{"id":23278,"date":"2007-03-05T10:36:55","date_gmt":"2007-03-05T10:36:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/05\/o-homem-peregrino-da-verdade\/"},"modified":"2007-03-05T10:36:55","modified_gmt":"2007-03-05T10:36:55","slug":"o-homem-peregrino-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-homem-peregrino-da-verdade\/","title":{"rendered":"\u00abO homem, peregrino da verdade\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Catequese do 2\u00ba Domingo da Quaresma de D. Jos\u00e9 Policarpo <!--more--> 1. Para aprofundar e solidificar as raz\u00f5es da f\u00e9, o homem tem de ser um peregrino incans\u00e1vel da verdade, procur\u00e1-la todos os dias da sua vida, at\u00e9 \u00e0quele dia em que a luz de Deus ser\u00e1 a sua verdade definitiva. Buscar a verdade \u00e9 procurar a vida. Ser peregrino da verdade significa n\u00e3o parar em nenhuma etapa, como se ela fosse definitiva. Caminhar na vida \u00e9 ir sempre mais longe na busca do seu sentido, deixar-se conduzir pela luz que, irradia\u00e7\u00e3o do esplendor da verdade, vai iluminando as nossas trevas, abrindo-nos \u00e0 luz incriada, porque criadora, que continua a pronunciar sobre a vida dos homens a Palavra original: \u201cFa\u00e7a-se a luz\u201d (Gen. 1,3). Jo\u00e3o Paulo II escreveu: \u201co esplendor da verdade brilha em todas as obras do criador, particularmente no homem criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus (cf. Gen. 1,26). A verdade ilumina a intelig\u00eancia e modela a liberdade do homem, que, deste modo, \u00e9 levado a conhecer e a amar o Senhor. Por isso, rezamos com o salmista: \u00abfazei brilhar, sobre n\u00f3s, Senhor, a luz da Vossa face\u00bb (Sl. 4,7)\u201d. Procurar a verdade \u00e9 buscar a luz sobre a realidade do homem, para encontrar seguran\u00e7a e firmeza na vida. Na exist\u00eancia humana, a seguran\u00e7a \u00e9 importante para a tranquilidade e a harmonia. \u00c9 por isso que a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 exig\u00eancia cont\u00ednua, porque a f\u00e9 adensa e radicaliza a urg\u00eancia de caminhar para a verdade.  O que \u00e9 a verdade 2. Ela \u00e9, fundamentalmente, o sentido profundo da realidade do homem e de todos os seres com quem ele convive, Deus e a cria\u00e7\u00e3o. Na tradi\u00e7\u00e3o helenista, verdadeiro \u00e9 o que n\u00e3o est\u00e1 escondido, que se torna claro. O homem busca essa compreens\u00e3o da realidade, quer a partir de si mesmo, com as suas capacidades de penetrar na realidade, quer a partir das realidades concretas que se deixam desvendar, se desvelam e se revelam. J\u00e1 na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, cujo ponto de partida \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o de Deus e o abandono confiante \u00e0 sua Palavra, a verdade est\u00e1 relacionada com a f\u00e9. A raiz das palavras acreditar e verdade \u00e9 a mesma, e significa encontrar a firmeza e a seguran\u00e7a de que o homem precisa para ser feliz. Desvendar o sentido profundo da realidade e encontrar na f\u00e9, abandono confiante a algu\u00e9m, a seguran\u00e7a que procuramos, ajudam-nos a situar os dinamismos de busca da verdade. A intelig\u00eancia, enquanto capacidade de escuta e de procura, o cora\u00e7\u00e3o que nos permite confiar, e a fidelidade vista como coer\u00eancia da f\u00e9 e ades\u00e3o \u00e0 verdade tocada e encontrada, s\u00e3o dinamismos que se cruzam e completam nesta busca do sentido da vida por parte do homem. Nessa busca, o homem procura respostas para as quest\u00f5es primordiais: origem e destino, a vida e a morte, a liberdade e a felicidade. Deixar de procurar essas respostas \u00e9 desistir da vida.  O dinamismo da busca da verdade foi impresso no cora\u00e7\u00e3o do homem por Deus que o criou. O desejo de encontrar a verdade \u00e9 elemento constitutivo da realidade humana, que nem o pecado destruiu, apenas obnubilou, e que Jesus Cristo veio confirmar e esclarecer. Ou\u00e7amos, mais uma vez, o Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II: \u201cnenhuma sombra de erro e de pecado pode eliminar totalmente do homem a luz de Deus criador. Nas profundezas do seu cora\u00e7\u00e3o, permanece sempre a nostalgia da verdade absoluta e a sede de chegar \u00e0 plenitude do seu conhecimento. Prova-o, de modo eloquente, a incans\u00e1vel pesquisa do homem em todas as \u00e1reas e sectores. Demonstra-o ainda mais a sua busca do sentido da vida. O progresso da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica, espl\u00eandido testemunho da capacidade da intelig\u00eancia e da tenacidade dos homens, n\u00e3o dispensa a humanidade de encarar as quest\u00f5es religiosas \u00faltimas, mas antes, estimula-a a enfrentar as lutas mais dolorosas e decisivas, que s\u00e3o as do cora\u00e7\u00e3o e da consci\u00eancia moral\u201d. Para n\u00f3s crist\u00e3os, Jesus Cristo \u00e9 elemento decisivo nesta percep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a verdade que procuramos. Como afirmou o Conc\u00edlio Vaticano II, s\u00f3 n\u2019Ele se esclarece definitivamente o mist\u00e9rio do homem. S\u00e3o Jo\u00e3o apresenta-O, no pr\u00f3logo do seu Evangelho, como \u201ca luz verdadeira que a todo o homem ilumina\u201d (Jo. 1,9) e o pr\u00f3prio Senhor se apresentou a Si Mesmo como sendo a verdade e o caminho para a verdade: \u201cEu sou o caminho, a verdade e a vida\u201d (Jo. 14,6). Jesus situa a verdade no caminho para a vida e apresenta-Se assim, porque nos revela a luz de Deus, a Palavra do Pai. Para os que acreditam em Cristo, Ele tornou-se no ponto de partida necess\u00e1rio para todo o aprofundamento da f\u00e9 e do enraizamento desta na racionalidade humana. Ele entra na nossa vida como Verbo eterno, Palavra de Deus humanizada. A luz de Deus, que brilha no Seu rosto, ilumina o mist\u00e9rio do homem. \u201cPor isso, a resposta decisiva a cada interroga\u00e7\u00e3o do homem, e particularmente \u00e0s suas quest\u00f5es religiosas e morais, \u00e9 dada por Jesus Cristo, mais, \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus Cristo\u201d. Se Ele \u00e9 a resposta, porque \u00e9 o caminho, a todas as interroga\u00e7\u00f5es da intelig\u00eancia e do cora\u00e7\u00e3o do homem, \u00e9 o fundamento da racionalidade da f\u00e9, porque entra na nossa busca da verdade como \u201cLogos\u201d, intelig\u00eancia divina, a potenciar a intelig\u00eancia humana por Ele criada. Ele s\u00f3 pode ser o fundamento das raz\u00f5es do nosso acreditar, porque n\u00e3o anula, antes potencia, todos os dinamismos humanos de busca da verdade. Isto oferece \u00e0 pr\u00f3pria Igreja a pedagogia e o caminho a percorrer para ajudar os crist\u00e3os a fundamentarem a sua f\u00e9. Ela est\u00e1 atenta \u00e0 realidade humana, n\u00e3o se assusta com os problemas e interroga\u00e7\u00f5es, partilha as ang\u00fastias e as alegrias, ousa discernir no \u00e2mago dessa realidade sinais, para tudo iluminar com a luz de Cristo. \u201cA Igreja, Povo de Deus no meio das na\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo que permanece atenta aos novos desafios da hist\u00f3ria e aos esfor\u00e7os que os homens realizam na procura do sentido da vida, oferece a todos a resposta que prov\u00e9m da verdade de Jesus Cristo e do Seu Evangelho\u201d.  Os meios de que o homem disp\u00f5e para procurar a verdade 3. A possibilidade de buscar e caminhar para a verdade, isto \u00e9, para a compreens\u00e3o do seu pr\u00f3prio mist\u00e9rio, \u00e9 inata no cora\u00e7\u00e3o do homem. O homem foi criado com a inquieta\u00e7\u00e3o da busca da verdade e, como dir\u00e1 maravilhosamente Santo Agostinho, Jesus Cristo faz-nos perceber que s\u00f3 em Deus essa inquieta\u00e7\u00e3o se saciar\u00e1. Como escreve Jo\u00e3o Paulo II, \u201cs\u00e3o quest\u00f5es que t\u00eam a sua fonte comum naquela exig\u00eancia de sentido que, desde sempre, urge no cora\u00e7\u00e3o do homem. Da resposta a tais perguntas depende a orienta\u00e7\u00e3o que se imprime \u00e0 exist\u00eancia\u201d. O primeiro e mais nobre dinamismo humano para a busca da verdade, \u00e9 a intelig\u00eancia racional, que o distingue de todos os outros seres criados e o torna semelhante a Deus. Consci\u00eancia de si mesmo, torna o homem capaz de se questionar sobre si mesmo e sobre toda a realidade que o rodeia, e de procurar a resposta para as quest\u00f5es que se p\u00f5em. Ao longo de mil\u00e9nios, atrav\u00e9s da filosofia, da arte, da cultura, o homem procurou respostas para as quest\u00f5es fundamentais, em busca da compreens\u00e3o de si mesmo, gerando diversas sabedorias que mostram \u201cque o desejo da verdade pertence \u00e0 pr\u00f3pria natureza do homem\u201d. A intelig\u00eancia racional \u00e9 um dinamismo que pode conduzir o homem at\u00e9 \u00e0 dimens\u00e3o transcendente da verdade e ao pr\u00f3prio Deus. Provam-no todas as grandes sabedorias culturais que, na busca da verdade, desabrocharam sempre na dimens\u00e3o religiosa da vida. O fen\u00f3meno religioso \u00e9 t\u00e3o antigo como a humanidade, que na sua busca de sentido chegou ao conhecimento natural de Deus. Com o surgir das religi\u00f5es reveladas que se fundamentam numa revela\u00e7\u00e3o de Deus, acerca de Si mesmo e do pr\u00f3prio homem, surge a necessidade de situar a capacidade da raz\u00e3o humana de chegar \u00e0 verdade perante a verdade revelada. Noutro domingo falaremos explicitamente deste problema, mas desde j\u00e1 tenhamos perante n\u00f3s as diversas linhas de solu\u00e7\u00e3o. H\u00e1 os que excluem qualquer verdade revelada, s\u00f3 admitindo a verdade a que a raz\u00e3o humana pode chegar, admitindo um Deus da raz\u00e3o e uma religi\u00e3o racional. Outros foram mais longe e negaram qualquer dimens\u00e3o transcendente da verdade, situando esta no restrito horizonte da raz\u00e3o humana, que se afirma ateizante por natureza. Para estes, a raz\u00e3o humana afirma a autonomia do homem na busca da verdade sobre si mesmo, e s\u00f3 pode levar \u00e0 prova da n\u00e3o exist\u00eancia de Deus. Outros situaram a verdade revelada num \u00e2mbito n\u00e3o racional, privando a f\u00e9 da solidez da raz\u00e3o, que levou a todos os pietismos emocionais e \u00e0 separa\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia moral da racionalidade humana. Isto significa que na sua auto-compreens\u00e3o, como dinamismo de verdade, a raz\u00e3o humana limitou a sua capacidade e o seu horizonte, quase sempre devido a posi\u00e7\u00f5es aprior\u00edsticas pr\u00e9vias ao pr\u00f3prio exerc\u00edcio da raz\u00e3o. No nosso tempo, com a crise da Filosofia, e o triunfo das ci\u00eancias exactas, esta situa\u00e7\u00e3o agravou-se, caindo-se no horizonte limitado da raz\u00e3o pragm\u00e1tica, incapaz dos grandes voos na busca da verdade e da compreens\u00e3o da realidade. Para n\u00f3s crist\u00e3os \u00e9 imposs\u00edvel encontrar fundamentos s\u00f3lidos para a nossa f\u00e9, sem a intelig\u00eancia racional. \u00c9 certo que a verdade revelada a surpreende, dando-lhe acesso a uma profundidade da verdade a que ela n\u00e3o era capaz de chegar; mas n\u00e3o a violenta, pois esse novo est\u00e1dio da verdade s\u00f3 ser\u00e1 verdadeiramente humano se for acolhido pela raz\u00e3o e esta puder identificar a\u00ed o objecto da sua busca. \u00c9 que Cristo, revela\u00e7\u00e3o definitiva da verdade, manifesta-se como \u201cLogos\u201d, intelig\u00eancia perfeita, que revela, ao mesmo tempo, as reais potencialidades da raz\u00e3o humana. Esta, se n\u00e3o pode, com a sua capacidade, chegar aos conte\u00fados da f\u00e9, alegra-se com a surpresa da revela\u00e7\u00e3o.  4. Um outro dinamismo humano na busca da verdade \u00e9 a atrac\u00e7\u00e3o pela beleza e a capacidade de contemplar o que \u00e9 belo. Na cultura grega os poetas eram chamados te\u00f3logos, porque atrav\u00e9s da beleza tinham acesso e exprimiam a inteligibilidade do divino. Deus \u00e9 belo, pois imprimiu a marca da beleza em toda a cria\u00e7\u00e3o e a contempla\u00e7\u00e3o da beleza foi sempre um caminho para chegar \u00e0 compreens\u00e3o do homem, t\u00e3o importante como a penetra\u00e7\u00e3o nos segredos da realidade, atrav\u00e9s da luz da intelig\u00eancia. E n\u00e3o s\u00e3o dois caminhos separados, mas convergentes, pois s\u00f3 a intelig\u00eancia \u00e9 capaz de transformar em verdade assumida a beleza contemplada. Todo o homem \u00e9 atra\u00eddo pela beleza e esta \u00e9 t\u00e3o universal como a verdade, n\u00e3o sendo reservada ao privil\u00e9gio de alguns. O primeiro rosto da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 a beleza, que \u00e9 harmonia, perfei\u00e7\u00e3o, reflectindo a beleza do seu criador. N\u00e3o \u00e9 por acaso que quando a cultura ambiente diminui nas pessoas o anseio da verdade, as torna tamb\u00e9m mais insens\u00edveis \u00e0 beleza. A contempla\u00e7\u00e3o da beleza n\u00e3o gera, apenas, uma experi\u00eancia est\u00e9tica, conduz o homem \u00e0 consci\u00eancia das verdades fundamentais sobre o sentido da vida. Ou\u00e7amos o Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II: \u201cOs conhecimentos fundamentais nascem da maravilha que nele suscita a contempla\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o: o ser humano enche-se de encanto ao descobrir-se inclu\u00eddo no mundo e relacionado com outros seres semelhantes, com quem partilha o destino. Parte daqui o caminho que o levar\u00e1, depois, \u00e0 descoberta de horizontes de conhecimentos sempre novos. Sem tal assombro, o homem tornar-se-ia repetitivo e, pouco a pouco, incapaz de uma exist\u00eancia verdadeiramente pessoal\u201d.  5. E, finalmente, entre os dinamismos de que o homem disp\u00f5e para procurar a verdade, refiro a experi\u00eancia do amor. O amor verdadeiro \u00e9 sempre participa\u00e7\u00e3o na vida de Deus, sendo, por isso, fonte de conhecimento e de verdade. Todo o amor \u00e9 fonte de conhecimento da pessoa amada e de auto-conhecimento na experi\u00eancia do dom e do encontro. Isto confirma-se, pela negativa, na verifica\u00e7\u00e3o do facto de as pessoas, quando se tornam ego\u00edstas e centradas sobre si mesmas, ficam menos sens\u00edveis \u00e0 beleza e \u00e0 verdade. A revela\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 um acto de amor, e a f\u00e9 \u00e9 um encontro marcado pela fidelidade, exprime-se no desejo desse encontro cada vez mais profundo (a esperan\u00e7a), e na caridade. Um dos aspectos mais belos da vida crist\u00e3 \u00e9 verificar como a intimidade com Deus, sobretudo na ora\u00e7\u00e3o e na fidelidade aos seus mandamentos, \u00e9 fonte de uma compreens\u00e3o profunda de Deus e do homem. \u201cSer\u00e3o todos ensinados por Deus\u201d, anunciou Jesus (cf. Jo. 6,44). N\u00e3o foram os caminhos humanos da ci\u00eancia e da cultura que levaram grandes m\u00edsticos, como Teresa de Lisieux ou Catarina de Sena, \u00e0quela compreens\u00e3o profund\u00edssima da verdade e que conduziria \u00e0 sua proclama\u00e7\u00e3o como Doutoras da Igreja. O conhecimento da verdade que brota do amor \u00e9 mais da ordem da sabedoria do que da ci\u00eancia e est\u00e1 acess\u00edvel a todos os que amam. Pode ser um dos efeitos negativos da ci\u00eancia positiva, baseada na raz\u00e3o l\u00f3gica, o diminuir o sentido da sabedoria, para onde deveria convergir toda a conquista humana da verdade.   A verdade e a liberdade 6. A cultura contempor\u00e2nea exalta mais a liberdade do que a verdade. Toda a busca da verdade \u00e9 realizada por seres livres, sendo, em si mesma, uma express\u00e3o do dinamismo da liberdade. Mas isto p\u00f5e, necessariamente, o problema do relacionamento m\u00fatuo entre a verdade e a liberdade, pois s\u00f3 a harmonia de ambas leva ao aprofundamento da consci\u00eancia pessoal, sobretudo da consci\u00eancia moral, m\u00e1xima express\u00e3o da liberdade. Qual das duas tem a primazia: \u00e9 a liberdade individual que define o que \u00e9 a verdade, ou a verdade orienta e condiciona o exerc\u00edcio da liberdade? As palavras de Jesus parecem n\u00e3o deixar d\u00favidas a esse respeito: \u201cConhecereis a verdade e a verdade vos tornar\u00e1 livres\u201d (Jo. 8,32). H\u00e1 uma objectividade da verdade, anterior \u00e0 sua descoberta pelo homem, expressa no seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, na cria\u00e7\u00e3o que o rodeia, na tradi\u00e7\u00e3o que herdou, na comunidade a que pertence, em Deus que se lhe revela, em Jesus Cristo encarna\u00e7\u00e3o vis\u00edvel da verdade eterna. O dinamismo fundamental da busca da verdade \u00e9 a atrac\u00e7\u00e3o por esta \u201cverdade incriada\u201d, que estando j\u00e1 em n\u00f3s, \u00e9 maior do que n\u00f3s, e que iluminar\u00e1 a nossa liberdade como capacidade de orienta\u00e7\u00e3o da vida. Ao contr\u00e1rio, se se absolutiza a liberdade individual, cai-se numa vis\u00e3o subjectiva da verdade, em que cada um inventa a sua pr\u00f3pria verdade, o que levar\u00e1, inevitavelmente, \u00e0 relativiza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria verdade. A \u00e9tica individualista, em que cada um decide o que \u00e9 bem ou mal, \u00e9 a principal consequ\u00eancia desta atitude. Ou\u00e7amos, a este prop\u00f3sito, o Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II: \u201cAtribu\u00edram-se \u00e0 consci\u00eancia individual as prerrogativas de inst\u00e2ncia suprema do ju\u00edzo moral, que decide categ\u00f3rica e infalivelmente o bem e o mal. \u00c0 afirma\u00e7\u00e3o do dever de seguir a pr\u00f3pria consci\u00eancia foi indevidamente acrescentada aqueloutra de que o ju\u00edzo moral \u00e9 verdadeiro pelo pr\u00f3prio facto de provir da consci\u00eancia. Deste modo, por\u00e9m, a imprescind\u00edvel exig\u00eancia de verdade desapareceu em prol de um crit\u00e9rio de sinceridade, de autenticidade, de \u00abacordo consigo pr\u00f3prio\u00bb, a ponto de se ter chegado a uma concep\u00e7\u00e3o radicalmente subjectivista do ju\u00edzo moral\u201d.  7. Para aprofundar as raz\u00f5es do nosso acreditar, \u00e9 preciso nunca desistir desta caminhada para a verdade. N\u00f3s somos atra\u00eddos pela verdade absoluta, que nos foi revelada em Jesus Cristo, e de que j\u00e1 participamos na vida da f\u00e9. Mas empenhemos nessa busca toda a nossa capacidade de verdade: a nossa intelig\u00eancia, a atrac\u00e7\u00e3o pela beleza e pelo amor e aceitemos humildemente que s\u00f3 a verdade iluminar\u00e1 a nossa liberdade. Esta \u00e9 a exig\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3.   \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequese do 2\u00ba Domingo da Quaresma de D. 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