{"id":231109,"date":"2022-03-06T09:30:25","date_gmt":"2022-03-06T09:30:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=231109"},"modified":"2022-03-04T21:28:18","modified_gmt":"2022-03-04T21:28:18","slug":"perante-a-necessidade-os-portugueses-sao-generosos-d-jose-traquina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/perante-a-necessidade-os-portugueses-sao-generosos-d-jose-traquina\/","title":{"rendered":"\u00abPerante a necessidade, os portugueses s\u00e3o generosos\u00bb &#8211; D. Jos\u00e9 Traquina"},"content":{"rendered":"<p><em>A guerra na Ucr\u00e2nia, para al\u00e9m do sacrif\u00edcio de muitas vidas, \u00e9 j\u00e1 respons\u00e1vel por um movimento de deslocados, carregados de necessidades e carentes de acolhimento. Alguns apontam mesmo para a possibilidade de a guerra gerar 5 milh\u00f5es de deslocados. O bispo de Santar\u00e9m e presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana \u00e9 o convidado desta semana da entrevista Renascen\u00e7a\/Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_230588\" aria-describedby=\"caption-attachment-230588\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas6.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-230588 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas6.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas6.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas6-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas6-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas6-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas6-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas6-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas6-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas6-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas6-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-230588\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No momento em que falamos j\u00e1 poder\u00e1 haver cerca de um milh\u00e3o de refugiados da Ucr\u00e2nia. E sabemos das suas dificuldades em chegar a locais de abrigo. \u00c9 fundamental como sugeriu o Papa a cria\u00e7\u00e3o de corredores humanit\u00e1rios?<\/em><\/p>\n<p>Sim, obviamente, pedimos que se possa chegar \u00e0s pessoas onde elas se encontram, que haja esses corredores humanit\u00e1rios, at\u00e9 para que os apoios cheguem. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o grande.<\/p>\n<p>Espero que as C\u00e1ritas locais tamb\u00e9m possam ter essa possibilidade de se aproximar de quem precisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sente haver a coordena\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria na ajuda que vai sendo disponibilizada e anunciada em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>A coordena\u00e7\u00e3o que estamos a fazer, em termos de C\u00e1ritas Portuguesa, \u00e9 com as duas C\u00e1ritas ucranianas \u2013 a de rito latino e a de rito greco-cat\u00f3lico \u2013 e tamb\u00e9m com a da Mold\u00e1via, Rom\u00e9nia, Pol\u00f3nia, para que o nosso apoio lhes possa chegar. A C\u00e1ritas Europa e a C\u00e1ritas Internacional est\u00e3o a corrente do que \u00e9 feito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a liga\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades nacionais, com o Governo portugu\u00eas? Est\u00e1 a ser conseguida?<\/em><\/p>\n<p>Sim, a\u00ed \u00e9 mais f\u00e1cil essa coordena\u00e7\u00e3o. A C\u00e1ritas Portuguesa lan\u00e7ou uma campanha para a Ucr\u00e2nia, que teve de ser autorizada pelo Minist\u00e9rio da Administra\u00e7\u00e3o Interna, portanto, o Governo tem conhecimento da totalidade dessa campanha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Igreja Cat\u00f3lica em Portugal acionou de imediato os mecanismos ao seu dispor para ajudar a popula\u00e7\u00e3o, v\u00edtima da guerra, e nesta Quarta-feira de Cinzas, simbolicamente, a C\u00e1ritas arrancou mesmo com essa campanha, que vai decorrer at\u00e9 30 de mar\u00e7o. S\u00e3o sinais significativos?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o. Quarta-feira de Cinzas foi o dia que o Papa quis salientar, como importante, para os cat\u00f3licos se encontrarem na ora\u00e7\u00e3o e em jejum, na solidariedade e em prece pelo povo ucraniano. A C\u00e1ritas considerou, e muito bem, inserir nesse contexto o lan\u00e7amento de uma campanha a favor da Ucr\u00e2nia. Foi feito de uma forma muito simples, com um texto da Palavra de Deus como fonte de bem e de inspira\u00e7\u00e3o para o bem que Deus quer que se fa\u00e7a, atrav\u00e9s das pessoas. N\u00f3s somos correspons\u00e1veis por um des\u00edgnio de Deus, que quer que o bem aconte\u00e7a. Essa \u00e9 a nossa voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta campanha poder\u00e1 prolongar-se para l\u00e1 de dia 30?<\/em><\/p>\n<p>Para j\u00e1, tem uma autoriza\u00e7\u00e3o at\u00e9 final do m\u00eas, a partir da\u00ed far-se-\u00e1 de acordo com as autoriza\u00e7\u00f5es, que t\u00eam de ser pedidas. N\u00e3o sabemos qual \u00e9 o desfecho, at\u00e9 onde vai a necessidade\u2026 Pode ser para os pa\u00edses vizinhos, imediatamente, mas eventualmente para alguns ucranianos em Portugal, tamb\u00e9m. A\u00ed j\u00e1 entramos em rede com as C\u00e1ritas diocesanas, para fazer esse apoio. Tudo isto tem de ser pensado e avaliado semana a semana, de acordo com o desenvolvimento da situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se se vier a confirmar o que o diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional das Migra\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ant\u00f3nio Vitorino, disse \u00e0 Renascen\u00e7a de que esta guerra pode gerar 5 milh\u00f5es de refugiados, isso obrigar\u00e1 a uma onda solid\u00e1ria robusta. At\u00e9 onde vai a disponibilidade da Igreja e das estruturas da Igreja portuguesa para acolher?<\/em><\/p>\n<p>Eu estou convencido que, perante a necessidade, os portugueses s\u00e3o generosos. N\u00e3o gostam apenas de uma generosidade no vazio, quando h\u00e1 credibilidade, informa\u00e7\u00e3o, quando veem a necessidade, os portugueses s\u00e3o generosos, no seu conjunto.<\/p>\n<p>Lembro-me com agrado do que se passou em 2004, quando foi o tsunami, na \u00c1sia: Portugal apoiou, atrav\u00e9s da C\u00e1ritas, o Sri Lanka. \u00c9 muito curioso que, nesse apoio, fomos dos pa\u00edses europeus que mais ajudou, esse aux\u00edlio fez com que, 10 anos, viessem a Portugal um bispo e um padre, agradecer a iniciativa, informando que outros pa\u00edses da Europa, nomeadamente, sabendo da generosidade dos portugueses, acabaram por aumentar a sua oferta. Na verdade, a generosidade foi grande, com essa ajuda foram constru\u00eddas 500 habita\u00e7\u00f5es para pessoas que ficaram sem casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a experi\u00eancia da Igreja Cat\u00f3lica ao n\u00edvel do acolhimento n\u00e3o poderia ser aproveitada de uma outra forma?<\/em><\/p>\n<p>Pode, de acordo com as necessidades. A nossa maior experi\u00eancia, em termos de acolhimento, aconteceu em 1974-75, com o regresso dos portugueses dos pa\u00edses que eram, ent\u00e3o, prov\u00edncias ultramarinas. Foram cerca de 500 mil pessoas que regressaram, foram recebidos. embora n\u00e3o nas melhores condi\u00e7\u00f5es \u2013 porque n\u00e3o est\u00e1vamos preparados para tal.<\/p>\n<p>Penso, que de acordo com as necessidades e capacidades, se alargar\u00e1 a boa vontade dos portugueses, das institui\u00e7\u00f5es que temos, para acolher.<\/p>\n<p>Gostamos de acolher com as melhores condi\u00e7\u00f5es, mas \u00e0s vezes, quando a necessidade \u00e9 muita, n\u00e3o as temos. Entre ficar na rua ou ter algumas condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 melhor ter essas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o sente que, por vezes, essa capacidade, esse background que a Igreja Cat\u00f3lica tem, n\u00e3o \u00e9 devidamente aproveitado?<\/em><\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica teve alguma dificuldade, nos \u00faltimos tempos, para ter espa\u00e7os preparados para acolhimento. Isso resulta, considero eu, do relacionamento com o Estado. Uma casa que a Igreja tenha ao servi\u00e7o dos pobres, se n\u00e3o houver um entendimento com os servi\u00e7os estatais, tem de pagar imposto. Ora, estando n\u00f3s a fazer um ato de caridade com uma fam\u00edlia pobre, uma pessoa estrangeira, seja quem for, termos de pagar sobre isso e ainda ajudar nas despesas da pr\u00f3pria casa\u2026 isso n\u00e3o est\u00e1 bem.<\/p>\n<p>Isto diz respeito, nomeadamente, ao que em Portugal se chama o \u201cpatrim\u00f3nio dos pobres\u201d. Ele est\u00e1 em nome de muitas par\u00f3quias, onde se encontram essas casas, mas tem sido dif\u00edcil convencer as autoridades de que estas devem ser isentas de imposto, porque est\u00e3o cedidas a fam\u00edlias pobres. Pagar imposto para se fazer caridade n\u00e3o soa bem.<\/p>\n<p>Se isto fosse considerado, naturalmente a capacidade e a boa vontade, o gosto de ter espa\u00e7os de acolhimento aumentariam. Esse \u00e9 tamb\u00e9m um apelo que fica, para um bom entendimento, porque o nosso gosto de estar \u00e9 de lealdade e coopera\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso que queremos fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma luta para manter com o pr\u00f3ximo Governo?<\/em><\/p>\n<p>Sim, entenda-se: n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o se possam ceder os espa\u00e7os dispon\u00edveis para algumas pessoas viverem. Mas reconhe\u00e7amos \u2013 e tivemos essa experi\u00eancia em 1975 \u2013 que a certa altura viverem muitas fam\u00edlias, v\u00e1rias fam\u00edlias, num espa\u00e7o que n\u00e3o est\u00e1 preparado para elas, o ambiente pode degradar-se, n\u00e3o \u00e9 o melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O ideal \u00e9 que estas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o se prolonguem no tempo, \u00e9 isso?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es de guerra, de conflito, em que s\u00e3o dadas respostas, mas s\u00e3o provis\u00f3rias, para as pessoas n\u00e3o ficarem na rua. Depois tem de se ajudar a criar respostas mais comuns, de melhor instala\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_230589\" aria-describedby=\"caption-attachment-230589\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas5.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-230589\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas5-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas5-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas5-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas5-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas5-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas5-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas5-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas5-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ucrania-campanha-caritas5.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-230589\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Falava ainda h\u00e1 pouco das migra\u00e7\u00f5es da \u00c1sia. Tivemos durante a pandemia um caso infeliz, com trabalhadores agr\u00edcolas em Odemira; sabemos que as confedera\u00e7\u00f5es patronais est\u00e3o dispon\u00edveis para, em articula\u00e7\u00e3o com o Instituto do Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional (IECP), integrar profissionalmente os refugiados ucranianos que cheguem a Portugal nos pr\u00f3ximos meses, por causa da guerra.\u00a0<\/em><em>Corremos de alguma forma o risco de voltar a esbarrar com situa\u00e7\u00f5es como a que vivemos em Odemira?<\/em><\/p>\n<p>Eu espero que n\u00e3o e por isso aquela observa\u00e7\u00e3o que eu disse que os ucranianos que venham e sobretudo que tenham c\u00e1 ucranianos que falem a sua lingui\u00e7a isso \u00e9 importante, \u00e9 tamb\u00e9m uma defesa. Porque trata-se de defender as pessoas. E tanto quanto sei, dessas pessoas que ficaram mal-acondicionadas em Portugal t\u00eam entre eles e as empresas onde trabalham, empresas intermedi\u00e1rias. E essas empresas intermedi\u00e1rias \u00e9 que \u00e9 preciso saber quem s\u00e3o e o que \u00e9 est\u00e3o a realizar. N\u00e3o h\u00e1 desculpa para que as pessoas estejam em Portugal e n\u00e3o sejam cuidadas e recebidas com as justas condi\u00e7\u00f5es a que t\u00eam direito. Embora nesta mat\u00e9ria \u00e9 preciso tamb\u00e9m reconhecer e algumas pessoas portuguesas gostam de ouvir tamb\u00e9m, n\u00f3s temos um problema n\u00e3o s\u00f3 daquelas pessoas que veem de fora, mas tamb\u00e9m dos pr\u00f3prios portugueses. Estamos preocupados com o que se passa em Portugal nomeadamente em rela\u00e7\u00e3o ao rendimento das pessoas. N\u00f3s n\u00e3o estamos preocupados apenas com os migrantes e com aqueles que tem necessidades emergentes como \u00e9 o caso da Ucr\u00e2nia. Tamb\u00e9m estamos preocupados porque estamos a verificar que por muito que se fa\u00e7a na ajuda aos pobres a sociedade portuguesa n\u00e3o consegue resolver o problema da car\u00eancia de muitas pessoas em Portugal. Portanto, \u00e9 preciso aqui um des\u00edgnio diferente, \u00e9 preciso uma pol\u00edtica diferente, \u00e9 preciso um olhar diferente para esta realidade da sociedade portuguesa para que ela seja mais equilibrada economicamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este m\u00eas vamos celebrar a Semana Nacional da C\u00e1ritas Portuguesa, j\u00e1 num cen\u00e1rio em que a pandemia parece abrandar. Na sua mensagem, D. Jos\u00e9 Traquina faz eco da preocupa\u00e7\u00e3o acerca da sustentabilidade das respostas, que tem sido manifestada por v\u00e1rios respons\u00e1veis. H\u00e1 ainda portas que se podem fechar?<\/em><\/p>\n<p>Podem fechar-se se a seguran\u00e7a social n\u00e3o corresponder \u00e0s necessidades econ\u00f3micas dessas institui\u00e7\u00f5es. E algumas poder\u00e3o fechar. Ali\u00e1s eu devo dizer que no princ\u00edpio de janeiro, na passagem de ano, eu estava preocupado porque eu ouvia das institui\u00e7\u00f5es essa dificuldade. Com o aumento do ordenado m\u00ednimo, se o Governo n\u00e3o se chegasse \u00e0 frente para corresponder \u00e0s institui\u00e7\u00f5es , as institui\u00e7\u00f5es muitas n\u00e3o iam conseguir pagar. E, portanto, esse \u00e9 um problema. As pessoas ganham pouco e as institui\u00e7\u00f5es e as empresas n\u00e3o podem pagar mais. Portanto, este equil\u00edbrio tem que ser estudado por quem sabe e quem pode e quem o pode equilibrar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E esse problema pode agudizar-se at\u00e9 porque existe a inten\u00e7\u00e3o de aumentos significativos do salario m\u00ednimo nos pr\u00f3ximos anos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Acho bem. N\u00f3s temos um ordenado m\u00ednimo que \u00e9 metade do Ordenado m\u00ednimo em Fran\u00e7a. Estamos na mesma Europa, estamos com a mesma moeda, portanto porque \u00e9 que \u00e9 s\u00f3 metade da Fran\u00e7a? Pode ser mais. Mas \u00e9 preciso que quem paga os vencimentos possa faz\u00ea-lo. N\u00e3o basta n\u00f3s estarmos a reivindicar o aumento se n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es do outro lado para pagar. Eu sou testemunha. Muitas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o tinham possibilidade de pagar os ordenados se a seguran\u00e7a social n\u00e3o tivesse olhado imediatamente para o problema logo em janeiro. Parece que para j\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 resolvida, est\u00e1 assegurada, mas esse problema estava colocado em cima da mesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando para o que tem sido a atualidade dos \u00faltimos meses antes da guerra pensa que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel avaliar todas as consequ\u00eancias sociais e econ\u00f3micas da pandemia ou ainda haver\u00e1 muitas situa\u00e7\u00f5es que se v\u00e3o agravar no futuro pr\u00f3ximo? <\/em><\/p>\n<p>Vamos ver como \u00e9 que vai ser este ano. De facto, depois de dois anos de pandemia s\u00f3 nos faltava agora esta preocupa\u00e7\u00e3o com uma guerra que ningu\u00e9m quer, obviamente. N\u00e3o sabemos como \u00e9 que vai ser a avalia\u00e7\u00e3o do ano de 2022, ainda est\u00e1 a decorrer, mas \u00e9 preciso reconhecer que logo em 2020 no ano do in\u00edcio da pandemia aparecerem &#8211; al\u00e9m dos apoios que a C\u00e1ritas em Portugal j\u00e1 dava a pessoas e fam\u00edlias &#8211; surgiram mais oito mil casos de car\u00eancia. E este \u00e9 um crescendo que se vai equilibrando ao tempo que v\u00e3o aparecendo solu\u00e7\u00f5es. De facto, estas coisas tem um impacto e exige um refor\u00e7o de boa vontade e de a\u00e7\u00e3o. E, portanto, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que a pandemia levou \u00e0 fal\u00eancia de v\u00e1rias empresas e h\u00e1 pouco tempo j\u00e1 se contavam cerca de 13 mil empresas que foram \u00e0 fal\u00eancia. Foi um n\u00famero que me ficou de ouvido. E isto tem consequ\u00eancia. Consequ\u00eancias para quem \u00e9 o dono das empresas e consequ\u00eancia para quem trabalhava. E foram naturalmente pequenas e m\u00e9dias empresas que sofreram esse embate. Ora isto \u00e9 preocupante. Portanto, vamos ver qual \u00e9 a capacidade das pessoas que ficaram nessas situa\u00e7\u00f5es de resolver a sua dificuldade e conseguirem naturalmente avan\u00e7ar. \u00c9 bom saber que temos muitas empresas \u00e0 procura de gente para trabalhar e \u00e9 bom saber que nesse aspeto at\u00e9 a pr\u00f3pria vinda de estrangeiros para Portugal se torna um bem. Mas, evidentemente que a vinda de estrangeiros, ucranianos ou outros n\u00e3o pode ser uma situa\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o, e portanto, tudo isto nos preocupa. Porque a C\u00e1ritas, a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 apoiar na emerg\u00eancia, mas tamb\u00e9m promover a a\u00e7\u00e3o social no que diz respeito \u00e0 observa\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, a C\u00e1ritas tem um observat\u00f3rio social que tem esta responsabilidade de olhar a sociedade e tamb\u00e9m dar o seu parecer sobre a realidade para que as coisas possam melhorar. Portanto \u00e9 outra forma de ajudar. Temos estado a colaborar, e a C\u00e1ritas tem apoiado no seu editorial livros, publica\u00e7\u00f5es de autores, acad\u00e9micos que promovem estudos sobre a realidade social. A C\u00e1ritas tem apoiado a publica\u00e7\u00e3o desses livros porque s\u00e3o de interesse para o conhecimento e para o estudo da realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra na Ucr\u00e2nia, para al\u00e9m do sacrif\u00edcio de muitas vidas, \u00e9 j\u00e1 respons\u00e1vel por um movimento de deslocados, carregados de necessidades e carentes de acolhimento. Alguns apontam mesmo para a possibilidade de a guerra gerar 5 milh\u00f5es de deslocados. 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