{"id":23343,"date":"2007-03-08T12:29:49","date_gmt":"2007-03-08T12:29:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/08\/messines-e-s-marcos-precisam-de-apoio-laical\/"},"modified":"2007-03-08T12:29:49","modified_gmt":"2007-03-08T12:29:49","slug":"messines-e-s-marcos-precisam-de-apoio-laical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/messines-e-s-marcos-precisam-de-apoio-laical\/","title":{"rendered":"Messines e S. Marcos precisam de apoio laical"},"content":{"rendered":"<p>As duas par\u00f3quias agora visitadas pelo Bispo do Algarve, S\u00e3o Bartolomeu de Messines e S\u00e3o Marcos da Serra, est\u00e3o entregues h\u00e1 13 anos aos cuidados do padre Augusto de Brito. O sacerdote, analisando a realidade actual das duas comunidades, est\u00e1 consciente que ambas se encontram numa fase menos positiva do ciclo da sua vida. &#8220;At\u00e9 ao ano jubilar tivemos um crescimento bastante acentuado ao n\u00edvel da dimens\u00e3o s\u00f3cio-caritativa e tamb\u00e9m ao n\u00edvel prof\u00e9tico formaram-se v\u00e1rios grupos com animadores. A partir do ano 2000, sobretudo em 2001 e 2002, houve uma quebra muito grande na par\u00f3quia, da qual ainda estou a sofrer as consequ\u00eancias&#8221;, elucidou, explicando que &#8220;alguns jovens sa\u00edram e deixaram atr\u00e1s de si uma divis\u00e3o dentro da par\u00f3quia&#8221; que tamb\u00e9m foi notada na diminui\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o nas Eucaristias dominicais. No entanto, &#8220;a invers\u00e3o dessa tend\u00eancia come\u00e7ou a notar-se no in\u00edcio deste ano pastoral&#8221;, considera o padre Augusto de Brito, refor\u00e7ando que a Semana Mission\u00e1ria &#8220;veio dar um novo alento&#8221; e mostrando-se convencido de que &#8220;a par\u00f3quia vai ter p\u00e9s para recome\u00e7ar&#8221;. Considerando que o maior entrave ao crescimento paroquial \u00e9 a sua sa\u00fade debilitada, o sacerdote lamenta n\u00e3o ter maior capacidade para poder dinamizar as duas comunidades. Messines \u00e9 a par\u00f3quia com maior \u00e1rea da diocese algarvia, com cerca de 250 quil\u00f3metros quadrados. A somar aos 150 quil\u00f3metros quadrados de S\u00e3o Marcos, o padre Augusto de Brito tem \u00e0 sua responsabilidade pastoral 400 quil\u00f3metros quadrados do Algarve. &#8220;\u00c9 uma diocese!&#8221;, refere com gra\u00e7a. De facto, a Diabetes de que sofre tem imposto um ritmo diferente ao trabalho pastoral, daquele que gostaria. A doen\u00e7a tem-lhe &#8220;atacado os p\u00e9s, rins, f\u00edgado e olhos&#8221; , explica. No entanto, para al\u00e9m deste problema, o prior alerta sobretudo para a &#8220;falta de apoio de leigos que assumam fazer um trabalho de Igreja&#8221;. &#8220;Temos a Igreja com um n\u00famero razo\u00e1vel de praticantes s\u00f3 que s\u00e3o pessoas que na maioria esmagadora n\u00e3o se querem comprometer. Vivem um cristianismo que se resume \u00e0 pr\u00e1tica dominical. A freguesia ainda tem muita gente que se se quisesse comprometer poderia dinamizar muita coisa&#8221;, complementa o p\u00e1roco, reconhecendo que &#8220;as pessoas n\u00e3o t\u00eam h\u00e1bito de sair \u00e0 noite e durante o dia est\u00e3o a trabalhar&#8221;.  Este Cristianismo, que classifica de &#8220;pouco aberto&#8221;, tem sido na sua opini\u00e3o &#8220;um grande entrave ao trabalho pastoral&#8221;. &#8220;As pessoas est\u00e3o de tal maneira instaladas que t\u00eam dificuldade em aceitar que outras fa\u00e7am o mesmo que elas. E quando algu\u00e9m novo aparece querem coloc\u00e1-lo debaixo das suas ordens porque elas \u00e9 que sabem. H\u00e1 aqui algumas pessoas que querem sempre ocupar e fazer as mesmas coisas e n\u00e3o deixam que pessoas novas o fa\u00e7am&#8221;, constata, apontando a solu\u00e7\u00e3o. &#8220;Eu neste momento ou tenho de me impor e zangar-me a s\u00e9rio ou ent\u00e3o n\u00e3o deixar\u00e3o que surja gente nova&#8221;, refere. Essa mesma mentalidade fechada \u00e9 tamb\u00e9m f\u00e1cil de identificar, segundo o p\u00e1roco, nos diversos movi-mentos das par\u00f3quias. &#8220;Os movimentos s\u00e3o v\u00e1rios, mas n\u00e3o tem havido da sua parte qualquer tipo de esfor\u00e7o para a renova\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia. Penso que isso se deve \u00e0 avan\u00e7ada idade das pessoas e \u00e0 forma como ainda v\u00eam a Igreja&#8221;, adverte o padre Augusto de Brito, acrescentando que os movimentos &#8220;n\u00e3o atraem a juventude&#8221;, pois s\u00e3o &#8220;grupos fechados \u00e0 entrada de novos elementos&#8221;.  Os jovens na par\u00f3quia de Messines s\u00e3o um grupo com cerca de 32 elementos, 10 j\u00e1 crismados e 23 em prepara\u00e7\u00e3o para receber a Confirma\u00e7\u00e3o. Em S\u00e3o Marcos a realidade \u00e9 menos animadora, pois apesar de tamb\u00e9m existirem muitos jovens na localidade, aqueles que frequentam a Igreja s\u00e3o apenas 2 ou 3. &#8220;A par\u00f3quia tem agora duas jovens que v\u00e3o receber o Crisma e que me come\u00e7aram a ajudar na catequese, pois at\u00e9 aqui tenho estado s\u00f3zinho&#8221;, afirma o prior, explicando que naquela comunidade a catequese n\u00e3o segue a organiza\u00e7\u00e3o habitual. &#8220;Fa\u00e7o a catequese por \u00e9pocas intensivas e nos restantes per\u00edodos \u00e9 acompanhada pela fam\u00edlia&#8221;, concretiza.  Em Messines, a situa\u00e7\u00e3o com a catequese \u00e9 um pouco melhor, embora as 8 catequistas sejam igualmente insuficientes para as mais de 100 crian\u00e7as, adolescentes e jovens. Os mais novos, pr\u00e9-adolescentes e adolescentes (cerca de 12), est\u00e3o ainda inseridos como ac\u00f3litos. Ao n\u00edvel das fam\u00edlias, o p\u00e1roco garante que &#8220;existem muitos casais, mas a prestar um servi\u00e7o \u00e0 par\u00f3quia s\u00e3o muito poucos&#8221;. Os movimentos, equipas ou grupos de inser\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias tamb\u00e9m n\u00e3o existem. Apenas os adultos est\u00e3o inseridos num grupo de catequese de adultos orientado pelo pr\u00f3prio p\u00e1roco. Em S\u00e3o Marcos, os adultos s\u00e3o muito poucos. Assegura o prior que &#8220;a comunidade paroquial, em m\u00e9dia, deve ter umas 30 pessoas&#8221;. &#8220;Neste momento, o trabalho pastoral resume-se praticamente \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dominical semanal&#8221;, elucida o p\u00e1roco.  <b>400 kms2 de comunidades dispersas entre o barrocal e a serra<\/b> Uma das caracter\u00edsticas destas duas par\u00f3quias \u00e9 que ambas cont\u00eam v\u00e1rias comunidades dispersas, mas que est\u00e3o organizadas de forma a reunirem-se periodicamente para aprofundar a Palavra. Conseguir garantir a assist\u00eancia a todas elas \u00e9 tarefa complicada para o p\u00e1roco. Em plena serra algarvia, confrontando com o Alentejo, S\u00e3o Marcos contempla os lugares de Monte das Pitas, Sapeira, Benaf\u00e1tima, Boi\u00e3o e Azilheira.   Com uma popula\u00e7\u00e3o mais envelhecida comparativamente aos da freguesia de Messines, os habitantes da serra j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam capacidade para se deslocar s\u00f3zinhos e j\u00e1 n\u00e3o v\u00eam \u00e0 sede da par\u00f3quia.  Tamb\u00e9m em Messines, em pleno barrocal, existem os lugares de Cumeada, Benaciate, Calvos, Po\u00e7o do Gueino, Messines de Baixo e Ribeira do Arade e neste momento, garante o p\u00e1roco, \u201cgra\u00e7as \u00e0 Semana Mission\u00e1ria est\u00e3o ainda a renascer mais dois que s\u00e3o Perna Seca e Foz do Ribeiro\u201d. \u201cH\u00e1 \u00e9pocas em que fa\u00e7o um esfor\u00e7o por ir a todos os lugares e h\u00e1 outras \u00e9pocas em que tenho de desistir de alguns s\u00edtios para voltar mais tarde\u201d, refere o p\u00e1roco, acrescentando que \u201cestes lugares j\u00e1 tiveram Eucaristia uma vez por m\u00eas e animadores que celebravam a Palavra nos restantes domingos. Neste momento t\u00eam a Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica presidida por mim e poucas vezes as celebra\u00e7\u00f5es da palavra porque faltam animadores e forma\u00e7\u00e3o\u201d, justifica. <b>A assist\u00eancia aos mais pobres<\/b> Ao n\u00edvel do sector s\u00f3cio-caritativo, a par\u00f3quia de Messines faz algum trabalho sistem\u00e1tico de acompanhamento da comunidade cigana e de alguns outros casos. \u201cVamos de vez em quando medir a tens\u00e3o e deixar aos mais necessitados alguma mercearia proveniente de contributos que a comunidade vai juntando ao longo do ano\u201d, esclarece o padre Augusto de Brito, explicando que o grupo existe, mas n\u00e3o est\u00e1 organizado.  No Natal este servi\u00e7o \u00e9 alagardo a mais casos. \u201cTemos feito em colabora\u00e7\u00e3o com a Junta de Freguesia e contamos tamb\u00e9m com uma ajuda muito boa da parte da Associa\u00e7\u00e3o de Estudantes do Instituto Jean Pia-get de Silves que nos d\u00e3o um grande apoio com uma grande quantidade de g\u00e9neros que eles recolhem\u201d, refere o sacerdote, acrescentando que \u201ctamb\u00e9m em  S\u00e3o Marcos h\u00e1 um rapaz ligado \u00e0 igreja que tem um grande cuidado com esse aspecto\u201d e que o ajuda a identificar as pessoas que t\u00eam dificuldades.  <b>Pe. Augusto de Brito, uma voca\u00e7\u00e3o tardia, mas plenamente assumida<\/b> Natural de Bar\u00e3o de S\u00e3o Miguel (concelho de Vila do Bispo), onde nasceu h\u00e1 quase 65 anos, o padre Augusto de Brito sempre morou em Estoi. Tendo ido para o Porto cumprir servi\u00e7o militar, por l\u00e1 participou num dos encontros do que viriam a ser mais tarde os Conv\u00edvios Fraternos. Essa experi\u00eancia acabou por faz\u00ea-lo reencontrar o caminho da f\u00e9.  Acabando por ficar no Porto a trabalhar na antiga TLP (actual PT), lembra que esteve \u201cquase casado\u201d por duas vezes, mas a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal acabou por falar mais alto e decidiu apresentar-se, j\u00e1 em 1985, ao ent\u00e3o Bispo do Algarve, D. Ernesto Costa, para iniciar a forma\u00e7\u00e3o de seminarista na cidade invicta. D. J\u00falio Tavares Rebimbas, na altura Bispo do Porto, deixou-o continuar a trabalhar, indo apenas aos fins-de-semana ao Semin\u00e1rio participar nos estudos. Paralelamente iniciou o estudo na Universidade Cat\u00f3lica do Porto. Coincidindo com a vida de D. Manuel Madureira Dias para o Algarve, sentiu dificuldade em conciliar o trabalho com a Universidade e o servi\u00e7o pastoral numa par\u00f3quia do Porto. Nessa altura, manifestou vontade em passar a seminarista interno, decis\u00e3o que coincidiu com a vontade do Prelado. Ficou ano e meio no Semin\u00e1rio Maior do Porto como interno mas continuou a trabalhar nas f\u00e9rias e s\u00f3 se desvinculou da empresa quando foi ordenado di\u00e1cono. A 8 de Dezembro de 1991 foi ordenado presb\u00edtero por D. Manuel Madureira Dias na S\u00e9 de Faro. Depois de ordenado, com a sa\u00edda do padre Lu\u00eds Gonzaga, ficou com as par\u00f3quias de Martinlongo, Vaqueiros e Cachopo, a que no ano seguinte se juntou o Ameixial. Ali esteve 2 anos e depois veio para Messines, acumulando somente com o Ameixial, que deixou passados alguns meses por substituir com S\u00e3o Marcos da Serra.  <b>De dirigente da CGTP a sacerdote<\/b> Recordando o seu percurso vocacional, o padre Augusto de Brito sublinha que quando \u201cconsci\u00eancia do que \u00e9 ser crist\u00e3o\u201d, tamb\u00e9m se deixou sensibilizar muito pelas quest\u00f5es de justi\u00e7a social. \u201cNa minha empresa havia muitos casos de injusti\u00e7a\u201d, lembra.  Foi ent\u00e3o que se tornou dirigente sindical, mas garante que come\u00e7ou a intervir \u201cunicamente levado pelo Evangelho\u201d e n\u00e3o foi militante de qualquer partido.  \u201cToda a minha caminhada dentro da Igreja levou-me a perder o medo de expor o que pensava. Acabei por me tornar dirigente sindical dentro da empresa (Sindicato dos Telefonistas do Norte ligado pela Federa\u00e7\u00e3o ao Sindicato das Telecomunica\u00e7\u00f5es) e mais tarde convidaram-me para uma lista da Federa\u00e7\u00e3o das Telecomunica\u00e7\u00f5es e depois para o Conselho Nacional da CGTP \u2013 Intersindical, fazendo parte dos chamados \u2018n\u00e3o alinhados\u2019 que n\u00e3o estavam conotados com qualquer partido\u201d, explica. Diverg\u00eancias numa campanha eleitoral acabaram por ditar o seu afastamento da estrutura sindical, no entanto assegura que a sua passagem pelo mundo do trabalho \u00e9 que o fez despertar para a voca\u00e7\u00e3o de padre. \u201cComecei a sentir que a Igreja n\u00e3o entendia o mundo do trabalho\u201d, justifica. Confessando que se identificou com a ideologia comunista mais revolucion\u00e1ria, unicamente no que se refere aos direitos dos trabalhadores e no direito ao trabalho, adverte que esteve sempre ligado \u00e0 Igreja. \u201cDentro da CGTP havia muita gente da LOC e da JOC que nunca deixaram a Igreja, mas que tinham uma postura muito diferente de posturas de outros sindicalistas\u201d, explica, acrescentando que quando deixou o sindicalismo sentiu um \u201cgrande vazio\u201d. \u201cAcabava o meu hor\u00e1rio e ficava sem nada para fazer e decidi voltar a trabalhar na par\u00f3quia a que pertencia e voltar a estudar\u201d, complementa.  <b>P\u00e1roco recuperou patrim\u00f3nio e criou condi\u00e7\u00f5es<\/b> Um dos aspectos que certamente um dia marcar\u00e1 a passagem do padre Augusto de Brito pelas par\u00f3quias de S\u00e3o Bartolomeu de Messines e S\u00e3o Marcos da Serra \u00e9 a obra feita no que \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio se refere.  Com efeito, resta-lhe apenas a recupera\u00e7\u00e3o da igreja de S\u00e3o Pedro.  O Centro e Casa Paroquial de Messines, uma das mais importantes obras que empreendeu come\u00e7ou com um convite do Bispo diocesano de ent\u00e3o, D. Manuel Madureira Dias. Actualmente a par\u00f3quia conta com algumas salas para catequese e reuni\u00f5es.  Com a obra a decorrer abateram dois telhados dos anexos da igreja. &#8220;Vimo-nos obrigados apresentar uma candidatura \u00e0 CCDR para conseguir uma ajuda. Esse projecto atrasou muito e teve de ser reformulado porque entretanto mudaram governos e legisla\u00e7\u00e3o. S\u00f3 agora quando est\u00e1vamos com a casa pronta, mas com uma d\u00edvida grande em cima, \u00e9 que veio a aprova\u00e7\u00e3o dessa candidatura&#8221;, explica o p\u00e1roco. Assim, est\u00e1 a ser restaurada mais uma sala para reuni\u00f5es e catequese e os trabalhos contemplam igualmente a susbtitui\u00e7\u00e3o das portas da igreja (arrombadas j\u00e1 algumas vezes) e a pintura exterior do edif\u00edcio. O padre Augusto de Brito reconhece que &#8220;em termos de estruturas para o trabalho pastoral a par\u00f3quia est\u00e1 bem servida&#8221;. <i>Trabalho conduzido por Samuel Mendon\u00e7a<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As duas par\u00f3quias agora visitadas pelo Bispo do Algarve, S\u00e3o Bartolomeu de Messines e S\u00e3o Marcos da Serra, est\u00e3o entregues h\u00e1 13 anos aos cuidados do padre Augusto de Brito. 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