{"id":23119,"date":"2007-02-26T10:13:26","date_gmt":"2007-02-26T10:13:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/26\/a-voz-que-clama-no-deserto\/"},"modified":"2007-02-26T10:13:26","modified_gmt":"2007-02-26T10:13:26","slug":"a-voz-que-clama-no-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-voz-que-clama-no-deserto\/","title":{"rendered":"<i>A voz que clama no deserto<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Catequese do Cardeal-Patriarca no 1\u00ba Domingo da Quaresma <!--more--> 1. Quando Jo\u00e3o Baptista inicia a sua prega\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica, anunciando que o Messias est\u00e1 a chegar, o seu discurso surpreende e choca. Os fariseus e as autoridades religiosas enviam uma delega\u00e7\u00e3o a perguntar-lhe quem \u00e9 e o que pretende. E ele apresenta-se, aplicando a si mesmo um or\u00e1culo de Isa\u00edas: \u201cEu sou uma voz que clama no deserto: endireitai o caminho do Senhor\u201d (Jo. 1,23). \tJo\u00e3o dirige-se a um povo crente, com uma forte estrutura religiosa, com uma espiritualidade, a da Alian\u00e7a, com uma esperan\u00e7a, a do reino messi\u00e2nico, com templo e liturgia, sobretudo com uma lei, a Lei de Deus. \u00c9 este povo, em que a sociedade se identifica com a religi\u00e3o, que ele considera um deserto, incapaz de acolher a surpresa da sua mensagem: o Messias est\u00e1 perto, preparai-lhe o caminho, abri-lhe o vosso cora\u00e7\u00e3o. \tPorque \u00e9 que o Baptista, tantos anos depois do \u00eaxodo, se considera a pregar no deserto? Trata-se de uma simbologia importante para a compreens\u00e3o da mensagem da salva\u00e7\u00e3o. A travessia do deserto \u00e9 um per\u00edodo da vida do povo em que ele depende completamente de Deus: \u00e9 Ele que o alimenta, que o protege dos inimigos, que o conduz pela Sua Palavra, onde as desconfian\u00e7as e infidelidades do Povo ficam a nu com toda a sua gravidade, s\u00e3o uma quest\u00e3o de vida ou de morte, porque sem a ac\u00e7\u00e3o poderosa de Deus o povo n\u00e3o subsiste. \tAo contr\u00e1rio, quando Israel se estabelece na Palestina e cria uma civiliza\u00e7\u00e3o de abund\u00e2ncia, esquece facilmente que depende de Deus, cai na idolatria, contenta-se com os bens da terra, a Lei torna-se apenas uma regra de costumes. Toda a mensagem dos profetas, antes e depois do ex\u00edlio, \u00e9 um esfor\u00e7o de fazer Israel voltar ao deserto, isto \u00e9, \u00e0 consci\u00eancia de que depende de Deus, que sem Ele n\u00e3o subsiste. A sua mensagem, como a de Jo\u00e3o, choca e escandaliza, porque \u00e9 a den\u00fancia de um presente acomodado \u00e0 vida deste mundo, esquecendo que a verdadeira terra prometida \u00e9 escatol\u00f3gica, obra de Deus. \tA simbologia do deserto define a situa\u00e7\u00e3o da Igreja no mundo e na hist\u00f3ria. A viver no mundo, sem ser do mundo, pode perder-se nas realidades deste mundo e esquecer a sua depend\u00eancia radical do Esp\u00edrito de Deus. Se se horizontaliza, perdida nos crit\u00e9rios do mundo, a Igreja deixa de ser capaz de ouvir a Palavra de Cristo, seu Senhor, ou a reduz a uma simples palavra humana, culturalmente integrada. Porque est\u00e1 no deserto, ela vive guiada pela Palavra de Deus e alimentada pelo P\u00e3o do C\u00e9u, sabendo que a travessia do deserto s\u00f3 acabar\u00e1 na eternidade, na Casa do Pai.  \t2. Escolhi esta imagem b\u00edblica para introduzir as Catequeses Quaresmais deste ano, porque penso que a miss\u00e3o da Igreja na sociedade em que vivemos se realiza na tens\u00e3o de amar o mundo, sem se identificar com ele, e que a mensagem de que a Igreja \u00e9 portadora tem de ter a capacidade de surpreender, rasgando caminhos para a surpresa da f\u00e9 e da esperan\u00e7a.  Mas este \u201cdeserto\u201d onde \u00e9 preciso rasgar caminhos novos, n\u00e3o se reduz \u00e0 sociedade, no seu car\u00e1cter profano, aparentemente cada vez mais indiferente \u00e0s exig\u00eancias espirituais do Reino de Deus, anunciado por Jesus. Aplica-se tamb\u00e9m \u00e0 Igreja, povo de baptizados, onde uma religiosidade tradicional n\u00e3o exprime a exig\u00eancia inovadora da P\u00e1scoa de Cristo, onde o abandono progressivo da pr\u00e1tica religiosa, o div\u00f3rcio entre f\u00e9 e moral, isto \u00e9, a falta de coer\u00eancia para se viver segundo a f\u00e9 que se professa, a pobreza de uma aut\u00eantica cultura religiosa, exigem uma pastoral prof\u00e9tica que rasgue caminhos para um seguimento de Cristo, transformador da vida. Isto exige aos crist\u00e3os que aprofundem as raz\u00f5es da sua f\u00e9. Esta n\u00e3o \u00e9, apenas, um sentimento ou uma tradi\u00e7\u00e3o; \u00e9 ades\u00e3o da intelig\u00eancia e do cora\u00e7\u00e3o e encontra fundamento e apoio na raz\u00e3o. Aprofundar as raz\u00f5es do nosso acreditar \u00e9 o tema que tratarei nesta Quaresma.   \t<b>O \u201cdeserto\u201d da sociedade em que vivemos<\/b> \t3. Na sua miss\u00e3o evangelizadora, a Igreja precisa de conhecer, com realismo, as principais coordenadas culturais da sociedade a que se dirige. Apesar de ter muitas reminisc\u00eancias crist\u00e3s na sua cultura, a nossa sociedade n\u00e3o se abre facilmente \u00e0 verdade do Evangelho, com tend\u00eancia a isolar a f\u00e9 crist\u00e3 da racionalidade humana, relegando-a para o campo da subjectividade individual. N\u00e3o h\u00e1 converg\u00eancia espont\u00e2nea entre a vis\u00e3o da vida veiculada pela f\u00e9 crist\u00e3 e a que \u00e9 proposta pela sociedade em que vivemos, o que exige da Igreja \u201cum remar contra a corrente\u201d, na express\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II. Enumeramos, a seguir, alguns tra\u00e7os da cultura vigente que maiores dificuldades apresentam ao acolhimento da Palavra de Deus.  \t* O naturalismo na interpreta\u00e7\u00e3o da vida e na busca do seu sentido, objectivo primordial na busca da verdade. Esta atitude exclui a rela\u00e7\u00e3o com Deus, fonte da dimens\u00e3o transcendente da vida. Mesmo que n\u00e3o se negue a sua exist\u00eancia, Ele fica de fora da vida e da hist\u00f3ria; vive-se como se Deus n\u00e3o existisse. \u00c9 j\u00e1 comum chamar-se a esta atitude ate\u00edsmo pr\u00e1tico. Vive-se ao ritmo dos instintos da natureza, f\u00edsicos ou espirituais. Acentua-se a dimens\u00e3o individual da liberdade e altera-se o horizonte da felicidade como objectivo a alcan\u00e7ar, reduzindo-a \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de instintos e desejos, situados no presente e no futuro imediato. Esta atitude altera profundamente o sentido \u00e9tico da exist\u00eancia, alicerce da profundidade de uma cultura. Dilui-se o sentido do pecado, que s\u00f3 se sente quando a vida \u00e9 vivida numa rela\u00e7\u00e3o de fidelidade a Deus. Resta, apenas, a infrac\u00e7\u00e3o legal. \tOra Deus \u00e9 a realidade mais s\u00e9ria e exigente que acontece na nossa vida. Ele apresenta-se como realidade insofism\u00e1vel, \u201cAquele que \u00e9\u201d (cf. Ex. 3,14) e aceit\u00e1-l\u2019O \u00e9 mudar radicalmente o sentido da nossa vida. A Sua Palavra e a palavra que O anuncia, t\u00eam de abrir caminhos no deserto para serem ouvidas.  \t* O racionalismo, atitude que se acentuou, nos \u00faltimos dois s\u00e9culos, no pensamento europeu e que tende a fazer da raz\u00e3o o \u00fanico crit\u00e9rio de verdade. Perante a f\u00e9, enquanto acolhimento de Deus e da Sua palavra, o racionalismo gerou movimentos que v\u00e3o desde a aceita\u00e7\u00e3o do Deus da raz\u00e3o at\u00e9 ao ate\u00edsmo te\u00f3rico. Esta tend\u00eancia para reduzir a compreens\u00e3o da verdade ao horizonte expl\u00edcito da raz\u00e3o, chegou a influenciar o pensamento crist\u00e3o e correntes de opini\u00e3o dentro da pr\u00f3pria Igreja, a seu tempo denunciados pelo Magist\u00e9rio. O progresso das ci\u00eancias exactas, um dos maiores triunfos da raz\u00e3o humana, acentuou a atitude racionalista, chegando-se a alimentar um conflito inevit\u00e1vel entre a raz\u00e3o e a f\u00e9.  \tCuriosamente este culto da raz\u00e3o acabou por diminuir a sua dignidade e grandeza e reduzir o \u00e2mbito das suas potencialidades. A invas\u00e3o da vida quotidiana pelos frutos da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica, deu origem a uma racionalidade b\u00e1sica, limitada ao imediato da exist\u00eancia e incapaz de atrair o homem para a busca da verdade. A filosofia, ci\u00eancia vocacionada para a compreens\u00e3o profunda da realidade e para a busca exigente da verdade, deu lugar \u00e0 an\u00e1lise dos fen\u00f3menos, a uma sabedoria pr\u00e1tica sem asas para voar. O individualismo do pensamento e da liberdade conduziram \u00e0 anula\u00e7\u00e3o da cultura, substitu\u00edda pelo imponder\u00e1vel dos sentimentos e da opini\u00e3o, principal dogma da apregoada \u201cnova idade\u201d. O racionalismo levou a uma aut\u00eantica crise da racionalidade. Mas sobretudo esqueceu-se a capacidade da raz\u00e3o humana de procurar Deus, de integrar a Sua Palavra e de ser a base de uma verdadeira racionalidade da f\u00e9. E, no entanto, \u00e9 nessa sua voca\u00e7\u00e3o de transcend\u00eancia e de absoluto que reside a grandeza e a dignidade da raz\u00e3o humana. \tA firmeza da f\u00e9, com capacidade de exprimir as raz\u00f5es do nosso acreditar, sup\u00f5e o aprofundamento da sua racionalidade, o que exige estudo e cultura. Como escreveu Jo\u00e3o Paulo II, \u201ca f\u00e9 e a raz\u00e3o constituem como que as duas asas pelas quais o esp\u00edrito humano se eleva para a contempla\u00e7\u00e3o da verdade. Foi Deus quem colocou no cora\u00e7\u00e3o do homem o desejo de conhecer a verdade e, em \u00faltima an\u00e1lise, de o conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar tamb\u00e9m \u00e0 verdade plena sobre si pr\u00f3prio\u201d1.  \t* O individualismo: o culto do indiv\u00edduo em detrimento da dimens\u00e3o comunit\u00e1ria, acentuou uma vis\u00e3o da pessoa humana que d\u00e1 primazia aos interesses e direitos individuais de cada um, relativizando a responsabilidade social. As express\u00f5es mais graves deste individualismo concretizaram-se na concep\u00e7\u00e3o da liberdade, no conceito de verdade, na defini\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia moral. No exerc\u00edcio da liberdade, relativiza-se o sentido da corresponsabilidade para com os outros, em comunidade: cada um passa a ter direito \u00e0 pr\u00f3pria verdade e a decidir individualmente o que \u00e9 bem e mal. O individualismo altera profundamente o universo \u00e9tico da cultura.  \tA mensagem crist\u00e3 d\u00e1 prioridade ao amor, que p\u00f5e os outros no centro da nossa liberdade e \u00e0 comunidade sobre o indiv\u00edduo, sendo o contexto da defini\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o da verdade. Esta recebe-se e herda-se, n\u00e3o se inventa a partir de cada liberdade individual. Aos direitos correspondem sempre deveres e o dom de si mesmo \u00e9 mais importante do que a procura dos pr\u00f3prios interesses. Neste quadro individualista dilui-se, progressivamente, o conceito de \u201cbem comum\u201d. Cai-se na preval\u00eancia do ego\u00edsmo sobre a generosidade.  \t* A permissividade. A nossa sociedade \u00e9, cada vez mais, permissiva, porque se foi perdendo a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria dos valores e da verdade. Qualquer magist\u00e9rio tem o valor da opini\u00e3o, tolerado na medida em que n\u00e3o questione a liberdade individual. A esta permissividade est\u00e1 ligado o conceito de toler\u00e2ncia, concebida como aceita\u00e7\u00e3o de que cada um pode agir como lhe parecer melhor. Neste contexto, as pr\u00f3prias leis, que deveriam exprimir os valores culturais de uma comunidade, limitam-se a gerir conflitos entre indiv\u00edduos, tornando-se pragm\u00e1ticas e n\u00e3o propostas de cultura e de civiliza\u00e7\u00e3o. A conflitualidade social agravou-se neste quadro cultural.  \t<b>O \u201cdeserto\u201d dentro da Igreja<\/b> \t4. A pr\u00f3pria Igreja, na sua complexa realidade, pode constituir, tamb\u00e9m ela, esse \u201cdeserto\u201d onde \u00e9 preciso rasgar caminhos para a Palavra do Senhor. \tA Igreja faz parte da sociedade e pode deixar-se influenciar pela deriva cultural que referi atr\u00e1s. Como sabemos \u00e9 muito grande o n\u00famero de crist\u00e3os baptizados que, ou perderam a f\u00e9 ou n\u00e3o a praticam. Muitos limitam a sua refer\u00eancia \u00e0 Igreja a actos particularmente simb\u00f3licos, como \u00e9 o nascimento, o casamento, a morte. E mesmo os praticantes, separam cada vez mais a f\u00e9 da sua exig\u00eancia moral. Celebram a f\u00e9, mas vivem com o esp\u00edrito do mundo, desconhecendo o princ\u00edpio b\u00edblico de que \u00e9 na pr\u00e1tica dos mandamentos que se conhece e ama a Deus. Muitos relativizam o Magist\u00e9rio, deixando de escutar a Igreja como mestra da verdade. \tUm cristianismo de tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem a for\u00e7a para fazer frente ao esp\u00edrito do mundo, e a Igreja enfraquece a sua capacidade prof\u00e9tica de ser testemunho de uma outra vis\u00e3o da vida. Para muitos crist\u00e3os a f\u00e9 \u00e9 pouco profunda, solidificada pela cultura. E quando a f\u00e9 n\u00e3o se solidifica numa verdadeira racionalidade crente, cai-se, facilmente, em express\u00f5es da f\u00e9 baseadas na afectividade, no misticismo dos sentimentos, a que os Santos Padres chamaram \u201cfide\u00edsmo\u201d. O Papa Jo\u00e3o Paulo II refere-se-lhe assim: \u201cn\u00e3o faltam tamb\u00e9m perigosas reca\u00eddas no fide\u00edsmo, que n\u00e3o reconhece a import\u00e2ncia do conhecimento racional e do discurso filos\u00f3fico para a compreens\u00e3o da f\u00e9, melhor, para a pr\u00f3pria possibilidade de acreditar em Deus\u201d2. \tEst\u00e1 em quest\u00e3o todo o ritmo da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, em que o aprofundamento cultural deve acompanhar a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e a experi\u00eancia da ora\u00e7\u00e3o. S\u00f3 a racionalidade crente possibilita um discernimento completo, por parte dos crist\u00e3os, das realidades da sociedade em que est\u00e3o inseridos. No debate cultural eles tornam-se incapazes de dar as raz\u00f5es profundas das suas op\u00e7\u00f5es de f\u00e9. \u00c9 um esfor\u00e7o que tem de come\u00e7ar na catequese, sobretudo a de adultos, valorizar a presen\u00e7a na escola, sobretudo na escola cat\u00f3lica, aproveitar todos os meios dispon\u00edveis, t\u00e3o ampliados pelas novas tecnologias, para promover um debate cont\u00ednuo sobre a f\u00e9 e o homem e a sociedade, vistos \u00e0 luz da f\u00e9. Formar crist\u00e3os \u00e9 ensin\u00e1-los a celebrar e a rezar, mas \u00e9 tamb\u00e9m ensin\u00e1-los a pensar. Oxal\u00e1 a Igreja seja o espa\u00e7o onde se mantenha e, porventura, se salve um verdadeiro pensamento filos\u00f3fico.  \t<b>As raz\u00f5es do nosso acreditar<\/b> \t5. A vida da Igreja nas nossas sociedades ocidentais n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. N\u00e3o tem inimigos frontais e declarados, como noutras fases da sua hist\u00f3ria, embora haja for\u00e7as organizadas que visam relativizar a import\u00e2ncia dos valores crist\u00e3os na sociedade. H\u00e1 modelos de sociedade que s\u00f3 triunfar\u00e3o, alterando as coordenadas culturais. Mas a principal amea\u00e7a para a Igreja vem-lhe de dentro: \u00e9 o desgaste da conviv\u00eancia da sociedade, \u00e9 a usura do tempo, na incapacidade de afirmar a solidez racional da sua proposta. \u00c9 preciso mostrar que h\u00e1 raz\u00f5es para acreditar, que a f\u00e9 n\u00e3o violenta a raz\u00e3o e que esta, no seu dinamismo profundo, \u00e9 uma abertura a Deus e \u00e0 Sua Palavra. A cultura contempor\u00e2nea minimizou a raz\u00e3o. Todos os ate\u00edsmos e agnosticismos s\u00e3o limitativos das capacidades da raz\u00e3o. \u00c9 preciso recuperar o debate sobre a verdade e repor a dignidade da liberdade. \tA Igreja faz parte da sociedade, e tudo o que \u00e9 humano lhe interessa e diz respeito. \u00c9-lhe enviada com uma proposta que continua a chocar e a surpreender. A Igreja abra\u00e7a a humanidade, sabendo que lhe \u00e9 enviada em miss\u00e3o. Essa \u00e9 a mensagem do Conc\u00edlio Vaticano II, na \u201cConstitui\u00e7\u00e3o Pastoral sobre a Igreja no mundo do nosso tempo\u201d, cuja actualidade \u00e9 flagrante: \u201cAs alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo, e n\u00e3o h\u00e1 nada de verdadeiramente humano que n\u00e3o encontre eco no seu cora\u00e7\u00e3o\u201d3. \tAmar os homens do nosso tempo n\u00e3o significa deixar-se arrastar pela deriva cultural das sociedades contempor\u00e2neas. Como enviada em miss\u00e3o, a Igreja tem de ser capaz de afirmar a diferen\u00e7a, de ler nos anseios e problemas da sociedade sinais para a sua miss\u00e3o, e poder propor com convic\u00e7\u00e3o aquilo em que acredita.  S\u00e9 Patriarcal, 25 de Fevereiro de 2007 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequese do Cardeal-Patriarca no 1\u00ba Domingo da Quaresma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,144,199,237,246,275,91],"class_list":["post-23119","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-espiritualidade","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23119\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}