{"id":23340,"date":"2007-03-08T11:55:22","date_gmt":"2007-03-08T11:55:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/08\/estamos-a-viver-tempos-dificeis\/"},"modified":"2007-03-08T11:55:22","modified_gmt":"2007-03-08T11:55:22","slug":"estamos-a-viver-tempos-dificeis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/estamos-a-viver-tempos-dificeis\/","title":{"rendered":"\u00abEstamos a viver tempos dif\u00edceis\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista ao Presidente da C\u00e1ritas de Coimbra, Pe. An\u00edbal Castelhano. <!--more--> O padre An\u00edbal Castelhano \u00e9 h\u00e1 cerca de dois anos presidente da Caritas de Coimbra, organismo que define como um servi\u00e7o prestado \u00e0 comunidade pela Diocese e pelo seu Bispo, \u201cos verdadeiros dinamizadores de toda ac\u00e7\u00e3o pastoral\u201d. A ajuda assistencial, a forma\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o da Igreja nesta \u00e1rea, a resposta aos problemas sociais graves e a promo\u00e7\u00e3o das comunidades s\u00e3o assumidas como os grandes vectores de actua\u00e7\u00e3o da Caritas que, de acordo com o padre An\u00edbal, \u201cn\u00e3o \u00e9 a estrutura rica que se julga\u201d, estando, pelo contr\u00e1rio, a \u201cviver tempos dif\u00edceis\u201d. Falando dos esfor\u00e7os de grupos e institui\u00e7\u00f5es locais, refere os problemas das comunidades paroquiais, a quem faltam, muitas vezes, \u201cesp\u00edrito, recursos econ\u00f3micos e capacidade t\u00e9cnica, para agirem eficazmente\u201d. O desconhecimento dos problemas que vivem ao nosso lado leva tamb\u00e9m ao \u201cadiamento das respostas necess\u00e1rias\u201d. Para o futuro, define prioridades sempre com uma certeza que diz \u201cinabal\u00e1vel\u201d: \u201ca ac\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-caritativa \u00e9 intr\u00ednseca \u00e0 natureza da Igreja e, por isso a Igreja tem que a assumir, na sua pastoral concreta, como uma exig\u00eancia absoluta da sua miss\u00e3o\u201d.                                                                <b>A Caritas de Coimbra toma a seu cargo a dinamiza\u00e7\u00e3o da ac\u00e7\u00e3o social da Igreja na diocese. Que actividades concretas desenvolve?<\/b> N\u00e3o \u00e9 inteiramente correcto que a C\u00e1ritas de Coimbra tome a seu cargo a dinamiza\u00e7\u00e3o da ac\u00e7\u00e3o social da Igreja na diocese. A C\u00e1ritas \u00e9 um servi\u00e7o da Diocese e do seu Bispo, os verdadeiros dinamizadores de toda a ac\u00e7\u00e3o pastoral. Por outro lado, h\u00e1 imensa ac\u00e7\u00e3o social na diocese (Miseric\u00f3rdias, Centros paroquiais, Associa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is, Institutos religiosos, IPSS) que ultrapassa o \u00e2mbito da actua\u00e7\u00e3o imediata da C\u00e1ritas. Neste complexo estrutural, a miss\u00e3o da C\u00e1ritas ainda n\u00e3o foi claramente definida. De qualquer modo, s\u00e3o inerentes \u00e0 identidade da C\u00e1ritas quatro grandes ac\u00e7\u00f5es: ser o ve\u00edculo facilitador da ajuda assistencial que a Igreja diocesana d\u00e1 a pessoas muito pobres ou em situa\u00e7\u00f5es de vida particularmente graves; sensibilizar e catequizar toda a igreja de Deus para a ac\u00e7\u00e3o social e caritativa; responder com a maior qualidade poss\u00edvel aos problemas sociais graves (ex.: desemprego, prostitui\u00e7\u00e3o, sem-abrigo, minorias \u00e9tnicas, crian\u00e7as em risco\u2026) e promover as comunidades, assumidas como entidades globais e culturais. Intervimos em todas estas \u00e1reas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades, tentamos responder \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es concretas que nos s\u00e3o feitas e, simultaneamente, exercemos uma ac\u00e7\u00e3o, relativamente intensa e pr\u00f3xima, na forma\u00e7\u00e3o de grupos paroquiais e na forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para a ac\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas da preven\u00e7\u00e3o da toxicodepend\u00eancia, alcoolismo, educa\u00e7\u00e3o afectivo-sexual, idosos e doentes, migrantes, doutrina social da Igreja\u2026 Depois h\u00e1 todo o universo de equipamentos de ac\u00e7\u00e3o social e outros tipos de respostas, como o acompanhamento de mais de 300 casos de Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o no Concelho de Coimbra. <b>Que infra-estruturas tem a Caritas diocesana neste momento?<\/b> Primeiro, temos a sede, com a val\u00eancia fam\u00edlia, comunidade e popula\u00e7\u00e3o activa, para al\u00e9m dos m\u00faltiplos servi\u00e7os de apoio. Depois, na \u00e1rea da Inf\u00e2ncia existem 3 creches, 3 jardins de Inf\u00e2ncia, 1 Centro de Acolhimento Tempor\u00e1rio, mais de 3 dezenas de centros de A.T.L.; na \u00e1rea da juventude, 2 lares, um masculino e outro feminino, para crian\u00e7as e jovens desprovidos de meio familiar normal; na \u00e1rea da toxicodepend\u00eancia, 1 comunidade terap\u00eautica, 1 Centro de Dia, 1 Apartamento de Reinser\u00e7\u00e3o, 1 Equipa de Rua); na \u00e1rea das mulheres em risco, atendimento pr\u00f3prio, actividades de forma\u00e7\u00e3o e Empresa de Inser\u00e7\u00e3o Azul e Branco. Contamos abrir muito em breve um Centro de Acolhimento, residencial, neste \u00e2mbito; na \u00e1rea da doen\u00e7a e depend\u00eancia, um Lar, uma Unidade de Longa Dura\u00e7\u00e3o e Manuten\u00e7\u00e3o (integrada na Rede Nacional de Cuidados Continuados), uma cl\u00ednica de fisioterapia; na \u00e1rea dos sem-abrigo, um Centro de Acolhimento, o Farol; na \u00e1rea do HIV-SIDA, apoio (alimenta\u00e7\u00e3o, apoio jur\u00eddico, cuidados de sa\u00fade\u2026) a 50 doentes socialmente desenraizados\u2026 Esperamos que em breve o Farol possa acolher residencialmente 14 doentes, para o que est\u00e1 devidamente equipado; na \u00e1rea dos Idosos, existem 4 lares, v\u00e1rios Centros de Dia, de Apoio Domicili\u00e1rio e de Conv\u00edvio; na \u00e1rea dos Bairros urbanos, um Centro Comunit\u00e1rio no Bairro da Rosa, com uma incid\u00eancia muito grande sobre a popula\u00e7\u00e3o cigana, um Centro Comunit\u00e1rio no bairro do Ingote\u2026 Enfim, estou cert\u00edssimo de que neste rol alguma coisa me passou ao lado\u2026Note que cada uma destas unidades \u00e9 um mundo que escapa a este enunciado. Veja a dist\u00e2ncia que vai entre dizer \u201cquatro lares de idosos\u201d ou perceber um s\u00f3 desses Lares, como o de Buarcos, tem 106 utentes\u2026 Depois, h\u00e1 ainda parcerias que se estendem a muitos outros n\u00edveis. O melhor exemplo ser\u00e1 o CEARTE, que \u00e9 um centro de forma\u00e7\u00e3o profissional completamente aut\u00f3nomo, mas que nasceu de um protocolo entre a C\u00e1ritas de Coimbra e o Instituto de Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional, e que nos tem dado sempre um grande apoio na forma\u00e7\u00e3o destas popula\u00e7\u00f5es mais desfavorecidas. <b>Assumiu a presid\u00eancia da Caritas h\u00e1 cerca de dois anos. A dimens\u00e3o desta estrutura n\u00e3o o assusta?<\/b> Um ano e dois meses. N\u00e3o sei se \u201cassustar\u201d \u00e9 o termo certo. \u00c9 motivo, com certeza, de extrema e cont\u00ednua aten\u00e7\u00e3o, nem tanto pela dimens\u00e3o, mas sobretudo por alguns sectores estruturais que, por motivos diversos, est\u00e3o neste momento sob forte fragilidade, nomeadamente todo o sector de A.T.L., por raz\u00f5es pol\u00edticas conhecidas e os equipamentos que n\u00e3o t\u00eam comparticipa\u00e7\u00e3o dos utentes (como os sem-abrigo e outros) que s\u00e3o estruturas caras e economicamente muito deficit\u00e1rias. Uma coisa \u00e9 absolutamente clara: a C\u00e1ritas n\u00e3o \u00e9 a estrutura rica que se julga. Pelo contr\u00e1rio, est\u00e1 a viver tempos dif\u00edceis, com uma gest\u00e3o bastante apertada, como ali\u00e1s acontece com muitas outras IPSS. <b>Ao n\u00edvel local e paroquial existem muitos organismos que trabalham na \u00e1rea social. Que tipo de acompanhamento \u00e9 feito pela Caritas a estes grupos?<\/b> Depende da sua natureza e tamb\u00e9m da sua abertura. Quando digo \u201cda sua natureza\u201d, \u00e9 porque n\u00f3s entendemos que somos credores imediatos de apoio para os grupos que comprometem \u201coficialmente\u201d a Igreja paroquial, j\u00e1 que a C\u00e1ritas \u00e9 ela pr\u00f3pria assumida pela Igreja como \u201cinst\u00e2ncia oficial\u201d (C.E.P.). Mas n\u00e3o trabalhamos especificamente com grupos e organismos, mas com as comunidades. N\u00e3o h\u00e1 grupos\/organismos paroquiais \u201cda C\u00e1ritas\u201d. Logo, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 grupos paroquiais fora do \u00e2mbito do apoio da C\u00e1ritas. O nosso \u00e2mbito de ac\u00e7\u00e3o \u00e9 o conjunto das 266 par\u00f3quias da diocese. Ao n\u00edvel de Miseric\u00f3rdias e IPSS n\u00e3o temos um \u201cplano de acompanhamento\u201d nem, at\u00e9 ao momento, ningu\u00e9m nos incumbiu de ter. Temos um bom di\u00e1logo, sobretudo na concerta\u00e7\u00e3o de respostas imediatas para situa\u00e7\u00f5es concretas. Temos tamb\u00e9m algumas propostas formativas de \u00e2mbito diocesano, normalmente aproveitadas pelas mesmas. E, pontualmente, apoiamo-las, em coisas simples como forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica mais localizada, embora sempre em contexto comunit\u00e1rio. Com as Confer\u00eancias Vicentinas estabelecemos basicamente as mesmas propostas que para os Grupos Sociocaritativos: s\u00e3o convidadas para as ac\u00e7\u00f5es desenvolvidas nas comunidades, t\u00eam acesso aos Temas de Reflex\u00e3o que produzimos para os grupos, tentamos auxili\u00e1-las nos seus casos mais problem\u00e1ticos, por exemplo em encaminhamentos. Elas pr\u00f3prias nos socorrem em muitos casos que nos s\u00e3o apresentados, por exemplo que precisam de ajuda material imediata, ou nalguns servi\u00e7os de voluntariado, como agora, na cidade de Coimbra, no pedit\u00f3rio de rua para a C\u00e1ritas. De qualquer modo, numa diocese t\u00e3o grande e t\u00e3o diversa, as situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito plurais, \u00e0s vezes at\u00e9 dentro da mesma par\u00f3quia.  <b>As par\u00f3quias da nossa diocese s\u00e3o activas na resposta aos problemas sociais actuais?<\/b> Diria que est\u00e3o sobretudo numa fase de sensibiliza\u00e7\u00e3o para a dimens\u00e3o pastoral dos problemas sociais de que j\u00e1 nos podemos orgulhar, sendo largamente reconhecido o longo e insistente trabalho do Pe. Ant\u00f3nio Sousa nesta sensibiliza\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o tamb\u00e9m \u2013 muito mais do que aquilo que \u00e0s vezes se pensa \u2013 bastante dispon\u00edveis para a organiza\u00e7\u00e3o pastoral da mesma. O grande n\u00famero e qualidade dos Centros Paroquiais de Solidariedade Social e de Grupos Sociocaritativos atestam esta sensibilidade e esta capacidade. Mas faltam \u00e0s comunidades, do meu ponto de vista, instrumentos de media\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, inst\u00e2ncias concretas, com \u201cesp\u00edrito\u201d, recursos econ\u00f3micos e capacidade t\u00e9cnica, para agirem eficazmente e a sua ac\u00e7\u00e3o ser reconhecida na comunidade como \u201cmedia\u00e7\u00e3o\u201d da ac\u00e7\u00e3o da Igreja. Muitas das par\u00f3quias s\u00e3o extremamente pobres de recursos humanos e materiais, o que dificulta a organiza\u00e7\u00e3o de uma ac\u00e7\u00e3o t\u00e3o exigente. A partilha de bens para a caridade, em muitas comunidades, continua arredada da Eucaristia, e logo do cora\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3\u2026 O desconhecimento dos problemas (sabe quantos deficientes h\u00e1 na sua par\u00f3quia?) acaba por legitimar muitas vezes o adiamento das respostas necess\u00e1rias. <b>Muitos p\u00e1rocos da diocese t\u00eam a seu cargo centros sociais, ainda que, muitas vezes n\u00e3o tenham forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea. Esta falta de prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema?<\/b> Penso que pode ser uma dificuldade acrescida, embora n\u00e3o um problema absoluto. A qualifica\u00e7\u00e3o que as comunidades lhes podem legitimamente exigir \u00e9 na anima\u00e7\u00e3o da vida da comunidade crente \u00e0 luz do Evangelho. Se n\u00f3s, padres, conseguirmos isto, teremos mais facilidade em despertar as sinergias comunit\u00e1rias adequadas \u00e0 gest\u00e3o dos centros sociais. Mas continuam a persistir tr\u00eas tipos de dificuldades: a das comunidades onde efectivamente n\u00e3o h\u00e1 alternativas com mais \u201cforma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea\u201d do que o pr\u00f3prio padre; a do \u201ccarisma\u201d do padre, isto \u00e9, tudo aquilo que do interior do padre o aproxima ou afasta da fun\u00e7\u00e3o de \u201cgest\u00e3o\u201d, mesmo que tenha uma boa forma\u00e7\u00e3o neste campo; o da disponibilidade de tempo ou, se quisermos, o do papel que efectivamente cabe ao p\u00e1roco enquanto ministro sagrado. <b>O voluntariado \u00e9 outra \u00e1rea tamb\u00e9m promovida pela Caritas. Que import\u00e2ncia tem esta vertente da ac\u00e7\u00e3o social nos nossos dias?<\/b> Tem toda a import\u00e2ncia, embora ele precise de ser tecnicamente muito bem enquadrado. A C\u00e1ritas tem promovido essencialmente dois tipos de voluntariado (sem considerarmos a ac\u00e7\u00e3o local dos Grupos): o Voluntariado Hospitalar e o voluntariado concreto em projectos muito bem definidos (por exemplo, nas equipas de rua). Nos equipamentos, por raz\u00f5es t\u00e9cnicas e jur\u00eddicas, \u00e9 mais dif\u00edcil. H\u00e1 um campo onde me parece que podemos potenciar o voluntariado e \u00e9 minha vontade que isso aconte\u00e7a, que \u00e9 no apoio directo \u00e0s par\u00f3quias, em anima\u00e7\u00e3o pastoral e forma\u00e7\u00e3o preventiva para os problemas sociais graves. <b>A V\u00e9rtice \u00e9 um movimento juvenil ligado \u00e0 Caritas. De que forma s\u00e3o envolvidos os jovens na ac\u00e7\u00e3o social?<\/b> A V\u00e9rtice n\u00e3o \u00e9 um \u201cmovimento\u201d, mas uma \u201cassocia\u00e7\u00e3o\u201d. Tem um estatuto sobretudo jur\u00eddico. Neste momento, mesmo como Associa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 nas prioridades do nosso envolvimento. A quest\u00e3o est\u00e1 em saber se a sua exist\u00eancia formal facilita a integra\u00e7\u00e3o dos jovens na ac\u00e7\u00e3o social da par\u00f3quia, ou dificulta essa integra\u00e7\u00e3o, criando um \u201corganismo \u00e0 parte\u201d. A nossa ideia \u00e9 que os jovens devem estar integrados na ac\u00e7\u00e3o social a partir dos pr\u00f3prios dinamismos da comunidade paroquial: o seu Grupo de Ac\u00e7\u00e3o Social, o seu Centro Social, a Confer\u00eancia Vicentina\u2026 Se eu, como presidente da C\u00e1ritas, vou a uma comunidade paroquial falar da dimens\u00e3o pastoral da caridade e n\u00e3o me aparece nenhum jovem da V\u00e9rtice, porque est\u00e3o ao lado a falar de ecologia, h\u00e1 aqui qualquer coisa que n\u00e3o bate certo. \u00c9 esta a quest\u00e3o que estamos a reflectir. Isto n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o haja n\u00facleos da V\u00e9rtice, assumidos como tal, e com uma interven\u00e7\u00e3o na comunidade muito v\u00e1lida, nomeadamente junto de idosos, junto de outros jovens, na promo\u00e7\u00e3o de iniciativas desportivas e culturais&#8230; A quest\u00e3o \u00e9 de integra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de ac\u00e7\u00e3o. Outro aspecto diferente \u00e9 o trabalho que a C\u00e1ritas faz com jovens, que j\u00e1 fazia antes da V\u00e9rtice e continuar\u00e1 a fazer, e que \u00e9 sempre em dois campos: na forma\u00e7\u00e3o para a interven\u00e7\u00e3o na comunidade e na forma\u00e7\u00e3o relativamente a problemas de natureza marcadamente juvenil, como as drogas, a sexualidade e outros. Sabe que na C\u00e1ritas h\u00e1 t\u00e9cnicos que trabalham exclusivamente em forma\u00e7\u00e3o de jovens nestas problem\u00e1ticas, tanto nas escolas como nas comunidades? Atingimos hoje (nestes \u00faltimos tr\u00eas ou quatro anos) mais jovens do que nunca: n\u00e3o meras centenas, mas milhares! De resto, os jovens integram-se na ac\u00e7\u00e3o social como os adultos. <b>Que balan\u00e7o faz deste tempo \u00e0 frente da Caritas diocesana?<\/b> De uma coisa fui tomando uma consci\u00eancia cada vez mais inabal\u00e1vel: a ac\u00e7\u00e3o sociocaritativa \u00e9 intr\u00ednseca \u00e0 natureza da Igreja. Por isso a Igreja tem que a assumir, na sua pastoral concreta, como uma exig\u00eancia absoluta da sua miss\u00e3o. A C\u00e1ritas est\u00e1 empenhada em fazer crescer esta ac\u00e7\u00e3o na diocese, n\u00e3o como \u201ccoisa sua\u201d, mas como servi\u00e7o ao bem comum eclesial e social. A C\u00e1ritas h\u00e1-de ser um projecto e uma concretiza\u00e7\u00e3o da igreja diocesana, o que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Respeitando estes princ\u00edpios, o fazer concreto \u00e9 relativo. Por isso fiz e quero continuar a fazer um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o com muitas outras pessoas, clero e leigos, sobre o lugar da C\u00e1ritas na Diocese. A feliz coincid\u00eancia da publica\u00e7\u00e3o da Enc\u00edclica \u201cDeus caritas est\u201d, neste per\u00edodo, foi tamb\u00e9m um factor potenciador desta reflex\u00e3o.  <b>E para o futuro, quais as prioridades que assume?<\/b> A anima\u00e7\u00e3o pastoral das comunidades \u00e9 sempre uma prioridade. \u00c9 preciso criar na igreja, a todos os seus n\u00edveis, uma mentalidade para a pastoral da caridade e apostar inequivocamente na forma\u00e7\u00e3o de agentes para esta ac\u00e7\u00e3o. Uma segunda prioridade \u00e9 a da forma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio corpo de profissionais da C\u00e1ritas, em ordem \u00e0s duas exig\u00eancias enunciadas por Bento XVI: compet\u00eancia t\u00e9cnica exigente e forma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o s\u00f3lida, a que acresce a mais valia do enriquecimento pessoal e do \u201cdar alma\u201d \u00e0s val\u00eancias. A terceira prioridade tem a ver com o refor\u00e7o, cria\u00e7\u00e3o ou reestrutura\u00e7\u00e3o de algumas respostas em equipamento, nomeadamente no \u00e2mbito das mulheres em risco, das crian\u00e7as e dos idosos, sem ignorar outras necessidades em estudo. <i>Entrevista publicada no \u00abCorreio de Coimbra\u00bb<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista ao Presidente da C\u00e1ritas de Coimbra, Pe. 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