{"id":23142,"date":"2007-02-27T10:42:03","date_gmt":"2007-02-27T10:42:03","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/27\/caridade-com-rostos-concretos\/"},"modified":"2007-02-27T10:42:03","modified_gmt":"2007-02-27T10:42:03","slug":"caridade-com-rostos-concretos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/caridade-com-rostos-concretos\/","title":{"rendered":"Caridade com rostos concretos"},"content":{"rendered":"<p>Compromisso de servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo torna-se realidade mesmo nas pequenas realidades, como uma pris\u00e3o a\u00e7oriana <!--more--> H\u00e1 34 anos atr\u00e1s, com 10 anos, Fernanda Evangelho entrou, pela primeira vez, no Estabelecimento Prisional de Angra do Hero\u00edsmo, na Ilha Terceira (A\u00e7ores). Acompanhada pelo pai, que ali fazia volun-tariado e carinhosamente continua a ser chamado de &#8220;av\u00f4&#8221; entre os reclusos. Fernanda passou a ser a &#8220;m\u00e3e&#8221; para muitos deles.  Destinado a uma popula\u00e7\u00e3o de 35 reclusos, o estabelecimento prisional conta neste momento com 90. Quatro mulheres partilham uma \u00e1rea &#8220;m\u00ednima e horr\u00edvel&#8221;. Os homens est\u00e3o numa \u00e1rea maior divididos por RAVI &#8211; regime aberto voltado para o interior, ou RAVE &#8211; regime aberto voltado para exterior.  \u00c9 desta realidade que Fernanda Evangelho, apesar de ser um trabalho &#8220;muito exigente psicologicamente&#8221;, n\u00e3o se consegue desligar e nem explicar porqu\u00ea. &#8220;Penso que eles precisam de mim e de carinho&#8221;, refere Fernanda Evangelho \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, adiantando que tem um carinho especial por todos eles. &#8220;Acho que este trabalho \u00e9 uma paix\u00e3o que eu tenho&#8221;. Embora saiba o que eles fizeram, &#8220;n\u00e3o gosto de ouvir falarem mal deles&#8221;.  Quando ouve as hist\u00f3rias dos reclusos, &#8220;percebo que falta muita coisa nas suas vidas, a maioria s\u00e3o jovens e n\u00e3o tiveram uma base familiar e por esse motivo est\u00e3o ali&#8221;.  Pensando na sua vida e na sua estrutura familiar, Fernanda diz que teve tudo e eles n\u00e3o tiveram nada. Uma vez por semana, esta volunt\u00e1ria ruma \u00e0 pris\u00e3o, por duas ou tr\u00eas horas. \u00c0s vezes acompanhada por tr\u00eas ou quatro volunt\u00e1rios, outras sozinha. &#8220;Quando entro no estabelecimento \u00e9-me indiferente se lido com assassinos ou ladr\u00f5es. Eu vejo pessoas que precisam do meu carinho e apoio. Normalmente as pessoas n\u00e3o conseguem separar isto, e est\u00e3o sempre a pensar no que eles fizeram&#8221;. Fernanda Evangelho regista que h\u00e1 um ano &#8220;t\u00ednhamos maior facilidade para nos movermos dentro da pris\u00e3o&#8221;. O acompanhamento pela direc\u00e7\u00e3o do estabelecimento prisional n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. &#8220;Varia muito entre os guardas&#8221;, afirma, percebendo inclusivamente que alguns preferiam que as visitas n\u00e3o acontecessem. &#8220;\u00c9 mais dif\u00edcil lidar com o exterior do que com a popula\u00e7\u00e3o interna das pris\u00f5es&#8221;, assegura.  As visitas s\u00e3o passadas principalmente na conversa. Os reclusos esperam as chegada das 15 horas porque sabem que Fernanda, acompanhada por mais algu\u00e9m vai entrar nos muros da pris\u00e3o. Fernanda destaca que, ao longo do tempo, os reclusos v\u00e3o-se abrindo e &#8220;contando os seus problemas.  Se no princ\u00edpio come\u00e7am com muitas mentiras, acabam sempre na verdade&#8221;, valoriza porque &#8221; se estabelece uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, tanto que n\u00e3o sinto nenhuma barreira com eles&#8221;. Quando v\u00eaem Fernanda entrar, j\u00e1 se dirigem a ela com vontade de conversar. Como este ritual se repete h\u00e1 muitos anos, &#8220;eles v\u00e3o passando palavra e sabem que h\u00e1 algu\u00e9m que vai l\u00e1 para os apoiar e estar com eles&#8221;. Uma vez por m\u00eas fazem uma festa de anivers\u00e1rio. &#8220;Um pequeno conv\u00edvio com o pouco dinheiro que temos tamb\u00e9m, mas que significa muito para eles&#8221;.  O relacionamento entre Fernanda e os reclusos salta para fora dos muros da pris\u00e3o. Alguns que se encontram em RAVI, &#8220;v\u00e3o muitas vezes a minha casa&#8221;. Fernanda tinha uma explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e &#8220;alguns vinham ajudar-me&#8221;, explica. Quando saem em liberdade o contacto mant\u00e9m-se e &#8220;muitas vezes v\u00e3o a minha casa dizer que sa\u00edram&#8221;. A liga\u00e7\u00e3o nunca se perde porque se criam la\u00e7os de amizade profunda. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compromisso de servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo torna-se realidade mesmo nas pequenas realidades, como uma pris\u00e3o a\u00e7oriana<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[168,169],"class_list":["post-23142","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-angra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23142\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}