{"id":23296,"date":"2007-03-06T11:44:15","date_gmt":"2007-03-06T11:44:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/06\/padres-na-televisao\/"},"modified":"2007-03-06T11:44:15","modified_gmt":"2007-03-06T11:44:15","slug":"padres-na-televisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/padres-na-televisao\/","title":{"rendered":"Padres na televis\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A RTP est\u00e1 a celebrar 50 anos de vida e a presen\u00e7a do religioso habita naquela casa desde o nascimento. <!--more--> O nascimento da televis\u00e3o em Portugal, da RTP, n\u00e3o se pode contar sem o contributo de Monsenhor Lopes da Cruz. P\u00e1roco da Igreja dos M\u00e1rtires e fundador da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, Lopes da Cruz foi o Primeiro Presidente da Assembleia-geral da RTP. E ao longo dos seus 50 anos, a RTP sempre incluiu a dimens\u00e3o religiosa nos seus programas e na informa\u00e7\u00e3o que emite. Foram muitos os padres que passaram pela televis\u00e3o, na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia Dominical, em programas religiosos e mesmo naqueles programas que justificaram o aparecimento de servi\u00e7o p\u00fablico televisivo, na Europa e tamb\u00e9m em Portugal. Pouco entusiasta dos media, Salazar aceita a instala\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o em Portugal, h\u00e1 50 anos, porque deles tinha uma opini\u00e3o diferente o seu Ministro da Presid\u00eancia e Comunica\u00e7\u00f5es. Marcelo Caetano valorizava os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, nomeadamente a televis\u00e3o, porque seriam meios de educar, informar e divertir. Depois de convencer Salazar, sugere um esquema societ\u00e1rio para a cria\u00e7\u00e3o da nova empresa da televis\u00e3o, onde um ter\u00e7o do capital era participado das r\u00e1dios privadas. Entre elas estava a R\u00e1dio Renascen\u00e7a, e como a maior accionista desse ter\u00e7o. <b>Charlas Lingu\u00edsticas<\/b> Nas mem\u00f3rias da RTP s\u00e3o incontorn\u00e1veis as \u201cCharlas Lingu\u00edsticas\u201d. Um programa do Padre Ra\u00fal Machado (que faleceu em 1961, terminando tamb\u00e9m a\u00ed o programa). Membro da Sociedade de L\u00edngua Portuguesa, o Pe. Ra\u00fal Machado conseguiu motivar o p\u00fablico para temas aparentemente elitistas: ensinar a dizer e a escrever. Esse era, ali\u00e1s, um dos objectivos do servi\u00e7o p\u00fablico, cumprido com \u00eaxito pela forma como o Pe. Ra\u00fal Machado criou e apresentou as suas \u201cCharlas\u201d. <b>Missa em Est\u00fadio<\/b> Monsenhor Lopes da Cruz quis, desde a primeira hora, transmitir a missa pela televis\u00e3o. A experi\u00eancia de outros pa\u00edses (nomeadamente em Fran\u00e7a, com \u201cO Dia do Senhor\u201d) motivou a sua insist\u00eancia junto da RTP. E, em 1960, come\u00e7ou a transmiss\u00e3o em directo da Missa Dominical, a partir da \u201cCaverna\u201d. Ficou assim conhecido o local do Est\u00fadio 1 do Lumiar, onde estava colocado um altar para a transmiss\u00e3o da Missa. A diferencia\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os informativos ou de entretenimento motivaram a cria\u00e7\u00e3o de um local espec\u00edfico para a Missa, que correspondia a um espa\u00e7o mais recuado desse Est\u00fadio (designado por \u201ccaverna\u201d pelos profissionais da RTP do Lumiar\u201d). E era s\u00f3 para a Missa, transmitida na manh\u00e3 de cada Domingo. Uma equipa de sacerdotes, escolhida primeiro por Monsenhor Lopes da Cruz e depois pelo Patriarca de Lisboa, presidia rotativamente \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o, animada por um pequeno coro. Os trabalhadores da RTP podiam tamb\u00e9m participar (mas n\u00e3o apareciam). At\u00e9 1974, temas como a guerra em \u00c1frica, o Dia Mundial da Paz ou os Direitos Humanos, tinham que ser abordados com \u201cmodera\u00e7\u00e3o\u201d nas homilias das missas na televis\u00e3o. Eram frequentes as \u201cadmoesta\u00e7\u00f5es\u201d aos sacerdotes que ousavam um tom mais cr\u00edtico e o faziam chegar ao pa\u00eds atrav\u00e9s da televis\u00e3o. Mas foi precisamente no primeiro Domingo da livre que quase surgia um conflito institucional. No dia 29 de Abril, o primeiro depois do 25 de Abril de 1974, o Pe. Ant\u00f3nio Rego era o sacerdote que presidia \u00e0 missa na televis\u00e3o. \u00c0 sua espera, no Lumiar, estava o Director de Programas, \u201cum capit\u00e3o de Abril rec\u00e9m-chegado\u201d, e comunicou-lhe que \u201cn\u00e3o podia fazer serm\u00e3o ou homilia\u201d devido ao per\u00edodo revolucion\u00e1rio que se vivia. O celebrante respondeu que \u201cna longa noite facista tinha sido incomodado v\u00e1rias vezes, mas nunca proibido de falar\u201d. Decide telefonar ao Cardeal Patriarca, D. Ant\u00f3nio Ribeiro, que lhe ter\u00e1 dito \u201cse n\u00e3o h\u00e1 homilia, n\u00e3o h\u00e1 Missa\u201d. \u201cAo ser transmitida a decis\u00e3o do Cardeal Patriarca logo o capit\u00e3o de Abril e um pequeno grupo de funcion\u00e1rios suplicaram ao Pe. Ant\u00f3nio Rego que celebrasse a Missa como entendesse. E assim aconteceu\u201d (Cf. J. M. Lopes de Ara\u00fajo, Televis\u00e3o, in: \u201cA Igreja e a Cultura Contempor\u00e2nea em Portugal\u201d, 363-377). Ao longo da sua hist\u00f3ria, a RTP continuou a transmitir a Missa Dominical. Em ocasi\u00f5es espec\u00edficas ou acontecimentos de relevo nacional ou internacional, a Missa deixa o Est\u00fadio e \u00e9 transmitida do Vaticano, de igrejas da Europa (na cadeia Eurovis\u00e3o) e das comunidades cat\u00f3licas de Portugal. <b>Programas religiosos<\/b> Desde o in\u00edcio, n\u00e3o s\u00e3o as leis que d\u00e3o \u00e0 Igreja o p\u00falpito da televis\u00e3o. Antes o trabalho concreto de muitos sacerdotes e leigos. Mais do que relacionamentos institucionais favor\u00e1veis, a Igreja Cat\u00f3lica contou, ao longo destes 50 anos, com muitos homens e mulheres da Igreja que souberam estar em televis\u00e3o, contribuindo para a qualidade dos programas religiosos e, por essa via, para qualidade das emiss\u00f5es, sendo esta uma caracter\u00edstica dos anos do regime e dos que se lhes seguiram. Desde logo Mons. Lopes da Cruz. Garante a transmiss\u00e3o da Eucaristia Dominical na televis\u00e3o, sem encontrar oposi\u00e7\u00e3o na RTP, antes naqueles que apontavam d\u00favidas sobre a des-sacraliza\u00e7\u00e3o da Eucaristia pela transmiss\u00e3o televisiva. \u00c9 o primeiro homem que percebe a import\u00e2ncia da televis\u00e3o e, pela sua participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, garante uma voz! At\u00e9 \u00e0 Lei de 90, a presen\u00e7a da Igreja na televis\u00e3o \u00e9 a presen\u00e7a de um punhado de sacerdotes que marcaram a programa\u00e7\u00e3o da RTP: Pe. Jos\u00e9 Maria de Freitas, P\u00e1roco dos Beato, (participou nos programas religiosos e escrevia uma medita\u00e7\u00e3o que se lia no fim da emiss\u00e3o); Pe. Videira Pires, de Bragan\u00e7a (com um programa depois da Missa); Pe. Moreira das Neves (com coment\u00e1rios, programas espor\u00e1dicos sobre efem\u00e9rides ou acontecimentos espec\u00edficos que reclamavam a opini\u00e3o da Igreja), o C\u00f3n. Xavier Coutinho (Programa \u201cNaquele Tempo\u201d); os actuais bispos D. Ant\u00f3nio Reis Rodrigues (Programa \u201cLux in Tenebris\u201d) e D. Serafim Ferreira e Silva; O Pe. Teodoro Marques da Silva, o Pe. Jo\u00e3o de Sousa, (P\u00e1roco dos Anjos que com o seu programa \u201cAmanh\u00e3 \u00e9 Domingo\u201d \u2013 de explica\u00e7\u00e3o dos textos b\u00edblicos &#8211; marcou telespectadores); o Pe. Lu\u00eds Fran\u00e7a (Programa \u201cCada dia uma esperan\u00e7a\u201d.) <b>Cardeal Ribeiro e 70&#215;7<\/b> A hist\u00f3ria da RTP fica marcada sobretudo pelos programas do futuro Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Ant\u00f3nio Ribeiro e pelo Programa 70&#215;7. O Pe. Ant\u00f3nio Ribeiro fez dois programas: \u201cEncruzilhadas da Vida\u201d, de perguntas e respostas sobre quest\u00f5es religiosas; \u201cO Dia do Senhor\u201d, sobre actualidade religiosa, emitido em cada Domingo; e \u201cConc\u00edlio Vaticano II\u201d, sobre os trabalhos do Conc\u00edlio e a forma com os portuguesas o acompanhavam. Confirma quem com ele conviveu que \u201cmarcou a casa\u201d. O Pe. Ant\u00f3nio Ribeiro criou \u00f3ptimo relacionamento e era (e \u00e9) com orgulho que muitos profissionais da RTP falavam do \u201cantigo colega\u201d. Chegou mesmo a ler os textos de um telejornal por falta do locutor. A censura incomodou-o, pelo menos indirectamente. Um programa sobre a visita do Papa Paulo VI \u00e0 \u00cdndia chegou mesmo a n\u00e3o ser emitido.  A partir de 1975, a RTP conta com o contributo do Pe. Ant\u00f3nio Rego na programa\u00e7\u00e3o religiosa. Entre outros programas, foi autor do \u201cAndar faz caminho\u201d  e do \u201c70&#215;7\u201d (que iniciou com Manuel Vilas Boas). Por outro lado, presidia regularmente \u00e0 Eucaristia Dominical, coordenando a transmiss\u00e3o entre 1968 e 1992. O Programa 70&#215;7 nasceu a 21 de Outubro de 1979. Primeiro no Canal 1, depois na RTP2, manteve emiss\u00f5es regulares, na manh\u00e3 de cada Domingo (at\u00e9 Novembro de 1980 era emitido quinzenalmente). Emitido actualmente \u00e0s 9:30h, na :2, o programa \u00e9 um \u201crecorde de longevidade na televis\u00e3o portuguesa\u201d, referido por cat\u00f3licos e n\u00e3o cat\u00f3licos pelas tem\u00e1ticas escolhidas, pela capacidade que teve, desde o in\u00edcio, de ir ao encontro das pessoas, nos locais mais escondidos, e tratar a tem\u00e1tica religiosa no que ela tem menos de institucional e mais de humano.  \u201c70&#215;7\u201d recebeu o pr\u00e9mio da Associa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Internacional de Cinema e Televis\u00e3o, concedido ao programa \u201cA Cartuxa\u201d (emitido em Abril de 1982), e pr\u00e9mio do Festival Ecum\u00e9nico Europeu, concedido ao programa \u201cA Cinza e a Morte\u201d (emitido em Novembro de 1985). O estudo de quatro programas (A Cartuxa, A Cinza e a Morte, O Som do Sil\u00eancio, A Terra e o P\u00e3o) serviu de base a uma tese de mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o Educacional Multim\u00e9dia, defendida pelo Dr. Carlos Capucho, na Universidade Aberta. <b>Para a hist\u00f3ria da RTP<\/b> As pessoas e os programas referidos est\u00e3o na hist\u00f3ria dos 50 anos da RTP. Est\u00e3o tamb\u00e9m muitas transmiss\u00f5es religiosas, muitas vezes a justifica\u00e7\u00e3o para conquistas tecnol\u00f3gicas e crescente envolvimento de meios humanos e t\u00e9cnicos. Na inaugura\u00e7\u00e3o do Monumento a Cristo Rei, a 17 de Maio de 1959, cerca de 100 profissionais realizaram a primeira grande transmiss\u00e3o em directo da RTP (durante 3 horas, uma das quais \u00e0 espera de Salazar, com Henrique Mendes a segurar a emiss\u00e3o com improvisos). Alguns dias antes (13 de Maio de 1959), a RTP iniciara uma rotina que n\u00e3o mais deixar\u00e1: a transmiss\u00e3o das peregrina\u00e7\u00f5es de Maio e Outubro ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima. Na realiza\u00e7\u00e3o dessas transmiss\u00f5es e em muitos document\u00e1rios, F\u00e1tima \u201ccelebrizou Ruy Ferr\u00e3o\u201d, que foi conhecendo, cada vez melhor, o Santu\u00e1rio e os seus respons\u00e1veis, o que lhe permitiu enriquecer o seu trabalho de realiza\u00e7\u00e3o. O Conc\u00edlio Vaticano II, para al\u00e9m dos programas do Pe. Ant\u00f3nio Ribeiro, marcou a antena da RTP. Desde logo, com uma mensagem de 20 minutos do Papa Jo\u00e3o XXIII, um m\u00eas antes da abertura (a 11 de Maio de 1962). A abertura dos trabalhos conciliares foram transmitidos via Eurovis\u00e3o, que continuaram a ser acompanhados por um jornalista da RTP. A visita de Paulo VI a Portugal, em 1967, fez com que a RTP montasse uma verdadeira opera\u00e7\u00e3o televisiva. Envolveu todo o material t\u00e9cnico de que dispunha e ainda alugou equipamentos \u00e0s televis\u00f5es italiana, francesa e espanhola. Estiveram envolvidos 150 profissionais portugueses numa transmiss\u00e3o integral dessa visita (com retransmiss\u00e3o via eurovis\u00e3o e para as Am\u00e9ricas Central e do Norte). Outra visita papal, de Jo\u00e3o Paulo II em 1982, foi a ocasi\u00e3o para a primeira grande transmiss\u00e3o a cores de um grande acontecimento. <b>Em ecumenismo<\/b> Para al\u00e9m da presen\u00e7a da Igreja Cat\u00f3lica por iniciativa da informa\u00e7\u00e3o ou programa\u00e7\u00e3o da RTP, que sempre reserva tempo de emiss\u00e3o para acontecimentos eclesiais marcantes, a Igreja Cat\u00f3lica tem uma presen\u00e7a institucional no servi\u00e7o p\u00fablico de televis\u00e3o atrav\u00e9s do Programa \u201cEcclesia\u201d. No cumprimento da Lei  58\/90, de 7 de Setembro, e no quadro da Lei de Liberdade Religiosa, a Igreja Cat\u00f3lica e outras confiss\u00f5es religiosas disp\u00f5em de 30 minutos de segunda a sexta-feira no Programa \u201cA F\u00e9 dos Homens\u201d (onde se insere o Programa Ecclesia) e, ao Domingo, dos Programas 70&#215;7 (para a Igreja Cat\u00f3lica) e Caminhos (para as outras confiss\u00f5es religiosas).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A RTP est\u00e1 a celebrar 50 anos de vida e a presen\u00e7a do religioso habita naquela casa desde o 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