{"id":231621,"date":"2022-03-09T10:14:12","date_gmt":"2022-03-09T10:14:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=231621"},"modified":"2022-03-09T10:14:12","modified_gmt":"2022-03-09T10:14:12","slug":"saber-aprender-a-desejar-o-eixo-que-nos-une","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-desejar-o-eixo-que-nos-une\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A desejar o eixo que nos une"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Um das qualidades do ser humano \u00e9 esta capacidade que tem para auto-transcender-se. Isto \u00e9, algu\u00e9m que consegue ir para al\u00e9m de si pr\u00f3prio. O que estamos a assistir com a guerra na Ucr\u00e2nia \u00e9 o contr\u00e1rio disso. Assistimos a algo que n\u00e3o tem sentido para a maior parte das pessoas. O <em>sentido<\/em> \u00e9 algo que cura quando o descobrimos, tal como na <em>logoterapia<\/em> de Vitor Frankl. Para sairmos de n\u00f3s mesmos nesta auto-transcend\u00eancia \u00e9 preciso ir ao encontro do outro, no qual nos descobrimos a n\u00f3s mesmos. Mas quem \u00e9 este ser humano que se auto-transcende?<\/p>\n<figure id=\"attachment_231622\" aria-describedby=\"caption-attachment-231622\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/chaitanya-tvs-1Kqc8ymfMKY-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-231622 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/chaitanya-tvs-1Kqc8ymfMKY-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"729\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/chaitanya-tvs-1Kqc8ymfMKY-unsplash.jpg 1296w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/chaitanya-tvs-1Kqc8ymfMKY-unsplash-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/chaitanya-tvs-1Kqc8ymfMKY-unsplash-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/chaitanya-tvs-1Kqc8ymfMKY-unsplash-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/chaitanya-tvs-1Kqc8ymfMKY-unsplash-1080x608.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/chaitanya-tvs-1Kqc8ymfMKY-unsplash-1280x720.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/chaitanya-tvs-1Kqc8ymfMKY-unsplash-980x551.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/chaitanya-tvs-1Kqc8ymfMKY-unsplash-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1296px) 100vw, 1296px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-231622\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Chaitanya Tvs em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<figure><\/figure>\n<p>Os logoterapeutas colocam a vis\u00e3o que t\u00eam do ser humano assente em tr\u00eas pilares: 1) a liberdade de querer; 2) a vontade de um sentido; 3) e o sentido de viver. Liberdade, vontade, sentido e vida s\u00e3o palavras deste caminho que a vis\u00e3o logoterap\u00eautica parece seguir. Mas o modo de sermos humanos que todos vivemos inclina-se mais para o que fisicamente experimentamos e o que mentalmente pensamos. Ir para al\u00e9m do que \u00e9 material e mental implica abrir o corpo e a mente \u00e0 consci\u00eancia, e imaginar o que poderia estar para al\u00e9m de n\u00f3s mesmos e de tudo o que nos rodeia. Essa \u00e9 a dimens\u00e3o <em>nool\u00f3gica<\/em> (sentido da consci\u00eancia) e, por isso, \u00e9 uma dimens\u00e3o espiritual. Mas nem todos estamos sens\u00edveis a acolher a exist\u00eancia dessa dimens\u00e3o. Talvez seja por vivermos muito quantitativamente.<\/p>\n<p>Muitas pessoas dizem \u2014 <em>\u00abEu c\u00e1 acredito no que vejo.\u00bb<\/em> ou <em>\u00abSe n\u00e3o sentir, n\u00e3o acredito\u00bb<\/em> \u2014 como se os sentidos fossem qualidades da exist\u00eancia humana quantitativas. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o evidente como se quantifica o pensamento, e menos ainda quando se trata da faceta espiritual de cada pessoa. \u00c9 como se acreditar numa dimens\u00e3o espiritual fosse uma quest\u00e3o de escolha. Por\u00e9m, eu n\u00e3o escolho a vida f\u00edsica ou mental, e o mesmo acontece com a vida espiritual. Isto porque a conota\u00e7\u00e3o religiosa da palavra \u201cespiritual\u201d \u00e9 muito marcada. Nesse sentido, penso valer a pena pensar se o seu significado \u00e9 mais amplo. E para isso recorremos a um cilindro.<\/p>\n<p>Um cilindro \u00e9 um circulo esticado. Um espaguete, lata ou bolacha. Por isso, pode estar muito ou pouqu\u00edssimo esticado. Se imaginarmos que esticar corresponde \u00e0 dimens\u00e3o humana sens\u00edvel, e o raio do c\u00edrculo corresponde \u00e0 dimens\u00e3o cognitiva, onde est\u00e1 a dimens\u00e3o espiritual? No eixo. Sem um eixo central, um cilindro perde a sua tri-dimensionalidade. E quando reduzido \u00e0 bi-dimensionalidade, olharemos para o ser humano com inconsist\u00eancia pelos pontos de vista diferentes darem-nos a entender coisas diferentes sobre a mesma pessoa. Experimentem o seguinte com uma lata.<\/p>\n<p>Qual a sombra que a lata produz quando iluminamos de lado? Um rect\u00e2ngulo. E se iluminarmos de topo? Um c\u00edrculo. Logo, para quem apenas toma a perspectiva lateral como verdadeira, um rect\u00e2ngulo pode representar uma caixa e n\u00e3o um cilindro. E quem assume como verdadeira apenas a perspectiva de topo, um c\u00edrculo pode representar uma esfera ou a base de um cone. O eixo retira o cilindro da bi-dimensionalidade e revela-o tal qual \u00e9. \u00c9 essa a perspectiva de auto-transcend\u00eancia que a dimens\u00e3o espiritual da nossa exist\u00eancia oferece.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o espiritual que todo o ser humano possui, independentemente daquilo em que acredita, leva-nos a reconhecer duas coisas:<\/p>\n<ol>\n<li>quando o ser humano \u00e9 projectado bi-dimensionalmente, fora da tri-dimensionalidade que a espiritualidade d\u00e1 \u00e0 sua vida, diferentes pontos de vista podem levar a imagens contradit\u00f3rias (rect\u00e2ngulo visto de lado, c\u00edrculo visto de cima);<\/li>\n<li>quando reduzimos o ser humano a uma dimens\u00e3o menor do que a tri-dimensional que o completa, podemos obter uma imagem dele amb\u00edgua (o c\u00edrculo visto de topo poderia ser um cilindro, esfera ou cone).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Na pr\u00e1tica, a dimens\u00e3o espiritual chama a nossa aten\u00e7\u00e3o para a necessidade da unidade do ser humano apesar da multiplicidade de corpo e mente que as pessoas mais experimentam na sua vida. \u00c9 poss\u00edvel desenvolver a percep\u00e7\u00e3o do eixo correspondente \u00e0 dimens\u00e3o espiritual sem se ser uma pessoa com sensibilidade religiosa? Por muito que custe a crer aos que possuem essa sensibilidade, eu creio que sim. E a\u00ed est\u00e1 o drama da Evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se a Boa Nova do Evangelho passa pela experi\u00eancia de Jesus na vida das pessoas atrav\u00e9s de um amor incondicional, onde entram as Igrejas, os sacerdotes, e as institui\u00e7\u00f5es religiosas? Quando s\u00e3o um anti-testemunho deste amor incondicional, n\u00e3o entram e mais: tiram aos outros a possibilidade de experimentarem o valor unitivo que o eixo da espiritualidade nos d\u00e1. No cora\u00e7\u00e3o de algumas pessoas est\u00e1 a cr\u00edtica \u00e0 religiosidade, separando-a da vida espiritual quando, na realidade, deveriam ser uma s\u00f3, mas talvez aqui seja de recordar o primeiro pilar da vis\u00e3o logoterap\u00eautica do ser humano: a liberdade de querer.<\/p>\n<p>Uma vez ouvi que \u201cquerer\u201d e \u201capetecer\u201d s\u00e3o coisas diferentes. Pode-nos apetecer o que \u00e9 bom e o que \u00e9 mau, mas o querer est\u00e1 sempre associado ao que nos faz bem. Por exemplo, quando as pessoas dizem \u2014 <em>\u00abeu quero um papo-seco cheio de manteiga\u00bb<\/em> \u2014 na pr\u00e1tica, o que est\u00e3o realmente a dizer \u00e9 \u2014 <em>\u00abapetece-me\u2026\u00bb<\/em>. Acontece que no caso da dimens\u00e3o espiritual, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma de \u201capetite\u201d, mas de \u201cquerer\u201d. E h\u00e1 quem n\u00e3o queira pela simples raz\u00e3o de n\u00e3o lhes termos ajudado, com o nosso testemunho, a perceber que a espiritualidade faz-nos bem. Por exemplo, olham para n\u00f3s e n\u00e3o nos v\u00eaem felizes.<\/p>\n<p>Neste per\u00edodo quaresmal onde falamos de ora\u00e7\u00e3o, jejum e abstin\u00eancia, ou, ent\u00e3o de ren\u00fancia, poder\u00edamos tamb\u00e9m pensar no caminho quaresmal como uma oportunidade de saber aprender a desejar descobrir o eixo da nossa vida espiritual. Pois, h\u00e1 uma imagem que n\u00e3o estou certo da sua universalidade, mas partilho: enquanto no mundo existem comprimentos e raios diferentes, o eixo \u00e9 uma s\u00f3 dimens\u00e3o, uma s\u00f3 realidade, um s\u00f3 eixo que nos une a todos, ainda que tenhamos ritmos e sensibilidades diferentes. Por isso, quando procuramos juntos o eixo, descobrimos aquilo que nos une como mais forte do que aquilo que nos divide. E que a grande ren\u00fancia da exist\u00eancia humana ser\u00e1 sempre \u00e0 descren\u00e7a da realidade da dimens\u00e3o da espiritualidade.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-231621","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=231621"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231621\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=231621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=231621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=231621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}