{"id":23195,"date":"2007-02-28T17:58:33","date_gmt":"2007-02-28T17:58:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/28\/arqueologos-desacreditam-descoberta-do-tumulo-de-jesus\/"},"modified":"2007-02-28T17:58:33","modified_gmt":"2007-02-28T17:58:33","slug":"arqueologos-desacreditam-descoberta-do-tumulo-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/arqueologos-desacreditam-descoberta-do-tumulo-de-jesus\/","title":{"rendered":"Arque\u00f3logos desacreditam \u00abdescoberta\u00bb do t\u00famulo de Jesus"},"content":{"rendered":"<p>O an\u00fancio da alegada descoberta do &#8220;t\u00famulo perdido de Jesus&#8221; foi recebido pelos especialistas cat\u00f3licos em arqueologia com duras cr\u00edticas contra a &#8220;fantasia&#8221; e a inten\u00e7\u00e3o &#8220;publicit\u00e1ria&#8221; dos produtores do document\u00e1rio. O Studium Franciscanum Biblicum de Jerusal\u00e9m, atrav\u00e9s da sua Faculdade de Ci\u00eancias B\u00edblicas e Arqueol\u00f3gicas, considera que as declara\u00e7\u00f5es de James Cameron est\u00e3o marcadas por &#8220;arqueologia inventada, publicidade e vontade de vender&#8221;. Fabrizio Bisconti, secret\u00e1rio da Comiss\u00e3o Pontif\u00edcia  de Arqueologia Sacra (institu\u00edda em 1852), refere \u00e0 R\u00e1dio Vaticano que os nomes a que se fazem refer\u00eancia estavam &#8220;muito difundidos&#8221; no tempo de Jesus Cristo, em especial a inscri\u00e7\u00e3o &#8220;Jeshua bar Joseph&#8221; (Jesus filho de Jos\u00e9), que aparece &#8220;pelo menos 70 vezes&#8221; nos oss\u00e1rios encontrados at\u00e9 hoje. &#8220;De forma alguma podem ser identificados com o t\u00famulo de Jesus&#8221;, assegura. Est respons\u00e1vel lembra que os arque\u00f3logos israelitas n\u00e3o sustentam as teses de Cameron, mais preocupado &#8220;com o com\u00e9rcio e a divulga\u00e7\u00e3o&#8221; e longe das &#8220;fases cient\u00edficas em que se constr\u00f3i a arqueologia&#8221;. Sobre a descoberta que serve de base ao document\u00e1rio realizado por Simcha Jacobovici e produzido por James Cameron, o membro da Comiss\u00e3o Pontif\u00edcia  de Arqueologia Sacra lembra que ela data j\u00e1 de 1980, e que o arque\u00f3logo Amos Kloner &#8220;explicou de modo exemplar o tipo de descoberta que efectuou, ou seja, um t\u00famulo familiar que continha oss\u00e1rios com inscri\u00e7\u00f5es referentes a nomes como Jesus, Maria ou Marta&#8221;. Em reac\u00e7\u00e3o \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de James Cameron, Kloner declarou que &#8220;os autores do document\u00e1rio est\u00e3o a tentar vender o filme&#8221;, frisando que os nomes inscritos eram &#8220;muito comuns e populares&#8221; no primeiro s\u00e9culo depois de Cristo, \u00e9poca a que, no seu entender, remonta o t\u00famulo do Bairro de Talpiot. &#8220;Jesus e os seus parentes eram uma fam\u00edlia da Galileia, sem la\u00e7os a Jerusal\u00e9m. O t\u00famulo de Talpiot pertencia a uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia do s\u00e9culo primeiro&#8221;, declarou Amos Kloner. Fabrizio Bisconti lembrou ainda que, em 1980, a reac\u00e7\u00e3o a esta descoberta &#8220;n\u00e3o foi t\u00e3o espectacular como agora se quer fazer crer&#8221;. Joe Zias, antrop\u00f3logo, referiu que &#8220;cerca de 48% das mulheres do per\u00edodo a que se referem os oss\u00e1rios chamam-se Mariam, Maria ou Shlomtzion. O mesmo sucedia com nomes como Jos\u00e9, Jesus, e por a\u00ed adiante&#8221;. &#8220;O que aqui fizeram foi simplesmente tentar, de um modo muito desonesto, penso, enganar o p\u00fablico levando-o a acreditar que este \u00e9 o t\u00famulo de Jesus, ou da fam\u00edlia de Cristo. N\u00e3o tem nada a ver com ele&#8221;, explicou.  Stephen Pfann, professor de estudos b\u00edblicos, chegou mesmo a dizer que o que v\u00ea claramente na ciaxa tumular \u00e9 o nome Hanun e n\u00e3o Jesus.   <b>Ci\u00eancia e fic\u00e7\u00e3o<\/b> Yossef Gat, arque\u00f3logo dependente da Autoridade de Antiguidades de Israel, foi o respons\u00e1vel pela descoberta da c\u00e2mara mortu\u00e1ria no sudeste de Jerusal\u00e9m, em 1980. Ali encontrou um t\u00famulo tipicamente judaico, que remontava ao tempo do Rei Herodes. Os arque\u00f3logos constataram que o espa\u00e7o principal tinha sido coberto com terra e detritos, escondendo seis &#8220;kokhim&#8221; (ver foto), espa\u00e7os onde os corpos permaneciam um ano ou o tempo necess\u00e1rio para a decomposi\u00e7\u00e3o, segundo os ritos judaicos, antes de os parentes poderem recolher os ossos para guard\u00e1-los num oss\u00e1rio. Yossef Gat descobriu 10 oss\u00e1rios com inscri\u00e7\u00f5es em hebraico e grego antigo, uma das quais dizia &#8221; Jeshua bar Joseph&#8221;, outra &#8220;Mara&#8221; (forma comum de Maria) e outra &#8220;Yose&#8221; (forma comum de Jos\u00e9). O interior da c\u00e2mara mortu\u00e1ria esteve encerrado durante longos anos por causa da constru\u00e7\u00e3o de um edif\u00edcio precisamente por cima do espa\u00e7o.  Amos Kloner, bra\u00e7o direito de Gat, entretanto falecido, publicou os resultados da descoberta em 1996, na revista da Autoridade de Antiguidades de Israel. O arque\u00f3logo considera que, de forma alguma, este t\u00famulo de Jerusal\u00e9m poderia ter sido a sepultura da Sagrada Fam\u00edlia, natural da Galileia, ao longo de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O an\u00fancio da alegada descoberta do &#8220;t\u00famulo perdido de Jesus&#8221; foi recebido pelos especialistas cat\u00f3licos em arqueologia com duras cr\u00edticas contra a &#8220;fantasia&#8221; e a inten\u00e7\u00e3o &#8220;publicit\u00e1ria&#8221; dos produtores do document\u00e1rio. 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