{"id":23292,"date":"2007-03-05T19:54:31","date_gmt":"2007-03-05T19:54:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/05\/semana-nacional-da-caritas\/"},"modified":"2007-03-05T19:54:31","modified_gmt":"2007-03-05T19:54:31","slug":"semana-nacional-da-caritas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/semana-nacional-da-caritas\/","title":{"rendered":"Semana Nacional da C\u00e1ritas"},"content":{"rendered":"<p>\u00abA pr\u00e1tica da caridade e a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a s\u00e3o uma exig\u00eancia da maturidade da f\u00e9 e um dever da Igreja\u00bb. Apelos para a Semana C\u00e1ritas, que decorre at\u00e9 ao pr\u00f3ximo Domingo. <!--more--> <b>Mensagem do Presidente da C\u00e1ritas Portugusa<\/b> No III Domingo da Quaresma, por decis\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, celebra-se, em todo o pa\u00eds, o Dia Nacional da C\u00e1ritas que, nos \u00faltimos anos, tem vindo a ser preparado por cada C\u00e1ritas Diocesana, desenvolvendo, durante a semana que o antecede, um vasto e criativo conjunto de iniciativas.  \u201cPela dignidade, igual oportunidade\u201d \u00e9 o tema que a C\u00e1ritas prop\u00f5e \u00e0 reflex\u00e3o de todos os portugueses e de outros nossos irm\u00e3os que escolheram o nosso pa\u00eds para encontrar um futuro mais digno para si e para suas fam\u00edlias. Este tema est\u00e1 em sintonia com o lema escolhido para assinalar o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos \u2013 Para uma Sociedade Justa. A Uni\u00e3o Europeia pretende, assim, sensibilizar os cidad\u00e3os para os benef\u00edcios de uma sociedade justa e solid\u00e1ria e para refor\u00e7ar e exaltar a import\u00e2ncia da igualdade de tratamento entre as pessoas, sem distin\u00e7\u00e3o de origem racial ou \u00e9tnica\u2026 Destas preocupa\u00e7\u00f5es nunca poder\u00e1 estar alienado qualquer crist\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio para cada um deles, \u201ccujo cora\u00e7\u00e3o de Cristo conquistou com o seu amor, despertando nele o amor ao pr\u00f3ximo\u201d1\u00a0, tudo tem de ser claro, sem ambiguidades e preconceitos. Tudo em busca da verdade. \u00c9 que continuamos a viver numa sociedade que n\u00e3o atribui iguais oportunidades a todos os seus cidad\u00e3os. E esse \u00e9 o terreno f\u00e9rtil necess\u00e1rio para n\u00e3o se atingir o patamar m\u00ednimo da dignidade contr\u00e1ria a todos os princ\u00edpios que norteiam o cristianismo. Podemos fazer de conta que n\u00e3o sabemos, mas os dados a\u00ed est\u00e3o, com toda a crueza. Em 2005, em Portugal, 20 por cento da popula\u00e7\u00e3o com rendimentos mais elevados receberam 8,2 vezes mais rendimentos do que 20 por cento da popula\u00e7\u00e3o com rendimentos mais baixos, quando a m\u00e9dia na Uni\u00e3o Europeia (25 pa\u00edses) era, nesse ano, de 4,9 vezes, ou seja, em Portugal a desigualdade neste campo era superior \u00e0 m\u00e9dia comunit\u00e1ria em 67,3%.  Entre 1995 e 2005, o indicador pelo quais se regem os n\u00edveis de varia\u00e7\u00e3o das desigualdades baixou, na Uni\u00e3o Europeia, dos 15 pa\u00edses mais antigos, onde Portugal se integra, de 5,1 para 4,8, enquanto que em Portugal cresceu de 7,4 para 8,2. Como se isto n\u00e3o bastasse, no nosso pa\u00eds a riqueza criada por habitante \u00e9 bastante inferior \u00e0 m\u00e9dia comunit\u00e1ria. Em 2006, por ex., o PIB por habitante portugu\u00eas correspondia apenas a 69,8% da m\u00e9dia da UE (25 membros).  Podemos fazer de conta que n\u00e3o sabemos que 2 milh\u00f5es de portugueses vivem, actualmente, ainda abaixo do limiar da pobreza. Tudo isto por causa da desigual distribui\u00e7\u00e3o da riqueza produzida, e, infelizmente, por aqueles que menos beneficiam dela. Podemos fingir que n\u00e3o vemos. Mas nas esquinas das grandes cidades, sobretudo das litorais, h\u00e1 cada vez mais sombras de homens e mulheres que se escondem do frio e da chuva e da vergonha de serem novos sem-abrigo.  O Estado, parece n\u00e3o ter capacidade de resposta para estas quest\u00f5es de desigualdade. Importa que seja a sociedade a dar mostras de querer empenhar-se na constru\u00e7\u00e3o de um tempo novo. Por isso, nunca, como agora o ide\u00e1rio crist\u00e3o \u00e9 t\u00e3o premente, t\u00e3o actual, sobretudo se for capaz de fazer com que \u201ca actividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e n\u00e3o se dissolva na organiza\u00e7\u00e3o assistencial comum, tornando-se uma simples variante da mesma.\u201d2\u00a0.  Podemos fingir que n\u00e3o ouvimos. Mas nos desabafos dos mais velhos que vivem amargurados na pris\u00e3o da solid\u00e3o, nos gritos de dor dos imigrantes sem emprego, no desalento dos que n\u00e3o conseguem o primeiro trabalho, na ang\u00fastia dos que n\u00e3o t\u00eam acesso a uma rede de sa\u00fade eficaz\u2026 est\u00e1 a voz dos nossos irm\u00e3os, est\u00e1 a raz\u00e3o de ser da nossa atitude crist\u00e3.  Se Jesus nunca ficou indiferente perante qualquer situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a, mas comprometeu-se com cada homem e mulher do seu tempo, tamb\u00e9m n\u00f3s que nos sabemos e sentimos amados por este Amor maior que brota do cora\u00e7\u00e3o de Cristo que nos \u201cleva a amar os irm\u00e3os como Ele os amou, quando se inclinou para lavar os p\u00e9s dos disc\u00edpulos (cf. Jo 13, 1-13 e, sobretudo, quando deu a sua vida por todos. (cf. Jo 13, 1; 15, 13).\u201d3\u00a0 A C\u00e1ritas, a partir da sua pr\u00f3pria identidade e do Evangelho vivido, no quotidiano, junto das in\u00fameras v\u00edtimas do esquecimento, tem o dever de chamar a aten\u00e7\u00e3o que temos, como crist\u00e3os, de nos co-responsabilizarmos com todos os homens e mulheres de boa vontade, pela transforma\u00e7\u00e3o de tudo o que possa ser empecilho no acesso a iguais oportunidades. Se os Direitos Humanos s\u00e3o universais, as oportunidades tamb\u00e9m ter\u00e3o que o ser, sob pena desta universalidade ser apenas te\u00f3rica. Os portugueses s\u00e3o convidados a partilhar com os que ainda se encontram privados de bens materiais e est\u00e3o no grupo dos 20% dos portugueses que sobrevivem no limiar da pobreza. Por isso, durante esta semana quem for interpelado por algum colaborador ou colaboradora da C\u00e1ritas, devidamente identificado, n\u00e3o deixe de ser generoso. A indiferen\u00e7a \u00e9 uma das maiores injusti\u00e7as. Quero, recordando o testemunho de gratid\u00e3o e afecto dos Bispos de Portugal, testemunhar o \u201capre\u00e7o pela actividade altamente merit\u00f3ria que tantas institui\u00e7\u00f5es, grupos e crist\u00e3os em geral v\u00eam desenvolvendo em todo o Pa\u00eds e nos mais diferentes dom\u00ednios de ac\u00e7\u00e3o social\u201d4\u00a0, sem esquecer tamb\u00e9m aqueles que, embora apenas por raz\u00f5es de cidadania, se empenham para que o seus concidad\u00e3os se realizem na plenitude dos seus direitos e deveres. A pr\u00e1tica da caridade e a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a s\u00e3o uma exig\u00eancia da maturidade da f\u00e9 e um dever da Igreja \u201cque lhe \u00e9 cong\u00e9nito, no qual ela n\u00e3o se limita a colaborar colateralmente, mas actua como sujeito directamente respons\u00e1vel, realizando o que corresponde \u00e0 sua natureza. A Igreja nunca poder\u00e1 ser dispensada da pr\u00e1tica da caridade enquanto actividade organizada dos crentes, como ali\u00e1s nunca haver\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o onde n\u00e3o seja precisa a caridade de cada um dos crist\u00e3os, porque o ser humano, al\u00e9m da justi\u00e7a, tem e ter\u00e1 sempre necessidade do amor\u201d5\u00a0.  S\u00f3 assim a Igreja ser\u00e1 capaz de seguir o seu \u00fanico Mestre que veio anunciar a Boa Not\u00edcia aos pobres; a liberta\u00e7\u00e3o aos presos, e aos cegos a recupera\u00e7\u00e3o da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da gra\u00e7a do Senhor (cf. Lc 4, 18-20). Sendo certo que \u201cum ano da gra\u00e7a do Senhor\u201d acontecer\u00e1 sempre quando todas e cada uma das comunidades crist\u00e3s forem verdadeiras samaritanas, fraternas e comprometidas com a defesa dos direitos humanos e da dignidade de cada pessoa, em especial daquelas que se encontram em situa\u00e7\u00f5es de pobreza e exclus\u00e3o social. Na verdade, s\u00e3o todos os que, animados pela f\u00e9, impulsionados pela esperan\u00e7a e comprometidos pela caridade, sonham e lutam por uma sociedade mais digna e propiciadora de iguais oportunidades que fazem Mem\u00f3ria de D\u2019Aquele que se fez P\u00e3o partido e repartido para um mundo novo, sem excluir ningu\u00e9m de se sentar \u00e0 mesa da Palavra, da Eucaristia e do Amor, para que tiv\u00e9ssemos vida e vida em abund\u00e2ncia (cf. Jo 10,10).  Lisboa, 4 de Mar\u00e7o de 2007  Notas <i>\u00a01 Bento XVI, Deus Caritas Est: [Carta Enc\u00edclica 25 de Dez. 2005]. Lisboa: Paulinas &#8211; Secretariado Geral do Episcopado, 2006, n.\u00ba 33. \u00a02 Ibidem, n.\u00ba 31. \u00a03 Ibidem, n.\u00ba 19. \u00a04 CONFER\u00caNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA, Instru\u00e7\u00e3o Pastoral A Ac\u00e7\u00e3o Social da Igreja (23 de Novembro de 1997) Lisboa: Secretariado -Geral do Episcopado 1997, n.\u00ba 22. \u00a05 DCE, n.\u00ba 29.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abA pr\u00e1tica da caridade e a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a s\u00e3o uma exig\u00eancia da maturidade da f\u00e9 e um dever da Igreja\u00bb. 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