{"id":23141,"date":"2007-02-27T10:38:51","date_gmt":"2007-02-27T10:38:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/27\/deus-caritas-est-na-quaresma\/"},"modified":"2007-02-27T10:38:51","modified_gmt":"2007-02-27T10:38:51","slug":"deus-caritas-est-na-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/deus-caritas-est-na-quaresma\/","title":{"rendered":"<i>Deus Caritas Est<\/i> na Quaresma"},"content":{"rendered":"<p>Eduardo Borges de Pinho apresenta considera\u00e7\u00f5es \u00e0 volta da recep\u00e7\u00e3o da primeira enc\u00edclica de Bento XVI <!--more--> &#8220;Normalmente os te\u00f3logos protestantes l\u00eaem com certa desconfian\u00e7a as enc\u00edclicas papais. Sou um te\u00f3logo protestante, portanto, entro tamb\u00e9m nesta regra. Por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 regra sem excep\u00e7\u00f5es. Li a primeira enc\u00edclica de Bento XVI mais que uma vez. O texto impressionou-me, porque evoca no leitor evang\u00e9lico uma sintonia que brota dum profundo consenso de vasto alcance ecum\u00e9nico&#8221;. Esta afirma\u00e7\u00e3o de Eberhard J\u00fcngel, professor em T\u00fcbingen e um dos maiores te\u00f3logos protestantes da actualidade (citada recentemente por Mons. Rino Fisichella, bispo auxiliar de Roma: cf. Zenit, 31.01.2007, &#8220;Deus caritas est&#8221;, un a\u00f1o despu\u00e9s) \u00e9 particularmente interessante, n\u00e3o s\u00f3 porque sublinha a import\u00e2ncia singular da enc\u00edclica program\u00e1tica de Bento XVI como tamb\u00e9m vislumbra nela um amplo alcance ecum\u00e9nico. Se o primeiro aspecto merece ser destacado &#8211; n\u00e3o \u00e9 todos os dias que uma enc\u00edclica papal \u00e9 assim reconhecida no seu valor &#8220;fora de portas&#8221;! -, o segundo aspecto n\u00e3o \u00e9 de menor significado: o consenso ecum\u00e9nico aqui detectado assenta no facto &#8211; para mim, o dado mais importante de todos &#8211; de que a enc\u00edclica de Bento XVI apresenta uma reflex\u00e3o sobre o essencial da identidade crist\u00e3 e sobre os pressupostos e os caminhos do testemunho desse &#8220;essencial crist\u00e3o&#8221; na vida dos crentes e da Igreja: a pr\u00e1tica do amor. Se assim \u00e9, mais justificada \u00e9 a pergunta pela recep\u00e7\u00e3o que esta enc\u00edclica tem merecido entre n\u00f3s. \u00c0 surpresa inicial pela aparente simplicidade da enc\u00edclica e por um ou outro aspecto de reflex\u00e3o menos habitual neste tipo de documentos (por exemplo, a rela\u00e7\u00e3o entre o amor-eros e o amor-\u00e1gape) seguiu-se, na realidade, um interesse amplo nas nossas comunidades crist\u00e3s por conhecer o conte\u00fado da enc\u00edclica e por reflectir aprofundadamente sobre as suas consequ\u00eancias pr\u00e1ticas? Falou-se clara e persistentemente nas nossas comunidades crist\u00e3s sobre a aten\u00e7\u00e3o que este documento merece e sugeriram-se concretamente formas de o aprofundar em processos de forma\u00e7\u00e3o da f\u00e9? Sentiu-se abertura suficiente para a examinar com amplitude e profundidade os caminhos pr\u00e1ticos atrav\u00e9s dos quais a ac\u00e7\u00e3o caritativa da Igreja &#8211; a n\u00edvel local, diocesano e nacional &#8211; se concretiza nas suas diversas express\u00f5es? Receio que a resposta a estas e a outras quest\u00f5es &#8211; certamente sempre com o risco de generaliza\u00e7\u00f5es injustas! &#8211; tenha de ser, em grande parte, negativa.  Provavelmente, a maior parte dos crist\u00e3os, mesmo de cultura m\u00e9dia superior, ainda n\u00e3o leram esta enc\u00edclica (essa \u00e9 a impress\u00e3o que se colhe quando se coloca directamente a quest\u00e3o em encontros de crist\u00e3os). E em muito poucas comunidades, tanto quanto se pode deduzir pelos dados dispon\u00edveis, ter\u00e1 havido iniciativas concretas tendentes a dar a conhecer e a aprofundar o conte\u00fado desta reflex\u00e3o papal (ali\u00e1s, retomada agora dalguma forma na mensagem para a Quaresma 2007).  Houve, certamente, sinais de sentido contr\u00e1rio: desde catequeses quaresmais a reflex\u00f5es na comunica\u00e7\u00e3o social da Igreja e a iniciativas desenvolvidas pela C\u00e1ritas Portuguesa. E neste \u00faltimo caso \u00e9 at\u00e9 justo reconhecer que a C\u00e1ritas n\u00e3o s\u00f3 promoveu alguns encontros de estudo sobre a &#8220;Deus Caritas Est&#8221; como acaba de publicar um interessante e \u00fatil &#8220;Guia para o estudo e a aplica\u00e7\u00e3o da Enc\u00edclica &#8216;Deus \u00e9 amor&#8217; de Bento XVI&#8221; (a tradu\u00e7\u00e3o dum texto em l\u00edngua espanhola, proveniente de S\u00e3o Salvador, que na sua estrutura sinaliza bem como estamos diante duma enc\u00edclica que interpela \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o). Mas, tudo avaliado e olhando ao panorama global, parece demasiado pouco para a import\u00e2ncia do documento. Qualquer processo de recep\u00e7\u00e3o dum acontecimento, dum documento, duma orienta\u00e7\u00e3o doutrinal ou pr\u00e1tica, \u00e9 sempre um processo longo no tempo (pouco mais dum ano \u00e9, pois, muito pouco tempo). Mas h\u00e1 aspectos que, na lentid\u00e3o deste processo em concreto no nosso contexto e na aparente insensibilidade que a\u00ed se manifesta, merecem aten\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o deixam de ser preocupantes. Provavelmente, com este texto aconteceu (est\u00e1 a acontecer) algo de semelhante ao que sucede com muitos outros documentos eclesiais, tanto de \u00e2mbito universal como nacional: esses textos perdem-se nos limites da nossa comunica\u00e7\u00e3o interna eclesial e nos processos atrofiados de aprofundamento da f\u00e9 que v\u00e3o predominando por a\u00ed. Provavelmente tamb\u00e9m, n\u00e3o haver\u00e1 grande disponibilidade mental e pr\u00e1tica para, neste dom\u00ednio do testemunho evang\u00e9lico da caridade, questionar prioridades pastorais nas nossas comunidades e empreender indispens\u00e1veis reestrutura\u00e7\u00f5es tanto a n\u00edvel local como diocesano e nacional. Provavelmente ainda &#8211; e, a ser verdade, este seria o aspecto mais preocupante &#8211; na nossa rotina eclesial andamos demasiado distra\u00eddos com muitas outras coisas de teor religioso estrito, presas a h\u00e1bitos de cristandade ou marcadas por prioridades jur\u00eddico-can\u00f3nicas, com o risco de se perder a no\u00e7\u00e3o daquilo que, dentro duma correcta e indispens\u00e1vel &#8220;hierarquia das verdades&#8221;, \u00e9 verdadeiramente essencial no acontecimento crist\u00e3o e no testemunho da f\u00e9.  Nesta ordem de ideias, parece claro que os processos de recep\u00e7\u00e3o da &#8220;Deus Caritas Est&#8221; merecem um esfor\u00e7o e uma aten\u00e7\u00e3o bem maiores. Para se ver, por exemplo, se nas nossas comunidades crist\u00e3s as tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es, os tr\u00eas &#8220;deveres&#8221; fundamentais da Igreja &#8211; an\u00fancio, celebra\u00e7\u00e3o, diaconia &#8211; est\u00e3o verdadeiramente unidos e se realizam equilibradamente. Ou para se examinar como \u00e9 que, nas situa\u00e7\u00f5es concretas (da nossa vida, do nosso movimento, das nossas par\u00f3quias), o amor de Deus transparece no nosso agir de servi\u00e7o aos outros. Ou ainda para verificar qual \u00e9 a identidade, o perfil espec\u00edfico das nossas institui\u00e7\u00f5es caritativas e o modo como realmente funcionam? Ou tamb\u00e9m para apurar os crit\u00e9rios que devem orientar o servi\u00e7o da caridade dos colaboradores dessas institui\u00e7\u00f5es. Ou, enfim, para nos perguntarmos pela sensibilidade que existe relativamente \u00e0 Doutrina Social da Igreja e pela import\u00e2ncia que se atribui \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia eclesial neste \u00e2mbito. Em termos da &#8220;hierarquia das verdades&#8221;, no sentido existencial-pr\u00e1tico mais profundo da express\u00e3o, ningu\u00e9m duvida &#8211; creio &#8211; que \u00e0 pergunta pelo que, como crist\u00e3os, sempre de novo temos de ser e de fazer na busca de fidelidade ao Evangelho e ao servi\u00e7o dos homens e mulheres do nosso tempo, a resposta se encontra no indicativo fundamental da caridade crist\u00e3. Nunca ser\u00e1 sublinhado em demasia que, no horizonte do Deus de Jesus, o verdadeiramente essencial, o \u00fanico que conta, \u00e9 mesmo o amor. <i>Jos\u00e9 Eduardo Borges de Pinho Professor da UCP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduardo Borges de Pinho apresenta considera\u00e7\u00f5es \u00e0 volta da recep\u00e7\u00e3o da primeira enc\u00edclica de Bento XVI<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,125,127,91,321],"class_list":["post-23141","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-caritas","tag-catequese","tag-quaresma","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23141"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23141\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}