{"id":23221,"date":"2007-03-01T17:03:41","date_gmt":"2007-03-01T17:03:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/03\/01\/academia-portuguesa-da-historia-com-novo-membro\/"},"modified":"2007-03-01T17:03:41","modified_gmt":"2007-03-01T17:03:41","slug":"academia-portuguesa-da-historia-com-novo-membro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/academia-portuguesa-da-historia-com-novo-membro\/","title":{"rendered":"Academia Portuguesa da Hist\u00f3ria com novo membro"},"content":{"rendered":"<p>O Pe. Joaquim Correia Duarte, sacerdote de Lamego, investiga as ra\u00edzes hist\u00f3ricas do concelho de Resende <!--more--> Ao observar os muitos solares existentes na regi\u00e3o de Resende (diocese de Lamego), o Pe. Joaquim Correia Duarte sentiu &#8220;o bichinho de descobrir a hist\u00f3ria daqueles palacetes e das pessoas que l\u00e1 viveram&#8221;. Ao lado das casas brasonadas estavam &#8220;casas muito pobres&#8221; e notava-se &#8220;muitas assimetrias&#8221;. Com o patroc\u00ednio da C\u00e2mara de Resende publicou v\u00e1rios livros sobre a hist\u00f3ria da regi\u00e3o e, recentemente, recebe a not\u00edcia da nomea\u00e7\u00e3o para a Academia Portuguesa da Hist\u00f3ria (APH). Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o Pe. Joaquim Duarte real\u00e7a que esta nomea\u00e7\u00e3o &#8220;n\u00e3o \u00e9 um pr\u00e9mio&#8221; mas &#8220;um est\u00edmulo&#8221;. Apesar de ser p\u00e1roco no arciprestado de Resende, este sacerdote com 66 anos de idade sempre gostou da \u00e1rea da Hist\u00f3ria e chegou a leccionar esta disciplina no ensino oficial. &#8220;Tirei o curso &#8211; como volunt\u00e1rio &#8211; na Faculdade de Letras, no Porto, sem ter ido a uma aula&#8221; &#8211; real\u00e7ou.  O salto para a ribalta deu-se quando um professor do Porto e membro da Academia Portuguesa da Hist\u00f3ria encontrou alguns exemplares dos livros do Pe. Joaquim Duarte, numa feira em Vila do Conde. &#8220;Achou-os interessantes e mostrou-os aos colegas da Academia&#8221;. Depois da leitura das obras apresentaram a candidatura &#8211; &#8220;foi aceite por unanimidade pelos acad\u00e9micos de n\u00famero&#8221; &#8211; e, posteriormente, recebeu a not\u00edcia da elei\u00e7\u00e3o no passado dia 14 de Fevereiro. A Academia Portuguesa da Hist\u00f3ria, institui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica estatal, criada pelo Decreto-Lei n\u00b0 26611, de 19 de Maio de 1936 \u00e9 a leg\u00edtima herdeira da mais antiga Academia nacional \u2013 a Academia Real Portuguesa da Hist\u00f3ria \u2013 fundada por D. Jo\u00e3o V, conforme decreto de 8 de Dezembro de 1720. &#8220;Tive a sorte de todos os acad\u00e9micos votarem a favor da minha entrada nesta institui\u00e7\u00e3o&#8221;. E acrescenta: &#8220;s\u00f3 pode ser uma gra\u00e7a de Deus&#8221;. Com a finalidade de realizar a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da hist\u00f3ria e tornar p\u00fablicos os seus resultados; Estimular e coordenar esfor\u00e7os tendentes ao rigoroso conhecimento da hist\u00f3ria nacional, no sentido de esclarecer a contribui\u00e7\u00e3o portuguesa para o progresso da Cultura e da Civiliza\u00e7\u00e3o e Promover a publica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de fontes documentais que interessem \u00e0 Hist\u00f3ria portuguesa, a APH \u00e9 constitu\u00edda por Acad\u00e9micos de N\u00famero &#8211; &#8220;t\u00eam direito de votar as admiss\u00f5es&#8221; &#8211; e os Acad\u00e9micos Correspondentes.  Hoje, poder\u00e1 definir-se como uma \u00abagremia\u00e7\u00e3o de especialistas que se dedicam \u00e0 reconstitui\u00e7\u00e3o documental e cr\u00edtica do passado\u00bb, sendo igualmente o \u00f3rg\u00e3o consultivo do Governo na mat\u00e9ria da sua compet\u00eancia\u00bb (art\u00b0. 3 dos respectivos estatutos). Tem a seguinte constitui\u00e7\u00e3o: Acad\u00e9micos de N\u00famero: 30 de nacionalidade portuguesa e 10 de nacionalidade brasileira. Acad\u00e9micos Correspondentes: 80 de nacionalidade portuguesa;  20 de nacionalidade brasileira;    10 de outros pa\u00edses de express\u00e3o portuguesa e 80 de outros pa\u00edses estrangeiros.   <b>A paix\u00e3o pela Hist\u00f3ria<\/b> Com o processo n.\u00ba 711, o Pe. Joaquim Duarte salienta que ficou &#8220;surpreendido com o n\u00famero t\u00e3o reduzido de acad\u00e9micos&#8221; que pertencem ou pertenceram \u00e0 APH nestes trezentos anos. Com cinco livros de hist\u00f3ria &#8211; dois volumes \u00abResende e a sua hist\u00f3ria\u00bb; \u00abResende na Idade M\u00e9dia\u00bb; \u00abResende no s\u00e9culo XVIII\u00bb e \u00abCasas e Bras\u00f5es de Resende\u00bb -, o Pe. Joaquim Duarte enveredou pelo romance. &#8220;Estive \u00e0 beira do descolamento da retina porque s\u00e3o horas e horas nos arquivos&#8221;. A investiga\u00e7\u00e3o exige &#8220;muita leitura com lupa&#8221; e &#8220;quem sofre s\u00e3o os olhos&#8221; &#8211; afirmou. Devido a esta dificuldade visual lan\u00e7ou-se no romance e j\u00e1 publicou \u00abUma carta que chegou tarde demais\u00bb e &#8220;tenho no prelo \u00abAs meninas da comenda\u00bb.   A hist\u00f3ria eclesi\u00e1stica nunca foi o &#8220;meu forte&#8221; visto que &#8220;nunca tive muito incentivo&#8221;. E adianta: &#8220;a hist\u00f3ria da diocese est\u00e1 feita&#8221;. Com uma vida preenchida e com muitas tarefas, o novo membro da APH esclarece que n\u00e3o passa &#8220;tempo nos caf\u00e9s&#8221;. Os tempos livres s\u00e3o passados em casa, bibliotecas, arquivos. &#8220;Todo o tempo dispon\u00edvel \u00e9 dedicado \u00e0 hist\u00f3ria&#8221;.  A tese de doutoramento n\u00e3o est\u00e1 nos seus horizontes. &#8220;Sou p\u00e1roco e gosto de ser p\u00e1roco&#8221;. Com v\u00e1rias actividades pastorais e extra pastorais  &#8211; &#8220;organizei um rancho folcl\u00f3rico na regi\u00e3o e constru\u00ed uma resid\u00eancia paroquial&#8221; &#8211; o Pe. Joaquim Duarte admite que n\u00e3o tem tempo para mais. &#8220;Durmo seis horas por dia, o que d\u00e1 capacidade para aguentar o trabalho&#8221;. A hist\u00f3ria &#8220;\u00e9 uma paix\u00e3o&#8221; e a investiga\u00e7\u00e3o destes temas &#8220;d\u00e3o-me um gozo enorme&#8221;. Recentemente, o sacerdote da diocese de Lamego fez estudos sobre o Semin\u00e1rio de Resende e a Miseric\u00f3rdia. &#8220;A rela\u00e7\u00e3o de E\u00e7a de Queiroz com Resende&#8221; foi tamb\u00e9m o tema de uma confer\u00eancia . Com a entrada na Academia, o Pe. Joaquim Duarte disse que ter\u00e1 de voltar \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o. &#8220;Estou a pesquisar sobre os foros e costumes de S. Martinho de Mouros&#8221;. Em Portugal existiam apenas quatro ou cinco concelhos com o &#8220;Direito local escrito&#8221;. E adianta: &#8220;no s\u00e9culo XIV n\u00e3o existia C\u00f3digo Civil&#8221;.  <b>Estudar as romarias<\/b> Para al\u00e9m da hist\u00f3ria local, o novo membro da APH tamb\u00e9m investiga os fen\u00f3menos ligados \u00e0s romarias. &#8220;Ouvi muitas pessoas antigas &#8211; testemunhos orais &#8211; sobre a Feira Anual de S. Miguel, feriado municipal&#8221;. Primeiro nos enormes e frondosos soutos do lugar de Vinh\u00f3s, antiga sede do Concelho; depois, no lugar da Feira, na nova Vila de Resende.  O dia de S. Miguel Arcanjo marcava antigamente, e ainda marca hoje, o final das colheitas agr\u00edcolas e a mudan\u00e7a de caseiros: um caseiro deixava uma quinta (por n\u00e3o querer mais &#8220;faz\u00ea-la&#8221; ou por ter sido despedido pelo patr\u00e3o) e outro tomava conta dela. Por essa raz\u00e3o, e porque era preciso avaliar os animais da quinta, vend\u00ea-los ou compr\u00e1-los, se realizava em cada ano, no dia certo, a Feira de S. Miguel.  Nos meados do s\u00e9culo passado, alguns funcion\u00e1rios na C\u00e2mara Municipal quiseram ampliar a festa, levando a efeito, no p\u00e1tio da antiga C\u00e2mara ou Largo do Concelho, uma noitada com luzes, fogo de artif\u00edcio e baile popular. No ano seguinte, tendo a noitada sido um \u00eaxito e sendo ex\u00edguo o p\u00e1tio da antiga C\u00e2mara, mudou-se a festa para o Jardim Municipal e, come\u00e7ando as noites de fim de Setembro a ficar frias e escuras, os promotores da festa decidiram acender fogueiras no meio do Jardim Municipal.   Todo o povo achou gra\u00e7a \u00e0s tais fogueiras e, sem ordem ou conselho de ningu\u00e9m, passou a chamar \u00e0s festas do concelho, \u00abFesta das Labaredas\u00bb. Os versos eram frequentes e, no ramo do manjerico, estavam as quadras.  \u00abLabareda, labareda, Como tu nos fazes bem!  N\u00e3o deixes que a minha eleita D\u00ea beijos a mais ningu\u00e9m!\u00bb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pe. 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