo. Assim, o culto agrad\u00e1vel a Deus torna-se uma nova maneira de viver todas as circunst\u00e2ncias da exist\u00eancia, na qual cada particular fica exaltado porque vivido dentro do relacionamento com Cristo e como oferta a Deus. A gl\u00f3ria de Deus \u00e9 o homem vivo (1Cor 10,31); e a vida do homem \u00e9 a vis\u00e3o de Deus.203  <B>Viver segundo o domingo<\/B> 72. Esta novidade radical, que a Eucaristia introduz na vida do homem, revelou-se \u00e0 consci\u00eancia crist\u00e3 desde o princ\u00edpio; prontamente os fi\u00e9is compreenderam a influ\u00eancia profunda que a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica exercia sobre o estilo da sua vida. Santo In\u00e1cio de Antioquia exprimia esta verdade designando os crist\u00e3os como \u00abaqueles que chegaram \u00e0 nova esperan\u00e7a\u00bb, e apresentava-os como aqueles que vivem \u00absegundo o domingo\u00bb (iuxta dominicam viventes).204 Esta express\u00e3o do grande m\u00e1rtir antioqueno p\u00f5e claramente em evid\u00eancia a liga\u00e7\u00e3o entre a realidade eucar\u00edstica e a vida crist\u00e3 no seu dia-a-dia. O costume caracter\u00edstico que t\u00eam os crist\u00e3os de se reunirem no primeiro dia depois do s\u00e1bado, para celebrar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u2013 conforme a narra\u00e7\u00e3o do m\u00e1rtir S\u00e3o Justino205 \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m o dado que define a forma da vida renovada pelo encontro com Cristo. Mas, a express\u00e3o de Santo In\u00e1cio \u2013 \u00abviver segundo o domingo\u00bb \u2013 sublinha tamb\u00e9m o valor paradigm\u00e1tico que este dia santo tem para os restantes dias da semana. De facto, o domingo n\u00e3o se distingue com base na simples suspens\u00e3o das actividades habituais, como se fosse uma esp\u00e9cie de par\u00eantesis dentro do ritmo normal dos dias; os crist\u00e3os sempre sentiram este dia como o primeiro da semana, porque nele se faz mem\u00f3ria da novidade radical trazida por Cristo. Por isso, o domingo \u00e9 o dia em que o crist\u00e3o reencontra a forma eucar\u00edstica pr\u00f3pria da sua exist\u00eancia, segundo a qual \u00e9 chamado a viver constantemente: \u00abviver segundo o domingo\u00bb significa viver consciente da liberta\u00e7\u00e3o trazida por Cristo e realizar a pr\u00f3pria exist\u00eancia como oferta de si mesmo a Deus, para que a sua vit\u00f3ria se manifeste plenamente a todos os homens atrav\u00e9s duma conduta intimamente renovada.  <B>Viver o preceito dominical<\/B> 73. Cientes deste princ\u00edpio novo de vida que a Eucaristia deposita no crist\u00e3o, os padres sinodais reafirmaram a import\u00e2ncia que tem, para todos os fi\u00e9is, o preceito dominical como fonte de liberdade aut\u00eantica, a fim de poderem viver cada um dos outros dias segundo o que celebraram no \u00abdia do Senhor\u00bb. Com efeito, a vida de f\u00e9 corre perigo quando se deixa de sentir desejo de participar na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica em que se faz mem\u00f3ria da vit\u00f3ria pascal. A participa\u00e7\u00e3o na assembleia lit\u00fargica dominical, ao lado de todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s com os quais se forma um s\u00f3 Corpo em Cristo Jesus, \u00e9 exigida pela consci\u00eancia crist\u00e3 e simultaneamente educa a consci\u00eancia crist\u00e3. Perder o sentido do domingo como dia do Senhor que deve ser santificado \u00e9 sintoma duma perda do sentido aut\u00eantico da liberdade crist\u00e3, a liberdade dos filhos de Deus.206 Continuam a ser preciosas as observa\u00e7\u00f5es feitas a este respeito pelo meu venerado predecessor Jo\u00e3o Paulo II, na Carta Apost\u00f3lica Dies Domini,207 quando trata das diversas dimens\u00f5es que o domingo tem para os crist\u00e3os: \u00e9 dies Domini, em referimento \u00e0 obra da cria\u00e7\u00e3o; dies Christi, enquanto dia da nova cria\u00e7\u00e3o e do dom do Esp\u00edrito Santo que o Senhor Ressuscitado concede; dies Ecclesi\u00e6, como dia em que a comunidade crist\u00e3 se re\u00fane para a celebra\u00e7\u00e3o; dies hominis, porque dia de alegria, repouso e caridade fraterna. Um tal dia aparece, assim, como festa primordial em que todo o fiel, no pr\u00f3prio ambiente onde vive, se pode fazer arauto e guardi\u00e3o do sentido do tempo. Deste dia, com efeito, brota o sentido crist\u00e3o da exist\u00eancia e uma nova maneira de viver o tempo, as rela\u00e7\u00f5es, o trabalho, a vida e a morte. Por isso, \u00e9 bom que, no dia do Senhor, as realidades eclesiais organizem, a partir da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica dominical, manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da comunidade crist\u00e3: encontros de amizade, iniciativas para a forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, jovens e adultos na f\u00e9, peregrina\u00e7\u00f5es, obras de caridade e momentos variados de ora\u00e7\u00e3o. Por causa destes valores t\u00e3o importantes \u2013 embora justamente a tarde de s\u00e1bado a partir das primeiras V\u00e9speras j\u00e1 perten\u00e7a ao domingo, sendo permitido cumprir nela o preceito dominical \u2013 \u00e9 necess\u00e1rio recordar que \u00e9 o domingo em si mesmo que merece ser santificado, para que n\u00e3o acabe por ficar um dia \u00abvazio de Deus\u00bb.208  <B>O sentido do repouso e do trabalho<\/B> 74. \u00c9 particularmente urgente no nosso tempo lembrar que o dia do Senhor \u00e9 tamb\u00e9m o dia de repouso do trabalho. Desejamos vivamente que isto mesmo seja reconhecido tamb\u00e9m pela sociedade civil, de modo que se possa ficar livre das obriga\u00e7\u00f5es laborais sem ser penalizado por isso. De facto, os crist\u00e3os \u2013 n\u00e3o sem rela\u00e7\u00e3o com o significado do s\u00e1bado na tradi\u00e7\u00e3o hebraica \u2013 viram no dia do Senhor tamb\u00e9m o dia de repouso da fadiga quotidiana. Isto possui um significado bem preciso, ou seja, constitui uma relativiza\u00e7\u00e3o do trabalho, que tem por finalidade o homem: o trabalho \u00e9 para o homem e n\u00e3o o homem para o trabalho. \u00c9 f\u00e1cil intuir a tutela que isto oferece ao pr\u00f3prio homem, ficando assim emancipado duma poss\u00edvel forma de escravid\u00e3o. Como j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de afirmar, \u00abo trabalho reveste uma import\u00e2ncia prim\u00e1ria para a realiza\u00e7\u00e3o do homem e o progresso da sociedade; por isso, torna-se necess\u00e1rio que aquele seja sempre organizado e realizado no pleno respeito da dignidade humana e ao servi\u00e7o do bem comum. Ao mesmo tempo, \u00e9 indispens\u00e1vel que o homem n\u00e3o se deixe escravizar pelo trabalho, que n\u00e3o o idolatre pretendendo achar nele o sentido \u00faltimo e definitivo da vida\u00bb.209 \u00c9 no dia consagrado a Deus que o homem compreende o sentido da sua exist\u00eancia e tamb\u00e9m do trabalho.210  <B>Assembleias dominicais na aus\u00eancia de sacerdote<\/B> 75. Uma vez descoberto o significado da celebra\u00e7\u00e3o dominical para a vida do crist\u00e3o, coloca-se espontaneamente o problema das comunidades crist\u00e3s onde falta o sacerdote e, consequentemente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel celebrar a Santa Missa no dia do Senhor. A tal respeito, conv\u00e9m reconhecer que nos encontramos perante situa\u00e7\u00f5es muito diversificadas entre si. Antes de mais, o S\u00ednodo recomendou aos fi\u00e9is que fossem a uma das igrejas da diocese onde est\u00e1 garantida a presen\u00e7a do sacerdote, mesmo que isso lhes exija um pouco de sacrif\u00edcio.211 Entretanto, nos casos em que se torne praticamente imposs\u00edvel a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia dominical, devido \u00e0 grande dist\u00e2ncia, \u00e9 importante que as comunidades crist\u00e3s se re\u00fanam igualmente para louvar o Senhor e fazer mem\u00f3ria do dia a Ele dedicado. Mas isso dever\u00e1 verificar-se a partir duma conveniente instru\u00e7\u00e3o sobre a diferen\u00e7a entre a Santa Missa e as assembleias dominicais \u00e0 espera de sacerdote. A solicitude pastoral da Igreja h\u00e1-de exprimir-se, neste caso, vigiando que a liturgia da Palavra \u2013 organizada sob a guia dum di\u00e1cono ou dum respons\u00e1vel da comunidade a quem foi regularmente confiado este minist\u00e9rio pela autoridade competente \u2013 se realize segundo um ritual espec\u00edfico elaborado pelas Confer\u00eancias Episcopais e para tal fim aprovado por elas.212 Lembro que compete aos Ordin\u00e1rios conceder a faculdade de distribuir a comunh\u00e3o nessas liturgias, ponderando atentamente a conveni\u00eancia da escolha a fazer. Al\u00e9m disso, tudo deve ser feito de forma que tais assembleias n\u00e3o criem confus\u00e3o quanto ao papel central do sacerdote e \u00e0 dimens\u00e3o sacramental na vida da Igreja. A import\u00e2ncia da fun\u00e7\u00e3o dos leigos, a quem justamente h\u00e1 que agradecer a generosidade ao servi\u00e7o das comunidades crist\u00e3s, jamais deve ofuscar o minist\u00e9rio insubstitu\u00edvel dos sacerdotes na vida da Igreja.213 Por isso, vigie-se atentamente sobre as assembleias \u00e0 espera de sacerdote para que n\u00e3o d\u00eaem lugar a vis\u00f5es eclesiol\u00f3gicas incompat\u00edveis com a verdade do Evangelho e a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja; devem antes tornar-se ocasi\u00f5es privilegiadas de ora\u00e7\u00e3o a Deus para que mande sacerdotes santos segundo o seu Cora\u00e7\u00e3o. A prop\u00f3sito, vale a pena recordar aquilo que escreveu o papa Jo\u00e3o Paulo II, na Carta aos Sacerdotes, por ocasi\u00e3o da Quinta-feira Santa de 1979, recordando o caso comovente que se verificava em certos lugares onde as pessoas, privadas de sacerdote pelo regime ditatorial, se reuniam numa igreja ou num santu\u00e1rio, colocavam sobre o altar a estola que ainda conservavam e recitavam as ora\u00e7\u00f5es da liturgia eucar\u00edstica at\u00e9 ao \u00abmomento que corresponderia \u00e0 transubstancia\u00e7\u00e3o\u00bb e a\u00ed se detinham em sil\u00eancio, dando testemunho de qu\u00e3o \u00abardentemente desejavam ouvir aquelas palavras que s\u00f3 os l\u00e1bios dum sacerdote podiam eficazmente pronunciar\u00bb.214 Precisamente nesta perspectiva, considerando o bem incompar\u00e1vel que deriva da celebra\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio eucar\u00edstico, pe\u00e7o a todos os sacerdotes uma efectiva e concreta disponibilidade para visitarem, com a maior assiduidade poss\u00edvel, as comunidades que est\u00e3o confiadas ao seu cuidado pastoral, a fim de n\u00e3o ficarem demasiado tempo sem o sacramento da caridade.  <B>UMA FORMA EUCAR\u00cdSTICA DA EXIST\u00caNCIA CRIST\u00c3, A PERTEN\u00c7A ECLESIAL<\/B>  76. A import\u00e2ncia do domingo como dia da Igreja (dies Ecclesi\u00e6) traz-nos \u00e0 mente a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre a vit\u00f3ria de Jesus sobre o mal e a morte, e a nossa perten\u00e7a ao seu corpo eclesial; no dia do Senhor, com efeito, todo o crist\u00e3o reencontra tamb\u00e9m a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da sua exist\u00eancia redimida. Participar na ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, comungar o Corpo e o Sangue de Cristo significa, ao mesmo tempo, tornar cada vez mais \u00edntima e profunda a pr\u00f3pria perten\u00e7a \u00e0quele que morreu por n\u00f3s (1Cor 6,19s; 7,23). Verdadeiramente, quem se nutre de Cristo, vive por Ele. Compreende-se o sentido profundo da comunh\u00e3o dos santos (communio sanctorum), relacionando-a com o mist\u00e9rio eucar\u00edstico. A comunh\u00e3o tem sempre e inseparavelmente uma conota\u00e7\u00e3o vertical e uma horizontal: comunh\u00e3o com Deus e comunh\u00e3o com os irm\u00e3os e irm\u00e3s. Estas duas dimens\u00f5es encontram-se misteriosamente no dom eucar\u00edstico. \u00abOnde se destr\u00f3i a comunh\u00e3o com Deus, que \u00e9 comunh\u00e3o com o Pai, com o Filho e com o Esp\u00edrito Santo, destr\u00f3i-se tamb\u00e9m a raiz e a fonte da comunh\u00e3o entre n\u00f3s. E onde a comunh\u00e3o entre n\u00f3s n\u00e3o for vivida, tamb\u00e9m a comunh\u00e3o com o Deus-Trindade n\u00e3o \u00e9 viva nem verdadeira\u00bb.215 Chamados, pois, a ser membros de Cristo e consequentemente membros uns dos outros (1Cor 12,27), constitu\u00edmos uma realidade ontologicamente fundada no Baptismo e alimentada pela Eucaristia, realidade essa que exige ter express\u00e3o sens\u00edvel na vida das nossas comunidades. A forma eucar\u00edstica da vida crist\u00e3 \u00e9, sem d\u00favida, eclesial e comunit\u00e1ria. Atrav\u00e9s da diocese e das par\u00f3quias, enquanto estruturas basilares da Igreja num territ\u00f3rio particular, cada fiel pode fazer experi\u00eancia concreta da sua perten\u00e7a ao Corpo de Cristo. As associa\u00e7\u00f5es, os movimentos eclesiais e novas comunidades \u2013 com a vivacidade dos carismas que lhes foram concedidos pelo Esp\u00edrito Santo para o nosso tempo \u2013 bem como os institutos de vida consagrada t\u00eam a miss\u00e3o de oferecer a sua contribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para favorecer nos fi\u00e9is a percep\u00e7\u00e3o desta sua perten\u00e7a ao Senhor (Rm 14,8). O fen\u00f3meno da seculariza\u00e7\u00e3o, que apresenta \u2013 n\u00e3o por acaso \u2013 tra\u00e7os fortemente individualistas, logra seus efeitos delet\u00e9rios sobretudo nas pessoas que se isolam por escasso sentido de perten\u00e7a. Desde os seus in\u00edcios, sempre o Cristianismo implica uma companhia, uma trama de rela\u00e7\u00f5es continuamente vivificadas pela escuta da Palavra e pela celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e animadas pelo Esp\u00edrito Santo.  <B>Espiritualidade e cultura eucar\u00edstica<\/B> 77. Os padres sinodais afirmaram, significativamente, que \u00abos fi\u00e9is crist\u00e3os precisam duma compreens\u00e3o mais profunda das rela\u00e7\u00f5es entre a Eucaristia e a vida quotidiana. A espiritualidade eucar\u00edstica n\u00e3o \u00e9 apenas participa\u00e7\u00e3o na Missa e devo\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento; mas abra\u00e7a a vida inteira\u00bb.216 Um tal realce assume actualmente particular significado para todos n\u00f3s; \u00e9 preciso reconhecer que um dos efeitos mais graves da seculariza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 pouco mencionada, \u00e9 ter relegado a f\u00e9 crist\u00e3 para a margem da exist\u00eancia, como se fosse in\u00fatil para a realiza\u00e7\u00e3o concreta da vida dos homens; a fal\u00eancia desta maneira de viver \u00abcomo se Deus n\u00e3o existisse\u00bb est\u00e1 agora patente a todos. Hoje torna-se necess\u00e1rio redescobrir que Jesus Cristo n\u00e3o \u00e9 uma simples convic\u00e7\u00e3o privada ou uma doutrina abstracta, mas uma pessoa real cuja inser\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria \u00e9 capaz de renovar a vida de todos. Por isso, a Eucaristia, enquanto fonte e \u00e1pice da vida e miss\u00e3o da Igreja, deve traduzir-se em espiritualidade, em vida \u00absegundo o Esp\u00edrito\u00bb (Rm 8,4s; cf. Gl 5,16.25). \u00c9 significativo que S\u00e3o Paulo, na passagem da Carta aos Romanos onde convida a viver o novo culto espiritual, apele ao mesmo tempo para a necessidade de mudar a pr\u00f3pria forma de viver e pensar: \u00abN\u00e3o vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renova\u00e7\u00e3o da vossa mente, para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus, o que \u00e9 bom, o que lhe \u00e9 agrad\u00e1vel, o que \u00e9 perfeito\u00bb (12,2). Deste modo, o Ap\u00f3stolo das Gentes p\u00f5e em evid\u00eancia a liga\u00e7\u00e3o entre o verdadeiro culto espiritual e a necessidade duma nova maneira de compreender a exist\u00eancia e orientar a vida. Constitui parte integrante da forma eucar\u00edstica da vida crist\u00e3 a renova\u00e7\u00e3o da mentalidade, pois \u00abassim j\u00e1 n\u00e3o seremos crian\u00e7as inconstantes, levadas ao sabor de todo o vento de doutrina\u00bb (Ef 4,14).  <B>Eucaristia e evangeliza\u00e7\u00e3o das culturas<\/B> 78. Daquilo que ficou dito, segue-se que o mist\u00e9rio eucar\u00edstico nos p\u00f5e em di\u00e1logo com as v\u00e1rias culturas, mas de certa forma tamb\u00e9m as desafia.217 \u00c9 preciso reconhecer o car\u00e1cter intercultural deste novo culto, desta logik\u00e9 latre\u00eda: a presen\u00e7a de Jesus Cristo e a efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo s\u00e3o acontecimentos que podem encontrar-se de forma duradoura com qualquer realidade cultural a fim de a fermentar evangelicamente. Em consequ\u00eancia disto mesmo, temos a obriga\u00e7\u00e3o de promover convictamente a evangeliza\u00e7\u00e3o das culturas, na certeza de que o pr\u00f3prio Cristo \u00e9 a verdade de todo o homem e da hist\u00f3ria humana inteira. A Eucaristia torna-se crit\u00e9rio de valoriza\u00e7\u00e3o de tudo o que o crist\u00e3o encontra nas diversas express\u00f5es culturais; num processo importante como este, podem revelar-se de grande significado as palavras de S\u00e3o Paulo quando, na sua I Carta aos Tessalonicenses, convida a \u00abavaliar tudo e conservar o que for bom\u00bb (5,21).  <B>Eucaristia e fi\u00e9is leigos<\/B> 79. Em Cristo, cabe\u00e7a da Igreja seu corpo, todos os crist\u00e3os formam uma \u00abra\u00e7a eleita, sacerd\u00f3cio real, na\u00e7\u00e3o santa, povo adquirido por Deus para anunciar os louvores d\u2019Aquele que os chamou das trevas \u00e0 sua luz admir\u00e1vel\u00bb (1Ped 2,9). A Eucaristia, enquanto mist\u00e9rio a ser vivido, oferece-se a cada um de n\u00f3s na condi\u00e7\u00e3o concreta em que nos encontramos, fazendo com que esta mesma situa\u00e7\u00e3o vital se torne um lugar onde viver diariamente a novidade crist\u00e3. Se o sacrif\u00edcio eucar\u00edstico alimenta e faz crescer em n\u00f3s tudo o que j\u00e1 nos foi dado no Baptismo, pelo qual todos somos chamados \u00e0 santidade,218 ent\u00e3o, isso deve transparecer e manifestar-se precisamente nas situa\u00e7\u00f5es ou estados de vida em que cada crist\u00e3o se encontra; tornamo-nos dia ap\u00f3s dia culto agrad\u00e1vel a Deus, vivendo a pr\u00f3pria vida como voca\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio sacramento da Eucaristia, a partir da convoca\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, compromete-nos na realidade quotidiana a fim de que tudo seja feito para gl\u00f3ria de Deus. E, dado que o mundo \u00e9 \u00abo campo\u00bb (Mt 13,38) onde Deus coloca os seus filhos como boa semente, os crist\u00e3os leigos, em virtude do Baptismo e da Confirma\u00e7\u00e3o e corroborados pela Eucaristia, s\u00e3o chamados a viver a novidade radical trazida por Cristo precisamente no meio das condi\u00e7\u00f5es normais da vida; 219 devem cultivar o desejo de ver a Eucaristia influir cada vez mais profundamente na sua exist\u00eancia quotidiana, levando-os a serem testemunhas reconhecidas como tais no pr\u00f3prio ambiente de trabalho e na sociedade inteira.220 Dirijo um particular encorajamento \u00e0s fam\u00edlias a haurirem inspira\u00e7\u00e3o e for\u00e7a deste sacramento: o amor entre o homem e a mulher, o acolhimento da vida, a miss\u00e3o educadora aparecem como \u00e2mbitos privilegiados onde a Eucaristia pode mostrar a sua capacidade de transformar e encher de significado a exist\u00eancia.221 Os pastores nunca deixem de apoiar, educar e encorajar os fi\u00e9is leigos a viverem plenamente a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade no meio deste mundo que Deus amou at\u00e9 ao ponto de dar o Filho para sua salva\u00e7\u00e3o (Jo 3,16).  <B>Eucaristia e espiritualidade sacerdotal<\/B> 80. A forma eucar\u00edstica da exist\u00eancia crist\u00e3 manifesta-se, sem d\u00favida, de modo particular no estado de vida sacerdotal. A espiritualidade sacerdotal \u00e9 intrinsecamente eucar\u00edstica; a semente desta espiritualidade encontra-se j\u00e1 nas palavras que o Bispo pronuncia na liturgia da ordena\u00e7\u00e3o: \u00abRecebe a oferenda do povo santo para a apresentares a Deus. Toma consci\u00eancia do que vir\u00e1s a fazer; imita o que vir\u00e1s a realizar, e conforma a tua vida com o mist\u00e9rio da cruz do Senhor\u00bb.222 Para conferir \u00e0 sua exist\u00eancia uma forma eucar\u00edstica cada vez mais perfeita, o sacerdote deve reservar, j\u00e1 no per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o e depois nos anos sucessivos, amplo espa\u00e7o para a vida espiritual.223 \u00c9 chamado a ser continuamente um aut\u00eantico perscrutador de Deus, embora ao mesmo tempo permane\u00e7a solid\u00e1rio com as preocupa\u00e7\u00f5es dos homens. Uma vida espiritual intensa permitir-lhe-\u00e1 entrar mais profundamente em comunh\u00e3o com o Senhor e ajud\u00e1-lo-\u00e1 a deixar-se possuir pelo amor de Deus, tornando-se sua testemunha em todas as circunst\u00e2ncias mesmo dif\u00edceis e obscuras. Para isso, juntamente com os padres do S\u00ednodo, recomendo aos sacerdotes \u00aba celebra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da Santa Missa, mesmo quando n\u00e3o houver participa\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is\u00bb.224 Tal recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 ditada, antes de mais, pelo valor objectivamente infinito de cada celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica; e \u00e9 motivada ainda pela sua singular efic\u00e1cia espiritual, porque, se vivida com aten\u00e7\u00e3o e f\u00e9, a Santa Missa \u00e9 formadora no sentido mais profundo do termo, enquanto promove a configura\u00e7\u00e3o a Cristo e refor\u00e7a o sacerdote na sua voca\u00e7\u00e3o.  <B>Eucaristia e vida consagrada<\/B> 81. No contexto da rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e as diversas voca\u00e7\u00f5es eclesiais, refulge de modo particular \u00abo testemunho prof\u00e9tico de mulheres e homens consagrados que encontram, na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e na adora\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a para o seguimento radical de Cristo obediente, pobre e casto\u00bb.225 Embora realizem muitos servi\u00e7os no campo da forma\u00e7\u00e3o humana e do cuidado pelos pobres, no ensino ou na assist\u00eancia aos doentes, os consagrados e consagradas sabem que a finalidade principal da sua vida \u00e9 \u00aba contempla\u00e7\u00e3o das coisas divinas e a uni\u00e3o ass\u00eddua com Deus\u00bb; 226 a contribui\u00e7\u00e3o essencial que a Igreja espera da vida consagrada destina-se muito mais ao ser do que ao fazer. Neste contexto, queria evocar a import\u00e2ncia do testemunho virginal precisamente em rela\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio da Eucaristia; com efeito, al\u00e9m da liga\u00e7\u00e3o com o celibato sacerdotal, o mist\u00e9rio eucar\u00edstico apresenta uma rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca com a virgindade consagrada, enquanto esta \u00e9 express\u00e3o da dedica\u00e7\u00e3o exclusiva da Igreja a Cristo, que ela acolhe como seu Esposo com radical e fecunda fidelidade.227 Na Eucaristia, a virgindade consagrada encontra inspira\u00e7\u00e3o e nutrimento para a sua dedica\u00e7\u00e3o total a Cristo; al\u00e9m disso, aufere da Eucaristia conforto e impulso para ser, no nosso tempo tamb\u00e9m, sinal do amor gratuito e fecundo que Deus tem pela humanidade. Enfim, \u00e9 atrav\u00e9s do seu testemunho espec\u00edfico que a vida consagrada se torna objectivamente apelo e antecipa\u00e7\u00e3o daquelas \u00abn\u00fapcias do Cordeiro\u00bb (Ap 19,7-9) que constituem a meta de toda a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o; neste sentido, aquela constitui uma evoca\u00e7\u00e3o eficaz do horizonte escatol\u00f3gico de que o homem necessita para poder orientar as suas op\u00e7\u00f5es e resolu\u00e7\u00f5es de vida.  <B>Eucaristia e transforma\u00e7\u00e3o moral<\/B> 82. Descoberta a beleza da forma eucar\u00edstica da exist\u00eancia crist\u00e3, somos levados a reflectir tamb\u00e9m sobre as energias morais que, por tal forma, se desencadeiam em apoio da liberdade aut\u00eantica e pr\u00f3pria dos filhos de Deus. Desejo, assim, retomar um assunto que surgiu no S\u00ednodo: a liga\u00e7\u00e3o entre forma eucar\u00edstica da vida e transforma\u00e7\u00e3o moral. O papa Jo\u00e3o Paulo II afirmara que a vida moral \u00abpossui o valor de um \u201cculto espiritual\u201d (Rm 12,1; cf. Fl 3,3), que brota e se alimenta daquela fonte inesgot\u00e1vel de santidade e glorifica\u00e7\u00e3o de Deus que s\u00e3o os sacramentos, especialmente a Eucaristia: com efeito, ao participar no sacrif\u00edcio da cruz, o crist\u00e3o comunga do amor de doa\u00e7\u00e3o de Cristo, ficando habilitado e comprometido a viver esta mesma caridade em todas as suas atitudes e comportamentos de vida\u00bb.228 Em suma, \u00abno pr\u00f3prio \u201cculto\u201d, na comunh\u00e3o eucar\u00edstica, est\u00e1 contido o ser amado e o amar por sua vez os outros. Uma Eucaristia que n\u00e3o se traduza em amor concretamente vivido \u00e9 em si mesma fragment\u00e1ria\u00bb.229 Este apelo ao valor moral do culto espiritual n\u00e3o deve ser interpretado em chave moralista; \u00e9, antes de mais, a descoberta feliz do dinamismo do amor no cora\u00e7\u00e3o de quem acolhe o dom do Senhor, abandona-se a Ele e encontra a verdadeira liberdade. A transforma\u00e7\u00e3o moral, que o novo culto institu\u00eddo por Cristo implica, \u00e9 uma tens\u00e3o e um anseio profundo de querer corresponder ao amor do Senhor com todo o pr\u00f3prio ser, embora conscientes da pr\u00f3pria fragilidade. Aquilo de que estamos a falar aparece claramente no relato evang\u00e9lico de Zaqueu (Lc 19,1-10): depois de ter hospedado Jesus na sua casa, o publicano sente-se completamente transformado; decide dar metade dos seus haveres aos pobres e restituir quatro vezes mais a quem roubou. A tens\u00e3o moral, que nasce do acto de hospedar Jesus na nossa vida, brota da gratid\u00e3o por se ter experimentado a imerecida proximidade do Senhor.  <B>Coer\u00eancia eucar\u00edstica<\/B> 83. \u00c9 importante salientar aquilo que os padres sinodais designaram por coer\u00eancia eucar\u00edstica, \u00e0 qual est\u00e1 objectivamente chamada a nossa exist\u00eancia. Com efeito, o culto agrad\u00e1vel a Deus nunca \u00e9 um acto meramente privado, sem consequ\u00eancias nas nossas rela\u00e7\u00f5es sociais: requer o testemunho p\u00fablico da pr\u00f3pria f\u00e9. Evidentemente, isto vale para todos os baptizados, mas imp\u00f5e-se com particular prem\u00eancia a quantos, pela posi\u00e7\u00e3o social ou pol\u00edtica que ocupam, devem tomar decis\u00f5es sobre valores fundamentais como o respeito e defesa da vida humana desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte natural, a fam\u00edlia fundada sobre o matrim\u00f3nio, entre um homem e uma mulher, a liberdade de educa\u00e7\u00e3o dos filhos e a promo\u00e7\u00e3o do bem comum em todas as suas formas.230 Estes s\u00e3o valores n\u00e3o negoci\u00e1veis. Por isso, cientes da sua grave responsabilidade social, os pol\u00edticos e os legisladores cat\u00f3licos devem sentir-se particularmente interpelados pela sua consci\u00eancia rectamente formada a apresentar e apoiar leis inspiradas nos valores impressos na natureza humana.231 Tudo isto tem, ali\u00e1s, uma liga\u00e7\u00e3o objectiva com a Eucaristia (1Cor 11,27-29). Os bispos s\u00e3o obrigados a recordar sem cessar tais valores; faz parte da sua responsabilidade pelo rebanho que lhes foi confiado.232  <B>EUCARISTIA, MIST\u00c9RIO ANUNCIADO  Eucaristia e miss\u00e3o<\/B> 84. Na homilia, durante a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica com que solenemente dei in\u00edcio ao meu minist\u00e9rio na C\u00e1tedra de Pedro, disse: \u00abN\u00e3o h\u00e1 nada de mais belo do que ser alcan\u00e7ado, surpreendido pelo Evangelho, por Cristo. N\u00e3o h\u00e1 nada de mais belo do que conhec\u00ea-lo e comunicar aos outros a amizade com Ele\u00bb.233 Esta afirma\u00e7\u00e3o cresce de intensidade, quando pensamos no mist\u00e9rio eucar\u00edstico; com efeito, n\u00e3o podemos reservar para n\u00f3s o amor que celebramos neste sacramento: por sua natureza, pede para ser comunicado a todos. Aquilo de que o mundo tem necessidade \u00e9 do amor de Deus, \u00e9 de encontrar Cristo e acreditar nele. Por isso, a Eucaristia \u00e9 fonte e \u00e1pice n\u00e3o s\u00f3 da vida da Igreja, mas tamb\u00e9m da sua miss\u00e3o: \u00abUma Igreja autenticamente eucar\u00edstica \u00e9 uma Igreja mission\u00e1ria\u00bb.234 Havemos, tamb\u00e9m n\u00f3s, de poder dizer com convic\u00e7\u00e3o aos nossos irm\u00e3os: \u00abN\u00f3s vos anunciamos o que vimos e ouvimos, para que estejais tamb\u00e9m em comunh\u00e3o connosco\u00bb (1Jo 1,2-3). Verdadeiramente, n\u00e3o h\u00e1 nada de mais belo do que encontrar e comunicar Cristo a todos! Ali\u00e1s, a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia antecipa aquilo que constitui o cerne da miss\u00e3o de Jesus: Ele \u00e9 o enviado do Pai para a reden\u00e7\u00e3o do mundo (Jo 3,16-17; Rm 8,32). Na \u00daltima Ceia, Jesus entrega aos seus disc\u00edpulos o sacramento que actualiza o sacrif\u00edcio que Ele, em obedi\u00eancia ao Pai, fez de si mesmo pela salva\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s. N\u00e3o podemos abeirar-nos da mesa eucar\u00edstica sem nos deixarmos arrastar pelo movimento da miss\u00e3o que, partindo do pr\u00f3prio Cora\u00e7\u00e3o de Deus, visa atingir todos os homens; assim, a tens\u00e3o mission\u00e1ria \u00e9 parte constitutiva da forma eucar\u00edstica da exist\u00eancia crist\u00e3.  <B>Eucaristia e testemunho<\/B> 85. A miss\u00e3o primeira e fundamental, que deriva dos santos mist\u00e9rios celebrados, \u00e9 dar testemunho com a nossa vida. O enlevo pelo dom que Deus nos concedeu em Cristo, imprime \u00e0 nossa exist\u00eancia um dinamismo novo que nos compromete a ser testemunhas do seu amor. Tornamo-nos testemunhas quando, atrav\u00e9s das nossas ac\u00e7\u00f5es, palavras e modo de ser, \u00e9 Outro que aparece e se comunica. Pode-se afirmar que o testemunho \u00e9 o meio pelo qual a verdade do amor de Deus alcan\u00e7a o homem na hist\u00f3ria, convidando-o a acolher livremente esta novidade radical. No testemunho, Deus exp\u00f5e-se, por assim dizer, ao risco da liberdade do homem. O pr\u00f3prio Jesus \u00e9 a testemunha fiel e verdadeira (Ap 1,5; 3,14); veio para dar testemunho da verdade (Jo 18,37). Nesta ordem de ideias, apraz-me retomar um conceito caro aos primeiros crist\u00e3os mas que nos interpela tamb\u00e9m a n\u00f3s, crist\u00e3os de hoje: o testemunho at\u00e9 ao dom de si mesmo, at\u00e9 ao mart\u00edrio, sempre foi considerado, na hist\u00f3ria da Igreja, o apogeu do novo culto espiritual: \u00abOferecei os vossos corpos\u00bb (Rm 12,1). Pense-se, por exemplo, na narra\u00e7\u00e3o do mart\u00edrio de S\u00e3o Policarpo de Esmirna, disc\u00edpulo de S\u00e3o Jo\u00e3o: o seu caso, dram\u00e1tico, \u00e9 todo ele descrito como uma liturgia; mais ainda, como se o pr\u00f3prio m\u00e1rtir se tornasse Eucaristia.235 Pensemos tamb\u00e9m na consci\u00eancia eucar\u00edstica que In\u00e1cio de Antioquia exprime tendo em mente o seu mart\u00edrio: considera-se \u00abtrigo de Deus\u00bb e, pelo mart\u00edrio, deseja transformar-se em \u00abp\u00e3o puro de Cristo\u00bb.236 O crist\u00e3o, quando oferece a sua vida no mart\u00edrio, entra em plena comunh\u00e3o com a P\u00e1scoa de Jesus Cristo e, assim, ele mesmo se torna Eucaristia com Cristo. N\u00e3o faltam, ainda hoje, \u00e0 Igreja, os m\u00e1rtires, nos quais se manifesta de modo supremo o amor de Deus. E, mesmo que n\u00e3o nos seja pedida a prova do mart\u00edrio, sabemos, por\u00e9m, que o culto agrad\u00e1vel a Deus postula intimamente esta disponibilidade 237 e encontra a sua realiza\u00e7\u00e3o no feliz e convicto testemunho perante o mundo duma vida crist\u00e3 coerente, nos diversos sectores onde o Senhor nos chama a anunci\u00e1-lo.  <B>Jesus Cristo, \u00fanico Salvador<\/B> 86. Sublinhar a liga\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre Eucaristia e miss\u00e3o faz-nos descobrir tamb\u00e9m o conte\u00fado supremo do nosso an\u00fancio. Quanto mais vivo for o amor pela Eucaristia, no cora\u00e7\u00e3o do povo crist\u00e3o, tanto mais clara lhe ser\u00e1 a incumb\u00eancia da miss\u00e3o: levar Cristo; n\u00e3o meramente uma ideia ou uma \u00e9tica nele inspirada, mas o dom da sua pr\u00f3pria Pessoa. Quem n\u00e3o comunica a verdade do Amor ao irm\u00e3o, ainda n\u00e3o deu bastante. A Eucaristia, enquanto sacramento da nossa salva\u00e7\u00e3o, chama-nos assim, inevitavelmente, \u00e0 unicidade de Cristo e da salva\u00e7\u00e3o por Ele realizada a pre\u00e7o do seu sangue. Por isso, do mist\u00e9rio eucar\u00edstico acreditado e celebrado nasce a exig\u00eancia de educar constantemente a todos para o trabalho mission\u00e1rio, cujo centro \u00e9 o an\u00fancio de Jesus, \u00fanico Salvador.238 Isto impedir\u00e1 de confinar, em chave meramente sociol\u00f3gica, a obra decisiva de promo\u00e7\u00e3o humana que todo o processo de evangeliza\u00e7\u00e3o aut\u00eantico sempre implica.  <B>Liberdade de culto<\/B> 87. Neste contexto, desejo dar voz \u00e0quilo que os padres referiram, durante a Assembleia sinodal, a prop\u00f3sito das graves dificuldades criadas \u00e0 miss\u00e3o das comunidades crist\u00e3s que vivem em condi\u00e7\u00f5es de minoria ou mesmo de priva\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa.239 Devemos verdadeiramente dar gra\u00e7as ao Senhor por todos os bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e leigos que se prodigalizam a anunciar o Evangelho e vivem a sua f\u00e9 sob risco da pr\u00f3pria vida. N\u00e3o s\u00e3o poucas as regi\u00f5es do mundo onde o simples acto de ir \u00e0 igreja constitui um testemunho her\u00f3ico que exp\u00f5e a vida da pessoa \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 viol\u00eancia. Nesta ocasi\u00e3o, quero tamb\u00e9m reiterar a solidariedade da Igreja inteira a quantos sofrem por falta de liberdade de culto. Nos lugares onde n\u00e3o h\u00e1 a liberdade religiosa, sabemos que falta, no fim de contas, a liberdade mais significativa, pois \u00e9 na f\u00e9 que o homem exprime a decis\u00e3o \u00edntima relativa ao sentido \u00faltimo da pr\u00f3pria exist\u00eancia; por isso, rezemos para que se alargue o espa\u00e7o da liberdade religiosa em todos os Estados, a fim de os crist\u00e3os e os membros das outras religi\u00f5es poderem livremente viver as suas convic\u00e7\u00f5es, pessoalmente e em comunidade.  <B>EUCARISTIA, MIST\u00c9RIO OFERECIDO AO MUNDO  Eucaristia, P\u00e3o repartido para a vida do mundo<\/B> 88. \u00abO P\u00e3o que Eu hei-de dar \u00e9 a minha carne que Eu darei pela vida do mundo\u00bb (Jo 6,51). Com estas palavras, o Senhor revela o verdadeiro significado do dom da sua vida por todos os homens; as mesmas mostram-nos tamb\u00e9m a compaix\u00e3o \u00edntima que Ele sente por cada pessoa. Na realidade, os Evangelhos transmitem-nos muitas vezes os sentimentos de Jesus para com as pessoas, especialmente doentes e pecadores (Mt 20,34; Mc 6,34; Lc 19,41). Ele exprime, atrav\u00e9s dum sentimento profundamente humano, a inten\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus que deseja que todo o homem alcance a verdadeira vida. Cada celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica actualiza sacramentalmente a doa\u00e7\u00e3o que Jesus fez da sua pr\u00f3pria vida na cruz por n\u00f3s e pelo mundo inteiro. Ao mesmo tempo, na Eucaristia, Jesus faz de n\u00f3s testemunhas da compaix\u00e3o de Deus por cada irm\u00e3o e irm\u00e3; nasce assim, \u00e0 volta do mist\u00e9rio eucar\u00edstico, o servi\u00e7o da caridade para com o pr\u00f3ximo, que \u00abconsiste precisamente no facto de eu amar, em Deus e com Deus, a pessoa que n\u00e3o me agrada ou que nem conhe\u00e7o sequer. Isto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel realizar-se a partir do encontro \u00edntimo com Deus, um encontro que se tornou comunh\u00e3o de vontade, chegando mesmo a tocar o sentimento. Ent\u00e3o, aprendo a ver aquela pessoa j\u00e1 n\u00e3o somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo\u00bb.240 Desta forma, nas pessoas que contacto, reconhe\u00e7o irm\u00e3s e irm\u00e3os, pelos quais o Senhor deu a sua vida amando-os \u00abat\u00e9 ao fim\u00bb (Jo 13,1). Por conseguinte, as nossas comunidades, quando celebram a Eucaristia, devem consciencializar-se cada vez mais de que o sacrif\u00edcio de Jesus \u00e9 por todos; e, assim, a Eucaristia impele todo o que acredita nele a fazer-se \u00abp\u00e3o repartido\u00bb para os outros e, consequentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno. Como sucedeu na multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes, temos de reconhecer que Cristo continua, ainda hoje, exortando os seus disc\u00edpulos a empenharem-se pessoalmente: \u00abDai-lhes v\u00f3s de comer\u00bb (Mt 14,16). Na verdade, a voca\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s consiste em ser, unido a Jesus, p\u00e3o repartido para a vida do mundo.  <B>As implica\u00e7\u00f5es sociais do mist\u00e9rio eucar\u00edstico<\/B> 89. A uni\u00e3o com Cristo, que se realiza no sacramento, habilita-nos tamb\u00e9m a uma novidade de rela\u00e7\u00f5es sociais: \u00aba \u201cm\u00edstica\u201d do sacramento tem um car\u00e1cter social, porque (\u2026) a uni\u00e3o com Cristo \u00e9, ao mesmo tempo, uni\u00e3o com todos os outros aos quais Ele se entrega. Eu n\u00e3o posso ter Cristo s\u00f3 para mim; posso pertencer-lhe somente unido a todos aqueles que se tornaram ou h\u00e3o-de tornar seus\u00bb.241 A prop\u00f3sito, \u00e9 necess\u00e1rio explicitar a rela\u00e7\u00e3o entre mist\u00e9rio eucar\u00edstico e compromisso social. A Eucaristia \u00e9 sacramento de comunh\u00e3o entre irm\u00e3os e irm\u00e3s que aceitam reconciliar-se em Cristo, o qual fez de judeus e gentios um s\u00f3 povo, destruindo o muro de inimizade que os separava (Ef 2,14). Somente esta tens\u00e3o constante \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o permite comungar dignamente o Corpo e o Sangue de Cristo (Mt 5,23-24).242 Atrav\u00e9s do memorial do seu sacrif\u00edcio, Ele refor\u00e7a a comunh\u00e3o entre os irm\u00e3os e, de modo particular, estimula os que est\u00e3o em conflito a apressar a sua reconcilia\u00e7\u00e3o, abrindo-se ao di\u00e1logo e ao compromisso em prol da justi\u00e7a. A restaura\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, a reconcilia\u00e7\u00e3o e o perd\u00e3o s\u00e3o, sem d\u00favida alguma, condi\u00e7\u00f5es para construir uma verdadeira paz; 243 desta consci\u00eancia nasce a vontade de transformar tamb\u00e9m as estruturas injustas, a fim de se restabelecer o respeito da dignidade do homem, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus; \u00e9 atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o concreta desta responsabilidade que a Eucaristia se torna na vida o que significa na celebra\u00e7\u00e3o. Como j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de afirmar, n\u00e3o \u00e9 miss\u00e3o pr\u00f3pria da Igreja tomar nas suas m\u00e3os a batalha pol\u00edtica para se realizar a sociedade mais justa poss\u00edvel; todavia, ela n\u00e3o pode nem deve ficar \u00e0 margem da luta pela justi\u00e7a. A Igreja \u00abdeve inserir-se nela pela via da argumenta\u00e7\u00e3o racional e deve despertar as for\u00e7as espirituais, sem as quais a justi\u00e7a, que sempre requer ren\u00fancias tamb\u00e9m, n\u00e3o poder\u00e1 afirmar-se nem prosperar\u00bb.244 Na perspectiva da responsabilidade social de todos os crist\u00e3os, os padres sinodais lembraram que o sacrif\u00edcio de Cristo \u00e9 mist\u00e9rio de liberta\u00e7\u00e3o que nos interpela e provoca continuamente; dirijo, pois, um apelo a todos os fi\u00e9is para que se tornem realmente obreiros de paz e justi\u00e7a: \u00abCom efeito, quem participa na Eucaristia deve empenhar-se na edifica\u00e7\u00e3o da paz neste nosso mundo marcado por muitas viol\u00eancias e guerras, e, hoje de modo particular, pelo terrorismo, a corrup\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e a explora\u00e7\u00e3o sexual\u00bb; 245 problemas, estes, que geram por sua vez outros fen\u00f3menos degradantes que causam viva preocupa\u00e7\u00e3o. Sabemos que estas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser encaradas de modo superficial. Precisamente, em virtude do mist\u00e9rio que celebramos, \u00e9 preciso denunciar as circunst\u00e2ncias que est\u00e3o em contraste com a dignidade do homem, pelo qual Cristo derramou o seu sangue, afirmando assim o alto valor de cada pessoa.  <B>O alimento da verdade e a indig\u00eancia do homem<\/B> 90. N\u00e3o podemos ficar inactivos perante certos processos de globaliza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o raro fazem crescer desmesuradamente a dist\u00e2ncia entre ricos e pobres a n\u00edvel mundial. Devemos denunciar quem delapida as riquezas da terra, provocando desigualdades que bradam ao C\u00e9u (Tg 5,4). Por exemplo, \u00e9 imposs\u00edvel calar diante das \u00abimagens impressionantes dos grandes campos de deslocados ou refugiados \u2013 em v\u00e1rias partes do mundo \u2013 amontoados em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias para escapar a sorte pior, mas carecidos de tudo. Porventura estes seres humanos n\u00e3o s\u00e3o nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s? Os seus filhos n\u00e3o vieram ao mundo com os mesmos leg\u00edtimos anseios de felicidade que os outros?\u00bb246 O Senhor Jesus, p\u00e3o de vida eterna, incita a tornarmo-nos atentos \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de indig\u00eancia em que ainda vive grande parte da humanidade: s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es cuja causa se fica a dever, frequentemente, a uma clara e preocupante responsabilidade dos homens. De facto, \u00abcom base em dados estat\u00edsticos dispon\u00edveis, pode-se afirmar que bastaria menos de metade das somas imensas globalmente destinadas a armamentos para tirar, de forma est\u00e1vel, da indig\u00eancia o ex\u00e9rcito ilimitado dos pobres. Isto interpela a consci\u00eancia humana. \u00c0s popula\u00e7\u00f5es que vivem sob o limiar da pobreza, mais por causa de situa\u00e7\u00f5es que dependem das rela\u00e7\u00f5es internacionais pol\u00edticas, comerciais e culturais do que por circunst\u00e2ncias incontrol\u00e1veis, o nosso esfor\u00e7o comum verdadeiramente pode e deve oferecer-lhes nova esperan\u00e7a\u00bb.247 O alimento da verdade leva-nos a denunciar as situa\u00e7\u00f5es indignas do homem, nas quais se morre \u00e0 m\u00edngua de alimento por causa da injusti\u00e7a e da explora\u00e7\u00e3o, e d\u00e1-nos nova for\u00e7a e coragem para trabalhar sem descanso na edifica\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o do amor. Desde o princ\u00edpio, os crist\u00e3os tiveram a preocupa\u00e7\u00e3o de partilhar os seus bens (Act 4,32) e de ajudar os pobres (Rm 15,26). O pedit\u00f3rio que se realiza nas assembleias lit\u00fargicas constitui viva reminisc\u00eancia disso mesmo, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma necessidade muito actual. As institui\u00e7\u00f5es eclesiais de benefic\u00eancia, de modo particular a Caritas nos seus v\u00e1rios n\u00edveis, realizam o valioso servi\u00e7o de auxiliar as pessoas em necessidade, sobretudo os mais pobres. Tirando inspira\u00e7\u00e3o da Eucaristia, que \u00e9 o sacramento da caridade, aquelas tornam-se a sua express\u00e3o concreta; por isso, merecem todo o aplauso e est\u00edmulo pelo seu empenho solid\u00e1rio no mundo.  <B>A doutrina social da Igreja<\/B> 91. O mist\u00e9rio da Eucaristia habilita-nos e impele-nos a um compromisso corajoso nas estruturas deste mundo para lhes conferir aquela novidade de rela\u00e7\u00f5es que tem a sua fonte inexaur\u00edvel no dom de Deus. O pedido que repetimos em cada Missa: \u00abO p\u00e3o nosso de cada dia nos dai hoje\u00bb, obriga-nos a fazer tudo o que for poss\u00edvel, em colabora\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es internacionais, estatais, privadas, para que cesse ou pelo menos diminua, no mundo, o esc\u00e2ndalo da fome e da subnutri\u00e7\u00e3o que padecem muitos milh\u00f5es de pessoas, sobretudo nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento. Particularmente o leigo crist\u00e3o, formado na escola da Eucaristia, \u00e9 chamado a assumir directamente a sua responsabilidade pol\u00edtico-social; a fim de poder desempenhar adequadamente as suas fun\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso prepar\u00e1-lo atrav\u00e9s duma educa\u00e7\u00e3o concreta para a caridade e a justi\u00e7a. Para isso, como foi pedido pelo S\u00ednodo, \u00e9 necess\u00e1rio que, nas dioceses e comunidades crist\u00e3s, se d\u00ea a conhecer e incremente a doutrina social da Igreja.248 Neste precioso patrim\u00f3nio, nascido da mais antiga tradi\u00e7\u00e3o eclesial, encontramos os elementos que orientam, com profunda sabedoria, o comportamento dos crist\u00e3os nas quest\u00f5es sociais em ebuli\u00e7\u00e3o. Amadurecida durante toda a hist\u00f3ria da Igreja, esta doutrina caracteriza-se pelo seu realismo e equil\u00edbrio, ajudando assim a evitar promessas enganadoras ou v\u00e3s utopias.  <B>Santifica\u00e7\u00e3o do mundo e defesa da cria\u00e7\u00e3o<\/B> 92. Enfim, para desenvolver uma espiritualidade eucar\u00edstica profunda, capaz de incidir significativamente tamb\u00e9m no tecido social, \u00e9 necess\u00e1rio que o povo crist\u00e3o, ao dar gra\u00e7as por meio da Eucaristia, tenha consci\u00eancia de o fazer em nome da cria\u00e7\u00e3o inteira, aspirando assim \u00e0 santifica\u00e7\u00e3o do mundo e trabalhando intensamente para tal fim.249 A pr\u00f3pria Eucaristia projecta uma luz intensa sobre a hist\u00f3ria humana e todo o universo. Nesta perspectiva sacramental, aprendemos dia ap\u00f3s dia que cada acontecimento eclesial possui o car\u00e1cter de sinal, pelo qual Deus se comunica a si mesmo e nos interpela. Desta maneira, a forma eucar\u00edstica da exist\u00eancia pode verdadeiramente favorecer uma aut\u00eantica mudan\u00e7a de mentalidade no modo como lemos a hist\u00f3ria e o mundo. Para tudo isto nos educa a pr\u00f3pria liturgia quando o sacerdote, durante a apresenta\u00e7\u00e3o dos dons, dirige a Deus uma ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o e s\u00faplica a respeito do p\u00e3o e do vinho, \u00abfruto da terra\u00bb, \u00abda videira\u00bb e do \u00abtrabalho do homem\u00bb. Com estas palavras, o rito, al\u00e9m de envolver na oferta a Deus toda a actividade e canseira humana, impele-nos a considerar a terra como cria\u00e7\u00e3o de Deus, que produz quanto precisamos para o nosso sustento. N\u00e3o se trata duma realidade neutral, nem de mera mat\u00e9ria a ser utilizada indiferentemente segundo o instinto humano; mas coloca-se dentro do des\u00edgnio amoroso de Deus, segundo o qual todos n\u00f3s somos chamados a ser filhos e filhas de Deus no seu \u00fanico Filho, Jesus Cristo (Ef 1,4-12). As condi\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas em que a cria\u00e7\u00e3o subjaz em muitas partes do mundo suscitam justas preocupa\u00e7\u00f5es, que encontram motivo de conforto na perspectiva da esperan\u00e7a crist\u00e3, pois esta compromete-nos a trabalhar responsavelmente na defesa da cria\u00e7\u00e3o; 250 de facto, na rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e o universo, descobrimos a unidade do des\u00edgnio de Deus e somos levados a individuar a rela\u00e7\u00e3o profunda da cria\u00e7\u00e3o com a \u00abnova cria\u00e7\u00e3o\u00bb que foi inaugurada na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, novo Ad\u00e3o. Dela participamos j\u00e1 agora em virtude do Baptismo (Cl 2,12s), abrindo-se assim \u00e0 nossa vida crist\u00e3, alimentada pela Eucaristia, a perspectiva do mundo novo, do novo c\u00e9u e da nova terra, onde a nova Jerusal\u00e9m desce do C\u00e9u, de junto de Deus, \u00abbela como noiva adornada para o seu esposo\u00bb (Ap 21,2).  <B>Utilidade dum Comp\u00eandio Eucar\u00edstico<\/B> 93. No termo destas reflex\u00f5es em que, de boa vontade, me detive sobre as indica\u00e7\u00f5es surgidas no S\u00ednodo, desejo acolher tamb\u00e9m o pedido que os padres apresentaram para ajudar o povo crist\u00e3o a crer, celebrar e viver cada vez melhor o mist\u00e9rio eucar\u00edstico. Cuidado pelos Dicas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[336],"class_list":["post-23418","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-centros-de-preparacao-para-o-matrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23418","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23418"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23418\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}