{"id":232903,"date":"2022-03-20T09:30:03","date_gmt":"2022-03-20T09:30:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=232903"},"modified":"2022-03-18T15:51:47","modified_gmt":"2022-03-18T15:51:47","slug":"a-sociedade-em-geral-tem-de-pensar-nos-mais-carenciados-nos-que-precisam-de-mais-apoio-presidente-da-cnis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-sociedade-em-geral-tem-de-pensar-nos-mais-carenciados-nos-que-precisam-de-mais-apoio-presidente-da-cnis\/","title":{"rendered":"\u00abA sociedade, em geral, tem de pensar nos mais carenciados, nos que precisam de mais apoio\u00bb &#8211; Presidente da CNIS"},"content":{"rendered":"<p><em>A guerra na Ucr\u00e2nia, o impacto da pandemia, os desafios do novo Governo portugu\u00eas e o seu futuro na presid\u00eancia da Confedera\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos temas abordados pelo padre Lino Maia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_154770\" aria-describedby=\"caption-attachment-154770\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-154770 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia3.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia3.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia3-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-154770\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A CNIS associou-se ao esfor\u00e7o de acolhimento de refugiados e foi recebendo das suas associadas a manifesta\u00e7\u00e3o de disponibilidades. Tem ideia de quantas IPSS&#8217;s j\u00e1 se disponibilizaram para o acolhimento?<\/em><\/p>\n<p>Muitas e eu digo muitas porque de muitos distritos ou dioceses. Eu cito Braga com bastantes e tamb\u00e9m Castelo Branco, Faro, Guarda, Lisboa, Porto, Santar\u00e9m, Viana do Castelo. Muitas institui\u00e7\u00f5es com muito tipo de respostas. Emprego, alojamento, coordena\u00e7\u00e3o porque est\u00e3o sediadas em zonas que podem empregar pessoas. Portanto, uma grande disponibilidade. J\u00e1 est\u00e3o em curso at\u00e9 cursos de portugu\u00eas para refugiados. A ades\u00e3o tem sido extraordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No Conselho Geral da CNIS teve mesmo oportunidade de apelar e sensibilizar as institui\u00e7\u00f5es associadas a manifestarem as suas disponibilidades em termos de alojamento e de trabalho e as fazerem chegar \u00e0 CNIS.<\/em><\/p>\n<p><em>A capacidade do sector social at\u00e9 onde pode ir?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 muito grande porque n\u00f3s estamos a falar de um universo de associadas da CNIS de 3 mil e 48 institui\u00e7\u00f5es. Claro que nem todas podem acolher, mas particularmente aquelas que t\u00eam lares de inf\u00e2ncia e juventude, aquelas que tem centros de dia, ERPIS, empregam muitas pessoas e n\u00f3s j\u00e1 est\u00e1vamos at\u00e9 com dificuldade em recrutar trabalhadores e aqui temos uma janela de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa era uma das quest\u00f5es que t\u00ednhamos para lhe colocar, porque invariavelmente verificamos nas nossas reportagens que t\u00eam surgido muitos alertas para a dificuldade em contratar pessoal. Tal como referiu, esta \u00e9 tamb\u00e9m uma janela de oportunidade, para quem chega e para quem est\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente e n\u00f3s temos visto e temos a experi\u00eancia &#8211; porque temos bastantes ucranianos, sobretudo ucranianas a trabalhar nas IPSS&#8217;S &#8211; de que s\u00e3o de grande adapta\u00e7\u00e3o, bom trabalho, n\u00e3o s\u00e3o problema, pelo contr\u00e1rio. Ali\u00e1s, os trabalhadores nunca s\u00e3o problema nas institui\u00e7\u00f5es, e no caso concreto s\u00e3o uma mais-valia e, portanto, estas trabalhadoras ajudam \u00e0 inser\u00e7\u00e3o dos refugiados e s\u00e3o tamb\u00e9m de algum modo uma garantia de que tudo vai correr bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s estamos a ver que a solidariedade em Portugal \u00e9 transversal. O Alto Comissariado para as Migra\u00e7\u00f5es (ACM), articulado com o Instituto de Seguran\u00e7a Social, est\u00e1 a assegurar a distribui\u00e7\u00e3o de alojamento para os cidad\u00e3os ucranianos. O processo est\u00e1 a correm bem em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Est\u00e1 a correr bem. Claro que n\u00f3s fomos apanhados de repente, portanto, \u00e0s vezes d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que \u00e9 um bocado o caos aquilo em que estamos. Os portugueses s\u00e3o bons nesse aspeto, mas\u2026.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Estamos a viver um pouco \u00e0 custa do improviso?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9. \u00c9 um bocado de improviso, mas eu diria que est\u00e1 a correr bastante bem, at\u00e9 porque nas comunidades, n\u00e3o apenas nas IPSS, mas nas comunidades eu vejo de facto uma grande movimenta\u00e7\u00e3o para acolher. Eu tenho mais respostas para acolhimento do que pedidos de acolhimento.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Est\u00e3o a surgir diversos alertas contra o trafico de seres humanos. Um dos enviados do Papa \u00e0 Ucr\u00e2nia foi dos primeiros a sublinhar o problema. O facto de ter sido criada uma plataforma eletr\u00f3nica para o registo de casos de menores ucranianos n\u00e3o acompanhados em Portugal ou em tr\u00e2nsito,\u00a0vai garantir realmente a sua seguran\u00e7a e plena prote\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu estou confiante que sim, at\u00e9 porque h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o, sobretudo em Lviv e na Pol\u00f3nia com estas fam\u00edlias de ucranianos. Est\u00e3o a surgir de facto iniciativas no sentido de serem pessoas creditadas a irem buscar diretamente as pessoas, sobretudo \u00e0 Pol\u00f3nia. E claro que tem de haver uma aten\u00e7\u00e3o muito grande porque o risco existe, mas eu acredito que sabendo de onde v\u00eam e para onde v\u00e3o &#8211; e \u00e9 isso que est\u00e1 a acontecer &#8211; e v\u00eam daquela zona e v\u00e3o diretamente para institui\u00e7\u00f5es, passando algum tempo por um alojamento tempor\u00e1rio, eu acredito que risco existe, mas que vai correr bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o SEF (Servi\u00e7o de Estrangeiros e Fronteiras) pode ajudar a atenuar eventuais problemas?<\/em><\/p>\n<p>Atenua, atenua.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Vamos agora olhar um pouco para Portugal e para os desafios que o sector social vai atravessar. No seu editorial de mar\u00e7o, O Padre Lino Maia recorda o conjunto de quest\u00f5es colocadas pelo sector social aos partidos antes das elei\u00e7\u00f5es.\u00a0O refor\u00e7o da sustentabilidade do sector \u00e9 a sua grande preocupa\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 a grande preocupa\u00e7\u00e3o. Eu mantenho os n\u00fameros que tenho vindo a apresentar. As institui\u00e7\u00f5es recebem do Estado em m\u00e9dia cerca de 38 por cento de financiamento dos custos que t\u00eam. Dos utentes recebem cerca de 33 por cento. H\u00e1 aqui 71 por cento, ou seja, falta bastante, cerca de 29 por cento. Eu acredito que, com a celebra\u00e7\u00e3o do novo pacto de coopera\u00e7\u00e3o, que foi a 23 de dezembro passado e com uma abertura que tenho encontrado por parte do Governo, eu acredito que v\u00e3o ser dados passos positivos no sentido da sustentabilidade. No pacto de coopera\u00e7\u00e3o garantia-se os 50 por cento de comparticipa\u00e7\u00e3o publica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse \u00e9 j\u00e1 um objetivo muito antigo\u2026<\/em><\/p>\n<p>Muito antigo. Eu diria que \u00e9 desde o primeiro pacto, desde dezembro de 96. Na altura era primeiro-ministro o engenheiro Ant\u00f3nio Guterres. Dizia-se que o ideal era 60 por cento e prometia-se que n\u00e3o devia descer dos 50 por cento, e n\u00f3s acabamos por cair nos 36, 38 por cento. Agora, t\u00eam que ser dados passos muito significativos. Eu penso que durante a legislatura foi ali\u00e1s uma esp\u00e9cie de quase compromisso que o Governo assumiu connosco foi que durante a legislatura ent\u00e3o sejam dados passos no sentido de chegar aos 50 por cento. Isto vai atenuar um bocado a situa\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es e depois acautelar para mim um problema que \u00e9 de facto muito importante: As institui\u00e7\u00f5es t\u00eam que privilegiar os mais carenciados. Ora, na situa\u00e7\u00e3o em que estamos podem cair na tenta\u00e7\u00e3o de come\u00e7ar a olhar aquelas pessoas que podem pagar para serem admitidas. E essa n\u00e3o \u00e9 a miss\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es, por isso o Estado tem de cumprir as suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas h\u00e1 um outro risco para o qual j\u00e1 alertou.\u00a0No final do ano passado alertou para as dificuldades de tesouraria que o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo acarretava para as institui\u00e7\u00f5es. Tem registo de quantas pediram compensa\u00e7\u00e3o pelo aumento do Ordenado m\u00ednimo?<\/em><\/p>\n<p>O n\u00famero n\u00e3o tenho, mas foram bastantes at\u00e9 porque o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 muito normal nestas institui\u00e7\u00f5es. N\u00f3s temos 56% dos trabalhadores nas IPSS&#8217;S que quando h\u00e1 um aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo s\u00e3o atingidos por esse aumento. No valor que estava e no valor a que se chega. isto tem um impacto muito grande. Por exemplo este aumento de 665 euros para 705 euros representa cerca de 3 por cento no impacto, porque n\u00f3s temos muitos trabalhadores nas IPSS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_154773\" aria-describedby=\"caption-attachment-154773\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-154773\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-154773\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Conv\u00e9m esclarecer que n\u00e3o est\u00e1 em causa o facto de as pessoas merecerem melhores sal\u00e1rios. O problema \u00e9, muitas vezes esse aumento do ordenado n\u00e3o \u00e9 acompanhado pelo aumento das comparticipa\u00e7\u00f5es&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Agrade\u00e7o esse sublinhado. N\u00f3s achamos que os trabalhadores deviam receber muito mais do que recebem. Ali\u00e1s, eu costumo dizer que n\u00f3s estamos a obrigar os trabalhadores a praticar a caridade, e sendo injustos com os trabalhadores. Porque de facto as tabelas salariais das IPSS s\u00e3o baixas, muito baixas. E depois est\u00e1 a haver um achatamento muito grande. O sal\u00e1rio m\u00ednimo de 705 representa dois ter\u00e7os do sal\u00e1rio m\u00e1ximo nas institui\u00e7\u00f5es, quando h\u00e1 20 anos atr\u00e1s era um ter\u00e7o. Est\u00e1 de facto a haver um achatamento. N\u00f3s somos absolutamente a favor do aumento do sal\u00e1rio, absolutamente a favor do aumento de todos os sal\u00e1rios dos nossos trabalhadores, agora \u00e9 evidente que n\u00e3o h\u00e1 receita n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mais. Eu acredito que v\u00e3o ser dados passos e quando eu insisto sempre nos tais 50 por cento de comparticipa\u00e7\u00e3o publica \u00e9 exatamente para que possamos compensar os trabalhadores, ou melhor ser justos com os trabalhadores que est\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1, portanto, necessidade de regressar a um sal\u00e1rio m\u00e9dio tamb\u00e9m nas institui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se est\u00e1 a valorizar demasiado o sal\u00e1rio m\u00ednimo, desvalorizando a import\u00e2ncia de um sal\u00e1rio m\u00e9dio em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Sim. N\u00e3o apenas nas IPSS, mas tamb\u00e9m no geral. De facto, n\u00f3s temos o sal\u00e1rio m\u00e9dio que \u00e9 praticamente agora o sal\u00e1rio m\u00ednimo. Isto desincentiva e n\u00e3o \u00e9 justo. Claro que \u00e9 muito importante que se aumente significativamente o sal\u00e1rio m\u00ednimo. 705 euros para uma fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O chamado compromisso de coopera\u00e7\u00e3o para o sector social e solid\u00e1rio ter\u00e1 nova atualiza\u00e7\u00e3o no final deste ano? O que v\u00e3o reclamar as institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Eu vou dizendo que h\u00e1 passos que t\u00eam de ser dados, para al\u00e9m do aumento significativo da comparticipa\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u2013 cada vez mais temos pessoas a precisar de mais apoios, com o aumento da esperan\u00e7a de vida, mas com a diminui\u00e7\u00e3o da natalidade temos cada vez menos pessoas a produzir riqueza. Estamos com problemas s\u00e9rios. \u00c9 muito importante que a sociedade se volte para necessidade de aumentar os apoios, particularmente aos idosos, e a prote\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Eu penso que h\u00e1 coisas que t\u00eam de ser revistas, como o regime fiscal das Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade ou o destino das receitas dos jogos sociais, que devem ser canalizadas para este setor, em grande parte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 alguma parte que j\u00e1 v\u00e1 para o setor?<\/em><\/p>\n<p>Nalguns programas, eventualmente, mas n\u00e3o h\u00e1 um sistema de canaliza\u00e7\u00e3o de receitas, sistem\u00e1tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a sua sugest\u00e3o \u00e9 que grande parte siga para as institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Uma boa parte, sim. Ali\u00e1s, sou da opini\u00e3o que haja a consigna\u00e7\u00e3o de um imposto para este setor. Temos cada vez mais necessidades e \u00e9 preciso que a sociedade se volte para isto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa seria uma forma de poder chegar \u00e0s pessoas mais carenciadas e que n\u00e3o podem comparticipar os custos?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Repito: a sociedade, em geral, tem de pensar nos mais carenciados, nos que precisam de mais apoio. Temos de criar instrumentos para que sejam atendidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portugal est\u00e1 a registar uma tend\u00eancia crescente de novas infe\u00e7\u00f5es por Covid. A situa\u00e7\u00e3o nos lares \u00e9 hoje controlada, ou receia pelo aumento e casos<\/em>?<\/p>\n<p>Tem havido algum aumento de casos, mas sem grande gravidade. As pessoas est\u00e3o todas vacinadas, praticamente todas receberam a terceira dose. Devo sublinhar que Portugal, neste aspeto, se pode orgulhar \u2013 ressalvando que, desde que haja um \u00f3bito, choramos uma morte e sofremos com um doente -, porque \u00e9 dos pa\u00edses em que tem havido menos morbilidade nos lares. Est\u00e1, neste momento, em 26,6% de \u00f3bitos, em lares; o pa\u00eds a seguir, \u00e9 o Reino Unido, com 33% e depois a Alemanha, com 38%&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E isso deve-se ao qu\u00ea?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias raz\u00f5es, mas para mim a grande raz\u00e3o \u00e9 que, normalmente, nos lares, h\u00e1 uma grande proximidade. Os dirigentes e os trabalhadores est\u00e3o nas Institui\u00e7\u00f5es, houve casos fabulosos, horas e horas, dias e dias, meses, a fazer do Lar a sua resid\u00eancia, para acompanhar bem e n\u00e3o para estarem em movimento, que era essa o grande problema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A crise social e econ\u00f3mica provocada pela pandemia est\u00e1 a ser agravada pelo cen\u00e1rio de guerra. Teme uma explos\u00e3o de pobreza em Portugal<\/em>?<\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Est\u00e1 a ter grande impacto, j\u00e1, o aumento dos combust\u00edveis, dos cereais, da alimenta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 se nota na vida das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dando um exemplo: o aumento dos combust\u00edveis na Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Mogadouro, associada da CNIS, que por dia percorre 910 quil\u00f3metros para atender os utentes do apoio domicili\u00e1rio. Isto \u00e9 muito duro, muito duro\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 era bastante delicada, com o aumento das despesas por causa da pandemia, como nos tem dito\u2026<\/em><\/p>\n<p>E agora aumenta significativamente. Isso obriga-nos a desmultiplicarmo-nos, \u00e9 preciso tomar medidas. Vejo que o pr\u00f3prio Banco Alimentar j\u00e1 se queixa de ter menos capacidade de resposta e as Institui\u00e7\u00f5es v\u00e3o sofrer, de facto, est\u00e3o a sofrer neste momento\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos perante uma esp\u00e9cie de tempestade perfeita?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Este s\u00e9culo est\u00e1 a ser muito duro, desde 2001, mas particularmente desde 2008, com a crise financeira. Ainda n\u00e3o est\u00e1vamos totalmente livres dessa crise, apareceu a pandemia e agora a guerra. Isto \u00e9 complicado, muito, e tem repercuss\u00f5es muito claras na vida das pessoas e no aumento da pobreza.<\/p>\n<p>Quando entramos neste mil\u00e9nio, as perspetivas eram de que, at\u00e9 2010, se descesse a taxa de pobreza para um d\u00edgito, abaixo dos 10% &#8211; na altura est\u00e1vamos em 20%. Houve uma diminui\u00e7\u00e3o na primeira d\u00e9cada, deste mil\u00e9nio, mas de 2008 voltou a haver um aumento da pobreza, n\u00e3o muito grande, mas um aumento. Passamos de 18,6% para os 21%, agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tem alguma esperan\u00e7a para o combate da pobreza, em curso?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 preciso uma estrat\u00e9gia s\u00e9ria, consistente de combate \u00e0 pobreza. N\u00f3s temos tr\u00eas pobrezas, digamos assim: a heredit\u00e1ria, dos que herdaram a pobreza e a v\u00e3o legar; a conjuntural; e depois a pobreza persistente, diria, daqueles cujos rendimentos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para as necessidades. Temos de ter uma estrat\u00e9gia em que tudo isto esteja bem presente, com um aumento significativo dos rendimentos e uma aposta na Educa\u00e7\u00e3o, na habita\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa persist\u00eancia de ciclos de pobreza e a pobreza de quem trabalha, mas n\u00e3o consegue deixar esse limiar, \u00e9 um sinal do fracasso das pol\u00edticas at\u00e9 agora?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Eu diria das pol\u00edticas, mais do que dos pol\u00edticos. N\u00e3o tem havido mesmo uma estrat\u00e9gia de luta contra a pobreza, tem havido fogachos, experi\u00eancias, iniciativas, muito interessantes algumas, mas temos de encontrar uma estrat\u00e9gica eficaz.<\/p>\n<p>Haver cerca de 20% de pessoas abaixo do limiar da pobreza \u2013 e temo que isso aumente, agora \u2013 \u00e9 grave.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_232907\" aria-describedby=\"caption-attachment-232907\" style=\"width: 980px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/33959692.webp\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-232907 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/33959692.webp\" alt=\"\" width=\"980\" height=\"551\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-232907\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lusa<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A n\u00edvel da coordena\u00e7\u00e3o do Governo, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria uma a\u00e7\u00e3o mais integrada?<\/em><\/p>\n<p>Para mim h\u00e1 tr\u00eas minist\u00e9rios que t\u00eam de estar mais articulados &#8211; eu vou defendendo que precisar\u00edamos de um Minist\u00e9rio dos Assuntos Sociais. A Educa\u00e7\u00e3o, a Sa\u00fade e a Seguran\u00e7a Social t\u00eam de estar bem articulados, t\u00eam de ser \u201capanhados\u201d para esta estrat\u00e9gia. H\u00e1 outros, mas estes tr\u00eas t\u00eam de abater as paredes que foram erguidas entre si, para conseguirmos uma boa estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma sugest\u00e3o a fazer ao novo Governo, a cria\u00e7\u00e3o de um Minist\u00e9rio dos Assuntos Sociais<\/em>?<\/p>\n<p>Eu tenho insistido um pouco nisso \u2013 n\u00e3o me quero meter em \u00e1reas que n\u00e3o me dizem respeito, mas julgo necess\u00e1rio e vejo que h\u00e1 sensibilidade, da parte do primeiro-ministro, para que alguns passos sejam dados nesse sentido. N\u00e3o me compete e n\u00e3o queria adiantar muito mais, mas vejo que h\u00e1 reconhecimento de que \u00e9 preciso dar estes passos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entrou no \u00faltimo ano de mandato. Pode antecipar se est\u00e1 no seu horizonte recandidatar-se<\/em>?<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 no meu horizonte. Muito embora note que haja uma press\u00e3o para que reconsidere.<\/p>\n<p>Eu gosto muito deste setor, que faz muito e muito bem, mas s\u00e3o precisas caras novas. N\u00e3o est\u00e1 no meu horizonte eternizar-me \u2013 parece que j\u00e1 estou eternizado -, apesar das press\u00f5es que est\u00e3o a acontecer para que reconsidere. Acho que \u00e9 bom dar lugar a outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra na Ucr\u00e2nia, o impacto da pandemia, os desafios do novo Governo portugu\u00eas e o seu futuro na presid\u00eancia da Confedera\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos temas abordados pelo padre Lino Maia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":154770,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-232903","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=232903"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232903\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/154770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=232903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=232903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=232903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}