{"id":233961,"date":"2022-03-27T09:30:32","date_gmt":"2022-03-27T08:30:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=233961"},"modified":"2022-03-26T19:45:13","modified_gmt":"2022-03-26T19:45:13","slug":"pandemia-descuidou-se-aspeto-afetivo-das-pessoas-padre-fernando-sampaio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pandemia-descuidou-se-aspeto-afetivo-das-pessoas-padre-fernando-sampaio\/","title":{"rendered":"Pandemia: \u00abDescuidou-se aspeto afetivo das pessoas\u00bb &#8211; Padre Fernando Sampaio"},"content":{"rendered":"<p><em>Coordenador Nacional das Capelanias Hospitalares critica restri\u00e7\u00f5es que, em muitos casos, se mant\u00eam e impedem o contacto com as fam\u00edlias, porque n\u00e3o se pode descurar as necessidades psicol\u00f3gicas e espirituais dos doentes<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_233496\" aria-describedby=\"caption-attachment-233496\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-233496 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-233496\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Joana Gon\u00e7alves<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Conversamos a prop\u00f3sito da Semana Diocesana da Sa\u00fade, que o Patriarcado de Lisboa vai assinalar, de 2 a 7 de abril, com o tema &#8216;Doente na par\u00f3quia: presen\u00e7a e proximidade&#8217;. Como \u00e9 que a Pastoral da Sa\u00fade tem marcado presen\u00e7a ao n\u00edvel das par\u00f3quias?<\/em><\/p>\n<p>Vai marcando presen\u00e7a atrav\u00e9s dos diversos grupos que existem nas par\u00f3quias. Evidentemente que as par\u00f3quias s\u00e3o ativas, e n\u00e3o deixam os doentes de fora dos seus cuidados. Ao n\u00edvel diocesano, a Pastoral da Sa\u00fade vai sinalizando uma ou outra coisa, vai dando uma pequena ajuda e suporte, e surge agora esta Semana da Sa\u00fade para enfatizar, por um lado, a import\u00e2ncia da promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da vida, e por outro para alentar os grupos e n\u00facleos da Pastoral da Sa\u00fade nas par\u00f3quias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Serve tamb\u00e9m para refor\u00e7ar a aposta neste \u00e2mbito, para dinamizar a Pastoral da Sa\u00fade nas par\u00f3quias?<\/em><\/p>\n<p>Sim, um dos aspetos \u00e9 exatamente esse, dinamizar a Pastoral da Sa\u00fade.\u00a0N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o haja Pastoral da Sa\u00fade nas par\u00f3quias, existe, mas \u00e9 necess\u00e1rio reorganiz\u00e1-la, dar-lhe uma nova \u00eanfase, p\u00f4-la a trabalhar em rede.\u00a0Porque \u00e0s vezes nas par\u00f3quias existem diversos grupos e \u00e9 necess\u00e1rio que colaborem entre si, saibam que doentes est\u00e3o a assistir, e n\u00e3o se fixem apenas no que se refere aos cuidados espirituais aos doentes que a par\u00f3quia realiza, mas que se importem tamb\u00e9m com a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E \u00e9 preciso atrair mais volunt\u00e1rios, mais gente que trabalhe nesta \u00e1rea e se dedique a ver quem precisa de ajuda, quem est\u00e1 s\u00f3?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, mas para isso\u00a0\u00e9 necess\u00e1rio organiza\u00e7\u00e3o, que a Pastoral da Sa\u00fade seja transversal aos diversos grupos e pastorais da par\u00f3quia.\u00a0\u00c9 necess\u00e1rio torn\u00e1-la mais atrativa, e n\u00e3o se centrar apenas nos doentes, volto a dizer,\u00a0mas em projetos de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, em colabora\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo com a sociedade, por exemplo com grupos de profissionais que fazem apoio domicili\u00e1rio, com as institui\u00e7\u00f5es que promovem a sa\u00fade e a forma\u00e7\u00e3o a este n\u00edvel. H\u00e1 um campo vasto daquilo que se pode fazer\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 importante refor\u00e7ar a presen\u00e7a das par\u00f3quias junto dos cuidadores, formais e informais?<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma das quest\u00f5es que \u00e9 muito importante, porque\u00a0muitas vezes as fam\u00edlias est\u00e3o sozinhas, os cuidadores est\u00e3o sozinhos e necessitam de ajuda.<\/p>\n<p>Muitas vezes falamos do abandono dos idosos e dos doentes, \u00e0s vezes de viol\u00eancia, e isso acontece porqu\u00ea? Porque as pessoas, as fam\u00edlias e os cuidadores estando sozinhos, ficam cansados e entram em &#8216;burnout&#8217;, ficam com o stress pr\u00f3prio do cuidado, isso \u00e9 natural. \u00c0s vezes precisam de ir fazer pequenas compras, de ir ao banco, cuidar da sua sa\u00fade ou descansar um pouco, e n\u00e3o t\u00eam oportunidade para o fazer. Creio que neste sentido uma boa organiza\u00e7\u00e3o da Pastoral da Sa\u00fade na par\u00f3quia, e mesmo ao n\u00edvel social, pode proporcionar \u00e0s fam\u00edlias um bem extraordin\u00e1rio para que possam ter tempo para fazer essas coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa rede de proximidade que as par\u00f3quias t\u00eam \u00e9 fundamental para chegar a quem est\u00e1 mais isolado?<\/em><\/p>\n<p>Para essas pessoas mais isoladas \u00e9 importante para a\u00ed chegar. Um aspeto da transversalidade que aqui pode acontecer:\u00a0dentro da par\u00f3quia h\u00e1 grupos de crian\u00e7as, de adolescentes e de jovens, de escuteiros que podem ser levados, at\u00e9 como educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a &#8220;adotar&#8221; um idoso que est\u00e1 sozinho, de ir celebrar com ele os anos, levar um bolo e ir celebrar com ele o Natal ou a P\u00e1scoa, de vez em quando ir cantar can\u00e7\u00f5es com ele.\u00a0Pode-se fazer tanto bem!\u00a0Isso, para al\u00e9m do mais, \u00e9 educativo, ajuda as crian\u00e7as a compreender o que \u00e9 a compaix\u00e3o e a miseric\u00f3rdia. Por exemplo, quando o padre vai dar a Santa Un\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o pedir \u00e0s crian\u00e7as que o acompanhem? Porque com a Santa Un\u00e7\u00e3o ningu\u00e9m morre, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 o Sacramento dos doentes\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Que n\u00e3o deve ser pedido apenas na hora da morte&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 necess\u00e1rio que as pessoas o pe\u00e7am quando est\u00e3o doentes, \u00e9 essa a l\u00f3gica deste Sacramento. Nesse sentido, porque n\u00e3o levar as crian\u00e7as da par\u00f3quia, de um grupo de catequese, a acompanhar o padre? \u00c9 uma \u00f3tima catequese sobre a Santa Un\u00e7\u00e3o e sobre os sacramentos na doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E \u00e9 essa reflex\u00e3o que tamb\u00e9m v\u00e3o fazer nesta Semana da Pastoral da Sa\u00fade?<\/em><\/p>\n<p>Algumas destas reflex\u00f5es sim. Na Semana da Sa\u00fade temos a tem\u00e1tica\u00a0&#8216;Doente na par\u00f3quia: proximidade e presen\u00e7a\u2019, e h\u00e1 uma s\u00e9rie de subtemas que vamos propor em textos para reflex\u00e3o nas par\u00f3quias. N\u00e3o vamos fazer um encontro, aproveitamos este tempo em que os encontros s\u00e3o mais complicados para enviar os textos \u00e0s par\u00f3quias, para que os pr\u00f3prios grupos da Pastoral da Sa\u00fade possam, ao longo de diversas semanas, refletir e criar as suas pr\u00f3prias linhas de orienta\u00e7\u00e3o para a organiza\u00e7\u00e3o da pastoral na par\u00f3quia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na mensagem para o Dia Mundial do Doente (11 fevereiro) o Papa lembrava que &#8220;o doente \u00e9 sempre mais importante do que a doen\u00e7a&#8221;, e que \u201cqualquer abordagem terap\u00eautica n\u00e3o pode prescindir da escuta do paciente\u201d, do que pensa, da sua hist\u00f3ria e da sua realidade. Isto j\u00e1 \u00e9 mais tido em conta nos hospitais e centros de sa\u00fade, ou a pandemia veio mostrar precisamente o contr\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um desafio, para a Pastoral da Sa\u00fade, para os profissionais de sa\u00fade, para os hospitais, para quem cuida dos doentes.<\/p>\n<p>De facto, tudo o que foi feito ao n\u00edvel da pandemia foi extraordin\u00e1rio, no sentido de vencer a pandemia e ajudar as pessoas, mas parece-me que aquilo em que muitos dos cuidados se centraram foi exatamente na doen\u00e7a, n\u00e3o foi na pessoa.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_233494\" aria-describedby=\"caption-attachment-233494\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-233494\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre4.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-233494\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Joana Gon\u00e7alves<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>E numa doen\u00e7a em concreto&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Numa doen\u00e7a em concreto, n\u00e3o foi na pessoa.\u00a0A grande preocupa\u00e7\u00e3o era a n\u00e3o transmiss\u00e3o, mas a seguir descuidou-se bastante os aspetos sociais da pessoa, os aspetos afetivos, as pessoas eram separadas dos seus familiares, morriam e eram enterrados sem a presen\u00e7a dos familiares, sem os rituais da f\u00e9. N\u00e3o se ligava \u00e0s quest\u00f5es mais de natureza psicol\u00f3gica nem \u00e0s quest\u00f5es espirituais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E em dois anos aprendeu-se alguma coisa? Porque houve v\u00e1rias fases na pandemia, houve momentos em que n\u00e3o havia visitas para quem estava internado, mas isso no momento atual ainda se passa nalguns hospitais\u2026<\/em><\/p>\n<p>Ainda se passa muito, as visitas ainda est\u00e3o muito arredadas dos hospitais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E isso justifica-se?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o posso falar em nome da DGS (Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Sa\u00fade), mas na minha opini\u00e3o, como pessoa, como cidad\u00e3o, creio que n\u00e3o. H\u00e1 muito mais que poderia ser feito, nomeadamente na aproxima\u00e7\u00e3o dos familiares aos doentes, com o cuidado respetivo. Inclusivamente quando os doentes est\u00e3o em fase terminal, que pudessem ser acompanhados pelos seus familiares. Parece-me que aqui muitas vezes estamos como os fariseus, que eram demasiado rigoristas no cumprimento do pormenor da lei, e d\u00e1-me a impress\u00e3o que aqui se quer cumprir tamb\u00e9m a lei, mas se esquece as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa \u00e9 uma das li\u00e7\u00f5es que pode ficar para o futuro? Ali\u00e1s, quando aqui entrevistamos algu\u00e9m ligado \u00e0 \u00e1rea da sa\u00fade, essa \u00e9 sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o centrar demasiado na doen\u00e7a, mas olhar para o cuidado da pessoa que tem uma doen\u00e7a\u2026<\/em><\/p>\n<p>Mas para isso \u00e9 necess\u00e1rio olh\u00e1-la na sua integralidade\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso tem de vir desde a forma\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tem a ver com a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade e de olhar sempre a integralidade da pessoa. Porque, por exemplo, ao n\u00edvel da assist\u00eancia espiritual,\u00a0\u00e9 poss\u00edvel dar sempre assist\u00eancia espiritual seja a que doente for, desde que se preserve aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio para que n\u00e3o haja cont\u00e1gios. Assim como se prestam os cuidados de sa\u00fade tamb\u00e9m, se podem prestar outros cuidados. \u00c9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E isso foi feito durante a pandemia?<\/em><\/p>\n<p>Sim, foi feito, mas podia ter sido feito mais.<\/p>\n<p>A grande maioria dos profissionais de sa\u00fade s\u00e3o muito sens\u00edveis \u00e0 pessoa do doente. Ainda estes dias tive uma experi\u00eancia nesse sentido, uma doente que estava a falecer e permitiram que a fam\u00edlia a visitasse e se despedisse, houve uma grande sensibilidade. Isso \u00e9 morrer humano, porque naquilo que est\u00e1 a acontecer neste momento, as pessoas n\u00e3o morrem de modo humano, para n\u00e3o dizer que n\u00e3o morrem de forma crist\u00e3.\u00a0Morrer humano \u00e9 morrer acompanhado, \u00e9 morrer com as pessoas, com aqueles que se amam ao lado.\u00a0A morte n\u00e3o mata ningu\u00e9m, a seguir. \u00c9 individual, \u00e9 uma experi\u00eancia de cada um. Morrer acompanhado \u00e9 aquilo que as pessoas mais desejam, porque o que mais apavora, nesse momento, \u00e9 estar sozinho, n\u00e3o ter uma m\u00e3o amiga. Nesse sentido, h\u00e1 muita outra coisa que se poderia fazer aqui, neste campo\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso para si, como capel\u00e3o, foi o mais dif\u00edcil neste per\u00edodo? Houve alguma hist\u00f3ria que o tenha tocado de forma particular?<\/em><\/p>\n<p>Foi das situa\u00e7\u00f5es mais complicadas, porque n\u00f3s nunca podemos fazer muita coisa. \u00c0s vezes os doentes desejavam que a gente se aproximasse, tocasse. Lembro-me de uma senhora, que n\u00e3o tinha Covid, estava doente, em internamento, onde tamb\u00e9m havia restri\u00e7\u00f5es: mal me aproximei, pegou-me nas m\u00e3os, come\u00e7ou a afag\u00e1-las. At\u00e9 fiquei atrapalhado, porque estava a ver que ia levar um pux\u00e3o de orelhas! Mas n\u00e3o levei, pelo contr\u00e1rio, os profissionais que estavam ao lado, depois, at\u00e9 conversaram sobre a grande solid\u00e3o que muitos dos doentes passam, o desejo do toque, da proximidade.<\/p>\n<p>Ao n\u00edvel da assist\u00eancia espiritual, dos cuidados espirituais, da aten\u00e7\u00e3o espiritual, h\u00e1 muitos profissionais que s\u00e3o extraordin\u00e1rios, neste campo. S\u00e3o sens\u00edveis a isto\u2026 Mas, \u00e0s vezes, tamb\u00e9m acontece que h\u00e1 uns extraterrestres, infiltrados, no meio dos profissionais, que obstruem a assist\u00eancia espiritual\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Durante a pandemia, houve alguma altera\u00e7\u00e3o? Passou-se a valorizar mais a presen\u00e7a e o contributo de uma assist\u00eancia espiritual?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei, ela esteve a\u00ed. Pela minha perce\u00e7\u00e3o, deveria estar mais\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para os profissionais de sa\u00fade, tamb\u00e9m houve necessidade de assist\u00eancia? Foram muito sacrificados neste per\u00edodo, foi muito duro\u2026<\/em><\/p>\n<p>Foi muito duro para eles. Foram aut\u00eanticos her\u00f3is. Era muito importante, \u00e0s vezes, a gente passar e conversar\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Teve essa experi\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Com muitos profissionais, passar e conversar, exteriorizar o medo, o temor. Sobretudo no in\u00edcio, era importante conversar sobre isso, porque eles precisavam tamb\u00e9m, e \u00a0\u00e0s vezes os fatores relacionados com a espiritualidade vinham tamb\u00e9m ao de cima. E a maior parte dos profissionais, nesse campo, s\u00e3o extraordin\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_233495\" aria-describedby=\"caption-attachment-233495\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-233495\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/padre2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-233495\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Joana Gon\u00e7alves<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Fal\u00e1vamos no toque, ainda h\u00e1 pouco, e todos os sacramentos na Igreja Cat\u00f3lica t\u00eam uma enorme aten\u00e7\u00e3o ao gesto, ao toque. Foi mais dif\u00edcil ser capel\u00e3o, por causa desta limita\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>A espiritualidade assenta muito no toque, e foi mais dif\u00edcil. Eu, na medida em que podia fazer sem luvas, fazia-o, porque me incomoda muito celebrar os sacramentos e dar a Un\u00e7\u00e3o com luvas. \u00c0s vezes t\u00ednhamos de o fazer e isso \u00e9 tremendo, porque impede o contacto com a pessoa, com a pele; para os pr\u00f3prios doentes deve ser um pouco confuso. Mas as situa\u00e7\u00f5es foram assim, exigiam isso\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 o coordenador nacional das Capelanias Hospitalares. Quantos capel\u00e3es hospitalares existem no pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>Entre os hospitais p\u00fablicos e privados, que tamb\u00e9m t\u00eam capel\u00e3o, em muitos casos, penso que ser\u00e1 \u00e0 volta dos 120. O Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade tem 83, 84, e os outros s\u00e3o de hospitais privados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 uma miss\u00e3o para a qual os sacerdotes recebem forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica?<\/em><\/p>\n<p>Deveria ser.\u00a0Quando os capel\u00e3es, os assistentes espirituais s\u00e3o nomeados, uma das coisas que devia ser autom\u00e1tica era, exatamente, a prepara\u00e7\u00e3o para entrar neste campo, que \u00e9 muito espec\u00edfico.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio preparar-se para o cuidado dos doentes. H\u00e1 formas de encontro e de conversa com os doentes que n\u00e3o ajudam, s\u00f3 complicam, muitas vezes at\u00e9 ficam irritados. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso:\u00a0precisamos de aprender t\u00e9cnicas para a proximidade com o doente, para escutar o doente. Sobretudo escutar, de forma ativa, emp\u00e1tica, \u00e9 isso que cura.\u00a0Cura a alma, e sobretudo ajuda muito sob o ponto de vista terap\u00eautico. E isto tem de ser aprendido, porque n\u00e3o se aprende no curso de Teologia.<\/p>\n<p>Depois, precisamos de aprender e de conhecer a sa\u00fade, inclusivamente o patrim\u00f3nio da Igreja, neste campo, aquilo que deve caraterizar a Pastoral da Sa\u00fade, as preocupa\u00e7\u00f5es e os objetivos que devemos ter. Porque \u00e9 muito f\u00e1cil um capel\u00e3o ir oferecer os sacramentos, mas o doente pode n\u00e3o querer isso, mas apenas que escutem os seus desabafos, a sua ansiedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 h\u00e1 mais leigos a exercer este servi\u00e7o?<\/em><\/p>\n<p>Deveria haver muito mais, sobretudo\u00a0deveria haver muito mais mulheres, porque s\u00e3o necess\u00e1rias na Pastoral da Sa\u00fade, fazem falta para escutar: o materno faz falta na Pastoral da Sa\u00fade. Os padres poderiam ser libertados para outras atividades, porque muito da Pastoral da Sa\u00fade n\u00e3o s\u00e3o os sacramentos, mas \u00e9 a escuta, o acompanhamento, a visita, a rela\u00e7\u00e3o humana.\u00a0Depois v\u00eam os sacramentos, mas a\u00ed pode chamar-se o padre, para ir celebrar.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito trabalho a fazer, neste acompanhamento, na escuta, na ajuda humana e espiritual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quem tiver disponibilidade e se sinta motivado, o que deve fazer?<\/em><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o estamos abertos a isso! E eu lamento muito, quer a n\u00edvel da sociedade, quer ao n\u00edvel da Igreja. E necessitamos\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, as par\u00f3quias podem ter a\u00ed um papel\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, podem ter um papel enorme, atrav\u00e9s da Pastoral da Sa\u00fade. As capelanias, neste sentido da presen\u00e7a das par\u00f3quias, atrav\u00e9s de volunt\u00e1rios pastorais, podem ser uma plataforma para a presen\u00e7a das comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>De um modo geral, os doentes sabem que quando entram num hospital, t\u00eam direito \u00e0 assist\u00eancia espiritual e religiosa?<\/em><\/p>\n<p>Nem sempre\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mesmo os crentes?<\/em><\/p>\n<p>Mesmo os crentes. Muitos crentes &#8211; e isso aconteceu agora, em muitas situa\u00e7\u00f5es, durante a pandemia \u2013 iam para o hospital, pensando que n\u00e3o poderiam ter a visita do capel\u00e3o, receber a Comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Face \u00e0s limita\u00e7\u00f5es que estavam em vigor?<\/em><\/p>\n<p>Sim. E\u00a0parece que, \u00e0s vezes, as pessoas quando v\u00e3o para o hospital se esquecem que em todos os hospitais h\u00e1 um capel\u00e3o e h\u00e1 servi\u00e7o de assist\u00eancia espiritual e religiosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa assist\u00eancia \u00e9 garantida a todas as religi\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Todos os doentes t\u00eam direito \u00e0 assist\u00eancia espiritual e religiosa, independentemente da sua religi\u00e3o. Por isso,\u00a0os diversos l\u00edderes espirituais podem aceder aos pr\u00f3prios doentes. Se isso n\u00e3o acontecer \u2013 \u00e0s vezes h\u00e1 dificuldades, impedimentos -, configura uma obstru\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de religi\u00e3o e culto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Faz diferen\u00e7a na vida de um doente ter assist\u00eancia espiritual?<\/em><\/p>\n<p>Faz, faz diferen\u00e7a. Na minha experi\u00eancia, de muitos doentes, \u00e9 um alento para eles quando recorrem \u00e0 assist\u00eancia espiritual e religiosa, porque podem conversar, podem ter a Eucaristia. Muitos doentes que recebem a Comunh\u00e3o, \u00e0s vezes em situa\u00e7\u00e3o complicada, de sofrimento, dizem: \u201c\u00e9 isto que me ajuda a levar o sofrimento para a frente, a lutar pela sa\u00fade, a lutar pela vida\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O di\u00e1logo inter-religioso \u00e9 uma dimens\u00e3o importante do trabalho nesta \u00e1rea. Tem sido poss\u00edvel chegar a posi\u00e7\u00f5es conjuntas sobre temas como a eutan\u00e1sia, por exemplo\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que isso vale a pena, e deve ser um caminho a seguir. As coisas caminhar\u00e3o, a seu tempo, para que as diversas religi\u00f5es estejam presentes no contexto hospitalar. Sob o ponto de vista legal, a assist\u00eancia espiritual e religiosa no hospital \u00e9, por natureza, inter-religiosa. Porque todos os doentes t\u00eam esse direito, \u00e9 uma quest\u00e3o legal. E \u00e9 depois uma quest\u00e3o de comunh\u00e3o. Ali\u00e1s, isso acontece no Hospital Universit\u00e1rio de Coimbra, e \u00e9 necess\u00e1rio que essa experi\u00eancia se estenda a outros hospitais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coordenador Nacional das Capelanias Hospitalares critica restri\u00e7\u00f5es que, em muitos casos, se mant\u00eam e impedem o contacto com as fam\u00edlias, porque n\u00e3o se pode descurar as necessidades psicol\u00f3gicas e espirituais dos doentes<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":233496,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-233961","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=233961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233961\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/233496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=233961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=233961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=233961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}